Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
11 Capítulo 10: DECISÕES
Notas iniciais
CAPÍTULO 10
POV. BELLA
Minha cabeça fervilhava de pensamentos e meu estômago ainda rodava, enquanto eu esperava em uma sala fria a realização do exame de sangue que me diria se eu estava ou não grávida.
Aquela possibilidade levantada por Alice, ainda que remota, me fazia suar frio.
Eu não poderia estar grávida.
Não poderia...
Como diabos eu cuidaria de um bebê?
Eu não saberia ser mãe, pois não entendia nada de crianças de nenhuma idade.
Eu não tinha uma profissão, já que ainda estava na faculdade e dependia financeiramente dos meus pais.
Além do mais, o pai do suposto bebê devia me odiar, já que eu me comportara como uma completa vadia, transando com ele durante a noite e o dispensando na manhã seguinte.
Respirei fundo e pousei discretamente minha mão sobre meu ventre liso.
Será que tinha alguém ali?
E se tivesse, o que eu faria com ele?
O que seria de nossas vidas?
_ Isabella Swan?_ Ouvi meu nome ser anunciado pela recepcionista e me levantei rapidamente, seguindo-a até o pequeno laboratório, onde uma enfermeira fez a coleta do meu sangue para a realização do exame.
Eu odiava agulhas, hospitais e sangue, mas estava nervosa demais para fazer um simples teste de farmácia.
Eu precisava ter certeza do resultado para saber exatamente como proceder.
_ O exame fica pronto amanhã de manhã._ A enfermeira anunciou, ao me entregar um papel e eu a olhei, desanimada.
_ Só amanhã? Não tem como ser antes?
_ Não. Seu sangue irá para análise nesse momento, mas o laboratorista responsável pelos laudos só vem amanhã. Além dos mais, a política do hospital pede que você tenha assistência médica para a leitura do exame e, nesse momento, nosso médico está em cirurgia. Portanto, só amanhã._ Ela explicou e eu suspirei, sabendo que não teria outro jeito ao não ser esperar pelo dia seguinte.
Suspirei desanimada e fui para a caminhonete, seguindo para minha casa e pensando no quanto minha vida poderia mudar no dia seguinte.
Senti meus olhos marejados e respirei fundo, tentando conter o choro, já que me debulhar em lágrimas não resolveria meus problemas.
Aliás... Nada resolveria meus problemas.
Nem mesmo um milagre.
Estacionei minha caminhonete no lugar de sempre e fiz uma careta ao perceber que a viatura do meu pai já estava estacionada no nosso jardim.
Fazia dias que eu não o via, já que mesmo morando na mesma casa, eu fazia questão de evitá-lo, pois ainda não o havia perdoado por suas palavras ofensivas que me fizeram encher a cara e cometer um dos maiores erros da minha vida.
Senti um aperto no peito ao pensar que a noite que eu vivera com Edward fora um erro, mas não havia outra forma de classificá-la, já que depois dela, eu perdera meu grande amigo e poderia ter me metido em uma grande confusão, caso o resultado do exame que eu acabara de fazer fosse positivo.
Balancei a cabeça, tentando afastar esses pensamentos da minha mente e entrei silenciosamente, torcendo para que meus pais não me vissem e eu pudesse seguir diretamente para meu quarto, sem ter que dar explicações a ninguém.
Mas, é claro que, para variar, a sorte não estava ao meu lado.
Meu pai estava na sala e me encarou atentamente assim que eu entrei.
_ Onde você estava?_ Ele perguntou e eu suspirei, colocando minhas chaves sobre o aparador e seguindo para a escada sem olhá-lo.
_ Saí para espairecer um pouco..._ Eu respondi e mesmo tentando ignorá-lo, senti seus olhos cravados em meu rosto.
_ Até que enfim resolveu sair daquele quarto. Pensei que fosse criar raízes lá..._ Ele comentou e eu sorri tristemente, encarando-o pela primeira vez em muito tempo.
