Notas iniciais
BOA LEITURA!

Epílogo

POV. OLÍVIA

SEIS ANOS DEPOIS...

Eu definitivamente odiava ser o centro das atenções.

Houve uma época em que isso não era problema, mas agora, quanto mais anônima eu estivesse, mais feliz eu me sentia.

Pensar em aparecer em público fazia com que minhas mãos suassem, meu estômago se revirasse e minha pele ficasse toda vermelha e era exatamente por isso que eu me perguntava o que diabos eu estava fazendo ali.

_ Não sei como você me convenceu a fazer isso..._ Eu resmunguei para Jane, minha melhor amiga, e ela riu,se afastando do espelho do camarim que ocupávamos e me abraçando com carinho.

_ Você é a melhor “tocadora” de violão que eu conheço. Além do mais, Olívia Cullen, você é minha melhor amiga e melhores amigas servem, entre outras coisas, para pagar micos e se meter em roubadas com as parceiras de uma vida. Nada mais justo!_ Ela afirmou e eu revirei os olhos, enquanto terminava de afinar meu violão.

Jane e eu estudávamos juntas desde o jardim da infância e era só por conta dessa amizade de uma vida inteira que ela conseguira fazer com que eu participasse de um concurso de talentos onde toda a escola estaria nos assistindo.

Ela passara o verão inteiro tentando me convencer dessa loucura e mesmo querendo me livrar de todas as maneiras do suplício que eu estava prestes a viver, acabei sendo convencida.

Tudo isso porque, segundo minha mãe, Jane era a Alice da minha vida e eu jamais conseguiria me livrar de sua grande teimosia e incansável insistência.

_ Liv? Ei... Estou falando com você..._ Jane chamou minha atenção e eu suspirei, encarando-a.

_ Diga..._ Eu falei e ela revirou os olhos, vindo se sentar a minha frente.

_ Então... Nos apresentaremos para a escola toda e um certo vizinho lindo, loiro e de olhos verdes estará lá... Acha que ele vai gostar?_ Ela perguntou e eu fechei a cara, fazendo-a rir.

_ Não seja idiota, Jane...

_ Não estou sendo idiota. Sei muito bem que você gosta do Noah. Estou te dando a oportunidade de impressioná-lo e de fazê-lo perceber que a menininha que brincava de bola com ele cresceu e se tornou uma linda garota.

_ Não é assim entre eu e o Noah... Somos apenas amigos..._ Eu declarei e ela revirou os olhos.

_ Vocês são amigos e isso eu não nego. Mas, tem algo mais e você sabe disso. Basta apenas que eu ou qualquer outra pessoa toque no nome dele para você ficar toda estranha e nervosa. Se isso não é gostar de alguém, me explique o que é?

_ Eu... Eu não sei. Não quero pensar no Noah assim. Não quero que nossa amizade seja afetada por sentimentos que eu não sei nem mesmo definir. E além do mais, tem o Matt..._ Eu declarei, referindo-se ao melhor amigo do Noah e Jane bufou.

_ Matt é um idiota se acha que tem alguma chance com você. E sabe o que é pior? Ele tem ciência desse fato... Matt sabe que você e Noah têm uma história e provavelmente terão um futuro, mas não desencanta... Que coisa mais chata!_ Jane reclamou e eu suspirei, querendo não pensar muito no assunto.

Matt e Noah eram grandes amigos que, aparentemente, gostavam da mesma garota e triângulos assim nunca acabavam bem.

Matt já se declarara inúmeras vezes para mim, direta e indiretamente, mas eu não podia fazer nada a respeito, pois eu o considerava apenas meu amigo.

Noah, por outro lado, era mais do que isso, mesmo que eu não soubesse definir o que esse “mais” significava realmente.

Segundo Jane, estávamos conectados de alguma maneira e ele correspondia aos meus sentimentos, mas, como o próprio Noah nunca falara nada e estava a cada dia mais distante, eu não podia ter certeza e continuava em silêncio.

Não queria, de forma alguma, ser o pivô da briga de dois amigos e a melhor forma de evitar que isso acontecesse era me mantendo afastada.

Dos dois.

Além do mais, se meu pai sonhasse que sua menininha de apenas dezesseis anos estava meio que apaixonada pelo vizinho com que brincara a vida toda e em quem ele confiava, Edward Cullen certamente mandaria raptar Noah e o jogaria no fundo do oceano para que seu desejo de que eu permanecesse pura e solteira até os trinta anos de idade fosse cumprido.

Ouvi o mestre de cerimônia anunciando as atrações e senti um frio na barriga, me obrigando a deixar os pensamentos conflitantes sobre Noah e Matt de lado.

Agora não tinha mais como voltar atrás, mas eu jurava que Jane nunca mais iria me convencer a subir em um palco.

Não mesmo.

_ Vamos lá, pequena dama... Vamos fazer esse colégio nos aplaudir de pé..._ Jane falou quando, depois de três apresentações, chamaram por nosso nome e eu respirei fundo, indo para o palco e tentando não olhar para ninguém.

Me concentrei nas notas do violão e na voz suave de Jane, que sempre cantara muito bem e desempenhei meu papel, que fora bastante ensaiado nos últimos dias.

A canção que Jane cantava era uma composição minha, que eu fizera pensando em certo garoto e por isso, não pude evitar procurá-lo entre as pessoas que nos assistiam.

E quando nossos olhares se encontraram, eu senti meu coração disparar no peito da forma costumeira como vinha acontecendo desde que eu me dera conta de que Noah não era mais apenas o meu vizinho e melhor amigo.

Ele sorriu para mim e eu só não errei nenhuma nota porque meus dedos já estavam acostumados com aquela canção, já que todas as vezes que ele sorria daquela forma, eu sentia como se minha vida abandonasse meu corpo.

Sorri de volta e, como combinado, acompanhei Jane no último refrão e, ao fim de nossa apresentação, o colégio realmente nos aplaudiu de pé.

Desviei meu olhar de Noah e procurei por minha família, pois eu sabia que todos estariam ali me assistindo.

Meu pai e minha mãe acenaram, enquanto tentavam segurar Chloe e Mackenzie, que pulavam freneticamente, tentando chamar minha atenção.

Meus tios, tias, primos e avós também estavam ali e meu constrangimento por me apresentar em público diminuiu um pouco ao saber que o tempo todo eu tivera o apoio daqueles que me amavam como ninguém.

Acenei para eles e segui para trás das cortinas, onde Jane não parava de pular e soltar gritinhos histéricos.

_ Você viu? Nós fizemos o maior sucesso, Liv!_ Ela falou, me abraçando e eu ri.

_ Pois é... Acho que somos famosas agora._ Eu declarei e Jane riu mais ainda, rodando com os braços abertos e fazendo com que todos que estavam nos bastidores nos encarassem como se fossemos malucas.

_ Você foi incrível, amiga... Tocou com o coração. Ficou tudo lindo.

_ Tem gente muito boa aqui, Jane... Apesar do sucesso da nossa apresentação, podemos não ser as vencedoras._ Eu alertei e Jane bufou, servindo-se de água e entregando um copo para mim.

_ Não ligo para prêmios... Gosto mesmo é da emoção de participar. Um brinde a nós, que somos gatas, inteligentes e talentosas e que depois de hoje vamos pegar qualquer cara dessa escola..._ Ela propôs, erguendo seu copo de água para o alto e eu ri, tocando o meu copo no dela.

_ Brinde com água em copos de plástico? Quanto glamour, Jane Volturi..._ Eu debochei e ela bufou, batendo em meu braço de leve.

_ Não seja chata... Viva o momento, Liv... Além do mais, você mais do que ninguém tem motivos para comemorar. Pensa que eu não vi a troca de olhares entre você e o Noah durante a apresentação?_ Jane perguntou e eu fiquei vermelha na hora, olhando-a de maneira mortal.

