Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
36 Capítulo 35: NEURAS, CIÚMES E BOLO
CAPÍTULO 35
POV. EDWARD
Comecei a despertar, sentindo pequenos puxões no meu cabelo e, após resmungar um não extremamente baixo, me virei de lado e adormeci novamente.
Eu estava tão exausto que minha vontade era dormir trinta dias seguidos, mas, o quer que tenha tentado me despertar a pouco, não desistiria tão facilmente e, após um balbuciar baixo, continuou puxando meu cabelo.
Tentei ignorar ao máximo, mas, quando senti meu nariz ser atrevidamente apertado por dedinhos pequenos, abri os olhos lentamente e, qualquer irritação que eu pudesse ter por ser acordado contra minha vontade desapareceu no memento que eu vi o rostinho mais lindo do mundo me encarando curioso e sorridente.
_ Bom dia, Liv..._ Eu falei com a voz rouca para minha filha que agora estava sentada sobre minha barriga e ela riu, batendo palminhas de maneira graciosa, como vinha fazendo a duas semanas, desde que aprendera tal façanha.
_ Viu só, princesa? É fácil acordar o papai, não é?_ Bella perguntou, passando as mãos pelos cabelinhos claros de Olívia e eu a olhei sorridente, puxando-a pela mão em minha direção e fazendo com que ela se sentasse ao meu lado.
_ Isso é coisa sua, princesa? Gostaria de saber por que eu não posso dormir até tarde?_ Eu perguntei, fazendo um bico, que eu sabia ser ridículo, e Bella riu, beijando meus lábios de leve.
_ Você dormiu bastante, bonitão... Já passam das duas da tarde. Só por isso eu deixei que Olívia viesse acordá-lo. Nossa filha já estava impaciente, esperando pelo “papá” dela._ Bella falou, acariciando meus cabelos e eu sorri ao me lembrar da forma como Liv me chamava.
Eu jamais iria me esquecer da primeira vez que minha filha me chamara de “papá”, pois esse foi, sem nenhuma sombra de dúvida, um dos dias mais felizes da minha vida.
Estávamos na sala, sentados sobre o tapete, enquanto Bella preparava o jantar e Olívia prestava bastante atenção nas figuras do livro que eu lia para ela.
Tratava-se da história de uma família de ratinhos e minha pequena não se cansava de apontar para o desenho dos personagens e balbuciar suas sílabas incompreensíveis, até que de repente, ela me encarou com seus grandes olhos azuis e, apontando seu dedinho gordo em minha direção, disse “papá”.
Eu fiquei paralisado por alguns segundos, olhando-a assustado, até que ela repetiu a palavra, enchendo meu coração de uma alegria incomparável.
_ Bella!_ Eu gritei empolgado e em menos de dez segundos, minha princesa estava ao meu lado, nos olhando assustada.
_ O que houve, Edward?_ Ela perguntou preocupada e eu sorri largamente, erguendo Olívia e jogando-a para o alto.
_ Liv me chamou de “papá”._ Eu falei emocionado e Bella bufou, revirando os olhos e pegando nossa filha no colo.
Ela odiava quando eu jogava Olívia para o alto, pois tinha medo que eu a derrubasse.
_ Você quase me matou de susto, Cullen... Precisava gritar desse jeito? Pensei que ela houvesse se machucado. _ Bella falou brava e, antes que eu pudesse me defender, Olívia me olhou e, apontado o dedinho gostoso em minha direção mais uma vez, repetiu a palavra recém-aprendida.
_ Papá..._ Ela falou e Bella a olhou pasma, esquecendo-se de que estava brava comigo e enchendo nossa pequenina de beijos.
_ Viu? Não é emocionante ouvi-la dizer a primeira palavra?_ Eu perguntei, sentindo lágrimas em meus olhos Bella sorriu, me olhando com carinho.
_ Essa garotinha aqui é completamente apaixonada pelo “papá” babão dela e eu nunca duvidei de que essa seria a primeira palavra que ela diria... Mas, não precisava fazer escândalo, Edward._ Bella reclamou e eu ri, indo até ela e pegando Olívia no colo mais uma vez e enchendo-a de beijos.
_ Eu precisava comemorar, princesa... Não quis te assustar. Me desculpe. _ Eu me justifiquei e ela revirou os olhos mais uma vez, mas, acabou sorrindo.
_ Ok... Fique aí com sua filha que eu vou terminar o jantar. Veja se não me assuste de novo._ Bella advertiu, voltando para a cozinha e eu sorri largamente, me sentando com Olívia no tapete e tentando fazê-la aprimorar a palavra recém-aprendida.
Mas, como ela ainda era muito pequena, não conseguiria mudar seu vocabulário assim tão depressa e, por mais que eu tenha tentado, ela continuava disparando seu simples “papá” para todos os lados, o que já me deixava bobo de orgulho e satisfação.
Olhei mais uma vez para a bela criança que continuava sentada sobre minha barriga e sorri, passando a mão por seu rostinho e ganhando sua total atenção.
_ Me desculpe por ter dormido demais, princesinha... Vamos brincar a tarde toda para compensar..._ Eu falei, segurando seus bracinhos e pulando com seu eu fosse um cavalo e Olívia riu, enchendo meu coração de alegria.
