Notas iniciais
Um novo capítulo como o prometido. Boa leitura!

CAPÍTULO 23

POV. BELLA

Eu estava deitada na cama observando Edward dormir depois de termos feito amor por horas seguidas, sem ainda conseguir esquecer a presença de sua amiga loira em um apartamento que deveria ser habitado apenas por ele.

Tudo bem que eles eram amigos e tal... Mas, por que, nessas duas semanas de telefonemas e conversas pela WEB, ele não me falara sobre ela?

Eu me sentira muito mal ao ver a tal Emily tão à vontade na casa dele essa manhã.

Era como se ela estivesse ali todos os dias e isso não estava certo, mesmo que eles fossem realmente apenas amigos.

Eu tentara ser compreensiva, deixando nossa discussão para depois, já que a saudade que eu sentia dele era maior do que qualquer coisa, mas essa história de “amiga” estava me incomodando demais.

Quando passamos pelo corredor para vir até a suíte de Edward, eu notei que a cama do quarto de hóspedes estava desarrumada, o que indicava que Emily dormira lá.

Mas, mesmo tendo ficado em outro quarto, eu não conseguia aceitar o fato de que ela dormira ali.

Eu era a namorada do dono do apartamento e meu papel em sua vida exigia que eu não aceitasse outras mulheres em sua rotina diária.

Ainda mais se essas mulheres fossem loiras e lindas.

Bufei ao me lembrar das feições delicadas de Emily e me perguntei se Edward não tinha uma predileção por loiras.

Primeiro a Tanya, agora a Emily...

Mas, como eu não era e nem pretendia me tornar loira, ele teria que se conformar com uma morena e parar de abrigar seres albinos em sua casa.

Até por que, se fosse o contrário, Edward não iria aprovar que eu levasse um amigo para dormir em minha casa, mesmo que fosse no quarto ao lado.

Além do mais, nós também éramos apenas amigos e, agora, depois de sua ajuda com minha ressaca, eu estava grávida dele.

Suspirei pesadamente e encarei meu namorado mais uma vez, sorrindo tristemente ao vê-lo dormindo tão tranquilo, parecendo quase inocente.

Eu não queria brigar com ele, mas penso que isso seria inevitável, já que, em minha opinião, ele não estaria disposto a se afastar de sua amiga.

Mas, ele tinha que entender que nós estávamos longe um do outro e cair em tentação com Emily não seria impossível, mesmo que a princípio eles fossem realmente apenas bons amigos.

Senti lágrimas invadindo meus olhos ao imaginá-lo com outra mulher.

Por que ele não poderia ter encontrado um amigo homem?

Isso certamente diminuiria o risco de um envolvimento romântico.

Por que ele teve que vir para Harvard?

A universidade de Seattle também era conceituada e ele estava indo bem lá.

Por que minha vida tinha que ter virado uma merda?

Por que, aparentemente, eu não havia nascido para ser feliz.

Enfiei meu rosto no travesseiro e chorei, tentando ser o mais silenciosa possível, e não assustá-lo com minhas costumeiras lágrimas, mas Edward acordou e me virou de frente para ele, me olhando de maneira preocupada.

_ O que foi, princesa? Está sentindo alguma dor?_ Ele perguntou aflito e eu assenti, chorando ainda mais._ O que está doendo? Me fale para que eu possa cuidar de você...

_ Dói aqui..._ Eu falei, colocando a mão acima do coração e pude ver que minhas palavras o atingiram.

Ele ficou em silêncio por longos minutos e suspirou, limpando minhas lágrimas delicadamente e me abraçando com força.

_ Eu sinto muito por tudo o que está passando, minha linda... Mas, nós vamos superar. Tenho certeza..._ Ele falou e suas palavras, ao invés de me acalmarem, fizeram com que novas lágrimas descessem por meu rosto._ Não chora, Bella... Por favor...