_ Era minha vontade, mas não consegui...
_ O que houve com você para resolver se enclausurar daquela forma?_ Ele perguntou, verdadeiramente curioso e eu suspirei, quase sorrindo da ironia da situação.
Charlie era assim: ele gritava, ofendia, maltratava e depois agia como se nada tivesse acontecido.
Eu já devia estar acostumada, mas o fato era que desta vez ele realmente me magoara ao me chamar de vadia e eu não conseguia agir normalmente, por mais que tentasse.
Resolvi que o melhor era não responder e continuei subindo os degraus da escada em silêncio.
_ Jacob esteve na delegacia hoje... Queria saber de você, já que se recusa a atendê-lo._ Ele comentou e eu detive meus passos, fechando os olhos com força e pesar ao pensar em Jacob.
Meu Deus... O que eu diria a ele se o resultado do exame de gravidez fosse positivo?
Como eu ia explicar para o meu ainda namorado que eu entregara ao seu melhor amigo o que eu nunca tivera coragem de entregar a ele?
_ Bella?_ Meu pai me chamou, questionando meu silêncio e eu respirei fundo, me virando para olhá-lo do alto da escada.
_ Amanhã eu falo com ele..._ Respondi baixinho e Charlie sorriu satisfeito, concentrando-se mais uma vez em seu jogo que passava na TV.
_ Ótimo... Ele vai gostar disso. Já está mais do que na hora de vocês dois se acertarem. Ele é o homem certo pra você. Ele e mais ninguém._ Meu pai falou e eu gemi internamente.
“Eu não teria tanta certeza disso, Charlie Swan... Não mesmo!” _ Pensei, enquanto seguia para meu quarto e me deixava desabar sobre a cama.
Enterrei meu rosto no travesseiro e gritei, ouvindo o som do meu desespero ser abafado pelo tecido.
Depois, eu desabei em lágrimas, não tentando mais conter a dor e o desespero que eu sentia.
Deus... O que eu ia fazer se eu estivesse grávida?
Como eu iria contar isso ao Jacob?
E o pior: como eu contaria isso a Edward?
Pensar em Edward ma trazia um sentimento muito estranho...
Era como se eu estivesse vazia sem ele por perto e eu simplesmente não conseguia me entender.
Ele não era para ser apenas meu amigo?
Por que diabos, desde que ele saíra da minha vida naquela manhã, eu sentia tanto a sua falta?
Era como se indo embora, ele tivesse levado um pedaço de mim junto com ele, deixando uma ferida aberta em meu peito, a qual se recusava a fechar.
Funguei, limpando as lágrimas que ainda molhavam meu rosto e já mais calma, me deitei de lado e fiquei observando a noite que caía lá fora.
Eu devia ter cometido um erro muito grande em outra vida para estar metida nessa confusão, agora.
Por que minha vida tinha que ser tão complicada?
Por que eu, simplesmente, não havia me entregado ao meu namorado, sem antes me envolver com o seu melhor amigo?
Por que Edward Cullen tinha que ser tão perfeito e despertar em mim sentimentos que eu não conseguia entender?
Respirei fundo, desalentada por saber que eu nunca teria essas respostas e fechei meus olhos, esperando que o cansaço aparecesse rápido, para que o sono apressasse o tempo e o amanhã chegasse, levando com ele minha ansiedade, minhas dúvidas e minha agonia.
**********
Na manhã seguinte, eu acordei antes de todo mundo e, como estava enjoada mais uma vez, segui para o hospital sem tomar café da manhã.
Cheguei lá antes das oito e levei um belo chá de banco, já que o laboratório ainda não havia sido aberto.
Quando a recepcionista chegou, ela me olhou com estranheza por eu já estar ali, mas não disse nada, limitando-se a me cumprimentar com um gesto de cabeça e se concentrar em seu trabalho.
Meu estômago começou a roncar de fome e eu fui obrigada a ir até a lanchonete do hospital, pedindo uma tigela de cereal e a devorando rapidinho.