_ Nós te perdoamos, príncipe. Sabemos o quanto está cansado devido ao seu trabalho novo._ Bella falou, beijando meus lábios mais uma vez e eu suspirei.
Minha princesa tinha razão quando dizia que eu estava cansado.
Uma semana após minha formatura, eu assumira um cargo de médico no Hospital Municipal de Seattle e estava a cada dia mais exausto, já que meus horários, por enquanto, eram bem malucos.
Não fora bem o que eu planejara para depois que eu me formasse, já que esperava poder passar mais tempo com minha família, mas como tinha recebido uma boa proposta de trabalho desse hospital, não vi outro jeito ao não ser aceitar.
Afinal, agora eu tinha uma família para sustentar.
Eu não queria passar o resto da vida dependendo do dinheiro dos meus pais, mesmo sabendo que eles não se importavam em me ajudar.
Contudo, para alcançar minha independência financeira, era necessário iniciar minha carreira de alguma forma e, mesmo não tendo planejado estar em Seattle após a formatura, eu estava gostando do meu primeiro emprego.
Só não gostava dos horários.
Eu estava trabalhando na emergência, o que significava muitos plantões noturnos, já que era o período em que o hospital mais precisava de médicos.
Eu não devia reclamar da minha jornada de trabalho, pois ficava o dia todo em casa, mas, como sempre chegava muito cansado, acabava dormindo demais, o que me deixava extremamente chateado, já que eu continuava perdendo os momentos mais especiais do desenvolvimento e da infância de Olívia.
_ Vou leva-la para a sala enquanto você toma um banho. Mercedes preparou uma comida bem leve pra você. Tenho certeza que vai adorar._ Bella falou, me tirando dos meus pensamentos e, após beijar meus lábios com carinho, se levantou e pegou Olívia nos braços, que chorou ao se ver tirada do meu colo, onde ela parecia estar se divertindo.
_ O papai não demora, meu anjo..._ Eu prometi, me dirigindo para o banheiro e tratando de ser rápido, já que queria aproveitar ao máximo as horas ao lado das minhas princesas.
Comecei a pensar em minha vida enquanto tomava banho e, mais uma vez, me senti chateado por não dispor de todo o tempo que eu gostaria para ficar com Bella e Liv.
Minha filha já estava com sete meses e a sensação que eu tinha era de que o tempo estava passando cada vez mais rápido.
Eu queria estar sempre presente, mas precisava trabalhar e o único jeito era me conformar com minha nova rotina.
A maioria dos pais não viam os filhos crescer, mas não era isso que eu queria para mim.
Eu queria presenciar todo o desenvolvimento da minha pequena dama, mas, enquanto não conseguisse ajeitar meus horários no hospital, o jeito era aproveitar cada segundo que eu tinha disponível ao lado das mulheres da minha vida.
Terminei de me arrumar e fui para a sala, onde uma comida deliciosa me esperava.
Bella sentou-se no meu colo enquanto eu comia e, após muita insistência ela aceitou dividir meu prato comigo e, por mais desajeitado que fosse fazer uma refeição daquela maneira, eu adorava tê-la tão próxima a mim.
Após o almoço, peguei meu violão e me sentei no chão da sala ao lado de Bella e Olívia, que estava rodeada por seus muitos brinquedos coloridos e barulhentos.
Assim que me viu com o instrumento, minha menininha começou a bater palminhas e veio se sentar nas minhas pernas, na tentativa de alcançar o violão.
_ Filha, assim o papai não consegue tocar pra você, minha linda..._ Bella falou, tirando-a do meu colo e tudo o que eu fiz foi rir.
Olívia já conseguia se movimentar de um lugar para o outro e, embora ainda não tivesse aprendido a engatinhar, de fato, minha pequena dama já estava se transformando em um verdadeiro furacão mirim, deixando desordem por onde passava.
Há poucas semanas, seu primeiro dentinho havia nascido e ainda que ela tenha nos dado muito trabalho, já que ficou muito enjoada, Bella e eu nos emocionamos quando pudemos ver seu pequenino dente de leite despontando.
Podia parecer bobagem, mas como pais de primeira viagem éramos completamente babões e, qualquer conquista de Olívia, por menor que fosse, nos enchia de orgulho e mexia intensamente com nossas emoções.
Na mesma época em que os dentes de Liv começaram a nascer, Bella decidiu parar de amamenta-la, com medo de que nossa pequena dama pudesse mordê-la.
No começo, Liv se recusava a usar a mamadeira e abria o berreiro quando a mãe lhe negava o seio.
Bella passara noites e noites acordada devido às birras de nossa filha e, infelizmente, eu não pude ajuda-la com isso, já que nessa época meus plantões noturnos já haviam começado.
Mas, conforme os dias foram passando, Liv se adaptou aos alimentos sólidos e a mamadeira e não dava mais quase trabalho nenhum nesse sentido.
Ao não ser que, agora, nossa filha passara a usar a chupeta, o que deixara Bella extremamente contrariada, já que ela temia que os dentinhos de nossa pequena dama entortassem devido ao uso do bico.
_ Será que eu errei ao tirá-la do peito?_ Bella me perguntou insegura, observando nossa filha dormir enquanto chupava sua chupeta rosa com vontade e eu sorri, beijando os cabelos da minha princesa.
