Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
25 Capítulo 24: RECUPERAÇÃO
Notas iniciais
CAPÍTULO 24
POV. EDWARD
Eu estava exausto, exaurido, extenuado...
Eu não suportaria ficar nem mais dez minutos acordado, mas eu não podia, de forma alguma, sair do lado da minha princesa.
Não depois do que acontecera.
Não depois de não estar ao seu lado quando ela mais precisara de mim.
Respirei fundo, tentando conter a nova onda de lágrimas que invadia os meus olhos e tentei me concentrar no rosto pálido de Bella.
Já fazia três dias que ela dormia e eu não via a hora de vê-la acordada e poder lhe dizer que eu não sairia mais do seu lado.
Nada me faria deixá-la outra vez.
Bella e minha filha precisavam de mim e eu não iria deixa-las para correr atrás de coisas que poderiam perfeitamente ficar em segundo plano.
Quando Jacob me ligara para me dizer que Bella havia sofrido um acidente, eu me imaginara em uma espécie de pegadinha ou mundo paralelo, já que na realidade em que eu vivia e conhecia, o ex-namorado da minha princesa e meu ex-melhor amigo não iria me telefonar para me informar que minha namorada havia sido atropelada e corria o sério risco de ter um aborto devido a uma hemorragia intensa.
No dia em que Bella sofrera o acidente, eu trabalhara no hospital desde manhã e me encontrava exausto depois de atender tantas emergências e assistir a três cirurgias.
Eu acabara de por os pés no meu apartamento, depois de declinar ao convite de Emily de ir jantar fora, quando meu telefone tocara.
Sorri, imaginando ser minha princesa, mas franzi o cenho ao ver o nome de Jacob aparecendo no visor.
O que ele poderia querer comigo, já que depois do nosso confronto na cantina da Universidade, nós não havíamos nos falado outra vez?
Senti um arrepio frio passando pelo meu corpo e deslizei a trava de segurança da tela, levando meu celular ao ouvido.
_ Alô?
_ Edward? Sou eu... O Jacob.
_ Oi, Jacob... Aconteceu alguma coisa?
_ Bem... Sim. Estou ligando para te avisar que a Bella sofreu um acidente e eu a trouxe para o hospital._ Ele falou e eu senti um aperto no peito e uma tontura, que me fez cair sentado no sofá e segurar o telefone com força.
_ Como?_ Perguntei em um fio de voz e o ouvi suspirar do outro lado da linha.
_ Ela foi atropelada em um cruzamento perto do apartamento de vocês. Ela estava atravessando na faixa, mas um idiota não respeitou a merda do semáforo e acabou atingindo-a. Eu estava lá e vi tudo, tratando de chamar a ambulância imediatamente. Mas, a atendente me informou que o socorro podia demorar e, então, eu resolvi trazê-la para o hospital, já que ela estava sangrando bastante..._ Ele explicou e eu senti meu estômago se revirar de pavor e desespero.
Minha princesa havia sido atropelada.
Minha princesa estava sangrando muito.
Minha filha corria risco de morte.
Fechei meus olhos com força e tentei pensar racionalmente.
_ E o bebê?_ Perguntei e mais uma vez o ouvi suspirar.
_ Eu não sei, Edward... Ela estava sangrando e eu acho que é possível que ela tenha perdido o bebê. Mas, desde que chegamos ao hospital, eu não tive mais notícias. Ninguém fala nada. Eu não sou médico e não tenho acesso às informações. Ela pediu para que eu lhe avisasse quando ainda estávamos no local do acidente, mas eu só consegui falar com você agora...
Isso só podia ser um pesadelo.
Respirei fundo, limpando as lágrimas que teimavam em descer por meu rosto e andei até o quarto, separando meu passaporte e meus cartões de crédito.
_ Jacob, ligue para meus irmãos e peça para eles irem até o hospital. Eu vou pegar o primeiro voo que encontrar para Seattle e logo estarei aí._ Falei, tentando agir com praticidade, enquanto jogava algumas roupas em uma mala.
_ Certo... Acho bom você avisar o seu pai também. Ele é médico e pode ter acesso a informações que eu e seus irmãos não teremos. E, enquanto ninguém chega, eu ficarei aqui e, qualquer novidade, boa ou ruim, eu lhe aviso..._ Ele falou e eu suspirei, me sentindo tranquilo por saber que Bella não estava sozinha.
Em outra situação, eu provavelmente não aprovaria a presença de Jacob, mas agora, eu me sentia grato por tê-lo perto dela.
Esse cara prestativo e solidário se aproximava das lembranças que eu tinha do meu amigo e fiquei feliz por, de certa forma, ver renascer nele o verdadeiro Jacob Black.