Apesar da fome, eu ainda estava me sentindo mal, por isso, fiquei paradinha em minha mesa, esperando a náusea passar, para que eu não colocasse todo o alimento ingerido a pouco para fora.
Já fazia semanas que eu estava enjoando todas as manhãs, mas antes da visita de Alice, eu jamais cogitara a possibilidade de uma gravidez.
Acho que o fato das lembranças daquela noite terem sumido da minha mente, fizera com que eu eliminasse a gravidez como uma possível consequência.
Além do mais, o afastamento de Edward me fizera tão mal que tudo de ruim que eu sentira naquele período, associara a saudade que eu sentia dele.
Só esperava que nosso envolvimento não tivesse deixado consequências, pois no momento, eu simplesmente não sabia como lidar com elas.
Voltei para sala de espera e depois do que me pareceu uma eternidade, a recepcionista chamou por mim, me conduzindo até a sala do médico.
_ Seu exame está pronto e o médico irá lê-lo para você... Como foi a primeira a chegar, ele já irá atendê-la agora. Pode entrar._ Ela falou simpática e eu respirei fundo, entrando na pequena sala e quase desmaiando de susto quando constato que o médico que leria meu exame era ninguém mais que Carlisle Cullen.
Estaquei, procurando inutilmente uma forma de fugir dali e não ter que passar pelo constrangimento de ter o possível avô do meu possível bebê lendo meu teste de gravidez.
Como eu não me lembrara que Carlisle era o médico da cidade?
_ Isabella... Que surpresa! Sente-se._ Ele falou animado, me indicando a cadeira a sua frente e eu respirei fundo, me sentando pesadamente. _ Você está doente? Minha secretária me disse que se trata de um exame.
_ Sim... Mas, eu posso abri-lo em casa..._ Falei baixinho, estendendo a mão para pegar o envelope que ele segurava, mas Carlisle apenas sorriu, pegando a espátula de ferro e abrindo o envelope.
_ Você poderia sim, mas ter o auxilio do médico para a interpretação de um exame é uma prioridade nesse hospital. Que eu saiba, você estuda arquitetura e não saberia interpretar os resultados de forma precisa, portanto, eu irei ajudá-la._ Ele falou e eu me vi com a respiração em suspenso, enquanto ele desdobrava o papel e o examinava minuciosamente.
O lugar estava frio devido ao pequeno ar condicionado que já estava ligado, mas eu senti minhas mãos transpirarem devido a minha ansiedade e nervosismo.
Em suas mãos, de certa forma, estava o meu futuro e eu precisava desesperadamente saber o que estava escrito naquele papel, mesmo que, inconscientemente, não quisesse tomar conhecimento do resultado.
_ Hum... Teste de gravidez?_ Ele questionou, me encarando atentamente e eu engoli em seco, assentindo lentamente e esperando por suas próximas palavras.
Eu não queria imaginar o que ele estava pensando nesse momento ao ter a melhor amiga de sua filha, sentada a sua frente e esperando pelo resultado de um teste que poderia mudar sua vida.
E eu também não queria imaginar sua reação se ele soubesse que o possível bebê em meu ventre era seu neto.
_ Bem, você fez um teste de βHCG, que dosa a quantidade do hormônio HCG em seu organismo, o que pode, ou não, indicar a presença do feto._ Ele explicou e eu senti meu coração bater mais forte, enquanto esperava a conclusão de sua explicação.
Eu não fazia a menor ideia do que era HCG, mesmo já tendo estudado-o nas aulas de biologia. Mas, se ele tinha algo a ver com minha possível gravidez, nesse momento, o tal hormônio tinha toda minha atenção.
_ Seu exame mostrou 9000 mUI/mL de HCG, o que significa que você está grávida de mais ou menos 4 semanas._ Carlisle falou, me olhando atentamente e eu senti, mais uma vez, meu mundo parar de girar, enquanto tentava absorver suas palavras e entender o real significado delas.