_ Claro que não, amor... O pediatra te deu carta branca para fazer isso e não acho, de maneira alguma, que o fato de você ter parado de amamenta-la possa vir a prejudica-la. Acontece que o seio, muitas vezes, é uma forma de calmante para as crianças e agora, como ela não tem mais isso, se apegou à chupeta... Mas, não se preocupe. Tenho certeza de que é apenas uma fase.
_ Eu só não queria que o uso da chupeta prejudicasse seus dentes. Andei lendo sobre o assunto e os dentistas afirmam que muitos dos problemas dentários da fase adulta é decorrente do uso de chupeta na infância._ Bella falou emburrada e eu sorri diante de sua preocupação.
_ É só uma fase, amor... Não se preocupe... E depois, podemos recorrer ao uso do aparelho. O importante é que agora ela está calma e não chora mais com a falta do peito. Com o tempo, todo o resto se ajeita. _ Eu falei, beijando seu rosto e, mesmo não estando tão convencida, Bella acabou se conformando com o fato de nossa filha não largar mais sua chupeta rosa.
Olívia estava a cada dia mais esperta e Bella e eu notamos que nossa filha era extremamente curiosa, o que nos deixava sempre de sobreaviso, já que ela mexia e cutucava tudo com seus dedinhos imperativos.
Como eu era um pouco exagerado quando a segurança da minha filha estava em jogo, comprei protetor de quinas para todos os móveis, salva dedos para todas as portas e protetores para todas as tomadas, além de instalar telas protetoras em todas as janelas e na sacada.
O forno também era a prova de bebês, os produtos de limpeza e de higiene pessoal ficavam trancados e meu carro estava equipado com um sistema que a impedia de abrir portas e janelas, garantindo sua segurança, que era uma das minhas maiores prioridades.
Após ouvir tantos “nãos” vindos de nós, ela começara a repetir a palavra e balançar a cabeça de um lado para o outro, o que não significava que ela parou de mexer ou fazer suas pequenas travessuras quando nós a repreendíamos.
Olívia parecia entender o significado do não, mas o ignorava e continuava a fazer o que sua impetuosa curiosidade mandava.
Minha pequena dama era uma criança extremamente simpática e, geralmente, se dava bem com todo mundo.
Bem...
Todo mundo não, já que Liv havia adquirido total horror ao seu pediatra, uma vez que em quase todas as suas consultas mensais, ela acabara sendo vacinada.
Só de ver o rosto do médico ela já começava a chorar e eu me divertia ao perceber que minha pequena dama havia herdado de sua mãe o mesmo pavor de agulhas.
_ Acho que foi a única coisa que ela herdou de mim..._ Bella falou, enquanto acalentava nossa filha que ainda soluçava após a consulta com o pediatra.
_ Acho que a personalidade de vocês é bem parecida, amor... _ Eu comentei, passando as mãos pelas costas de Liv e Bella me olhou curiosa.
_ E isso é bom?
_ Claro que sim, princesa. Você é a pessoa mais doce, generosa, carinhosa e amorosa que eu conheço. Se Liv herdar um terço de suas qualidades será a menina mais encantadora do mundo._ Eu respondi, beijando o rosto da minha esposa e ela sorriu, me encarando com carinho.
_ Gosto da maneira como você me descreve, príncipe. Mas, quem possui todas essas incontáveis qualidades é você...
_ Princesa, acho que você não percebe a mulher maravilhosa que é. Mas, não tem problema... Eu tenho o resto da vida para lhe mostrar o quanto você é perfeita._ Eu declarei e ela sorri largamente, deitando a cabeça em meu ombro enquanto eu a abraçava pela cintura.
_ Isso é algo muito promissor de se ouvir... O resto da vida ao seu lado me parece mais do que perfeito..._ Ela falou sonhadora e eu sorri, beijando seus cabelos.
_ Também acho, amor... Também acho...
Senti um pequeno puxão no braço do violão e voltei ao presente, encarando Olívia que tentava a todo custo chamar minha atenção.
_ Oi, princesinha... Sou todo seu. O que acha de cantarmos sua canção preferida?_ Eu falei baixinho, já dedilhando os primeiros acordes no violão e minha filha arregalou os olhos, sorrindo largamente ao reconhecer sua canção preferida.
Ela me acompanhava com suas palminhas descoordenadas e com seus balbuciares sem sentido e eu me perguntei se essa sua paixão por música queria dizer alguma coisa a respeito de um possível talento futuro.
No que dependesse de mim, Olívia aprenderia tocar quantos instrumentos quisesse, já que eu sabia os milagres que a música era capaz de operar na mente humana.
Continuei tocando e cantando a canção que Liv gostava e me surpreendi ao ouvir a voz melodiosa de Bella me acompanhado na letra, já que, na maioria das vezes, ela se limitava apenas a assistir minha interação musical com Olívia.
Eu havia ouvido minha princesa cantar apenas uma vez e não tinha como negar que sua voz era absolutamente linda.
Uma pena que ela não cantasse sempre.
Sorri para minha linda esposa, incentivando-a e Bella corou, mas continuou entoando a letra infantil que eu compusera para Olívia.