_ Obrigado, Jacob... Peça para a Alice entrar em contato com nossos pais. Eu pretendo estar em um avião dentro de pouco tempo e não terei como avisá-los.
_ Ok... Farei isso..._ Ele falou e eu terminei a ligação, correndo para a porta, enquanto chamava um taxi as pressas.
Cheguei ao aeroporto dentro de pouco tempo e consegui um voo para Seattle que sairia de Boston às onze da noite, sendo que eu só chegaria ao meu destino na manhã seguinte.
Comuniquei Emily sobre minha viagem e, depois de ouvi-la me xingar por não tê-la avisado antes e permitido que ela viesse comigo, eu me despedi e me recostei na poltrona do avião, tentando colocar meus pensamentos em ordem.
Eu nunca quisera vir para Boston, de fato.
Eu sabia que uma residência feita em Harvard seria de grande valia para minha carreira, mas no momento em que Bella me dissera que estava grávida, os outros aspectos da minha vida, incluindo minha profissão, foram postas em segundo plano.
O mais importante era cuidar para que nossa filha nascesse saudável e que Bella tivesse todo meu apoio e assistência durante o período de gestação.
Além do mais, essa gravidez veio me unir à garota pela qual eu sempre fora apaixonada e eu não queria me separar dela.
Inscrever-me para aquela residência fora um ato desesperado.
Eu estava sofrendo e queria me afastar da garota que era tão importante para mim, mas que não conseguia me enxergar da mesma forma.
Mas, no momento em que eu recebera a resposta, eu tinha Bella em minha vida, como minha namorada e mãe da minha filha e eu já não tinha a necessidade de fugir de nada.
No entanto, cedendo à pressão da minha mãe, eu acabara me mudando para Boston e me afastando da pessoa mais importante do meu mundo, deixando-a desprotegida e sozinha em um momento tão frágil como a gravidez.
E agora, ela havia sofrido um grave acidente e poderia perder nossa filha, que embora ainda não tenha nascido, já era muito amada.
Senti um nó na garganta e fiz uma prece silenciosa para que nada de ruim acontecesse com minha filha.
Ela não podia morrer.
Ela tinha que nascer, para que eu pudesse segurá-la em meus braços, embalar o seu sono, alimentá-la, trocar suas fraudas, ajuda-la em seus primeiros passos, ouvi-la me chamando de papai, leva-la pela primeira vez a escola, ensiná-la a andar de bicicleta, patins e patinete, fazer curativo nos seus machucados, espantar seus pretendentes, vê-la recebendo seu diploma...
Eu só queria minha filha bem e saudável, para que eu pudesse ser o pai que ela merece.
Eu só queria minha princesa bem para que eu pudesse me redimir o resto da vida por tê-la deixado sozinha.
Minha viagem até Seattle fora longa e um completo tormento, sendo que quando o avião pousou, o sol já estava a pino no céu.
Eu não conseguia parar de pensar na Bella e na nossa filha e quando eu finalmente pousara no aeroporto da cidade mais populosa do Estado de Washington, enviei uma mensagem a Jacob perguntando em que hospital Bella havia sido internada.
Ele demorara alguns segundos para responder e eu já estava a ponto de ligar para ele, quando sua resposta chegou, me fazendo correr para a porta de entrada em busca de um táxi.
Senti uma leve tontura enquanto o carro percorria as ruas iluminadas de Seattle, e ao ouvir meu estômago roncar, me dei conta de que faziam horas que eu não me alimentava.
Mas, isso não era importante.
A única coisa que deveria ser levada em conta naquele momento era o estado de saúde da minha namorada e da nossa filha.
Depois do que me pareceram horas, o táxi finalmente estacionou em frente ao hospital e eu paguei a corrida depressa, deixando o troco para o motorista e correndo para dentro do hospital.
Meus irmãos estavam na recepção e assim que me viram, vieram apressados em minha direção.
_ Edward? Da onde você surgiu?_ Emmett perguntou espantado e eu revirei os olhos, jogando minha mala no chão e segurando-o pelos braços.
_ Cadê a Bella? Como ela está?_ Perguntei desesperado e ele suspirou, me levando até os bancos e me fazendo sentar.
_ Calma, mano... Primeiro nos diga como ficou sabendo do acidente e como veio parar aqui tão depressa...
_ Jacob me avisou assim que trouxe Bella para o hospital e eu fui para o aeroporto no mesmo instante._ Eu expliquei e ele assentiu, trocando um olhar preocupado com Alice._ Cadê a Bella? Me digam como ela está, pelo amor de Deus..._ Eu falei desesperado e Alice segurou meu rosto, me fazendo encará-la.