_ Você pode parar com isso? Quer que a escola inteira saiba dessa história?

_ Que história? Que o capitão do time de futebol é apaixonado por você e você por ele? Ou que dois melhores amigos podem ter a relação estremecida por gostarem da mesma garota?_ Jane perguntou e eu suspirei, sabendo que seria difícil fazer com que ela desistisse daquela história.

_ Meninas?_ Ouvia a voz da minha mãe e me virei para olhá-la, correndo para seus braços e me esquecendo das bobeiras da Jane._ Você estava perfeita, amor... Seu pai está muito orgulhoso... Todos nós estamos, na verdade._ Ela falou ao me abraçar e eu sorri, escondendo o rosto no seu pescoço e sentindo seu cheiro gostoso.

_ Fomos incríveis, não é tia Bella? Também estou orgulhosa pela nossa performance..._ Jane falou e minha mãe riu, me afastando do seu corpo e me encarando seriamente.

_ Tudo bem, Liv?

_ Sim..._ Eu falei baixinho, ainda me lembrando das palavras de Jane e minha mãe ergueu a sobrancelha, deixando claro que não acreditava em mim.

Ela me conhecia muito bem e sabia que alguma coisa estava me incomodando.

Mas, graças aos céus, minha mãe não era inconveniente como Jane e resolveu deixar pra lá.

Entretanto, eu sabia que teria que passar por sua santa inquisição mais tarde.

_ Vim convidá-las para uma pizza. Independente do resultado, vocês duas merecem uma noite de glória e nada melhor do que uma boa pizza italiana para comemorarmos o sucesso dessa apresentação. E aí... O que me dizem?

_ Eu super topo..._ Jane falou e minha mãe e eu rimos de seu jeito sempre espontâneo e verdadeiro.

Depois, enquanto Jane e minha mãe conversavam animadas, eu guardei meu violão no suporte e as segui para o auditório, sendo recebida por abraços efusivos de toda minha família.

_ Minha sobrinha linda, você foi fantástica..._ Tia Alice falou e eu sorri envergonhada quando todos concordaram com suas palavras.

_ Mas, o que você esperava de uma Cullen, Alice!_ Vovô Carlisle falou e todos riram, menos meu avô Charlie que o encarou com o cenho franzido.

_ Não se esqueça que Olívia também é uma Swan, Carlisle..._ Vovô Charlie resmungou e eu ri do seu jeito ciumento.

Eu tinha muito orgulho de pertencer a uma família tão maravilhosa como minha.

Segundo minha mãe, quando ela e papai começaram a namorar, vovô Charlie não aprovara a relação e eles sofreram muito com o afastamento.

Mas, depois de alguns anos, vovô Charlie finalmente entendeu que minha mãe era feliz ao lado do meu pai e hoje, a relação deles era muito harmoniosa.

Procurei meu pai com o olhar e o encontrei um pouco mais afastado, me observando com um indisfarçável sorriso orgulhoso no rosto e eu me aproximei, jogando-me em seus braços.

_ Você foi perfeita, princesa..._ Ele falou em meu ouvido e eu sorri, beijando seu rosto e encarando-o com carinho.

_ Eu tive o melhor professor, papai... O melhor do mundo todo._ Eu afirmei e ele sorriu mais uma vez, me segurando pela cintura e beijando meu rosto.

Jane e eu nos acomodamos entre meus familiares para assistirmos o resto do show de talentos e eu constatei que seria muito difícil vencermos, pois havia muita gente boa se apresentando.

Mas, ao fim, fomos surpreendidas com um lindo troféu que foi entregue a mim pelas mãos do capitão do time de futebol da escola, que, por acaso, era o garoto que estava mexendo mais do que deveria com os meus sentidos.

Senti meu coração falhar inúmeras batidas e só não desmaiei porque não queria que meu pai ciumento percebesse o que eu estava sentindo pelo único garoto em quem ele confiava para estar perto de mim.

_ Fico feliz em entregar esse prêmio a vocês. Foi a melhor apresentação da noite._ Noah falou e eu sorri, procurando em minha mente palavras adequadas para respondê-lo, mas não encontrando nenhuma.

_ Fomos convidadas para uma pizza de comemoração. Vamos?_ Jane convidou e Noah sorriu largamente.

_ Eu aceito... Estou faminto e a ideia de uma pizza é simplesmente irresistível._ Ele afirmou e eu engoli em seco, lançando um olhar mortal para minha quase ex-melhor amiga.

Como assim ela convidara Noah?

Será que ela não percebia que eu queria um pouco de paz essa noite após tanta confusão de sentimentos?

Mas, como Jane era uma força irrepreensível da natureza, ao fim da noite eu me vi sentada entre ela e Noah na pizzaria e, por mais fome que eu estivesse sentindo, não consegui comer quase nada devido ao comichão que eu sentia no estômago.

_ Está tudo bem?_ Noah perguntou, colocando sobre meu prato um enorme pedaço de pizza de mussarela, a minha favorita, e eu o encarei, sorrindo sem graça.

_ Sim... Acho que eu só estou cansada. Toda essa história de show de talentos me deixou esgotada.

_ Eu imagino... Mas, você sempre foi tão hábil com o violão que eu achei que não seria problema.

_ Eu adoro música, mas expor para a escola inteira minhas composições foi bem difícil..._ Eu declarei sem pensar e Noah me olhou espantado.

_ Suas composições? Sério?_ Ele perguntou e eu assenti, sentindo meu rosto esquentar.

Eu e minha boca grande!

Por que eu tinha que contar pra ele que a música era uma composição minha quando ele fora minha maior inspiração para criá-la?

_ Liv, você tem um talento nato e eu acho que deveria investir na carreira musical. Aquela música ficou incrível... De verdade! Mas, é claro que foi o conjunto todo que a deixou perfeita.

_ Conjunto?_ Eu perguntei, me sentindo confusa e ele sorriu, piscando pra mim.

_ Sim. O conjunto. Você tocando o violão, você cantando... É a esse conjunto que eu me refiro. A apresentação não teria ficado perfeita se não fosse por você e todo o encanto que te envolve._ Ele falou suavemente, colocando uma macha do meu cabelo atrás da orelha, e eu perdi completamente a capacidade de raciocinar.

Ele me achava encantadora?

Ai meu Deus!

_ Perdeu a língua?_ Ele brincou, apertando minha bochecha de leve e eu sorri envergonhada, baixando o olhar.

_ Não... Eu só não sei o que responder.

_ Não precisa responder nada, Liv... Eu só estava sendo sincero.

_ Quanto à minha música?_ Eu perguntei, sentindo meu coração acelerar e ele sorriu lindamente, apertando de leve minha mão que estava apoiada no assento da minha cadeira.

_ Quanto a você..._ Ele declarou e eu prendi a respiração, não sabendo o que pensar, o que responder e muito menos como agir diante de suas palavras.

Resolvi ficar em silêncio, já que a confusão de sentimentos que eu sentia ainda estava ali, maior do que nunca.

Noah dera a entender com suas palavras e gestos que talvez pudesse corresponder aos meus sentimentos, mas como eu não queria criar expectativas, preferi deixar o assunto de lado por enquanto.

Terminamos nossa noite com animação e embora eu adorasse estar com minha família e amigos, eu me senti aliviada por estar, finalmente, indo para casa.

Os pais de Noah vieram buscá-lo e ele se despediu de mim com um beijo no rosto, como era habitual, mas que hoje tinha um significado um pouco diferente.

_ Acho que você vai estar namorando antes do fim do mês..._ Jane falou quando eu fui me despedir dela e eu a belisquei, já cansada de ouvir suas besteiras.