_ Lindamente tocado, Dr. Cullen..._ Bella falou, sentando-se no meu colo quando eu terminei de tocar e eu sorri, colocando o violão de lado e apertando-a delicadamente contra meu corpo.
_ Digo o mesmo a respeito da sua voz, amor..._ Eu declarei, beijando seus lábios e ela sorriu, passando os braços sobre meu pescoço e voltando a me beijar, até que Olívia protestou por nos ver juntos.
Era sempre assim quando nos beijávamos perto dela.
Na verdade, não sabíamos de qual de nós ela tinha ciúmes, mas bastava que nos aproximássemos para que ela protestasse com seu chorinho birrento.
_ Sabe, Liv... O papai é meu também. Ele foi meu antes de ser da senhorita e eu tenho todo o direito de beijá-lo._ Bella falou, puxando nossa filha para seu colo e Olívia deitou a cabecinha em seu peito, mostrando que na verdade, além da birra por nos ver juntos, ela estava com um pouco de sono.
Apertei minhas meninas em meus braços e me dei conta, mais uma vez, de que tudo o que eu precisava para ser feliz estava no meu colo nesse momento.
Bella levantou-se com ela e seguiu para o quarto, dizendo que ia trocá-la e coloca-la no berço.
Arrumei a bagunça da sala e fui preparar a mamadeira de Olívia.
Após algum tempo, repleto de chamego, balanços e mais canções de ninar, Olívia finalmente dormiu e eu aproveitei o momento para agarrar minha esposa e leva-la para nosso quarto.
Devido ao meu trabalho, nossos momentos de paixão estavam a cada dia mais raros e isso era algo que precisava ser remediado imediatamente.
_ O que você pretende me agarrando assim, Dr. Cullen?_ Bella perguntou provocante, beijando meu queixo e eu sorri, passando a mão por seu corpo delicioso.
_ Eu estou com saudades, princesa. Já faz dias que não fazemos amor...
_ Eu também estou, Edward. Mas, antes de nos entregarmos ao nosso desejo, quero te pedir uma coisa..._ Bella falou docemente e eu suspirei, me deitando ao seu lado na cama e encarando-a atentamente.
_ Pode falar.
_ Eu não quero mais vê-lo triste por não estar passando tempo o suficiente ao meu lado e ao lado de Olívia. Eu sei que já conversamos sobre isso, mas eu volto a repetir que o importante não é a quantidade de horas que você passa com ela e sim a qualidade. Liv te adora e você é um excelente pai e não é preciso estar vinte quatro horas por dia ao lado dela para provar isso. O hospital faz parte do que você é, pois ser médico foi uma escolha sua. Eu percebo que você está a cada dia mais incomodado com seus horários e peço, por favor, que pare..._ Bella falou, enquanto acariciava meu rosto e eu a olhei surpreso.
Eu fazia de tudo para que ela não percebesse meu estado de espírito e meu desagrado por não poder ficar tanto tempo com elas que, o fato de ela ter notado minha tristeza, me surpreendia bastante.
Minha princesa me conhecia bem e esse fato me encheu de alegria, pois mostrava que nossa relação havia amadurecido bastante.
_ Você me conhece bem, Bella, e isso me deixa muito feliz. Prometo tentar não ficar tão triste. Mas... Bem, eu queria ter mais tempo para minha família. Queria poder fazer amor com você todos os dias... Queria poder presenciar cada descoberta de nossa filha e o fato de não poder me deixa muito frustrado..._ Eu declarei e ela sorriu compreensiva, se aproximando de mim e beijando meus lábios de leve.
_ Edward, nem eu que fico o dia todo com ela sou capaz de presenciar todas as descobertas da nossa filha. Bebês crescem depressa e o importante é estarmos ao lado deles para protegê-los, guia-los e apoiá-los... E isso você faz muito bem. E quanto a nós... Eu também gostaria de fazer amor com você todos os dias, mas sou adulta o suficiente para entender que você e eu temos responsabilidades e que isso... Bem... Por mais delicioso que seja, não é possível. Mas, nosso casamento vai além do aspecto físico e, juntos, vamos superar esse período conturbado._ Bella afirmou e eu sorri diante de toda a sua sabedoria.
_ Eu te amo, princesa e tem razão quando diz que vamos conseguir superar essa fase difícil. Concordo com você quando diz que nosso casamento não é baseado apenas no aspecto físico, mas eu tenho que confessar que esse é, sem dúvida nenhuma, o melhor aspecto dele. Prometo não ficar mais triste com o fato de não estar com vocês sempre, mas agora, por favor, eu posso tirar sua calcinha?_ Eu perguntei, beijando seu pescoço e Bella riu, assentindo pra mim com o rosto lindamente corado e se entregando aos meus beijos e carícias.
Tivemos uma tarde maravilhosa e quando minha princesa soube que seria minha noite de folga, pulou em meu colo e me encheu de beijos, garantindo que teríamos uma noite maravilhosa juntos.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Saímos para um passeio no parque, comemos pizza na melhor casa de massas italiana de Seattle, tomamos sorvete e voltamos para casa, onde, após colocar Olívia na cama, fizemos amor apaixonadamente, aproveitando todos os minutos que tínhamos a sós para curtir o nosso amor, que crescia e se renovava a cada dia.