_ Você tem que se manter calmo, Edward..._ Ela falou e eu senti minha tensão ir ao limite do suportável.
Eu estava cansado, faminto, desesperado e preocupado e não queria ficar calmo, porra nenhuma!
A única coisa que eu queria era saber notícias da minha namorada e da minha filha.
_ Eu não quero ficar calmo. Eu quero saber como estão minha namorada e minha filha e gostaria se vocês parassem de enrolar e me dissessem de uma vez..._ Eu falei com a voz elevada e várias pessoas que estavam na recepção me olharam espantadas, certamente desaprovando meu comportamento em um ambiente tão austero como um hospital.
Mas, eu queria que todos fossem para o inferno, pois enquanto eu não vesse minha princesa não conseguiria me acalmar.
_ A Bella está estável, Edward. Ela está sedada, pois precisa ficar em repouso absoluto por causa da hemorragia..._ Alice falou e eu fechei os olhos, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto.
_ E minha filha?_ Perguntei em um fio de voz e ela sentou-se ao meu lado, me abraçando com carinho.
_ Ainda não sabemos. O papai chegou há poucos minutos e foi verificar. Mas, pelo que uma das enfermeiras me disse, é possível que Bella tenha perdido o bebê..._ Alice explicou, acariciando meus cabelos e eu chorei mais ainda.
Eu havia perdido minha filha.
_ Ei, cara, fica calmo... Vai ver que não foi nada e a Bellinha ainda está grávida. Não sofra antes da hora, mano..._ Emmett falou, me abraçando também e eu não consegui conter os soluços.
Eu sabia que a intenção dos dois era me acalmar, mas não havia como ficar calmo em uma situação como aquela e, nem mesmo o apoio dos meus irmãos era capaz de aliviar a dor que eu sentia no momento.
Ficamos ali abraçados por algum tempo, até que meu pai chegou na sala de espera, ganhando completamente nossa atenção.
Ele parecia bastante preocupado e, assim que o vi, me levantei imediatamente e fui em sua direção.
_ E a Bella, pai? E a nossa filha?_ Perguntei desesperado e ele suspirou, fazendo minha agonia aumentar ainda mais.
Por que diabos ele não dizia logo o que havia acontecido?
_ Bella está bem... Ela luxou o braço direito, tem um corte médio na região da testa, vários arranhões, hematomas e escoriações, mas está bem. _ Meu pai falou e eu respirei aliviado.
Pelo menos nada de tão grave havia acontecido a minha princesa.
_ E o bebê, papai?_ Alice perguntou e meu pai me olhou seriamente antes de responder, fazendo com que minha bile subisse até a garganta, tamanho era o medo que eu sentia no momento.
_ A Bella sofreu um grande trauma devido ao acidente e isso ocasionou um descolamento parcial da placenta. Ela teve uma hemorragia intensa, mas como foi socorrida rapidamente, a perda de sangue foi controlada. Acabamos de fazer uma ultrassonografia intravaginal e verificamos que o bebê está bem e recebendo toda a demanda de oxigênio necessária para sua sobrevivência. No entanto, a partir de agora, Bella deverá ficar em repouso absoluto até o nascimento do bebê, pois, caso contrário, essa gravidez não cegará até o estágio final._ Meu pai explicou e eu agradeci mentalmente o fato de minha filha ainda estar viva.
Novas lágrimas desceram por meu rosto e eu sorri aliviado, já que agora eu tinha a certeza de que não havia perdido nem minha filha e nem minha namorada.
Quanto à condição frágil de Bella, não seria problema, já que eu estaria por perto para garantir que ela cumprisse todas as recomendações médicas necessárias para o desenvolvimento adequado daquela gestação.
_ Eu quero vê-la, papai..._ Eu falei em um fio de voz e meu pai assentiu.
_ Tudo bem, filho... Vou tentar autorizar sua entrada. Mas, ela está na Terapia Intensiva, pois precisa manter-se calma e sedada para o bem do bebê. O médico que cuidou dela no pronto socorro, disse que prefere que ela fique dormindo pelos próximos dias para que ele possa monitorar o seu caso com mais tranquilidade._ Meu pai falou e eu assenti.
Não me importava que ela estivesse dormindo.
Tudo o que eu queria nesse momento era vê-la com meus próprios olhos e me certificar de que ela estava realmente bem.
Deixei minha mala com a Alice e segui meu pai pelo longo corredor do hospital, encontrando Jacob na antessala, olhando a figura adormecida de Bella pelo vidro do CTI.
Ele parecia triste e preocupado e, por um momento, eu tive pena dele, já que, por conta de suas atitudes machistas e infantis, ele havia perdido uma mulher incrível.
