Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
12 Capítulo 11: SURPRESAS E AMARGURAS
Notas iniciais
Capítulo 11
POV. BELLA
Eu nunca tive motivos para sentir medo de Jacob.
Durante todos esses anos de namoro, apesar do seu machismo e ignorância para certos assuntos, ele sempre fora calmo, respeitador e carinhoso.
Quer dizer... Ele sempre fora assim antes de querer me levar pra cama a qualquer custo e eu recusar todas as suas tentativas.
Depois disso, ele se tornara grosso e extremamente desagradável.
Mas, nesse momento, ele me olhava com tanto ódio que eu temi ser agredida fisicamente.
Eu sabia que ele ficaria irritado com a notícia.
É claro que ele ficaria...
Afinal, mesmo que nosso namoro não estivesse muito bem das pernas, nós tínhamos um compromisso e eu deveria tê-lo respeitado.
No entanto, eu aparecera grávida de outro cara e, definitivamente, não deveria esperar compreensão da parte dele.
Na verdade, eu não queria esperar nada de Jacob, pois nosso namoro iria acabar hoje e eu sabia que depois do que seria dito naquela oficina, dificilmente continuaríamos amigos ou manteríamos qualquer tipo de contato.
_ Vamos, Bella... Estou esperando uma explicação... Como você pode estar grávida se nós nunca transamos? Vai me dizer que recebeu a visita do espírito santo?_ Ele gritou irritado e eu suspirei, encarando minhas próprias mãos e sentindo mais medo dele a cada segundo que passava.
_ Eu estou grávida de outro cara, Jacob... Essa é a explicação._ Eu disse simplesmente e ele sorriu com escárnio.
_ Explicação simples, não é? Então, você namora comigo durante anos, não aceita abrir as pernas pra mim de jeito nenhum e de repente me aparece grávida, dizendo que deu pra outro cara? Que bela vadia você me saiu..._ Ele comentou e eu me empertiguei no sofá, olhando-o com ódio.
Eu não ia permitir que ele me ofendesse, pois apesar de ter errado, ele não tinha nenhum direito de falar comigo daquela forma.
_ Eu não permito que fale assim comigo... Eu sei que o que fiz foi errado, mas você não tem direito de me ofender.
_ Ah, não? Por quê? Você realmente foi uma vadia, Bella... Você deu para outro cara...
_ É esse o problema, Jacob? Você está bravo porque eu me entreguei para outra pessoa e não para você?
_ É claro que eu estou bravo por isso... Eu era seu namorado e só eu tinha direito de transar com você. Eu esperei a droga do seu momento e você meteu um belo chifre na minha cabeça...
_ Pare de agir como um homem das cavernas, pois você não tinha direito nenhum sobre mim... Pelo menos não enquanto me tratasse apenas como um pedaço de carne, que serviria apenas para satisfazer seus desejos físicos. Eu tenho sentimentos, Jacob Black e desde que você colocou na cabeça a ideia fixa de transar comigo passou a ignorar cada um deles...
_ Sentimentos? E foram esses belos sentimentos que te fizeram dar para outro cara? Vai me dizer agora que fez isso por que estava apaixonada? Ah, Bella... Pelo amor de Deus! Respeite a minha inteligência..._ Ele falou com desprezo e eu senti as lágrimas se acumularem em meus olhos.
Essas lágrimas eram devido ao fato de eu realmente ter algum sentimento pelo cara que me levou para cama.
Eu ainda não sabia definir o que eu sentia por Edward, mas eu sabia ser algo especial, caso contrário, jamais teria me entregado a ele da forma como eu fiz.
As lembranças daquela noite ainda não tinham voltado para minha mente, mas eu sabia que Edward jamais teria forçado uma situação e tudo o que acontecera fora com o meu consentimento e a favor do meu desejo, que só existia porque ele era mais do que um simples amigo para mim.
Mas, como dizer isso a Jacob?
_ Vai chorar agora? Pois saiba que suas lágrimas não me comovem e não mudam a cachorrada que você fez comigo..._ Ele falou e eu funguei, limpando com as costas das mãos as lágrimas que insistiam em molhar meu rosto e que eu não queria que ele visse.