_ Eu vou chorar... Eu quero e preciso chorar... Minha vida é uma droga..._ Eu gritei e ele me olhou assustado, ficando em silêncio enquanto eu descarregava sobre ele ressentimentos que eu nem sabia que existiam._ Eu achava que tudo estava bem. Eu tinha um namorado, um futuro planejado e estava relativamente feliz. Mas, aí, você apareceu e mudou tudo em minha vida. Com o seu jeito doce, carinhoso e totalmente apaixonante foi me conquistando aos poucos, ganhando meus pensamentos e meus sonhos... Eu passava o dia pensando em você e, quando dormia, era seu rosto que invadia meus sonhos e eu nem sequer entendia o porquê, já que sempre o havia considerado apenas um amigo. Mas, aí nós transamos e eu acabei engravidando. Eu já disse isso inúmeras vezes, mas eu volto a repetir: sinto muito por ter me esquecido da nossa primeira vez, mas eu não posso controlar minha mente. Eu sei que você sofreu com isso e eu sinto muito. De verdade. Mas, se eu, até agora, estou sendo punida por esse maldito esquecimento, tendo até mesmo que aturar suas amigas dormindo na sua casa, quero pedir que pare, antes que eu enlouqueça de maneira irreversível._ Eu estourei, chorando copiosamente e Edward ficou me encarando perplexo, tentando entender o sentido por trás da minha enxurrada de palavras.

Ele estava claramente confuso e chocado, mas eu precisava desabafar, antes que realmente enlouquecesse.

_ De que infernos você está falando?_ Ele perguntou em um tom irritado, o que inflamou ainda mais minha raiva momentânea.

Nesse momento, apenas eu tinha o direito de estar com raiva.

_ Eu estou falando de sua mãe tê-lo obrigado a vir para cá. Eu estou falando de você e sua amiguinha, que dorme na sua casa. Eu estou falando do fato de ter que encarar essa gravidez sozinha, sem o apoio dos meus pais ou do meu namorado, que jurou me proteger e me apoiar. Eu estou falando do meu ex-namorado, que adora debochar da minha cara por eu não ter mais o pai da minha filha ao meu lado. Eu estou falando da merda da minha vida, que virou uma bagunça tão grande a ponto de perder quase todo o sentido. Você entendeu de que infernos eu estou falando, Edward Cullen?_ Eu gritei e ele me olhou, parecendo cada vez mais assustado.

Ele já havia presenciado algumas das minhas explosões de raiva, mas nunca havia sido alvo de nenhuma.

_ Bella, fique calma, por favor..._ Ele pediu e eu sorri ironicamente diante de suas palavras.

Era irônico que um cara tão perfeito como Edward não soubesse que pedir calma a uma mulher quando ela estava nervosa era a pior estratégia a se usar.

_ Eu não quero ficar calma... Eu só quero que esse ano termine logo para que minha vida volte ao normal.

_ Sua vida nunca mais será a mesma, Bella. Dentro de poucos meses você terá um bebê para cuidar._ Ele falou e eu o encarei, incrédula.

Eu teria um bebê para cuidar?

E onde ele se encaixava nessa história?

Por que ele teria que se encaixar, mesmo que eu tivesse que obriga-lo.

_ Eu terei um bebê para cuidar, Edward? E você? Já decidiu que vai ficar em Boston com sua amiguinha e me deixar sozinha com a filha que fizemos juntos?_ Eu perguntei e ele ficou vermelho.

Se de raiva ou vergonha é que eu não sabia.

_ Você ficou louca, Bella? É claro que eu estarei nessa com você e nossa filha. Estar ao seu lado é que eu mais quero na vida. E eu não vou trocá-la por nenhuma amiguinha.

_ Você já trocou uma namorada por uma amiga, Edward... O que te impediria de fazer a mesma coisa agora?_ Eu perguntei mordaz e ele suspirou, me olhando de maneira irritada.