**********
POV. BELLA
ALGUM TEMPO DEPOIS...
Era estranho estar de volta à faculdade.
Era triste ter que deixar Olívia a cargo de uma babá enquanto eu retomava as aulas, mas esse era o único jeito de conseguir meu tão sonhado diploma.
Respirei fundo, tentando não pensar na saudade opressora que eu sentia da minha filha e segui até o bloco onde eu teria aulas nesse semestre.
Não seriam muitas, já que eu precisava apenas finalizar o estágio e entregar meu projeto de conclusão de curso, mas eram suficientes para me tirar de casa por três manhãs e duas tardes e me matar de saudade da minha princesinha.
Edward me dera todo o apoio para voltar à faculdade, mas eu percebia que, assim como eu, ele não estava à vontade em deixar Liv na companhia de uma babá.
Mas, como a tal Melissa fora muito bem recomendada e pareceu se dar bem com Liv, eu fiquei mais tranquila em deixar minha filha e voltar a assumir minha condição de universitária.
Na verdade, era bom sair um pouco de casa e retomar minha vida.
Isso fazia com que eu me sentisse mulher novamente.
Eu adorava meu papel de mãe e esposa, mas desde que Olívia nascera, eram raros os momentos em que eu podia me dedicar totalmente a mim e aos meus interesses.
Eu não estava reclamando da minha vida, pois adorava meu marido e minha filha, mas achava que esse tempo na faculdade me faria bem.
E eu esperava estar certa sobre isso.
O primeiro dia do meu retorno foi muito bom e, embora estivesse triste por não ter mais meus colegas de classe ao meu lado, já que eles haviam se formado e colado grau junto com Edward, apreciei a oportunidade de conhecer novas pessoas.
Ao fim do dia, passei pelo escritório de arquitetura onde eu já estagiei para acertar os papéis para esse ano, e fiquei satisfeita por ser tão bem recebida.
Isso era um sinal de que eles gostaram do meu trabalho como arquiteta.
_ Fiquei com medo de que nossa melhor estagiária não retornasse mais... _ Riley falou, me acompanhando até o estacionamento do prédio e eu sorri sem graça, me sentindo desconfortável com os olhares que ele estava me lançando desde que me encontrara no RH.
_ Eu precisava esperar que minha filha crescesse um pouco. Mas, agora estou de volta. Preciso concluir esse estágio para finalmente conquistar meu diploma.
_ Espero que com esse diploma em mãos, você venha trabalhar conosco, Bella. Eu adoro... Quer dizer, nós adoramos o seu trabalho..._ Riley falou, abrindo a porta do carro para mim e eu assenti, não sabendo ao certo o que responder.
_ Vai depender da proposta de trabalho que eu receber. De qualquer forma, vou enviar meu currículo para outras construtoras._ Eu falei e Riley fez uma careta.
_ Nada disso. Você é nossa e vamos cobrir qualquer proposta de trabalho que receba. Bem... Eu sei que você deve estar morrendo de saudades da sua filha, mas o que acha de me acompanhar em um drink?_ Riley pediu e eu suspirei.
Riley era lindo e tenho certeza de que muitas garotas sonhavam em tê-lo como namorado, mas não eu.
Eu era apaixonada pelo meu príncipe e se o cara a minha frente não entendesse isso, eu teria que procurar outro lugar para realizar meu estágio.
_ Riley, olha... Eu sou casada e amo meu marido. Não vou aceitar jamais o seu convite para tomar um drink, ao não ser que meu marido, por quem eu sou completamente apaixonada, me acompanhe. Caso você não seja capaz de entender isso, temo ter que procurar outro escritório para realizar meu estágio..._ Eu falei e Riley empalideceu, limpando a garganta e se afastando de mim.
_ Eu... Me desculpe, Bella. Não quis ser inconveniente. Isso não vai se repetir. Eu vou voltar para minha sala. Até mais!_ Ele falou, afastando-se nervoso e eu suspirei, entrando no carro e seguindo para minha casa.
Edward vivia dizendo que Riley era afim de mim, mas eu nunca o levara a sério.
Meu marido tinha a mania de me considerar mais bonita do que eu realmente era e isso o levava a ver interesse por parte de outros homens onde não existia.
Mas, dessa vez ela estava certo e eu esperava não ter que sair da construtora por conta do interesse de Riley por mim, já que eu sempre gostara de estagiar lá.
Quando cheguei em casa, corri em busca da minha princesinha, mas a cena que eu vi no quarto de Olívia não me agradou nem um pouco.
Pelo contrário.
Me deixou extremamente furiosa.
_ Boa noite..._ Eu falei alto e Melissa, que estava debruçada sobre a poltrona onde Edward estava sentado com Liv, se levantou em um pulo, me encarando sem graça.
Ela estava praticamente estirada no colo do MEU marido e meu ódio já me fazia imaginar arrastando-a pelos cabelos por todo o apartamento.
_ Bella..._ Ela falou, indo pegar as roupas de Olívia que estavam espalhadas pelo trocador e eu a fulminei com o olhar, odiando-me por ter lhe concedido a intimidade de me chamar pelo primeiro nome.