Grávida...
Eu estava grávida e não tinha a menor ideia do que fazer agora.
Sem que eu me desse conta, as lágrimas de desespero e pavor começaram a descer por meu rosto e Carlisle me estendeu um lenço, me olhando preocupado.
_ Não precisa chorar, querida... Bebês são sempre uma benção. Além do mais, tenho certeza que Jacob vai adorar a notícia. Ele parece tão apaixonado por você, que duvido muito que vai se importar de começar uma família._ Ele falou, na tentativa de me acalmar, mas, ao ouvir o nome do meu namorado, eu senti meu corpo gelar.
Agora, a gravidez era um fato real e eu teria que contar a ele que o traíra.
Mas, como eu faria isso sem magoá-lo?
Eu quis gritar para o homem gentil a minha frente que o pai do meu bebê era o seu filho, mas eu não poderia fazer isso...
Não sem antes me entender com Jacob.
Não sem antes contar ao próprio Edward.
Enxuguei meu rosto e olhei para os lados, tentando me acalmar, quando um livro disposto em uma pequena estante me chamou a atenção.
Levantei-me lentamente, sendo observada por Carlisle, e peguei o livro nas mãos, olhando para o título e sentindo o enjôo, que me acompanhava desde que eu acordara, piorar significantemente.
Eu não queria considerar aquela opção, mas eu sabia que ela poderia resolver todos os meus problemas.
_ Isabella... Não pense nisso. O aborto nunca é uma solução._ Carlisle falou, tirando o livro de leis americanas sobre a prática do aborto de minhas mãos e eu desabei na cadeira, fechando os olhos com força e enterrando a cabeça nas mãos.
_ Mas, eu poderia?_ Sussurrei baixinho e o ouvi respirar fundo, enquanto se aproximava de mim e sentava-se a beirada da mesa.
_ Poderia... O corpo é seu e só você tem o direito de decidir se quer seguir com uma gravidez, ou não. Mas, existem outras opções que devem ser consideradas. Se não quer essa criança, poderia dá-la para a adoção. Existem muitos casais que, não podendo ter filhos, optam por adotar... Minha esposa e eu achamos que jamais poderíamos conceber e pensamos em adotar. Seria muito triste se, naquela época e agora, as mães resolvessem abortar seus filhos, acabando com a chance de casais, como nós, construírem suas famílias. _ Ele falou e eu fiquei olhando-o por longos segundos, tentando entender suas palavras.
Será que Emmett, Edward e Alice eram adotados?
Mas, eles se pareciam tanto com os pais.
_ Seus filhos são adotados?_ Eu perguntei baixinho e ele riu, negando com um gesto de cabeça.
_ Não... Graças a Deus, depois de um tratamento adequado, Esme e eu fomos presenteados com nossos próprios filhos. Mas, isso não muda o fato de que dar essa criança para adoção é mais digno do que abortar. Além do mais, essa é uma prática muito agressiva para o copo da mulher e, caso opte por ela, terá que procurar outro médico, pois eu me recuso a fazê-lo._ Ele falou e eu respirei fundo, sentindo novas lágrimas banharem meu rosto.
A culpa por ter considerado o aborto, ainda que por poucos segundos, como uma opção, me corroia, mas eu estava muito perdida para me importar.
Eu não sabia o que fazer a partir de agora e essa incerteza estava acabando comigo.
_ Não fique desesperada, querida. Tudo vai acabar bem..._ Carlisle falou, passando a mãos pelos meus cabelos e eu suspirei, querendo desesperadamente acreditar em suas palavras.
Mas, eu sabia que teria que enfrentar uma verdadeira tempestade a partir de agora para que minha vida entrasse nos eixos e isso estava me deixando muito amedrontada.
_ Converse com seus pais e com o seu namorado e depois, juntos, decidam o melhor a fazer._ Ele falou e mais uma vez eu me sentir gelar.
Como diabos eu contaria aos meus pais que estava grávida?