_ Eu não estou aqui para comovê-lo, Jacob Black... Eu queria apenas deixar claro que não existe nenhuma possibilidade de continuarmos namorando... Queria justificar meu afastamento e..._ Eu suspirei, não sabendo como continuar e Jacob ficou me olhando por longos segundos, antes de se aproximar e se sentar ao meu lado.
_ Quem é o pai dessa... Disso?_ Ele perguntou com desprezo, apontando para minha barriga e eu o olhei com muita raiva por ouvi-lo chamando meu bebê “disso”.
_ Em primeiro lugar, eu não admito que você chame meu bebê de “isso”. Eu carrego um ser humano no ventre e espero que você o respeite como tal... E em segundo lugar, não te interessa quem é o pai... Eu vim aqui apenas para lhe dizer que estou grávida e terminar nosso namoro. Como já fiz isso, estou indo embora..._ Eu falei de maneira ríspida, e segui a passos decididos para a porta da oficina.
Mas, antes que eu alcançasse a saída, Jacob me deteve, segurando meu braço com força e me virando de frente pra ele.
_ Não tão rápido, Bella... Você não vai chegar aqui, me dizer que deu pra outro cara e engravidou e sair como se fosse a dona da razão. Eu quero saber quem foi o filho da puta que te levou pra cama e você vai me dizer, nem que eu precise obrigá-la..._ Ele falou me chacoalhando e me olhando com ódio, enquanto eu tentava libertar o meu braço e lutar contra as lágrimas de medo e raiva que insistiam em escorrer pelo meu rosto.
_ Me solta... Eu não vou te dizer nada. Me dixe em paz._ Eu falei desesperada e quando ele apertou ainda mais o meu braço, eu me inclinei em sua direção e mordi sua mão, fazendo-o me soltar imediatamente.
_ Aiii, sua desgraçada..._ Ele falou me empurrando e eu senti meu corpo gelar quando me desequilibrei e quase caí sentada.
Eu sabia que eu queda poderia fazer com que eu perdesse meu bebê e, embora tenha pensado em fazer um aborto quando descobri que estava grávida, nesse momento, a ideia de perdê-lo me causava uma dor intensa.
Portanto, se algo de ruim acontecesse ao meu filho, eu mataria Jacob com minhas próprias mãos.
Ele avançou mais uma vez em minha direção, com uma das mãos erguidas, como se fosse me bater e ao invés de me esconder, eu resolvi enfrentá-lo.
Se Jacob me agredisse, eu faria questão de colocá-lo na cadeia e pedir para que o xerife jogasse a chave fora.
_ Vamos lá, Jacob... Bata. Não é isso o que você quer? Pois me bata. Desconte em mim o seu machismo e sua ignorância e deixe que eu conheça o verdadeiro Jacob Black..._ Eu gritei com desprezo, encarando-o de igual para igual, até que ele respirou fundo e se afastou praguejando.
_ A vontade que eu tenho é de realmente agredi-la. Eu me sinto enojado pelo que você fez, Bella... Nós nos conhecemos desde sempre, seus pais aprovam nosso namoro e todos sempre esperaram que no fim, ficaríamos juntos. Nós fizemos planos e tudo para que no fim você acabasse grávida de outro cara...
_ As coisas nunca são como planejamos, Jacob, e me agredir não vai fazer com que as coisas melhorem. Pelo contrário... Só vai provar que você é um covarde e que nunca me amou como me dizia. Eu não fiz nada de maneira premeditada, mas aconteceu. Agora, eu vou seguir com minha vida e sugiro que você faça o mesmo, já que não existe a menor possibilidade de ficarmos juntos..._ Eu falei e ele ficou me encarando por vários segundos, até que fechou os olhos e passou as mãos pelos cabelos, demonstrando cansaço.
_ Só me responda uma coisa, Bella: Por quê? Por que eu não fui o suficiente pra você? Por que você se entregou para outro cara e não pra mim? Por que você fez isso com a gente?_ Ele me perguntou baixinho e eu senti uma grande tristeza por saber que o estava magoando.
Apesar de tudo, Jacob esteve sempre em minha vida e, antes de ser meu namorado, era meu amigo e não merecia o que eu tinha feito com ele.
Eu me sentia culpada por fazê-lo sofrer e mais culpada ainda por não lamentar o fato de ter ficado com Edward.