_ Jacob?_ Chamei baixinho e ele virou-se para me olhar._ Tudo bem?_ Perguntei educadamente, estendendo-lhe a mão e ele suspirou, aceitando meu cumprimento polidamente.
_ Já estive melhor..._ Ele comentou e eu sorri amargo.
_ Pois é... Quero lhe agradecer por tê-la socorrido. Se não fosse sua agilidade, ela certamente teria perdido nossa filha e poderia não estar mais entre nós._ Eu falei, sentindo um arrepio frio ao pensar em minha princesa morta.
_ Quando eu a vi sendo atropelada, não pensei em mais nada, ao não ser trazê-la para o hospital imediatamente. Mas, acho que foi um milagre o bebê ter sobrevivido. Ela estava sangrando muito._ Jacob comentou e eu respirei fundo, não querendo mais imaginar a situação grave pela qual minha namorada e minha filha passaram.
_ Mas, o importante é que elas estão bem e tudo isso, graças a você. Nunca irei esquecer esse seu gesto, Jacob... Significou muito para mim.
_ Não fiz por você, Edward... Na verdade, eu não fiz por ninguém. Jamais vou esquecer a cachorrada que você e Bella fizeram comigo. Mas, antes de ser a ex-namorada que colocou um imenso chifre na minha testa ao engravidar do meu melhor amigo, Bella é a garota que cresceu ao meu lado e que sempre foi minha amiga. E foi por esse passado que eu a ajudei... _ Jacob falou amargurado e eu respirei fundo, sabendo que ele jamais seria capaz de perdoar Bella e eu pelo nosso envolvimento.
Mas, isso não anulava o que ele havia feito para salvar a vida da minha namorada e da minha filha.
_ Tudo bem, Jacob... Mas, independente dos motivos que o levaram a socorrer a Bella, eu lhe agradeço... Até mais._ Falei, não querendo entrar em nenhuma discussão com ele a respeito do meu envolvimento com Bella e entrei na sala onde minha namorada estava sendo monitorada.
Bella estava ligada a uma série de aparelhos e parecia extremamente frágil e desprotegida.
Me inclinei em sua direção e depositei um beijo em seus lábios, escondendo meu rosto em seu pescoço e chorando.
Eu estivera tão perto de perdê-la que era inacreditável o fato de estar ao seu lado nesse momento.
Depois de um tempo, tive a sensação de que estava sendo observado e olhei através do vidro, percebendo que Jacob ainda estava na antessala e que me encarava com ódio.
Eu respirei fundo e tentei ignorá-lo, pois a única coisa que eu queria no momento era ficar com minha namorada linda, aproveitando o fato de ela estar viva e bem.
Mas, eu sabia que devia ser difícil pra ele me ver tão próximo de Bella, quando ele não teve a permissão para entrar na sala onde ela estava e eu me senti um pouco culpado, uma vez que tinha sido ele a salvá-la.
Pousei a mão sobre o ventre dilatado da Bella e me senti culpado por não estar ao seu lado quando sua barriga começou a aparecer.
Ali, em seu ventre proeminente, estava a prova do nosso amor e eu deveria ter estado ao seu lado quando essa prova se tornou visível para o mundo.
Eu fora um completo miserável, me separando dela em um momento como esse e jamais ia me perdoar por não ter cuidado da minha princesa como eu prometera no momento em que soubera que nossa primeira vez havia gerado frutos.
Beijei seu rosto pálido e afaguei seus cabelos, querendo que ela abrisse os olhos e visse que eu estava ali e que não sairia do seu lado outra vez.
_ Ela vai ficar bem, Edward..._ Meu pai falou, colocando a mão sobre meu ombro e eu respirei fundo, limpando minhas lágrimas e olhando com carinho para o rosto da mulher que eu amava com loucura.
_ Eu espero que sim, pai, pois não seria capaz de me perdoar se algo acontecesse a ela.
_ Não foi culpa sua, filho... Ela estava bem. O que aconteceu foi um acidente.
_ Um acidente que poderia ter sido evitado se eu estivesse ao seu lado, já que eu jamais iria permitir que ela voltasse sozinha para casa.
_ Edward, sua namorada é uma pessoa adulta e, mesmo estando grávida, não poderia ser vigiada vinte e quatro horas por dia. Ela estava seguindo com sua vida... Indo para as aulas, fazendo estágio... E eu volto a repetir: o que aconteceu foi apenas um acidente, que poderia ter acontecido mesmo se você estivesse ao seu lado._ Meu pai falou e eu suspirei, puxando a escada que ficava à beira da cama, e me sentando ao lado de Bella.