_ Quer parar com isso?

_ Não... Eu ouvi Noah dizendo que você é encantadora. Quer parar você de ser boba e se aproveitar do fato de ele também estar apaixonado por você? Além do mais..._ Ela continuou e eu revirei os olhos, me virando e seguindo em direção ao carro dos meus pais e deixando-a falando sozinha._ Boa noite, pequena dama..._ Jane gritou e eu bufei, entrando no carro e me recusando a respondê-la.

Às vezes, eu odiava ser amiga daquela loira irritante!

Minhas irmãs estavam a todo vapor e eu coloquei o fone de ouvido, me perguntando onde elas encontravam tanta energia.

Chloe já estava com onze anos, mas ainda era tão infantil quanto Mackenzie, que tinha apenas cinco anos.

Papai e mamãe desistiram de tentar um filho homem depois do nascimento de Mackenzie, pois segundo eles, três filhas era um número suficiente para se convencerem de que nossa casa era realmente um reino de domínio feminino.

Além do mais, Mackenzie tinha energia suficiente para suprir a falta de qualquer garotinho que pudesse vir a fazer parte de nossa família.

Diferente de Chloe e de mim, Mackenzie era muito parecida com a mamãe, da cor da pele à cor dos cabelos, ao não ser pelos grandes olhos azuis, que eram a marca registrada das irmãs Cullen.

Nós três nos dávamos muito bem.

Eu amava minhas irmãs e passar algum tempo com elas era sempre muito bom.

Mas, no momento, a única coisa que eu queria era um tempo para pensar em tudo o que havia acontecido naquela noite.

Eu não queria admitir, mas Jane havia me dado muita coisa para pensar.

Será que ela estava certa quanto aos sentimentos de Noah por mim?

Ele dera a entender que sim, mas eu gostaria muito que Noah fosse mais claro, para acabar de vez com minhas dúvidas e inseguranças.

Afinal, ele tinha a escola toda aos seus pés e eu não conseguia achar um motivo convincente para que ele escolhesse a mim.

E eu não poderia me esquecer de Matt.

Ele era meu amigo e eu não queria magoá-lo, mas se Noah realmente quisesse ficar comigo, eu não iria abrir mão da oportunidade de tê-lo ao meu lado.

Afinal, ele era meu amor de infância.

Sorri com o pensamento.

Acho que, de certa forma, eu sempre fora apaixonada por meu vizinho de sorriso encantador.

Noah Donover se mudara para casa ao lado quando eu era bem pequena.

Agora, ele tinha dezessete anos e era o garoto mais lindo que eu conhecia, além de ser muito simpático e divertido.

Todas as meninas da escola eram apaixonadas por ele, inclusive eu.

Mas, eu tive o privilégio de dividir com ele muitos momentos da infância e isso acabou por nos aproximar, o que fazia com que eu fosse mortalmente odiada por toda a legião feminina do WitSchool.

Mas, eu nunca me importara com isso, de fato.

Desde que Noah continuasse livre, elas podiam me odiar o quanto quisessem.

E era devido a esse tipo de sentimento que eu tinha quase certeza de que realmente estava apaixonada por Noah.

Afinal, ele era o garoto gentil que não se envergonhava por ter uma amiga menina e dividir com ela tantos momentos e brincadeiras.

Noah era o garoto inteligente e corajoso que me ajudara em todas as lições de matemática e me defendera quando aos dez anos, algumas meninas começaram a me perseguir na escola.

Ele era o menino magrelo que me ensinara a plantar bananeira na piscina e que fizera curativos em meus joelhos por duas semanas após um tombo de bicicleta para que minha mãe não descobrisse que tínhamos ido fazer trilha sem sua permissão.

Noah era o amigo que ficara um fim de semana inteiro comigo assistindo filmes, séries e comendo pipoca porque eu não conseguia sair de casa devido às minhas primeiras cólicas menstruais.

Ele fora meu príncipe em minha festa de quinze anos e acho que foi naquele momento que eu tive a certeza de que meus sentimentos por ele estavam mudando, porque Noah era especial demais para ser apenas meu amigo.

Não que amigo não fosse algo importante.

Era. E muito.

Mas, amigos iam e viam e eu queria que ele ficasse comigo para sempre.

Eu queria dividir com Noah outros momentos especiais.

Só esperava ter essa oportunidade.

Chegamos em casa após uns vinte minutos e, após desejar uma boa noite para meus pais e para minhas irmãs, fui diretamente para meu quarto, já que depois de passar o dia todo na escola, envolvida com os preparativos para o show de talentos, eu estava morta de cansaço.

Tomei um banho demorado, sequei os cabelos, escovei os dentes e fui para meu quarto, parando a porta do banheiro quando vi minha mãe sentada sobre minha cama.

A santa inquisição de Isabella Cullen iria começar.

_Tudo bem?_ Ela me perguntou, certamente notando que eu estava um pouco chateada e eu assenti.

_ Sim... Só estou cansada..._ Eu falei baixinho e minha mãe sorriu, fazendo um gesto com as mãos para que eu me sentasse ao seu lado em minha cama.

_ Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não é?_ Ela me perguntou e eu suspirei, me deitando em seu colo e pensando mais uma vez nos acontecimentos de hoje.

_ Eu sei... É que, na verdade, eu não sei exatamente o que te contar.

_ Que tal começar a me dizer o que está acontecendo entre Noah e você?_ Mamãe falou e eu a olhei espantada.

Como ela sabia sobre isso?

_ Eu te conheço como a palma da minha mão, Liv... Há dias estou notando que você está diferente e acho que isso tem a ver com um menino lindo de olhos verdes que mora na casa ao lado... Estou errada?_ Ela me perguntou, me encarando com um sorriso carinhoso nos lábios e eu suspirei, negando com um gesto de cabeça.

Não... Ela não estava errada.

O garoto da casa ao lado estava realmente mexendo comigo, mas acho que eu não tinha o mesmo efeito sobre ele.

Quer dizer...

Pelo menos, eu tinha certeza disso até Jane encher minha cabeça de minhoca e antes da cena entre nós dois na pizzaria.

_ Você está apaixonada, meu anjo?_ Minha mãe perguntou e eu a encarei séria, não sabendo o que responder.

_ Estar apaixonada significa pensar em uma pessoa o tempo todo e desejar que ela esteja ao nosso lado sempre, sem saber se ela se sente da mesma forma?_ Eu perguntei e minha mãe riu, me fazendo sorrir também.

_ Basicamente isso..._ Ela respondeu e eu suspirei, fechando os olhos.

_ Então, acho que eu estou..._ Admiti tristemente e ela sorriu, enquanto acariciava meus cabelos.

_ E como Matt fica nessa história?_ Ela perguntou e eu fiz uma careta.

_ Ele é apenas meu amigo, mãe... Mesmo que Noah nunca corresponda aos meus sentimentos, eu não posso ficar com o Matt. Eu não o vejo dessa forma.

_ Isso é complicado, amor... Tente apenas não magoá-lo e não permita que a amizade dos dois seja interrompida por conta dessa história.

_ É justamente isso que eu quero evitar.

_ Às vezes, é impossível evitar esse tipo de coisa..._ Minha mãe falou pensativa e eu a encarei com estranheza.

Do que ela estava falando, afinal?

_ O que sabe sobre isso?_ Eu perguntei e ela sorriu tristemente, encostando-se na cabeceira e me puxando para seu colo.

Eu já estava grande para ficar assim, mas eu me sentia muito bem no colo da minha mãe.

_ Eu sei o que é estar entre dois amigos, Olívia. Afinal, eu namorava um garoto e fiquei grávida do seu melhor amigo. Não é uma situação que a gente esquece..._ Ela falou e eu arregalei os olhos, encarando-a atentamente.