Era fato que eu não planejara nada do que acontecera, mas agora que eu começara aceitar a ideia de estar grávida, saber que aquele bebê era um pedacinho meu e de Edward me enchia de uma alegria estranha.
E era daí que vinha minha maior sensação de culpa.
Edward e Jacob eram amigos e, por minha causa, essa amizade também poderia acabar.
_ Eu não sei te responder isso, Jack... Nosso namoro não estava bem e eu acabei me deixando levar. Você tem que admitir que nos últimos tempos você vinha me tratando muito mal, insistindo para que déssemos um passo em nossa relação, quando sabia que eu ainda não estava pronta...
_ Você não estava pronta pra mim, mas deu para outro cara...
_ Pára de falar assim... Eu não sou essa vadia que você insinuou. Aconteceu e suas ofensas não vão mudar o fato de que eu estou grávida de um filho que não é seu...
_ E de quem é?
_ Já disse que não vou dizer. Eu sei que não é algo que vou poder esconder para sempre, mas por enquanto eu não falo._ Respondi decidida e ele bufou, voltando a se posicionar em frente ao carro que ele consertava antes de eu chegar.
_ Vai embora, Bella..._ Ele falou e eu suspirei tristemente, sabendo que não havia mais nada para fazer ali.
_ Eu vou, Jacob... Sinto muito que nossa história tenha acabado assim. Eu nunca quis magoar você.
_ Muito estranha essa sua forma de não querer me magoar..._ Ele murmurou e eu sorri tristemente.
_ Eu sei que isso pode parecer hipocrisia, mas é a verdade. Nada do que aconteceu foi premeditado.
_ Mas, aconteceu... Você dormiu com outro cara e meteu um par de chifres na minha cabeça. Portanto, eu quero que você vá embora e não volte. Fique com esse bebê e, se você realmente sabe quem foi que te engravidou, eu sugiro que procure por ele, pois quando teu pai descobrir o que aconteceu, eu duvido que você tenha onde morar..._ Jacob falou, concentrando-se em seu motor e eu senti um frio na barriga, sabendo que ele estava absolutamente certo a respeito de Charlie e ignorando o fato de ele ter dito que eu não sabia quem era o pai do meu bebê.
Eu teria que lidar com Charlie depois, pois agora eu precisava enfrentar outra pessoa.
Olhei tristemente para Jacob e saí sem me despedir, não querendo prolongar aquele clima estranho entre nós.
Nossa relação de anos chegara ao fim e o melhor que eu tinha que fazer era ir embora, sem olhar para trás.
Nesse momento, eu tinha outras prioridades e precisava cumprir com meu dever.
Edward precisava saber que eu esperava um filho seu e eu iria contar-lhe ainda hoje.
Só esperava que Deus não me abandonasse...
**********
POV. EDWARD
O encontro que tive com Bella não me saía da cabeça.
Era impossível esquecer seu olhar triste e perdido, enquanto estava sentada a beira da calçada, sozinha.
Ela não estava bem e isso era evidente em sua expressão e esse fato, embora não devesse, me incomodava bastante.
Eu não queria me importar com ela.
Eu gostaria de esquecê-la e seguir com minha vida, transformando-a apenas em uma vaga lembrança.
Mas, hoje eu percebera que esquecê-la era simplesmente impossível.
Bella estava impregnada em mim de uma forma irremediável e eu não conseguiria tirá-la da minha vida com facilidade.
Mas, será que eu queria tirá-la da minha vida, de fato?
Afinal, por mais que ela tivesse me feito sofrer com seu esquecimento, Bella ainda era importante para mim e seu sabia que era só ela querer, para que eu a aceitasse de volta em minha vida, da forma que fosse, pois o seu afastamento também me fazia sofrer.
Como eu mesmo dissera a ela, o meu papel seria esperá-la... Sempre.
Além do mais, Bella me dissera que o assunto que ela fora tratar no orfanato tinha haver comigo e o jeito era esperar que ela me procurasse para esclarecer essa história.
O que diabos ela fora fazer lá?
E que formulário de adoção era aquele que a freira entregara pra ela?
Suspirei pesadamente, tentando, pelo menos, tirá-la por um momento da minha mente, já que era impossível entendê-la e entrei em casa, após deixar Boris no jardim.
Eu estava cansado e com fome depois da longa caminhada que fiz e tudo o que eu queria era um bom banho e um lanche, antes de cair na cama e dormir para me esquecer dos problemas por algumas horas.