_ Sra. Cullen, pra você, Melissa..._ Eu falei, enquanto caminhava até Edward e pegava nossa filha no colo.
_ Mama..._ Olívia falou, tocando meu rosto e eu sorri, beijando suas bochechas rosadas e apertando-a contra meu peito.
_ Minha princesa linda... Sentiu saudade da mamãe?_ Eu perguntei, sentindo seu cheirinho gostoso e ela sorriu, me mostrando seus poucos dentinhos e enchendo meu coração de alegria.
_ Claro que ela sentiu, princesa... Eu também senti._ Edward falou, levantando-se e vindo em minha direção, mas eu fechei a cara pra ele, seguindo com Olívia até a porta do quarto.
_ Melissa, você está dispensada por hoje. Até amanhã._ Eu falei ríspida, ainda me lembrando da maneira desavergonhada com a qual ela estava debruçada sobre meu marido e ela assentiu, murmurando um “tchau” e saindo rapidamente.
Fui com Olívia até a cozinha e a coloquei em seu cadeirão, enquanto lavava as mãos e começava a preparar o seu jantar, que Mercedes, graças aos céus, havia deixado bem adiantado.
Fiquei em silêncio, descascando batatas e remoendo o ciúme que senti ao ver aquela babá oferecida perto de Edward, até que me assustei ao sentir braços fortes rodeando minha cintura.
_ Você está brava? Posso saber por quê?_ Ele perguntou ao pé do meu ouvido e eu me amaldiçoei quando senti meu corpo se arrepiar.
Por que, diabos, eu tinha que ser tão fraca a sua aproximação?
Esquivei-me dos seus braços e ele suspirou, ficando em silêncio.
Quando pensei que ele desistiria, Edward me pegou pelos ombros e me virou em sua direção, me fazendo encará-lo.
_ Você está irritada comigo e eu gostaria de saber o motivo. Será que pode me dizer, por favor?
_ Ah, você não sabe?_ Eu perguntei irônica e ele bufou, negando com um gesto de cabeça.
_ Se eu soubesse, não estaria perguntando, Bella... O que houve, amor? Pensei que voltaria contente da faculdade.
_ Eu voltei... Mas, quando vi você com a cara enfiada no decote de nossa babá, minha alegria evaporou completamente..._ Eu falei mau humorada e ele me olhou perplexo, explodindo em uma sonora gargalhada, o que me irritou ainda mais._ Não ria, seu cretino..._ Eu gritei, soltando-me dos seus braços e voltando para minhas batatas.
_ Amor, eu juro pelo que você quiser, que eu nem reparei no decote de nossa babá... Eu estava entretido com Olívia e nem notei a presença dela. Não seja ciumenta..._ Ele falou, me abraçando por trás e beijando meu pescoço e eu bufei, me virando para encará-lo com a faca que eu descascava as batatas apontada pra ele, o que o fez se afastar e erguer as mãos, em sinal de paz.
_ Se eu pegar ela tão próxima a você de novo eu juro, pelo oque você quiser, que a arrasto por esse apartamento pelos cabelos e a jogo na rua e depois, eu corto seu pinto com essa faca... Entendeu, Dr. Cullen?_ Eu ameacei e ele assentiu, se aproximando de mim e tirando a faca das minhas mãos.
_ Fique tranquila, Sra. Cullen... Eu não vou deixar que ela se aproxime. Não quero que você assassine a pobre babá e nem corte fora o seu brinquedo favorito..._ Ele falou sorrindo maliciosamente e eu bufei, revirando os olhos e sentindo meu rosto esquentar diante de suas palavras.
_ Acho muito bom, por que da próxima vez que isso acontecer, e eu ver qualquer vadia perto de você, aceito o convite de Riley para um drink..._ Eu avisei e Edward arregalou os olhos, ficando vermelho de raiva.
_ Convite para um drink? Que história é essa, Isabella Cullen?_ Ele perguntou irritado e eu sorri triunfante.
Quem está com ciúmes agora, Cullen?
_ Eu fui até a construtora levar os papéis do estágio e ele me convidou para um drink. Mas, eu recusei elegantemente, deixando bastante claro o fato de eu ser casada e apaixonada por meu marido. Só não esperava chegar em casa e encontra-lo com a cara praticamente dentro da blusa da babá... Se eu soubesse disso, teria aceitado o convite..._ Provoquei e ele respirou fundo, fechando as mãos em punho e me encarando furioso.
_ Teria aceitado porra nenhuma..._ Edward falou alto e eu o olhei feio por ter falado palavrão perto de nossa filha._ Quero você longe daquele imbecil, Bella ou quem vai contar o pinto dele com essa faca sou eu..._ Ele avisou bravo, em um tom de voz mais ameno, e eu ri.
_ Ok, Cullen... Eu só espero que você também mantenha distância de outras mulheres, por que eu posso até perder meu brinquedinho, como afirmou, mas nenhuma vagabunda vai ter o privilégio de usá-lo... Entendeu?