Eu já imaginava todos os xingamentos dirigidos a mim depois que Charlie soubesse que eu estava grávida de um cara que não era o meu namorado.
Minha mãe ficaria tão decepcionada, já que sempre sonhara com minha formatura e com meu futuro perfeito, que só de imaginá-la sofrendo, eu me sentia a pior criatura da face da terra.
_ Bella?_ Carlisle me chamou e eu o olhei, ainda com lágrimas escorrendo pelo rosto, me levantando e me dirigindo para a porta.
_ Obrigada, Carlisle, mas eu tenho que ir..._ Falei e sai rapidamente, sem esperar por sua resposta, fui apressadamente para o estacionamento e após ligar minha caminhonete, dirigi sem rumo pelas ruas de Forks.
Sem que eu percebesse, estacionei em frente ao orfanato municipal e fiquei por um longo tempo observando a fachada do lugar e tomando coragem para entrar.
A ideia do aborto já tinha sido expulsa da minha mente, pois eu jamais teria coragem de fazer isso com meu bebê, mesmo que fosse a solução mais rápida e fácil.
No entanto, a adoção era uma boa opção, pois essa criança teria a chance de crescer em uma família de verdade, constituída de pais que se amavam e queriam ficar juntos.
Diferentes de mim e de Edward...
Respirei fundo e, depois do que me pareceu horas, eu entrei, sendo recebida pela diretora, que era uma freira.
_ Bom dia, querida. Do que você precisa?_ Ela perguntou, me indicando uma cadeira em sua sala e eu me sentei, respirando fundo várias vezes.
_ Eu queria conversar a respeito da adoção..._ Eu expliquei e ela sorriu, me analisando por alguns momentos com seu olhar experiente.
_ Claro... Mas, você não é muito nova para adotar uma criança?_ Ela questionou e eu fiquei vermelha, desviando meu olhar de seu rosto e encarando minhas próprias mãos.
_ Não... Eu... Eu não vou adotar. Quero saber o que é preciso para dar uma criança para a adoção._ Eu respondi, sentindo-me desconfortável com o silêncio que se seguiu.
_ Bem... Essa criança já nasceu?_ Ela perguntou séria e mesmo que eu não a tivesse encarando, senti seus olhos cravados em meu ventre.
_ Não..._ Murmurei e a ouvi suspirar.
_ Bom... No caso de mães que ainda estão grávidas e desejam doar os seus bebês, nós separamos as fichas de alguns casais que queiram bebês recém nascidos e mostramos a elas. Em conjunto, decidimos qual o melhor casal e, a partir de então, eles começam a acompanhar a gravidez e serem visitados constantemente por uma assistente social, que avaliará suas condições de criar uma criança. Então, quando o bebê nascer, a mãe o entrega a eles e assina todos os papéis necessários para que eles tenham a guarda definitiva._ Ela explicou e eu senti um nó na garganta ao me imaginar entregando meu bebê a algum desconhecido.
Essa parecia ser a melhor solução, mas se era assim, por que doía tanto?
“Dói porque esse bebê é um pedacinho seu e de Edward e você já o ama...” _ Minha consciência falou e eu respirei fundo, sentindo um desespero crescente tomar conta de mim e, sem que eu soubesse como, um copo de água se materializou a minha frente.
Eu bebi tudo com desespero e depois de um tempo, ergui meus olhos, me deparando com a irmã me olhando atentamente.
_ Você não parece ter certeza de sua decisão, meu anjo... Pense melhor, pois dar uma criança para adoção é algo muito sério. Converse com o pai da criança e com sua família, pois esse bebê também pertence a eles. Avalie bem sua decisão, pois afinal, estamos falando do seu filho._ Ela falou e eu assenti, entregando-lhe o copo e me levantando.
Eu estava trêmula e precisava desesperadamente de ar puro.
_ Vá com Deus, querida e que nosso Senhor ilumine o seu caminho... A propósito: como você se chama?