Segurei sua mão, tomando cuidado com a agulha do soro e beijei sua testa, achando-a linda, mesmo estando tão pálida e cheia de escoriações e hematomas.
_ Ela vai conseguir levar a gravidez até o final?_ Eu perguntei em um fio de voz e ouvi meu pai suspirar.
_ Não posso afirmar com certeza, mas eu creio que sim. Basta apenas que ela siga todas as recomendações médicas. Devido ao descolamento da placenta, a gravidez dela passa a ser de risco._ Meu pai explicou e eu suspirei, pousando a mão sobre seu ventre.
_ Eu não irei voltar a Boston, pai... Pelo menos não, por enquanto..._ Eu falei, informando minha decisão ao meu pai e ele respirou fundo, colocando sua mão sobre meu ombro mais uma vez.
_ Sua mãe vai pirar com essa notícia, mas eu respeito sua decisão. Eu faria a mesma coisa se fosse minha namorada na situação da Bella.
_ Sério?_ Perguntei, encarando-o curioso e ele assentiu.
_ Sério, filho... Eu fiquei muito orgulhoso quando você foi aceito em Harvard, mas eu jamais imaginei que você fosse aceitar. Eu não teria aceitado se fosse você.
_ Como não? Mamãe me disse que você também fazia questão que eu fosse para Boston..._ Eu falei indignado e meu pai sorriu.
_ Sua mãe me pediu uma opinião e eu dei. É claro que ir para Harvard seria excelente para sua carreira, mas isso não significava que você deveria ir, deixando sua namorada grávida para trás.
_ E por que não me disse isso quando eu fui pressionado pela mamãe a ir para Boston?
_ Por que essa decisão era sua, filho... Se você realmente não quisesse ir, teria enfrentado sua mãe e ficado ao lado de Bella...
_ Eu queria ter ficado, papai e só Deus sabe o quanto eu sofri longe dela. Mas, mamãe sabe ser bem insistente e convincente quando quer...
_ Eu sei disso melhor do que ninguém, Edward... Mas, agora isso é passado. Entre em contato com o centro acadêmico, peça sua transferência para Seattle e volte a ficar com sua namorada. Terá todo o meu apoio._ Meu pai afirmou e eu sorri, sentindo toda a exaustão tomar conta de mim._ Agora, eu vou levar os seus irmãos para casa. Sua mãe virá amanhã com Charlie e Renée._ Meu pai falou e eu fiz uma careta ao me imaginar enfrentando o eterno mau humor do pai da minha namorada.
_ Eu vou ficar aqui, pai... Só saio desse hospital quando Bella puder sair também..._ Eu falei e meu pai suspirou, sabendo que não ia conseguir me dissuadir dessa ideia.
_ Tentarei conseguir uma permissão especial pra você ficar aqui com ela. Mas, pela sua aparência, eu penso que seria melhor ir para casa, tomar um banho, comer alguma coisa e dormir por um tempo.
_ Não, pai... Eu vou ficar aqui._ Falei decidido e meu pai sorriu, vindo até mim e beijando meus cabelos, da mesma forma como ele fazia quando eu era criança.
_ Tudo bem, campeão... Como você quiser. Vou pedir que lhe tragam uma cadeira mais confortável...
_ Obrigada, velho..._ Eu agradeci e ele fez uma careta, inclinando-se sobre Bella e dando-lhe um beijo na testa.
_ Até mais filho..._ Carlisle falou, se retirando e eu fiquei ali com minha princesa.
Mais tarde, naquela noite, Bella recebeu a visita de Rosalie que chorou ao ver a amiga hospitalizada, me emocionando por constatar o quanto ela gostava da minha princesa.
_ Eu estava em New York e quase morri quando Emmett me ligou e disse que ela havia sido atropelada. Abandonei fotógrafos, agentes e maquiadores e peguei o primeiro voo para Seattle. Só ficaria tranquila quando visse que minha amiga e a minha sobrinha estavam realmente bem.
_ Outro contrato milionário?_ Perguntei sorrindo, enquanto ela acariciava os cabelos de Bella e ela sorriu também.
_ Quem me dera... É apenas uma campanha, onde apareço ao fundo das fotos. Mas, se quero mesmo ser modelo, tenho que aceitar esses trabalhos menores.
_ Você é doida, Rosalie... Por que não segue sua carreira de advogada?
_ Você me imagina mesmo trancada em um escritório, rodeada de processos?_ Ela perguntou e eu sorri, negando com um gesto de cabeça._ Pois é... Eu também não. Por isso, vou investir nessa carreira de modelo. Se não der certo, pelo menos eu posso recorrer ao meu diploma em algum momento da minha vida..._ Rosalie falou e eu ri.