Meu pai estava na cozinha e eu sorri ao vê-lo em casa uma hora daquelas, já que geralmente ele ficava no hospital o dia todo.
_ E aí, velho? Fugiu do trabalho?_ Eu perguntei brincando e ele riu, me oferecendo um pedaço de bolo.
_ Hoje o dia foi pesado e eu resolvi dar uma espairecida.
Eu aceitei o pedaço de bolo e me sentei ao seu lado, desfrutando de sua companhia que era rara, devido ao seu trabalho.
_ Você parece preocupado... Aconteceu alguma coisa?_ Eu perguntei, estranhando sua expressão carregada e ele suspirou, empurrando o prato e olhando o jardim além da janela.
_ Hoje eu atendi uma paciente que me deixou bastante preocupado._ Ele falou e eu franzi o cenho, olhando-o atentamente.
_ Alguma doença grave?_ Eu perguntei, sempre querendo aprender mais com a grande experiência médica do meu pai e ele negou com um gesto de cabeça.
_ Não... Trata-se apenas de uma gravidez. O que me preocupou, foi sua reação.
_ Que tipo de reação?
_ Ela ficou em choque e depois cogitou a possibilidade do aborto. Não sei... Acho que ela pensa que não terá o apoio da família e do namorado, mas o aborto nunca é a solução._ Meu pai explicou e um sentimento ruim se apossou de mim.
Eu era contra a prática do aborto.
As mulheres tinham outras opções para solucionar gravidezes indesejadas e não precisavam, de forma alguma, dar cabo a vida de uma inocente criança.
_ Mas, você não a aconselhou a fazer outra coisa?
_ Sim... Conversamos a respeito da adoção. Só espero que ela me ouça, pois, caso descubra que essa moça optou pelo aborto, eu ficarei bastante decepcionado..._ Carlisle falou e eu o olhei atentamente, estranhando suas palavras.
Como residente, eu sabia o quanto era triste saber que uma mulher optou pelo aborto, mas ele falava como se conhecesse muito bem sua paciente e isso era muito estranho.
_ Quem é essa moça papai? Eu conheço?_ Perguntei desconfiado e ele me olhou seriamente, antes de suspirar e levantar-se, indo colocar seu prato na pia.
_ A ética médica não me permite que eu lhe diga, filho. Mas, não é ninguém importante... Esquece isso..._ Ele falou, passando por mim e me dando um beijo na testa, me deixando ali sozinho, tendo a certeza de que ele me escondia algo.
O doutor Carlisle Cullen sabia perfeitamente bem quem era a tal moça e eu devia conhecê-la também, pois, caso ao contrário, ele teria me dito pelo menos o seu nome, sem desrespeitar a ética médica.
**********
ALGUMAS HORAS DEPOIS...
Eu estava deitado em minha cama, ouvindo música enquanto olhava algumas fotos antigas minhas e dos meus irmãos, quando escutei uma batida na porta.
Alice colocou a cabeça para dentro e ao me ver sentado na cama, entrou sem pedir licença, o que era bem típico dela.
_ Eu... Posso falar com você?_ Ela perguntou, sentando-se ao meu lado na cama e eu sorri, assentindo, enquanto guardava as fotos de volta na caixa.
_ Claro que pode...
_ Bem... Na verdade, eu queria te perguntar uma coisa..._ Ela falou, me encarando seriamente e eu a olhei preocupado, sentindo falta de sua alegria e vivacidade.
_ O que houve, anã? Você parece preocupada...
_ E eu estou. Preocupada com você e com a Bella... Portanto, eu preciso saber o que houve entre vocês..._ Ela falou e eu fechei os olhos, me sentindo cansado de tentar me livrar das perguntas de Alice.
_ Eu já disse...
_ Eu sei o que você disse, mas eu não acredito. Vocês dois estão estranhos desde a noite da festa de Emmett... Você sempre foi louco por ela e já faz um tempão que não a procura... Bella está cada vez mais depressiva e agora se recusa a falar até comigo. Depois, aparece aqui toda molhada, parecendo desesperada e dizendo que quer falar com você... E eu..._ Alice continuou falando, mas minha mente registrou apenas uma informação.