_ Isabella Swan..._ Eu murmurei e ela sorriu, pousando uma de suas mãos sobre minha barriga.
_ Isabella, tudo dará certo, eu tenho certeza. Você me parece uma boa moça e eu tenho certeza que saberá tomar a melhor decisão a respeito desse bebê que carrega no ventre. Mas, se em todo o caso, resolver dá-lo para a adoção, me procure e eu e minha equipe lhe daremos toda a assistência necessária. Vou entregar-lhe um formulário e se um dia você voltar aqui, decidida a doar o seu bebê, traga-o preenchido para que possamos dar entrada ao processo de adoção e a escolha do casal..._ Ela falou e eu assenti, sentindo minha cabeça rodar devido a tanta informação.
Andei lentamente até a porta de saída, mas ao passar por uma grande janela, a cena a minha frente me chamou a atenção.
Várias crianças brincavam no pátio do orfanato e eu fiquei me perguntando por que seus pais as haviam abandonado e se eu teria a coragem necessária para fazer isso com o meu bebê.
Aquelas crianças pareciam felizes, mas eu sabia que sempre lhes faltaria o amor de uma família e que eles sempre levariam consigo um sentimento de rejeição, que poderia ser bastante destrutivo.
E diante daquela cena, eu sabia que não seria capaz de abandonar meu filho em um lugar como aquele e nem de entregá-lo a um desconhecido.
Aquele bebê era meu e mesmo não sendo planejado, merecia meu amor e os meus cuidados, pois não pedira para ser gerado.
Suspirei aliviada quando finalmente percebi que havia tomado uma decisão e caminhei rapidamente para rua, me sentando na guia da calçada e colocando a cabeça entre as pernas.
Eu precisava encontrar a coragem de contar a Edward sobre o bebê que fizemos juntos, pois ele tinha todo o direito de saber sobre ele, mesmo que ainda me odiasse pela minha atitude promíscua na manhã seguinte à noite que passamos juntos.
Agora, eu tinha em meu ventre a confirmação de que realmente transamos naquela noite e me perguntei quando as lembranças daquele momento viriam a minha mente.
Era inaceitável que eu não me lembrasse da noite na qual eu e Edward concebemos uma criança.
Senti as lágrimas tomarem conta dos meus olhos mais uma vez, e sem que eu pudesse evitar, elas desceram por meu rosto.
Eu era uma criatura horrível...
Primeiro, pensara em abortar o meu bebê e depois, quisera dá-lo para a adoção.
Vai ver que era por isso que as lembranças daquela noite me foram tiradas.
Eu não era digna de tê-las, já que era uma pessoa horrível e egoísta, que não quisera o próprio filho.
“Me perdoe meu bebê... Me perdoe...”_ Eu pedia em pensamento, tentando diminuir a dor que eu sentia, mas nada parecia aplacar a minha tristeza.
Me assustei ao sentir uma lambida em meu rosto e ergui o olhar, me deparando com Boris, que me encarava animado à espera de atenção.
Ele era o cachorro de Edward e me conhecia, já que eu freqüentava sua casa desde que ele era apenas um filhote.
Eu sorri, acariciando sua orelha e estranhei o fato de ele estar tão longe de sua casa e sem nenhum Cullen por perto.
_ Oi, Boris... O que está fazendo perdido por aqui?_ Perguntei para o cão que ainda balançava a cauda e olhei para os lados, me deparando com o olhar de Edward cravado em mim.
Ele estava há alguns metros de distância do meu corpo, mas eu senti uma conexão muito forte entre nós, assim que nossos olhares se cruzaram.
Edward se aproximou lentamente e eu senti meu coração bater com tanta força, que pensei que ele fosse arrebentar meu peito.
_ Vem, garoto... Vamos para casa._ Ele falou, abaixando-se perto do cachorro e prendendo-o na corrente, enquanto eu continuava encarando-o como uma idiota. Tantas coisas passavam por minha mente, mas eu não conseguia ter nenhuma reação...