_ Eu não quero brigar, mas você parece disposta a me fazer perder a paciência..._ Ele murmurou e eu bufei, ainda não achando que ele tinha o direito de ficar bravo.

Afinal, quem tinha trazido a porcaria da amiga para dormir na casa dele fora ele e não eu.

_ Eu não gostei de ver aquela moça aqui. Mesmo que vocês sejam amigos, isso não é legal. Eu me senti traída, desrespeitada... Sei lá... Eu me senti mal._ Eu murmurei, chorando outra vez e Edward suspirou, se aproximando de mim e me abraçando.

Eu não queria que ele me tocasse, por eu me sentia fraca quando isso acontecia. Mas, eu estava tão frágil, que seu abraço era bem vindo em qualquer momento, mesmo quando eu queria matá-lo.

_ Me desculpe por isso, princesa, mas é que assim como eu, Emily não tem parentes em Boston e, como ela também é residente, acabamos nos tornando amigos. Ela nunca dormiu aqui em casa. Ontem, foi a primeira vez._ Edward esclareceu, enquanto acariciava meus cabelos e eu suspirei, enquanto novas lágrimas desciam por meu rosto.

_ Ela estava bêbada..._ Eu reclamei e ele riu, me afastando do seu corpo para me encarar e tentar entender minha lógica.

_ Estava... E eu a ajudei. Qual o problema?_ Ele perguntou e eu revirei os olhos, me perguntando se Edward era besta ou apenas fingia.

_ Você me ajudou quando eu fiquei bêbada e, nesse dia, eu fiquei grávida. Esse é o problema. Não quero que você faça bebês com mais ninguém._ Eu pontuei e ele me olhou espantado, explodindo em uma gargalhada e fazendo com que meu nível de irritação subisse ainda mais.

_ Bella, amor, isso não tem nada a ver. Não é assim entre Emily e eu. Eu a vejo mais como minha irmã do que qualquer outra coisa. Nunca pensei em fazer um filho com ela. A única mulher que despertou esse desejo em mim foi você..._ Ele falou com a voz doce e eu suspirei, não querendo me deixar envolver por suas palavras bonitas.

_ Mesmo assim... Eu não gosto da ideia de que ela dorme aqui com você... O que você pensaria se eu levasse um amigo para dormir no seu apartamento em Seattle?_ Eu perguntei e ele fechou a cara, me fazendo sorrir triunfante.

Era exatamente como eu imaginava.

Edward jamais iria aprovar a ideia de um cara dormindo sob o mesmo teto que eu.

_ Não estamos falando sobre você..._ Ele desconversou e eu revirei os olhos, olhando-o irritada.

_ É claro que não, por que eu não levei um cara para dormir no seu apartamento. Mas, da mesma forma que essa ideia te incomoda, a mim também incomoda... E muito. E eu quero te pedir para não voltar a fazer isso, pois eu não ficarei tranquila sabendo que tem uma mulher aqui com você, pois, por mais que ela seja sua amiga, essa condição pode mudar a qualquer momento, mesmo você dizendo que não..._ Eu falei e ele baixou os olhos, parecendo arrependido por ter trazido Emily para dormir em sua casa.

E mesmo querendo enchê-lo de beijos devido a sua carinha de cachorro que caiu da mudança, me mantive firme, pois ele precisava entender que sua conduta não estava certa.

_ Desculpa, amor... Eu nunca imaginei que você fosse se sentir mal por eu ter permitido que ela dormisse aqui. Minha amizade com Emily sempre foi uma fuga... Eu encontrei em nossa interação uma forma saudável de atenuar a saudade louca que eu sentia de você. Ela é engraçada e inteligente e me faz bem estar com ela, já que quando eu fico sozinho tenho vontade de morrer sem você..._ Ele falou de maneira triste e eu suspirei, não sabendo o que responder.

Ela fazia bem a ele?