Do que ela estava falando?

_ Como assim?

_ Eu namorava um cara chamado Jacob, que por coincidência era meu amigo de infância. Seu pai era irmão da garota que se tornara minha melhor amiga e quando eles se mudaram para Forks, foi impossível não nos aproximarmos. Mas, eu o via apenas como um amigo, enquanto seu pai nutria uma paixão secreta por mim, mesmo namorando outra garota. Quando meu namorado começou a se comportar com um idiota, eu acabei envolvida pelos encantos de Edward Cullen e... Bem, eu fiquei grávida de você e nós terminamos juntos.

_ Nunca fiquei sabendo disso... Pra mim, o papai havia sido seu único namorado._ Eu falei, depois de alguns minutos de silêncio e minha mãe sorriu, beijando minha testa e me olhando com carinho.

_ Eu não me orgulho do que fiz, Olívia. Por mais que Jacob e eu estivéssemos brigados na época em que eu me envolvi com seu pai, ele ainda era meu namorado e o que fizemos foi traição. Mas, eu não me arrependo das escolhas que fiz, já que elas me trouxeram o grande amor da minha vida e minhas filhas que eu tanto amo. E não quero que pense que estou lhe contando essa história para deixa-la confusa ou para lhe fazer desistir de Noah. Eu apenas quero evitar que você cometa os mesmos erros que eu, pois apesar do meu final feliz, eu sofri muito com tudo isso e quero evitar que minha filha linda passe por algo parecido..._ Minha mãe explicou e eu suspirei, pensando em tudo o que ela havia me contado.

_ Mas, a história se repete..._ Eu debochei e minha mãe fez uma careta, fechando os olhos e jogando a cabeça pra trás.

_ Nunca pensei que fosse reviver essa história. Por muito tempo, tudo o que eu fiz foi mantê-la no fundo da mente. Eu gosto de me lembrar apenas do momento em que vi para Seattle com seu pai, já estando grávida de você.

_ O que aconteceu com esse tal de Jacob?

_ Ele foi para a Itália, casou-se e teve filhos... Gosto de acreditar que ele é realmente feliz, pois apesar de tudo, ele foi meu amigo e eu nunca quis o seu mal. Ele conheceu você... Acho que era o que ele precisava para seguir em frente.

_ Mãe, eu acho que isso não vai acontecer comigo. Eu gosto muito do Noah... De verdade. Não acho que posso me apaixonar pelo Matt e... E Sei lá... Ter um filho com ele...

_ Eu espero sinceramente que isso não aconteça, pois seu pai mata todo mundo. Não se esqueça que Noah e Matt não são a prova de balas._ Minha mãe falou e eu ri, mesmo sabendo que ela estava certa.

Meu pai realmente mataria qualquer garoto que, por um acaso, me engravidasse.

_ Obrigada por ter me contado isso, mamãe... Acho que vai me fazer refletir sobre o que eu realmente quero e o que vai ser melhor pra mim.

_ Essa era a intenção, princesa. Você tem que tomar suas próprias decisões, mas tem que estar ciente das possíveis consequências._ Ela falou e eu sorri, saindo do seu colo e deitando minha cabeça sobre o travesseiro.

_ Eu estou tão cansada que acho que seria capaz de dormir por três dias..._ Eu comentei, recebendo um beijo carinhoso da minha mãe e ela sorriu, enquanto ajeitava minhas cobertas.

_ Amanhã não tem aula e eu permito que você durma bastante. Afinal, você merece muitas horas de sono depois de todos os acontecimentos do dia. Boa noite, princesa..._ Minha mãe desejou e eu sorri de leve, já me entregando ao sono que me dominava.

_ Boa noite, mãe... Eu te amo..._ Eu sussurrei baixinho e não ouvi a resposta, pois cai em um sono profundo, torcendo para que quando eu acordasse já tivesse todas as respostas necessárias para as confusões de sentimentos que eu estava vivendo no momento.

**********

POV. BELLA

Fiquei observando Olívia enquanto ela dormia e me perguntei se seria a sina das mulheres da minha família estarem entre o amor de dois amigos.

Não queria jamais que minha princesa vivesse toda a confusão de sentimentos que eu vivera na época do meu envolvimento com Edward.

Mas, pelo visto, eu não poderia evitar que Olívia se sentisse confusa e que sofresse um pouco com o fato de estar entre dois melhores amigos, como acontecera comigo há tantos anos atrás.

Como mãe, me restava apenas orientá-la e apoiá-la em suas escolhas para que ela não sofresse tanto com as possíveis consequências de suas decisões.

Suspirei pesadamente e após lhe dar mais um beijo, segui para meu quarto, onde Edward já me esperava esparramado sobre a cama.

_ Esta cada dia mais difícil fazer com que Mackenzie pegue no sono. Ela não fica quieta nem para dormir..._ Ele declarou e eu sorri, me sentando na cama para que ele pudesse abrir o zíper do meu vestido.

_ Mackenzie tem muita energia acumulada e acho que estamos ficando velhos para acompanhá-la..._ Eu afirmei e Edward fez com que eu me deitasse na cama, me encarando seriamente.

_ Eu não sou velho. Ainda sou jovem e gostoso e posso muito bem dar conta da energia da minha filha caçula. E da sua também..._ Ele falou com a voz rouca, beijando meus lábios de leve e eu senti meu corpo estremecer.

Bastava apenas que ele me tocasse para que todo o desejo que nos envolvia continuamente tomasse conta do meu corpo todo.

_ Então porque está reclamando?

_ Não estou. Só estou dizendo que é difícil fazer com que ela durma. Por que você está mal humorada?_ Ele me perguntou, franzindo o cenho e eu suspirei, me levantando da cama e indo até o closet em busca do meu pijama._ Bella?

_ Não estou mal humorada. Estou preocupada._ Eu respondi, indo para o banheiro a fim de escovar os dentes e me preparar para dormir.

_ Preocupada com o que?_ Edward perguntou, aparecendo a porta do banheiro e eu o encarei através do espelho.

_ Com Olívia._ Eu respondi, começando a escovar os dentes e ele estreitou os olhos em minha direção, esperando até que eu pudesse responder a pergunta que ele certamente estava formulando.

Terminei de escovar os dentes e encarei-o seriamente, pedindo de maneira silenciosa que ele saísse do banheiro para que eu pudesse fazer xixi.

Ele bufou e foi para o quarto, mas eu pude ouvi-lo resmungar.

_ Quinze anos de casamento e ela ainda pede para que eu saia do banheiro quando vai usar o vaso... Mulheres!_ Ele falou e eu ri, enquanto lavava as mãos e voltava para o quarto.

_ É interessante manter um pouco da privacidade, Edward. Isso ajuda a preservar o casamento..._ Eu falei e ele revirou os olhos, encostando-se contra a cabeceira da cama e me olhando seriamente.

_ Vamos deixar essa história de privacidade de lado e nos concentrar no real problema. Por que você está preocupada com Olívia?

_ Porque assim como eu há mais de quinze anos atrás, nossa filha está entre o amor de dois amigos e eu não quero que ela passe por tudo o que eu passei..._ Eu expliquei e Edward arregalou os olhos, ficando em silêncio por longos minutos.

_ Noah e Matt?_ Ele perguntou e eu assenti, não me surpreendendo ao me dar conta de que ele já desconfiava de algo.

Edward conhecia Olívia muito bem e sempre sabia o que estava acontecendo antes de qualquer um.

_ E por que você está preocupada?

_ Por que eu não quero que ela sofra. Eu já passei por isso para saber que em uma situação como essa alguém sempre acaba magoado e eu não quero que esse alguém seja minha filha._ Eu declarei e ele sorriu, me puxando para perto do seu corpo.