Ele não fazia ideia que eu carregava um filho seu dentro da minha barriga, mas eu sabia que precisava contar-lhe o mais depressa possível.
Talvez, ele me odiasse ainda mais por isso...
E talvez, eu merecesse seu ódio e seu desprezo, já que ultimamente provara ser uma pessoa de caráter duvidoso.
_Oi, Bella..._ Ele me cumprimentou polidamente e eu senti um arrepio ao ouvir meu nome saindo de seus lábios.
Eu não imaginei que ele fosse falar comigo, mas fiquei feliz com o fato de ele não ter simplesmente me ignorado.
_ Oi, Edward... O que faz aqui?_ Perguntei baixinho, forçando minha voz a sair pela garganta e ele me encarou, enquanto acariciava suavemente a cabeça de Boris.
_ Vim andar com o Boris. Amanhã eu volto para Seattle e meus pais não têm tempo de trazê-lo para passear..._ Ele falou e eu assenti, respirando fundo e desviando o olhar do seu._ E o que você faz aqui, em frente ao orfanato?_ Ele perguntou e eu senti meu corpo gelar, imaginando o que eu diria a ele.
Ali, no meio da rua, em frente a um orfanato, não era o local e nem o momento de lhe contar que eu estava esperando um filho dele e que para evitar mais problemas entre nós, eu pensei em dá-lo para adoção.
Eu iria lhe contar sobre o bebê... Mas, não agora e nem ali.
_ Na... Nada... _ Eu respondi gaguejando e ele estreitou o olhar em minha direção, fazendo com que eu tivesse vontade de me chutar por ser uma péssima mentirosa.
_ Tem certeza?_ Ele perguntou atento e, mais uma vez, eu desviei meu olhar do seu, com medo que ele lhe revelasse muito mais do que deveria. _ Por que estava chorando?
Saco!
Por que Edward tinha que ser tão observador?
E o que eu diria a ele agora?
Mas, antes que eu pudesse responder qualquer coisa, uma freira saiu do orfanato e veio sorrindo em nossa direção.
_ Ah, senhorita Swan, que bom que ainda não foi embora. Eu me esqueci de entregar-lhe o formulário de adoção._ A freira falou, me entregando uma pasta, que eu aceitei trêmula, enquanto encarava Edward com o olhar amedrontado.
_ O... Obrigada..._ Eu murmurei e a freira sorriu, dirigindo-se novamente para o interior do orfanato.
Edward continuava parado no mesmo lugar, me encarando confuso e mais uma vez naquele dia eu senti o desespero tomar conta de mim.
O que eu diria a ele agora?
_ Vai adotar uma criança?_ Ele perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça, me dirigindo até minha caminhonete, enquanto tentava escapar de seu olhar confuso._ Então, que formulário é esse?
Eu respirei fundo e depois de guardar a pasta na caminhonete me virei para encará-lo.
_ Eu não posso lhe responder nada agora. Mas, prometo que logo você vai saber o que está acontecendo._ Eu falei e ele me olhou ainda mais confuso.
_ Tem haver comigo?_ Ele perguntou preocupado e eu sorri tristemente, sabendo que a notícia que eu tinha para lhe dar também viraria sua vida de pernas para o ar.
_ Sim... Mas, antes de lhe dizer, preciso resolver um problema._ Eu expliquei e ele assentiu resignado.
_ Bem... Se é assim, vou esperar até que esteja pronta para me dizer. Parece que esse vai ser sempre o meu papel, não é? Esperar por você..._ Ele falou da maneira triste, se afastando com o cachorro e eu fiquei observando-o, sentindo uma tristeza crescente até que ele sumiu ao fim da rua.
Entrei em minha caminhonete e dirigi para a reserva, com as palavras de Edward ainda rodando em minha mente.
Eu queria que ele esperasse por mim, pois, a partir de hoje, nossas vidas estariam irremediavelmente entrelaçadas e não havia nada que pudéssemos fazer para mudar esse fato.