_ Tá certo... Pelo menos você faz o que quer e gosta e não tem que se separar das pessoas que ama..._ Eu falei amargurado e ela suspirou, vindo para meu lado e me dando um beijo no rosto.
_ Relaxa, cabelo... Você foi para Boston pensando no futuro da sua família... Por que por mais que ainda não sejam casados, você, Bella e esse bebê são uma família. Eu sei que a separação foi difícil, mas não se culpe por esse acidente.
_ Me atormenta vê-la assim tão frágil e machucada, Rosalie... Eu me sinto um miserável por tê-la deixado sozinha.
_ Ela não estava sozinha, Edward... Emmett, Alice, Jasper e eu estávamos sempre com ela. Eu sei que ninguém substitui você e seu membro potente, mas ela estava relativamente feliz, seguindo com a vida enquanto esperava pelo nascimento de nossa princesinha._ Rosalie falou, piscando em minha direção e eu revirei os olhos ao ouvi-la falando a respeito do meu “membro potente”._ O importante é que você está aqui agora, Edward.
_ Eu sei, loira... E pode apostar que eu não vou mais sair do lado dela..._ Eu declarei decidido e Rosalie sorriu largamente.
_ Acho que ela vai gostar disso..._ Minha cunhada afirmou e eu suspirei, torcendo para que ela estivesse certa, pois mesmo que Bella não aprovasse, eu não iria mais para lugar nenhum sem ela.
**********
O tempo passou e Bella continuava sedada.
E eu me recusava a sair do seu lado.
Fui até o apartamento por um tempo, depois de muita insistência do meu pai e dos meus irmãos, deixando Bella com seus pais, e consegui dormir por algumas horas, após tomar um banho e comer uma boa refeição preparada por minha mãe, que se recusava a conversar comigo desde que soubera que eu não ia mais voltar a Boston.
Pelo menos não enquanto eu não pudesse levar minha namorada e minha filha comigo.
Mas, mesmo magoada com minhas escolhas, ela ainda se preocupava com meu bem estar e preparou uma macarronada deliciosa, que eu comi até enjoar.
Depois disso, voltei para o hospital e não saí mais do lado da minha namorada, mesmo recebendo olhares mortais de Charlie, que certamente me culpava pela situação frágil de sua filha.
Suspirei pesadamente e olhei para sua figura frágil novamente, me perguntando quando eu finalmente poderia leva-la para casa.
Eu queria tanto ter nossa rotina de volta, que não via a hora de poder voltar para nosso apartamento e seguir com nossa vida, nos preparando para a chegada da nossa filha.
Escutei um barulho na porta e vi quando o médico entrou, vindo verificar os sinais vitais da minha namorada.
Eu fique ansioso, querendo ouvir uma boa notícia e fiquei bastante animado com suas palavras.
_ Ela vai acordar dentro de poucas horas, pois vou suspender o sedativo. Se tudo continuar bem, dentro de dois dias poderá leva-la para casa._ Ele falou e eu sorri aliviado, feliz por saber que em breve eu veria aqueles olhos cor de chocolate que eu tanto amava.
E como o médico dissera, pouco tempo depois, Bella começou a despertar e eu senti meu coração disparar diante da possibilidade de ouvir sua voz mais uma vez.
Já era noite quando ela finalmente acordou.
Bella parecia desorientada e eu sabia que era normal, já que ela estava dormindo a mais de setenta horas.
Quando ela finalmente pousou seus olhos em mim, vi uma lágrima solitária descendo por seu rosto, o que causou em mim uma angústia intensa.
_ Ei, princesa... Fique calma. Eu estou aqui com você..._ Eu murmurei, beijando sua testa e ela suspirou, levando a mão até seu ventre dilatado.
_ E meu bebê?_ Ela perguntou com a voz rouca e eu sorri, colocando minha mão sobre a sua.
_ Nossa filha está bem, amor... Apesar do susto, nada aconteceu com nossa princesinha. Basta que você fique em repouso para que ela nasça saudável._ Eu falei, acariciando seu rosto e ela suspirou aliviada, levantando sua mão e tocando minha bochecha de leve.
_ Você é real?_ Ela perguntou e eu senti as lágrimas escorrendo mais uma vez por meu rosto.
“Edward, você foi um verdadeiro idiota por tê-la deixado sozinha”._ Pensei ironicamente e acariciei seus cabelos de leve.
_ Eu sou real, sim Bella... Estou aqui com você e não vou mais sair do seu lado._ Eu falei e ela sorriu, fechando os olhos antes de me encarar novamente.
_ Senti saudade, príncipe..._ Ela declarou e eu ri, beijando seus lábios de leve e abraçando com cuidado para não machucar seu corpo frágil.