_ Entendi. Mas, eu quero aquele arquiteto de meia tigela longe de você. Nada de sorrisos, gentilezas e muito menos drinks. Aquele idiota que entrar na sua calcinha, e, eu o quero bem longe de você... Entendeu?_ Ele perguntou e eu assenti, voltando para minhas batatas e ouvindo-o suspirar, enquanto se aproximava de mim._ Eu odeio brigar com você, Bella... Pode me dar um beijo, por favor?_ Edward pediu e eu suspirei, me virando de frente pra ele e beijando-o com carinho, até ouvir os costumeiros protestos de Olívia.
_ Vá cuidar da sua filha enquanto eu preparo o jantar... _ Eu pedi e ele assentiu, indo até o cadeirão, pegando Liv e levando-a para a sala.
Comemos em silêncio, ainda sentindo a tensão no ar e, enquanto Edward arrumava a cozinha, eu fui colocar Olívia no berço.
Desde que ela aprendera a ficar em pé, apoiada nas grades, era bem difícil coloca-la para dormir, pois ela queria brincar e se recusava a deitar.
Mas, depois de muita insistência e algumas broncas, ela finalmente se rendia ao sono e se deitava para dormir.
Beijei seu rostinho lindo e fui para meu quarto, pegando um pijama e uma calcinha e me dirigindo ao banheiro.
Tomei um banho demorado e quando voltei para o quarto, Edward já estava em nossa cama e, assim que me viu, me encarou com cautela.
Ele havia conseguido mudar seus horários no hospital e agora trabalhava apenas durante o dia, ficando com as noites e com os fins de semana livres.
Mas, justamente hoje, eu gostaria que ele estivesse de plantão para eu poder dormir em paz sem ter que enfrenta-lo com ele mais uma vez.
Respirei fundo e após fechar as cortinas, me deitei ao seu lado, sendo imediatamente abraçada.
_ Você está zangada?_ Ele perguntou e eu me virei para olhá-lo, negando com um gesto de cabeça.
_ Não... Estou cansada e atordoada depois de todos os acontecimentos de hoje. Foi muito estranho ir para a faculdade e deixar Olívia aqui. Foi estranho constatar o interesse de Riley por mim e foi extremamente irritante ver a babá se oferecendo pra você... Sinto como se tivesse vivido um ano em apenas poucas horas..._ Eu confessei e Edward riu, beijando meu rosto com carinho.
_ Eu já disse que não percebi nada vindo da babá... Quanto àquele arquiteto babaca, eu sempre soube que ele era a fim de você. Só nunca pensei que ele seria tão atrevido a ponto de convidá-la para um drink, mesmo sabendo que você é casada e mãe. E Olívia... Bem, teremos que nos acostumar, não é? Afinal, mesmo estando longes, tudo o que buscamos e conquistamos é para acrescentar à vida dela... É esse o nosso papel. A separação é dolorosa e eu, mais do que ninguém, sei disso... Mas, ela é necessária._ Edward falou e eu sorri, rolando para cima do seu corpo e beijando seus lábios.
_ E o papel se inverte. Lembro-me de que há pouco tempo, fui eu a dizer-lhe palavras parecidas. Acho que estamos aprendendo muito um com o outro, Dr. Cullen...
_ Sempre, Sra. Cullen..._ Edward respondeu, beijando meus lábios e em poucos minutos, rolávamos apaixonados pelos lençóis, esquecidos de qualquer briga ou qualquer problema que tivéssemos enfrentado durante o dia.
Suas mãos em meu corpo, seus beijos em meus lábios e sobre minha pele, seu membro me preenchendo, seu cheiro, sua respiração... Tudo nele me enlouquecia e me levava a buscar o prazer, que eu só tinha em seus braços.
Eu não conhecia outros homens, mas sabia que jamais teria com qualquer outro o que eu tinha nos braços de Edward.
Eu o amava e o amaria sempre e era esse o motivo de delirar enlouquecidamente sobre seu toque e seus beijos.
**********
O tempo passou e a vadia da minha babá nunca mais deu em cima do meu marido.
Nem mesmo Riley se aproximou de mim com segundas intenções, o que eu achava ótimo, já que a única coisa que queria naquela construtora era trabalhar.
Olívia crescia mais linda a cada dia e, como mãe, eu não podia me sentir mais feliz e satisfeita com seu desenvolvimento.
Em breve ela faria um ano de vida e eu nem podia acreditar como o tempo passara depressa.
Parecia que foi ontem que eu estava grávida e agora, minha pequena dama já estava quase andando, prestes a completar um aninho.
Quando completara nove meses, Olívia aprendera a engatinhar e se antes, já tínhamos que tomar muitos cuidados com sua natural hiperatividade e curiosidade, no momento em que ela aprendeu a se movimentar de um lado para o outro, esses cuidados tiveram que ser triplicados.
Era preciso impedi-la de chegar a certos lugares e nossa vigilância precisava ser constante.
A babá, apesar de vadia, era bem competente e Liv parecia adorá-la e só por isso eu não a coloquei no olho da rua após ela ter se oferecido tão descaradamente para o MEU príncipe.
Outro motivo que me levou a mantê-la no emprego foi à insistência de Esme em me dizer que ela tinha ótimas recomendações e que era a melhor candidata da agência.
Eu não podia sair da faculdade, mas o bem estar e a segurança de Olívia sempre seriam minhas prioridades e se para mantê-la segura e bem cuidada eu precisava aturar a babá oferecida, eu faria exatamente isso.