Edward e eu seriamos os pais de uma mesma criança e isso era algo sério...
Muito sério.
E eu precisava parar de cometer erros que o afastassem de mim, pois em meu coração e em minha mente crescia a certeza de que eu não poderia ficar longe dele.
A distância entre nós machucava demais.
Respirei fundo, afastando Edward dos meus pensamentos e me concentrando na estrada que me levaria a La Pusch.
Já estava na hora de eu resolver minha vida e, para começar, eu iria conversar com Jacob.
E, mesmo que isso fosse ser difícil, era algo que não poderia ser evitado.
Havia um bebê em jogo e, a partir de hoje, ele seria minha prioridade.
**********
Cheguei à reserva com uma tempestade torrencial desabando sobre minha cabeça.
Peguei minha capa de chuva e depois de vesti-la, corri para a oficina, onde eu tinha certeza que encontraria Jacob.
Ele estava debruçado sobre o capô aberto de um carro e parecia concentrado no seu trabalho, o que me permitiu ficar observando-o por longos minutos, sem que ele notasse minha presença.
Jake era um cara muito bonito e eu ainda o amava.
Mas, esse sentimento se manifestava em mim de uma forma fraternal e acho que era exatamente por isso que eu nunca conseguira avançar em nosso relacionamento.
De certa forma, eu sempre o considerara um irmão e, sendo assim, não havia possibilidades de termos um relacionamento íntimo.
E, só depois de me envolver com Edward de uma forma irremediável é que eu percebera isso e, embora soubesse que ia magoá-lo quando lhe contasse que estava grávida de outro cara, eu sabia que seria melhor assim.
Nosso namoro há muito tempo não nos trazia felicidade e essa relação estranha precisava ter um fim.
A partir de hoje, Jacob poderia seguir com sua vida e encontrar uma pessoa especial que lhe faria feliz, já que eu não o pude fazer da forma como ele gostaria.
Pigarreei levemente, chamando sua atenção e quando ele me viu, abriu um largo sorriso e veio em minha direção, deixando as ferramentas de lado.
_ Bella? Amor, que bom que veio. Eu já estava morrendo de saudades..._ Ele declarou, se aproximando de mim e me fazendo recuar dois passos quando tentou me beijar._ O que houve? Por que não me deixou beijá-la?_ Ele perguntou bravo e eu respirei fundo, encarando-o seriamente e tentando tirar do fundo da alma a coragem para lhe dizer o que precisava ser dito.
_ Precisamos conversar._ Eu declarei e ele sorriu, pegando minha mão e me levando até um pequeno sofá que ficava no canto da oficina.
_ Eu também acho... Precisamos esclarecer o que houve entre nós, para que assim possamos retomar nosso namoro e seguir nossas vidas como já estava planejado.
_ Nada será como planejado..._ Eu murmurei, sentindo as lágrimas se acumularem em meu olhar e, ele me encarou assustado.
_ Como não? Eu te amo e te quero ao meu lado para sempre. Você é minha namorada e Charlie aprova nossa relação... Eu não vou permitir que você termine comigo, pois...
_ Eu estou grávida._ Falei de uma vez, interrompendo seu fluxo de palavras e ele paralisou, me olhando como se eu tivesse três cabeças.
_ O que?_ Jacob perguntou em um fio de voz e eu respirei fundo mais uma vez, tomando coragem para repetir o que eu acabara de lhe dizer.
_ Eu estou grávida..._ Eu repeti e, depois de alguns segundos, ele se levantou do sofá, e passou a ficar andando de um lado para o outro, sem me encarar.
_ Que porra você está me dizendo? Isso é impossível!_ Ele gritou de repente e eu fechei os olhos, sabendo que dessa vez merecia sua grosseria.
Eu sabia que ele estava nervoso e eu só esperava que Deus me protegesse, pois tinha certeza que, dentro de poucos segundos, uma guerra seria iniciada naquele galpão.
E, de forma alguma, seria uma batalha tranqüila...
Fale com o autor