_ Eu também senti saudades, princesa... Muitas.
_ Eu tive tanto medo de morrer e nunca mais ver você... Eu senti tanto medo de perder nossa filha. Tudo o que eu pensava era em te avisar e implorar que você viesse para o meu lado..._ Ela falou baixinho e eu suspirei, beijando sus lábios mais uma vez.
_ Esquece isso, meu anjo. Eu estou aqui e não vou mais sair do seu lado..._ Eu garanti e ela sorriu.
_ Fico feliz em ouvir isso..._ Ela declarou, afagando meus cabelos, já que meu rosto estava recostado sobre seu peito.
Ficamos assim por muito tempo, até que o médico veio verifica-la e eu precisei sair do quarto para que ele e sua equipe a examinassem.
Aproveitei e liguei para meu pai, pedindo para que ele avisasse a todos de que Bella havia acordado.
Ele recebeu a notícia com alegria e depois de algum tempo, minha família chegou em peso ao hospital para poder visitar minha princesa.
Depois de muitas risadas, choros e brincadeiras, eles finalmente foram embora, me deixando a sós com Bella novamente, que após tomar uma sopa, dormiu outra vez.
No dia seguinte, ela foi submetida a uma nova bateria de exames e, graças a Deus, o médico a liberou para ir para casa, dizendo que ela já estava recuperada do susto e poderia terminar de se reestabelecer em casa.
_ Mas, a partir de agora, você ficará em repouso absoluto, Isabella. Terá que suspender suas atividades diárias e passar mais de vinte horas do seu dia deitada. Quero que evite ir ao banheiro muitas vezes ao dia, pois verificamos que você perdeu uma grande quantidade de líquido amniótico e até que esse quadro se normalize, teremos que tomar alguns cuidados. Além disso, quero que siga a risca a dieta recomendada pela nutricionista e beba mais que dois litros de água por dia._ Ele falou e Bella, apesar de parecer bastante assustada, concordou com tudo o que o médico disse.
_ Algo mais?_ Eu perguntei, enquanto o médico terminava de assinar algumas receitas e ele assentiu, me olhando seriamente.
_ Sim... Sua namorada teve um sério descolamento de placenta e para que essa gravidez chegue até o final, vamos precisar tomar todos os cuidados possíveis. Portanto, vocês dois estão proibidos de terem relações sexuais. Alguns médicos dizem que isso não tem nada haver, e realmente quando a gravidez não é de risco, o sexo é até recomendado. Mas, no caso da Bella, agravaria a situação. Além do mais, ela não pode passar por fortes emoções... Não pode ficar nervosa e nem ansiosa. Certo?_ O médico falou e eu assenti, envergonhado por ter esse tipo de conversa com ele na frente de Bella.
Eu estava com muita saudade de Bella e isso incluía a saudade louca que eu sentia de seu corpo e de fazer amor com ela.
Mas, se fosse para o bem de nossa filha, eu poderia perfeitamente esperar para tê-la outra vez.
Depois de pegar todas as receitas e a dieta recomendada pela nutricionista, seguimos para nosso apartamento.
Antes, passei pela farmácia para comprar alguns remédios e suplementos e tive que me esforçar para não brigar com Bella quando ela insistiu em pagar a conta.
Eu não queria deixa-la nervosa e, só por isso, aceitei seu dinheiro.
Chegamos em casa e todos, incluindo seus pais, esperavam por nós.
Bella pareceu emocionada ao receber tanto carinho dos pais e dos amigos e eu me senti mais tranquilo ao vê-la menos pálida e mais contente.
Só não gostei da presença do tal Riley Biers.
Ele era chefe da minha princesa no estágio e parecia mais preocupado com ela que o necessário.
Eu não deixei de notar os olhares que aquele cretino lançava para minha namorada e o fato de ele ser o que as garotas consideravam bonito me deixou ainda mais irritado.
Bella parecia bastante à vontade em sua presença e eu me dei conta que fiquei fora mais tempo do que poderia ser considerado seguro.
Senti o ciúme me corroer por dentro e só o fato de não poder deixar Bella nervosa evitou que eu desse um merecido soco naquele almofadinha de uma figa.
Ao fim da noite, Charlie e Renée quiseram levar Bella para Forks e Carlisle, graças aos céus, interveio, dizendo que minha princesa não poderia, de forma alguma, viajar agora.
O chefe Swan, mesmo contrariado, aceitou e foi embora sozinho, já que Renée insistiu em ficar cuidando da filha por uns dias.
Alice e Emmett foram para a casa dos namorados, cedendo os quartos aos nossos pais e Renée.