Além do mais, eu colocara Mercedes para vigiá-la e, até o momento, os relatórios diários da minha ajudante e amiga não tinham acusado nada a respeito de qualquer conduta inadequada de Melissa com relação ao meu marido.
Como Liv já estava grande e se dava muito bem com a babá, Edward e eu voltamos a sair sozinhos, uma vez por semana, aproveitando nosso tempo livre para dançar, ir ao cinema, jantar fora, frequentar boates e festas e aproveitar a companhia um do outro.
Eu me sentia uma péssima mãe por deixar Liv com uma babá enquanto saía para me divertir com meu marido, mas eu sabia que esses momentos eram importantes para nossa relação, pois com uma criança tão pequena ao redor, os momentos de intimidades eram sempre muito raros.
Aos fins de semana, saíamos com nossos amigos, mas sempre levávamos Olívia, que era sempre muito bem vinda nessas confraternizações.
Quando queríamos fazer algo mais adulto, acompanhados de Emmett, Rosalie, Alice e Jasper, os avós eram nossa salvação e eles simplesmente adoravam cuidar de Liv.
Na verdade, eles até competiam e contavam quantas vezes tinham ficado com a neta, de modo que nenhum podia ficar mais que o outro.
Quando minha menininha completou dez meses, Alice e eu começamos a planejar sua festa de um ano, que seria realizada em um famoso salão infantil em Seattle.
Eu sabia que ela nem se lembraria dessa festa, mas eu não podia deixar essa data tão importante passar em branco.
Nesse meio tempo, Liv resolveu dar os primeiros passinhos, o que encheu toda a família de orgulho.
Ela já andava quando alguém segurava suas mãozinhas, mas em um belo dia, ao me ver chegar da faculdade ela, que estava apoiada na mesa de centro da sala, deu dois passinhos em minha direção e eu paralisei, não acreditando no que eu estava vendo.
Ajoelhei-me a sua frente e estendi os braços, incentivando-a a continuar e ela veio, tentando andar em linha reta, ou quase, e se atirou nos meus braços.
Eu a apertei em um abraço de urso e a enchi de beijos, chorando de emoção por presenciar mais uma de suas muitas conquistas.
E assim a vida seguia...
Olívia foi crescendo, cada vez mais sorridente, feliz e sociável e eu me sentia mais realizada a cada dia que passava.
O dia do aniversário de minha filha chegou e tudo foi incrivelmente perfeito.
Ela parecia radiante, rodeada por tantas pessoas, balões, brinquedos e crianças e, na hora dos parabéns, estava completamente exausta, o que não a impediu de bater suas palminhas animadamente, arrancando sorrisos emocionados de todos os adultos presentes.
Nesse mesmo dia, Emmett pediu Rosalie em casamento e, pela primeira vez na vida, eu vi minha amiga ficar sem reação nenhuma.
Mas, é claro que ela aceitou e o dia, que já estava perfeito, tornou-se ainda mais especial.
Edward e eu estávamos planejando uma viagem a dois, mas como eu não podia abandonar a faculdade outra vez, resolvemos esperar até a minha formatura para finalmente termos nossa lua de mel, que segundo ele, seria inesquecível.
Meu projeto de conclusão de curso estava dando muito trabalho, mas graças à ajuda e a compreensão de toda minha família, eu estava conseguindo realiza-lo e, a cada dia que passava, eu via o sonho de me tornar uma arquiteta se aproximando cada vez mais.
Suspirei pesadamente, olhando para Olívia e Edward adormecidos ao meu lado e sorri ternamente, admirando-os.
Hoje era domingo e após um passeio e piquenique no parque, em um dos raros dias de sol em Seattle, nós voltamos para casa e levamos um colchão de ar para sala, a fim de assistirmos “Procurando Nemo”, que era o filme preferido de Olívia.
Edward e Liv dormiram nos primeiros dez minutos de filme e eu fiquei ao lado deles, concentrada em meu livro de paisagismo, sobre o qual eu deveria fazer um resumo e entregar para o professor na quarta feira próxima.
Mas, era impossível não ficar observando a beleza indescritível dos meus amores e pensar no rumo que nossas vidas tomaram.
Tudo era perfeito.
Podia parecer bobagem, já que o tal “feliz para sempre” não existia, mas era exatamente assim que eu me sentia.
Eu não tinha do que reclamar, pois apesar de alguns problemas, que eram normais em uma família real, com pessoas reais, eu era completamente feliz ao lado da minha filha linda e do meu marido gostoso.
Tudo o que eu planejara para mim durante minha infância e adolescência fora mudado completamente, mas eu não podia estar mais feliz com os rumos que minha vida tomara.
Eu amava, era amada, tinha uma filha linda e saudável, amigos malucos e uma família complicada, que completavam um pacote especial e que tornavam minha vida completa.
Eu fizera escolhas... Algumas certas, outras nem tanto, mas eu estava feliz com as consequências e acreditava que não tinha como minha vida melhorar.
Tudo estaria bem enquanto Edward estivesse ao meu lado e ao lado da nossa filha.
E se dependesse de mim, ele estaria comigo para sempre.
Enquanto o nosso para sempre existisse.
Fale com o autor