_ Não podemos evitar que ela sofra, Bella... Acredite: eu também gostaria de protegê-la de todo e qualquer mal, mas isso não é possível. Ao não ser que você concorde com a ideia de deixarmos Olívia trancada em casa até que Noah e Matt se casem com outras pessoas...

_ Você sabe que isso não é uma opção, não é?_ Eu perguntei encarando-o e ele fez uma careta, beijando minha testa em seguida.

_ É claro que eu sei... Mas, eu ainda não estou pronto para entregar minha pequena dama a nenhum garoto e muito menos permitir que ela sofra por estar sendo disputada por dois garotos que ainda nem me provaram que a merecem.

_ E como você está lidando tão bem com isso? Sempre imaginei que quando as palavras namoro e garotos aparecessem em uma oração onde Olívia fosse o sujeito, você iria pirar._ Eu comentei e ele sorriu, dando de ombros enquanto mexia em algumas mechas do meu cabelo.

_ Eu não estou lidando bem com isso, princesa... Acredite. Pra mim, a ideia de entregar Olívia, Chloe ou Mackenzie para qualquer garoto sempre será difícil de ser aceita. Elas são minhas princesinhas e eu queria mantê-las ao meu lado para sempre, protegendo-as de todo e qualquer mal. Mas, eu sou inteligente o bastante para perceber que não posso proibi-las de ter a própria vida, cometer os próprios erros e fazer as próprias escolhas. Meus pais me deram essa oportunidade e eu fiz as melhores escolhas, já que elas me deram você e eu quero dar isso às nossas filhas também. Espero que elas façam boas escolhas, mas se não fizerem, estaremos ao lado delas para apoiá-las._ Edward falou e eu sorri largamente, me dando conta, mais uma vez, do homem maravilhoso que eu tinha ao meu lado.

Edward fora minha melhor escolha entre todas as que eu fiz e quanto mais tempo eu passava ao seu lado, mas eu me dava conta desse fato.

Ele sempre fora um excelente marido e um pai presente e a cada dia que passava eu me via mais apaixonada por ele.

_ Você é perfeito, príncipe. Eu sei que eu já lhe disse isso, mas essa perfeição fica mais evidente a cada dia. Tenho muita sorte de tê-lo como marido, amante e pai das minhas filhas..._ Eu falei, virando meu corpo e ficando por cima dele, que sorriu maliciosamente e agarrou minha cintura.

_ Eu é que tenho sorte, princesa. Talvez, o fato de Olívia estar entre o amor de dois amigos seja nossa punição pelo que fizemos no passado. Mas, como eu já disse antes, não me arrependo de ter ficado com você. Você, Isabella Cullen, me trouxe o melhor e eu te amo. Para sempre._ Ele falou, me beijando em seguida e eu me entreguei à carícia dos seus lábios e das suas mãos, esquecendo-me de todas as minhas preocupações, problemas e receios.

Aquele era o homem que me conhecia como ninguém... O meu amante, meu amigo e meu companheiro e tudo o que eu queria no momento era aproveitar sua doce companhia que sempre me fazia tão bem.

Fazer amor com Edward ficava melhor a cada ano que passava e mesmo não sendo mais nenhuma adolescente, eu não era capaz de resistir ao desejo que me tomava sempre que eu estava com ele.

Gemi baixinho ao sentir seus beijos sobre meu seio e agarrei seus cabelos, aproximando-o mais de mim.

Em pouco tempo, estávamos perdidos um no outro que ficava difícil saber onde começava um e terminava o outro.

Às vezes, eu me sentia insegura com relação ao meu corpo, pois eu sabia que, após três gravidezes, ele já não possuía as mesmas curvas de antes.

Mas, Edward me garantia diariamente que me achava linda e que me desejava mais a cada dia e só por isso eu continuava me entregando a ele sem reservas e nossa vida sexual ficava melhor a cada dia.

_ Eu já não sou o mesmo de antes..._ Edward falou ofegante e eu sorri, me aconchegando em seu corpo quente e olhando-o com carinho.

_ Tem razão. Mas, não se preocupe, pois você fica melhor a cada dia..._ Eu afirmei e ele gargalhou, me apertando de leve e beijando meus cabelos.

_ Fico feliz em ouvir isso. Temia ser trocado por algum garotão sarado quando eu começasse a ficar grisalho...

_ Eu pensei nisso... Mas, garotões sarados dão muito trabalho. Prefiro o meu médico de meia idade, que apesar dos cabelos brancos e de algumas rugas, ainda bate um bolão..._ Eu falei, beijando seus lábios de leve e ele riu.

_ Certo, certo... Agora, vamos dormir porque amanhã temos que enfrentar nossa nova condição de futuros sogros..._ Ele afirmou, fazendo uma careta adorável e eu ri, me levantando e me dirigindo ao banheiro a fim de tomar um banho.

Edward me seguiu e acabamos fazendo amor mais uma vez, antes de voltarmos para o quarto e desabarmos sobre nossa cama.

No outro dia, acordei sentindo um peso sobre minha cintura e quando abri os olhos, me deparei com o rostinho lindo e curioso de Mackenzie, que estava sentada sobre mim.

_ Por que o papai dorme pelado?_ Ela perguntou e eu me sentei na cama assustada, tomando cuidado para não derrubá-la.

Olhei para o lado e percebi que Edward dormia de bruços e totalmente descoberto.

Puxei o lençol sobre seu corpo e olhei seriamente para minha caçula, tão idêntica a mim mesma, que acompanhava todos os meus movimentos com os seus olhos atentos.

_ O que eu falei a respeito de entrar no quarto da mamãe e do papai sem bater?

_ Eu bati. Mas, vocês não ouviram. Aí, eu entrei._ Ela explicou e eu suspirei, sabendo que raras vezes era possível vencer os argumentos da minha filha de apenas cinco anos.

_ Da próxima vez, espere até que lhe respondamos para você poder entrar... Combinado?

_ Da próxima vez, durmam vestidos pra eu não ver o bumbum do papai. Combinado?_ Mackenzie falou e eu a encarei boquiaberta.

De onde ela tirava tantos argumentos?

_ O que você quer, Mackenzie?_ Eu perguntei, tirando-as do meu colo e vestindo meu roupão, que estava pendurado na cabeceira da cama, tomando cuidado para que ela não percebesse que eu também estava nua.

Fui para o banheiro, com ela em meus calcanhares, esperando que ela me explicasse o motivo de ela ter invadido meu quarto.

_ Eu quero panquecas. Hoje é sábado e você não vai trabalhar. Então é dia de panquecas deliciosas..._ Ela falou animada e eu ri, beijando seus cabelos.

_ Ok... Teremos panquecas, então. Mas, agora, enquanto a mamãe se arruma e acorda o papai, você vai tirar o pijama, escovar os dentes e acordar suas irmãs. Encontro todo mundo na cozinha. Certo?

_ Certoooo!_ Ela gritou, correndo para fora do banheiro e em poucos segundos, Edward apareceu nu e sonolento.

_ O que foi isso?_ Ele perguntou e eu sorri, entregando um roupão a ele.

_ Isso foi sua filha de cinco anos esbanjando energia após ver o bumbum do papai._ Eu falei e ele arregalou os olhos, me olhando assustado.

_ Como é que é?

_ Isso mesmo. Ela entrou antes que eu acordasse e notou que estávamos nus e quando eu disse que ela não devia entrar em nosso quarto sem que déssemos permissão, ela me disse que deveríamos dormir vestidos para ela não ter que ver o seu bumbum._ Eu expliquei e Edward suspirou, indo até o chuveiro e ligando-o.

_ O que vamos fazer com Mackenzie?_ Ele perguntou desanimado e eu ri, dando de ombros.

Era uma pergunta difícil de responder, uma vez que Mackenzie Swan Cullen era uma força irrepreensível da natureza.