_ Bella está aqui?_ Perguntei, me levantando e minha irmã parou de falar, revirando os olhos e se levantando também.
_ Está... Ela quer falar com você. Mas, antes de trazê-la aqui, eu precisava tentar entender o que houve entre vocês.
_ O que houve entre nós não diz respeito a ninguém, Alice..._ Eu falei de maneira ríspida, me irritando com sua intromissão e ela bufou.
_ Como não? Sou eu que tenho que agüentar essas carrancas de vocês... Sou eu que estou perdendo minha melhor amiga para a depressão... Sou eu que sofro ao não ver mais a alegria constante do meu irmão..._ Ela falou e quando vi seus olhos se encherem de lágrimas, me arrependi de ter falado daquela forma com ela e me aproximei para abraçá-la.
_ Ei, baixinha... Está tudo bem. Eu e Bella vamos resolver nossas diferenças e tudo vai voltar a ser como era antes...
_ Como era antes? Não, Edward... Eu não quero você namorando aquela nojenta da Tanya e nem quero ver minha amiga com o canalha do Jacob..._ Ela falou com raiva e eu a encarei por alguns segundos.
_ Canalha? Por que você está chamando Jacob assim?_ Eu perguntei e ela fechou cara, cruzando os braços sobre o peito e me olhando seriamente.
_ Ele traiu a Bella..._ Alice falou e eu senti um baque surdo no peito.
_ Traiu?_ Perguntei baixinho e ela assentiu, se aproximando mais de mim para falar baixinho.
_ Sim... Já faz umas duas semanas que ele está saindo com uma menina lá da reserva... Uma tal de Leah.
_ E como você sabe disso?
_ Jasper viu os dois juntos em Seattle no sábado. Ele disse que eles estavam se beijando escandalosamente na pista de dança e que Jacob parecia bem animado. E quando Jass o encontrou no bar, ele estava meio bêbado e disse que ia levar a gata para o motel, pois finalmente ele encontrou alguém disposto a dar pra ele..._ Alice explicou e eu senti meu sangue ferver ao pensar em Jacob desrespeitando a namorada dessa forma.
Tudo bem que Bella também havia traído-o, mas o que acontecera entre a gente fora algo muito além do desejo físico.
Eu odiava saber que Jacob dizia para quem quisesse ouvir que Bella se recusava a “dar” pra ele, tratando-a como um objeto inanimado, sem sentimentos e que não merecia o menor respeito.
Mas, de certa forma, saber que ele estava com outra garota, me fazia sentir certo alívio.
Se ele se envolvera com outra pessoa, era porque não gostava da Bella como deveria e então, a culpa que eu sentia por ter estado com sua namorada não devia me atingir com tanta força, já que eu sabia como cuidar dela muito melhor do que ele.
_ Por isso, eu não quero que tudo volte a ser como antes. Aquele idiota não merece uma garota legal como a Bella, assim como aquela imbecil da Tanya não merece você..._ Alice falou, chamando minha atenção e eu suspirei, me dirigindo até a janela e olhando a noite escura lá fora._ Bem... Pelo visto, mesmo que eu implore, você não vai falar nada. Dessa forma, eu vou sair e pedir para que Bella entre. Ela parece bem perturbada e acho que se não falar com você logo, vai acabar tendo um ataque._ Alice falou, dirigindo-se para a porta e eu senti meu coração palpitar em expectativa.
O que será que Bella queria conversar comigo?
_ Edward, só me prometa uma coisa..._ Alice pediu e eu suspirei, olhando-a seriamente._ Prometa-me que esse encontro com Bella não vai fazer com que vocês dois fiquem ainda mais tristes..._ Ela falou e eu sorri, me aproximando dela e beijando sua testa.
_ Eu não posso prometer isso, Alice... Mas, prometo tentar esclarecer tudo para que essa tristeza vá embora de uma vez por todas e não volte nunca mais..._ Eu falei e ela sorriu tristemente, saindo do quarto e fechando a porta.
E eu fiquei ali, esperando Bella vir até mim para finalmente saber que assunto ela tinha para tratar comigo.
Ouvi uma leve batida na porta depois de alguns minutos e fui abri-la, para me dar de cara com a garota mais linda do mundo, toda molhada e parecendo ainda mais perturbada do que quando eu a encontrara em frente ao orfanato.