Minha mãe preparou uma sopa e depois do banho, no qual sua mãe a ajudou, Bella comeu e foi se deitar.
Eu também me preparei para dormir e me senti muito feliz em poder me deitar ao lado da minha princesa e abraça-la com carinho.
_ É bom estar em casa._ Eu falei, passeando a mão por sua barriga e ela sorriu, se virando um pouquinho e beijando meu queixo.
_ É mais do que bom tê-lo aqui, amor..._ Ela falou e eu senti meu coração se encher de alegria ao ouvi-la me chamando daquela forma.
_ Mas, você estava bem acompanhada na minha ausência, como eu pude notar..._ Comentei, querendo me chutar pelo meu ciúme que me fez interromper um momento tão bonito entre nós dois.
Bella ficou alguns momentos em silêncio e depois se virou para me olhar.
E eu detectei um ar de riso em sua expressão.
_ Está se referindo ao Riley?_ Ela perguntou e eu bufei ao ouvir o nome daquele sujeito, fazendo com que Bella risse.
_ Não é engraçado, Bella... Aquele cara está interessado em você...
_ É claro que é engraçado, Edward... Riley é meu chefe. Além do mais, eu estou grávida, gorda, deformada e acabei de sofrer um acidente. Duvido muito que qualquer homem se interesse por mim nessas condições... _ Ela debochou e eu revirei os olhos ao constatar que ela não se dava conta do quanto era linda e desejável, mesmo estando grávida.
_ Você é completamente linda e gostosa e aquele cretino percebeu isso. E que história foi aquela de que ele vai te esperar até depois da formatura?_ Eu perguntei me sentindo puto e foi a vez de Bella bufar.
_ Eu fiz um bom trabalho, Edward e eles gostaram... E Riley falou que a empresa irá me esperar até depois da formatura... O que eu acho ótimo, já que depois do nascimento da nossa filha, eu vou mesmo precisar de um bom emprego.
_ Eu vou trabalhar para que nada falte a vocês duas. Não acho que você precise trabalhar para aquele cara... Além do mais, estaremos em Forks e não existe a menor possibilidade de você dirigir até Seattle todos os dias._ Bella me encarou incrédula e eu fiquei repassando nossa conversa em minha mente, me perguntando o que eu havia dito de errado.
_ Quem “estaremos” em Forks, Edward? Por que eu, definitivamente, não pretendo viver lá pelo resto da minha vida._ Bella falou, visivelmente irritada e eu suspirei, sabendo que não deveria deixa-la nervosa.
_ Vamos falar sobre isso outra hora... Agora, você precisa dormir, senhorita..._ Falei, abraçando-a por trás e ela suspirou.
_ Tudo bem, bonitão... Eu vou dormir. Mas, quero que você tenha em mente que eu não pretendo viver em Forks. De jeito nenhum..._ Ela afirmou e foi minha vez de suspirar, já que morar na pequena cidade sempre tinha feito parte dos meus planos para o futuro.
_ Tudo bem, Bella... Podemos falar sobre isso no futuro, já que ainda levaremos certo tempo para concluir a faculdade. Mas, fique tranquila, pois por você e por nossa filha, eu modifico qualquer plano..._ Falei convicto e ela levou minha mão até seus lábios e beijando-a.
_ Obrigada por fazer parte da minha vida..._ Ela falou e eu sorri.
_ Disponha...
**********
Acordei na manhã seguinte ainda me sentindo um pouco cansado.
Acho que levaria alguns dias para que meu corpo se recuperasse de tantos momentos tensos e exaustivos.
Mas, pelo menos minha princesa e minha filha estavam bem e, por elas, eu ficaria um ano acordado, sem me importar nem um pouco.
Aproveitei que Bella ainda dormia para tomar um banho demorado e lhe preparar um café da manhã caprichado.
Ela ficou muitos dias sendo alimentada de maneira intravenosa e precisava recuperar as energias para seu bem e para o bem do nosso bebê.
Coloquei meu celular para carregar e sorri ao ver que havia inúmeras mensagens mal educadas de Emily, me xingando por eu não ter lhe dado notícias.
Liguei para ela e depois de dez minutos sendo amaldiçoado, eu finalmente consegui informa-la dos últimos acontecimentos, deixando para contar-lhe outra hora que eu não voltaria mais para Boston.
Despedi-me dela, prometendo ligar-lhe mais tarde e fui para a cozinha, estacando surpreso quando cheguei lá e me deparei com Jacob sentado à mesa, sendo servido por minha mãe e parecendo extremamente à vontade.
O que diabos ele estava fazendo ali?
Será que depois de ter salvo minha namorada, ele não iria mais sair de nossas vidas?
Fale com o autor