Minha pequena destruidora nascera quando Chloe completara seis anos de idade.

Edward e eu planejávamos ter outro filho há meses, quando eu finalmente decidira interromper o anticoncepcional.

Meses depois, eu me descobrira grávida e fiquei muito feliz por mais uma vez carregar um filho de Edward no ventre.

Meu marido e toda família ficaram animados com a ideia de que dessa vez eu pudesse ter um menino.

Fizemos muitos exames de ultrassonografia, mas Mackenzie parecia decidida em não revelar seu sexo, que só foi descoberto no dia do seu nascimento.

_ É... Parece que eu só consigo produzir meninas..._ Edward comentou, enquanto embalava a filha recém-nascida nos braços e eu sorri de leve, me ajeitando melhor contra os travesseiros para poder observá-los.

_ Está decepcionado?_ Eu perguntei e ele me encarou seriamente, se aproximando da minha cama e me dando um beijo suave nos lábios.

_ Jamais. Ela é linda, perfeita e saudável e é isso o que importa. Além do mais, acho que eu simplesmente não saberia como ser pai de um menino.

_ Acho que nem eu... Bem, pelo menos essa se parece um pouco comigo..._ Eu comentei, passando o dedo suavemente pelos cabelos escuros de Mackenzie e Edward sorriu, beijando seu rostinho pequeno.

_ Eu não tenho culpa se minha genética é mais forte..._ Edward se defendeu e eu ri, mas antes que eu pudesse respondê-lo, dois furacões pequenos e loiros invadiram o quarto.

_ Mamãe, tia Alice me disse que você teria que ter outro filho, já que mais uma vez, teve uma menina. É verdade?_ Olívia perguntou, ficando na ponta dos pés para observar a irmã e eu revirei os olhos, encarando minha pequena cunhada que estava parada a porta do quarto.

_ Nada de mais filhos, Liv. Três meninas já é o suficiente. Vou deixar a produção de meninos para as outras mulheres da família Cullen.

_ Desafio aceito, cunhadinha. Eu já tive gêmeos e logo me encarregarei da produção de outra criança. A propósito, você produz meninas como ninguém. Mackenzie é linda._ Alice falou e eu sorri largamente.

Sim. Minha filha era linda.

As três eram.

_ Por que ela não é loira igual a mim e a Liv?_ Chloe perguntou e Edward riu, sentando-se em uma poltrona para que nossas filhas pudessem observar melhor a irmã.

_ Por que Deus resolveu ser justo com sua mãe e deixou com que a genética dela se manifestasse em pelo menos uma das filhas..._ Alice debochou e eu mostrei a língua pra ela.

_ Não temos a gelética da mamãe?_ Chloe perguntou preocupada e todos nós rimos.

_ Se diz genética, amor... E é claro que vocês têm a minha genética. São minhas filhas, afinal. Mas, por algum motivo, Liv e você herdaram mais características do papai do que minhas._ Eu expliquei e ela assentiu, embora eu não soubesse se ela havia realmente entendido.

_ Para mim, ela não parece com ninguém. Mackenzie é bonitinha, mas não tem cara de nada._ Olívia afirmou e, mais uma vez, nós rimos.

Liv e Chloe, assim como toda a família, estavam ansiosas para o nascimento do bebê e embora eu estivesse temerosa de que elas se sentissem enciumadas com a chegada de Mackenzie, eu pude constatar que minhas pequenas estavam recebendo bem a irmã, o que me deixava aliviada.

Depois de dois dias, eu recebi alta e fui para casa, sendo recebida por toda minha família, que não viam a hora de poder passar mais tempo com Mackenzie, já que no hospital, o período de visita era restrito.

Minha pequena era um bebê bastante calmo, o que facilitou bastante minha tarefa de cuidar de três crianças.

Além do mais, Olívia e Chloe estavam sempre dispostas a me ajudar com a irmã caçula e embora eu tivesse que ficar com os olhos atentos para que não aprontassem nada, minha rotina com elas era bem tranquila.

O tempo passou e eu voltei a trabalhar quando Mackenzie completou seis meses de idade.

Por mais que quisesse passar o tempo todo com minhas filhas, o dever me chamava e eu não podia, simplesmente, abandonar minha construtora ou deixá-la constantemente nas mãos dos funcionários.

Além do mais, muitos clientes exigiam minha presença nas reformas e se eu quisesse preservá-los, o jeito era voltar ao batente.

Como meus pais se recusavam a ficar longe das netas, podendo vê-las apenas aos fins de semana, eles mudaram-se para Seattle e Renée se encarregou de cuidar das minhas filhas enquanto eu trabalhava o que eu achei ótimo, já que depois da vadia que dera em cima do meu marido quando Olívia ainda era pequena, eu desenvolvera um verdadeiro horror a babás.

Meu pai, que se aposentara da polícia quando Chloe tinha apenas dois anos, passou a ajudar minha mãe com as meninas e com os afazeres domésticos e embora eu achasse fofa a sua relação com as netas, era preciso vigiá-lo constantemente para que ele não mimasse demais minhas filhas, já que Charlie estava sempre disposto a fazer tudo o que elas queriam.

Esme e Carlisle também estavam em Seattle, mas devido aos compromissos no hospital de Forks, não podiam passar tanto tempo aqui.

Eles adquiriram uma casa perto da nossa e ficavam por aqui cerca de vinte dias por mês, curtindo os filhos e os netos, que adoravam a presença deles.

Enquanto ficava em Seattle, Esme cuidava dos gêmeos de Alice, Janiny e Jordan, que eram o pesadelo de qualquer babá.

Eles estavam com nove anos e possuíam uma beleza impressionante.

Tão impressionante quanto às travessuras que eles aprontavam desde que aprenderam a engatinhar.

Centenas de babás passaram pela casa de Alice, mas nenhuma era páreo para seus pestinhas.

O único que era capaz de controlá-los era Jasper, que quase abandonara o emprego para cuidar dos filhos.

Foi só quando Esme se oferecera para ficar em Seattle com os dois que ele e Alice puderam respirar mais aliviados e assumirem seu papel profissional outra vez, já que minha sogra possuía um dom misterioso para acalmar e educar qualquer criança.

E era só por isso que eu permitia que Mackenzie fosse brincar com os primos enquanto eles estavam sob os cuidados de Esme, já que aquele trio era capaz de enlouquecer qualquer outro ser humano normal.

Rosalie e Emmett também tiveram outro bebê.

Quando Thomas estava com cinco anos, minha cunhada se descobrira grávida e quase enlouquecera, já que sua carreira como modelo acabara de tomar forma.

Mas, bastou que ela visse o rostinho lindo de Candy para que sua neura com o corpo perfeito desaparecesse.

Rosalie era uma mãe excelente e eu ousava dizer que ela havia nascido para aquilo.

A grande verdade é que nós, Rosalie, Alice e eu, estávamos satisfeitas com o rumo que nossa vida havia tomado.

Ainda nos encontrávamos às sextas feiras para nossa tarde sagrada de fofocas e os anos apenas consolidaram nossa amizade que nascera há tanto tempo atrás.

É claro que o fato de sermos cunhadas também havia contribuído para nossa relação duradoura, mas eu tinha que admitir que simplesmente não conseguiria viver sem minhas amigas loucas e irritantes e era esse fato que nos mantinha tão unidas.

Deixei as lembranças de lado e, após o banho, onde o meu marido lindo tentou me seduzir de todas as formas, mas, não conseguiu, desci para preparar as benditas panquecas da Mackenzie, antes que ela resolvesse voltar e encontrasse o pai pelado mais uma vez.

Para minha surpresa, encontrei Olívia e Noah no sofá, conversando aos sussurros.