_ Oi..._ Ela sussurrou e eu fiz um gesto com a mão para que ela entrasse e eu pudesse fechar a porta.
_ Fique a vontade..._ Falei, sem saber como agir e a escutei suspirar, enquanto olhava ao redor com atenção.
_ Esse quarto se parece muito com o quarto da cabana..._ Ela comentou e eu a olhei com atenção.
_ E você se lembra do quarto da cabana?_ Perguntei, tentando não mostrar o quanto o seu esquecimento ainda me magoava, mas falhando miseravelmente.
Bella me olhou por longos segundos e eu pude detectar em seu olhar toda a confusão e tristeza que ela parecia estar sentindo nesse momento.
_ Sinto muito..._ Ela murmurou, caindo no choro e tudo o que eu pude fazer foi abraçá-la.
_ Ei... Shiii... Desculpe-me por eu tocar nesse assunto. Se acalme, princesa..._ Eu falava contra seu cabelo, tentando acalmá-la e querendo me chutar por ter tocado naquele assunto.
Por mais que seu esquecimento ainda me magoasse, eu não tinha direito de tocar nesse assunto quando ela estava evidentemente tão perturbada.
O choro desesperado dela estava me dando agonia e eu me perguntei o que será que acontecera para lhe deixar tão abalada.
_ Bella... O que houve? Por que você está tão nervosa?_ Perguntei, quando seu choro começou a se acalmar e ela se separou de mim, indo até a cama e sentando-se.
_ Eu estou nervosa porque minha vida está de ponta cabeça e eu sei que a maior parte da culpa por essa situação é minha...
_ Que situação?_ Eu perguntei, me sentando-se ao seu lado e ela respirou fundo, encarando as próprias mãos.
_ Eu quero te dizer que eu não fiz nada de forma premeditada. Eu realmente me esqueci do que houve entre nós e eu só posso culpar essa maldita amnésia, que eu não sei por que tem que fazer parte de mim..._ Ela murmurou tristemente e eu me senti um idiota por ainda culpá-la pelo seu esquecimento.
_ Bella, esquece isso..._ Eu falei, mas ela me fez calar ao segurar minhas mãos e me olhar nos olhos.
_ Me deixa falar, Edward... Eu preciso te explicar. Eu me entreguei a você por algum motivo que nem eu entendo. Mas, eu sei que, de alguma forma, algo especial aconteceu, pois se fosse diferente, eu jamais deixaria que você me tocasse... Mas, aí eu te magoei quando disse que não me lembrava de nada e só Deus sabe o quanto eu me arrependo por tê-lo magoado. Se isso te faz sentir melhor, saiba que eu também sofri... Muito._ Ela falou e eu sorri tristemente, acariciando de leve seu rosto lindo que me fez tanta falta.
Eu até tentei odiá-la, mas agora, tendo-a mais uma vez comigo, eu sabia que era impossível.
Bella era importante demais para que eu pudesse odiá-la ou cultivar qualquer sentimento ruim em relação a ela.
_ Eu realmente sofri, Bella, pois quando você se entregou pra mim daquela forma, eu imaginei estar realizando meu maior sonho, que era tê-la só para mim.
_ Você sonhava em ficar comigo?
_ Eu sempre sonhei, Bella, e você sabe disso. Eu te disse isso naquela manhã quando você se esqueceu de tudo o que houve entre nós... Bem... A grande verdade é que eu sempre demonstrei o quanto gostava de você, mesmo quando namorava Tanya..._ Eu falei e ela ficou me olhando por longos segundos, até que suspirou e colocou a cabeça entre as mãos.
_ Eu não sei se você vai gostar de mim quando eu lhe disser o que eu preciso..._ Ela falou e eu a olhei confuso, não entendendo suas palavras.
_ Por que você acha isso?
_ Por que o que eu tenho pra falar vai fazer com que sua vida vire de cabeça pra baixo..._ Ela explicou e eu cheguei a sentir medo do que ela diria a seguir.
_ E o que você tem pra me dizer?_ Perguntei baixinho e Bella respirou fundo, me encarando fixamente.
_ Eu estou grávida..._ Ela falou e eu fiquei encarando-a, enquanto aquele pedaço de informação entrava em minha mente.
Grávida.
Bella estava grávida.
E, de repente, como ela dissera, minha vida virara de ponta cabeça.
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