O que será que ele fazia ali tão cedo?

_ Bom dia, meninos..._ Eu falei, anunciando minha presença e eles afastaram-se em um pulo, me olhando assustados.

_ Bom dia, Sra. Cullen..._ Noah falou meio sem graça e eu fiz uma careta para o pronome de tratamento usado por ele, fazendo-o se corrigir._ Quer dizer: bom dia, Bella.

_ Assim está melhor. Todas as vezes que você me chama de Sra. Cullen eu olho ao redor para ver se minha sogra não está por perto._ Eu falei e ele sorriu olhando para Olívia que encarava as mãos pousadas nos joelhos._ Bem, vou fazer panquecas... Quem está servido?_ Eu perguntei, tentando fazer com que minha filha ficasse mais a vontade e ela me olhou agradecida.

_ Eu aceito. Suas panquecas são as melhores..._ Noah falou e eu sorri, me dirigindo para a cozinha, enquanto eles me seguiam.

Mackenzie e Chloe estavam empenhadas na tarefa de pôr a mesa para o café e sorriram animadas ao me verem.

_ Mãe, estou azul de fome... Não via a hora de você entrar por aquela porta._ Chloe falou e eu sorri, indo até ela e dando-lhe um beijo.

As semelhanças entre ela e Olívia sempre iria me impressionar.

Uma já se tornara mulher, mas eu ainda tinha uma versão infantil para curtir.

_Mamãe está na área e essas panquecas saem rapidinho. Noah e Olívia, encarreguem-se do suco. Chloe e Mackenzie, terminem de pôr a mesa e peguem as geléias na geladeira. Edward Cullen, vá alimentar o Toddy e o Marley._ Eu dei as instruções e olhei para meu marido, que acabara de aparecer na cozinha e encarava Noah com cara de poucos amigos.

Todos foram fazer o que eu pedi e em menos de meia hora o café da manhã estava pronto, com direito a panquecas, torradas, ovos mexidos e bacon.

Noah comia em silêncio e Olívia só revirava a comida em seu prato, enquanto Edward olhava de um para o outro desconfiado.

_ Como vão os jogos, Noah?_ Meu marido perguntou e Noah olhou rapidamente para Olívia antes de respondê-lo.

_ O time está muito bem. Estamos na frente no campeonato da liga estudantil. Acho que esse ano o troféu é nosso.

_ E a faculdade? Já sabe para onde vai?_ Eu perguntei e ele sorriu, assentindo.

_ Recebi algumas propostas para jogar em Washington e Mississipi. Mas, ainda estou esperando a carta de Seattle. Gostaria muito de ficar aqui.

_ Por quê? É sempre interessante alçar novos vôos._ Meu marido comentou e eu o olhei de cara feia.

Onde estava aquele papo de deixar nossas filhas fazerem as próprias escolhas?

_ Eu gosto de Seattle e, por enquanto, eu tenho muitos motivos para ficar aqui..._ Noah afirmou, encarando corajosamente eu marido e Olívia arregalou os olhos, olhando para mim em desespero.

_ E quais seriam esses motivos, rapaz?_ Edward perguntou, tentando esconder sua irritação crescente.

_ Olívia é um deles. Talvez o principal e, por isso, quero pedir sua permissão para namorá-la._ Noah falou, e Olívia engasgou-se com o suco, enquanto Edward encarava o menino a sua frente soltando crispas pelos olhos.

Eu apertei a mão de Edward, fazendo com que ele me encarasse e pedi com o olhar para que ele não cometesse nenhuma loucura.

Meu príncipe respirou fundo e assentiu de leve, encarando Noah mais uma vez.

_ E o que lhe faz pensar que você merece minha filha?

_ Eu a conheço desde que eu era apenas um garoto. Olívia fez parte dos melhores momentos da minha vida e eu quero que ela continue fazendo. Já faz dias que eu estou tomando coragem para dizer a ela o que eu sinto, torcendo para que Olívia sinta o mesmo. Torcendo para que ela me veja como algo mais do que seu melhor amigo. Ontem, quando eu a vi sobre aquele palco me dei conta de que eu não podia esperar mais. Sua filha é muito especial, senhor e eu preciso estar com ela para me sentir especial também..._ Noah falou e Edward, assim como eu e nossas filhas, perdeu a fala diante dessa declaração.

_ Uau! Depois disso, eu casava com ele, Liv!_ Chloe declarou e eu tive que rir, enquanto minha primogênita olhava feio para a irmã.

_ Edward?_ Eu chamei por ele, que olhava petrificado para Noah e meu marido suspirou, desviando seu olhar para a figura envergonhada de Olívia.

_ Você quer namorá-lo, princesa?_ Edward perguntou a nossa filha e ela assentiu, olhando timidamente para Noah._ Bem... Se é assim, não há nada que eu possa fazer. Só peço que você cuide bem da minha filha, rapaz, pois eu jamais vou admitir que alguém a magoe. Bella e minhas filhas são tudo o que há de mais importante no meu mundo e eu sou capaz de qualquer coisa para garantir a felicidade delas.

_ Tudo o que eu mais desejo é fazer Olívia feliz, Sr. Cullen. Prometo cuidar bem dela._ Noah garantiu e pela primeira vez desde que entrara na cozinha, Edward sorriu.

Eu respirei aliviada e continuei a saborear minhas panquecas, enquanto o clima estranho se desanuviava lentamente.

Depois do café, Noah e Edward foram para o jardim com Chloe e Mackenzie e Olívia veio me ajudar com a louça.

_ Então, a senhorita me fez sogra?_ Eu perguntei, dando um empurrãozinho em Olívia, que sorriu largamente.

_ Eu nem acreditei quando ele apareceu aqui de manhã. Noah veio com um papo de que me achava linda e que me via como mais que sua amiga. Eu quase pirei, mãe. Mas, aí, você apareceu e ele não disse mais nada. Quando ele me pediu em namoro para o papai, eu quase caí da cadeira. Eu não esperava que ele se sentisse dessa forma em relação a mim._ Olívia confessou e eu sorri, contagiada pela sua felicidade.

_ Ah, meu anjo... A mamãe está feliz por você. Tenho certeza de que vocês serão muito felizes nesse namoro. Basta apenas que tenham juízo..._ Eu adverti e ela assentiu, me abraçando animada.

_ Eu acho que estou apaixonada, mãe..._ Ela falou e eu ri, abraçando-a de volta.

_ Você acha? Pois eu tenho certeza de que você está, amor... E essa é a melhor fase de um romance.

_Será? Você e o papai parecem estar mais apaixonados a cada dia. Acho que a boa fase de vocês nunca vai passar.

_ Eu torço pra isso, meu amor. Seu pai e eu investimos muito em nosso casamento. Mas, relações são complicadas, principalmente após o tão sonhado sim. São muitas responsabilidades e cobranças e se não tivermos maturidade, não conseguimos vencer a rotina que uma vida a dois impõe. Por isso dizemos que o namoro é mágico. É uma fase de curtição, regada de liberdade, diversão, paixão, amizade e companheirismo. Trata-se de um período que jamais será esquecido e que deve ser aproveitado._ Eu expliquei e Olívia sorriu feliz.

_ Bem, se é assim, eu pretendo curtir muito o meu namoro. Mas, agora, eu tenho que contar para Jane. Ela não me perdoaria se ficasse sabendo disso por outra pessoa._ Olívia falou, correndo porta afora e eu ri, enquanto terminava de colocar os pratos na lava louça.

Quando a cozinha já estava limpa, eu fui para o jardim e me sentei ao lado de Edward que observava Chloe e Mackenzie brincando na casa da árvore, projetada por mim e construída por ele, Charlie, Olívia e Chloe há alguns anos trás.

_ Aquele garoto me pegou de surpresa. Eu sabia que logo teria que lidar com algo assim, mas não esperava que fosse tão em breve._ Edward comentou, me puxando para seu colo e eu sorri, beijando seus lábios de leve.

_ Eles estão apaixonados, amor. Olívia estava tão confusa ontem e hoje está rindo a toa por ter sido pedida em namoro pelo garoto pelo qual ela está apaixonada. Estou, sinceramente, feliz por ela, embora a idéia de ter me tornado sogra faça com que eu me sinta um pouco velha.

_ Você é uma velha muito gostosa, princesa. Não se preocupe com isso._ Ele falou me beijando e eu derreti em seus braços, como sempre acontecia quando ele me tocava.

_ Há pouco tempo eu esperava ansioso para conhecer o rostinho de Olívia e agora ela está namorando. O tempo está passando depressa demais e eu não sei se gosto disso._ Edward falou quando nossos lábios se separaram e eu sorri, deitando minha cabeça na curva do seu pescoço.

_ Nossa garotinha cresceu, amor. Agora, ela é praticamente uma mulher. Mas, embora eu também ache que o tempo passou depressa demais, me sinto orgulhosa da pessoa que Olívia se tornou. E nós tivemos participação nisso. Apesar de termos nos tornado pais antes da hora fizemos um bom trabalho e nosso amor fez de Olívia alguém especial. Tão especial que pode ser amada por outros garotos..._ Eu declarei e Edward fez uma careta, suspirando e ficando em silêncio por um tempo.

_ Como fica Matt nessa história?_ Edward perguntou e eu suspirei pesadamente, erguendo minha cabeça e o encarando.

_ Espero que ele se conforme e encontre outra garota. Não queremos que nossa história se repita com nossa filha.

_ Bem... Se Matt for parecido comigo, temo em dizer que ele nunca irá desistir. Eu tentei seguir em frente e não fui capaz de esquecer a garota linda que roubou meu coração. E eu não sosseguei até tê-la pra mim._ Edward declarou e eu sorri, beijando seu rosto com carinho.

_ Vamos torcer para que Matt não seja como você, então. Mas, se ele for o melhor para nossa filha como você foi o melhor para a mãe dela, o caminho dos dois vai acabar se cruzando. Só vamos torcer para que Olívia não sofra..._ Eu falei e ele sorriu tristemente, me abraçando com carinho e voltando a observar as filhas em silêncio.

Olívia e Noah estavam sentados de mãos dadas em frente a piscina e eu sorri ao notar a felicidade genuína da minha princesa.

Só esperava que essa história realmente acabasse bem, pois meu coração de mãe não suportaria ver minha filha passando pelas mesmas provações que eu.

**********

_ Então você é sogra? Isso soa tão velho, Bella..._ Alice falou e eu mostrei a língua pra ela, enquanto terminava de colocar a mesa para o almoço.

Sábado era o dia em que reuníamos a família e já tinha virado uma tradição.

Hoje estávamos reunidos na casa de Rosalie e todos pareciam em pólvora com a novidade sobre o namoro de Olívia.

_ Não seja chata, Alice. Eu sou sogra e não me sinto velha. Além do mais, um dia, todas vocês vão passar por isso._ Esme me defendeu e eu lhe sorri agradecida.

_ Ser sogra não é nada. O problema é se Olívia resolver fazer de Bella uma avó..._ Rosalie comentou e eu lhe dei um tapa no braço, fazendo-a rir.

_ Olívia não vai fazer isso. Minha filha é muito mais ajuizada do que eu era na mesma idade e jamais ficaria grávida. Ela sabe quais são as consequências desse tipo de coisa.

_ Bem... As consequências para você não foram tão ruins. Casou-se com um homem lindo, ficou rica e poderosa, é mãe de três lindas meninas e ainda continua gostosa. Se ela levar esses fatores em conta, é bem provável que ela chegue à conclusão de que engravidar na adolescência não seja uma coisa tão ruim._ Alice falou e eu revirei os olhos.

_ Alice, Olívia tem apenas dezesseis anos e eu não acho que ela tenha a intenção de tornar-se mãe em breve. Que tal mudarmos de assunto?_ Esme propôs e, mais uma vez, eu sorri lhe agradecendo pelo seu eterno bom senso.

_ Exatamente. Minha neta sabe o que é melhor pra ela e jamais iria querer me tornar bisavó quando sabe o quão jovem e bonita eu ainda me encontro._ Renée afirmou e minhas cunhadas riram, dando de ombros e mantendo-se em silêncio.

Olhei pela janela e sorri ao ver minhas filhas e os primos brincando animadamente pelo jardim, enquanto os homens da família cuidavam do churrasco e ficavam de olho em prováveis travessuras.

Noah e Olívia também estavam no jardim, mas mantinham-se afastados, tentando curtir o início do namoro que era sempre tão mágico.

O almoço transcorreu tranquilamente e embora Noah tenha se tornado alvo de algumas piadas e provocações vindas de Emmett e Charlie, o fato de todos conhecê-lo desde menino, fez com que o namorado de minha princesa fosse bem recebido na família.

Jane se juntou a nós na parte da tarde e parecia ainda mais animada do que todos com a notícia do namoro da amiga.

Ela, mais do que ninguém, sempre torcera pelos dois e algo me dizia que toda a campanha que Jane fizera para que Noah e Olívia ficassem juntos tinha a ver com o fato de ela ser interessada em Matt.

Eu desconfiava que ela jamais iria admitir isso, mas o tempo me diria se eu estava certa ou não.

Com o passar do dia, Edward parecia mais a vontade com a idéia do namoro da filha e eu sabia que o fato de ele conhecer Noah e a família dele há tantos anos tinha pesado bastante para que ele permitisse aquele relacionamento.

Como Edward dissera, era estranho pensar que aquele bebezinho que me emocionara cada vez que se mexia em meu ventre era uma mulher agora.

Como mãe, eu admitia que era difícil ver os filhos crescerem.

Mas, ao mesmo tempo, vê-los se tornando pessoinhas cheias de independência nos enchia de um doce orgulho e nos fazia ver que tudo pelo que passamos por eles valera à pena.

Em uma noite, eu fizera a escolha de ficar com Edward.

As consequências na época me pareceram terríveis, mas foram elas que me trouxeram toda a felicidade que eu tinha hoje.

Sem Edward, eu não seria mãe de Olívia, de Chloe e de Mackenzie e não faria parte da família Cullen, que eu tanto aprendera amar.

Sem Edward, eu não seria a mulher segura e bem sucedida que eu me tornara.

Sem meu príncipe eu não poderia ser feliz, pois ele era a melhor parte de mim mesma e nosso amor, que começara em um momento de amnésia, jamais seria esquecido.

Ele duraria pela eternidade, uma vez que era a conseqüência da escolha perfeita.

Notas finais
Meninas, eu espero sinceramente que vocês tenham gostado do rumo que a fic tomou e desse capítulo que eu fiz com tanto carinho. Ele realmente demorou para sair, mas acho que o resultado valeu a espera. Gostaria de agradecer a todas as leitoras que me acompanharam nessa fic, que foi tão deliciosa de escrever. Peço desculpas pelo fato de não responder cada comentário que vocês me deixam, mas saibam que isso é praticamente impossível, uma vez que eu estudo e trabalho e uso meu tempo livre para criar novos capítulos. Mas, como eu já disse antes, eu leio cada mínimo comentário e adoro a interação de vocês com as fics que eu crio. Espero vê-las em breve em outras fics. Beijos! Ah, e pra quem gostou da história e quer ver como está a vida dos personagens após alguns anos, eu preparei uma pequena surpresa... http://fanfiction.com.br/historia/585259/O_pai_da_Noiva/capitulo/1/ Espero que gostem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!