Quando estava com ela, Edward se esquecia de mim?

Eu estava oficialmente tendo um ataque cardíaco.

Isso tudo era tão confuso.

_ Não coloque pensamentos absurdos nessa cabecinha, amor... Eu jamais seria capaz de me esquecer de você, se é isso que está pensando. Pelo contrário. Emily se tornou minha melhor ouvinte e quase noventa por cento de nossas conversas gira em torno de você, da nossa relação, da sua gravidez... E é justamente por isso que eu esqueço um pouco da saudade, pois quando falo ao seu respeito, eu me sinto próximo de você, me lembrando do seu sorriso, sua voz, seu cheiro..._ Ele declarou e eu respirei fundo, olhando-o atentamente, apenas para ter a certeza que ele falava a verdade.

_ Eu te entendo, Edward... Mas, quero que você também compreenda e respeite meu ponto de vista. Não quero que ela durma aqui. Podem ser amigos, até por que não tenho o poder, e nem quero, de escolher suas amizades. Mas, dormir aqui, não. Por favor..._ Eu pedi e ele suspirou, sorrindo torto para mim.

_ Eu entendo seu ponto de vista e prometo respeitar. Vou conversar com Emily e ela não vai mais dormir aqui, embora isso tenha acontecido apenas uma vez..._ Ele garantiu e eu assenti, sabendo que ele dizia a verdade.

_ Obrigada, amor... Isso significa muito para mim. Saber que você manterá as mulheres longe de você me deixa muito feliz..._ Eu declarei e ele ficou me olhando de maneira estranha.

Edward parecia paralisado e eu repassei os últimos momentos de nossa conversa, procurando o que eu havia dito de errado para deixa-lo nesse estado catatônico.

_ Edward?_ Chamei, tocando seu rosto e ele me olhou seriamente.

_ Você me chamou de amor..._ Ele declarou e eu paralisei.

Eu realmente o havia chamado de amor.

Fora algo tão natural que no momento eu nem percebera.

Mas, ao ter Edward me olhando de maneira tão carente e com os olhos brilhantes depois de me ouvir chamando-o de amor, eu pude perceber que devia me declarar a ele, pois isso poderia proteger nossa relação de uma maneira que nada mais conseguiria.

Eu não estaria enganando-o, pois estava realmente apaixonada por ele.

Além do mais, eu já havia dito isso na carta que eu lhe entregara quando ele se mudara para Boston e tudo o que eu faria nesse momento era reafirmar meus sentimentos que ele já conhecia.

_ Você é o meu amor, Edward... Meu primeiro amor, eu posso dizer. Meu primeiro amante... Eu... Eu..._ Respirei fundo, quando a coragem me faltou, e me aproximei de seu rosto, segurando-o e olhando dentro de seus olhos lindos._ Eu amo você. Muito._ Eu soltei e vi com surpresa uma lágrima escorrendo por seu rosto.

_ Eu também amo você, princesa... Muito._ Ele declarou me abraçando com força e eu me senti bem por finalmente ter dito a ele o que eu sentia.

Era engraçado como as coisas aconteciam...

Ele sempre disse que me amava e eu, mesmo me sentindo da mesma forma em relação a ele, não conseguia fazer a mesma coisa.

Mas, foi só eu me sentir ameaçada por sua amiga loira e linda que eu conseguira, finalmente, me declarar.

Edward era meu e ninguém ia roubá-lo de mim.

E se eu tivesse que me declarar todos os dias para garantir isso, então era exatamente isso que eu faria.

**********

ALGUNS DIAS DEPOIS...

Era uma pena que o tempo passasse tão depressa quando se estava feliz.

Meus dias em Boston faziam parte de um sonho roubado da eternidade, mas estavam passando rápido demais.

Edward ficara comigo o tempo todo.

Nós fizemos passeios maravilhosos, fomos a festas, boates, jantamos em restaurantes maravilhosos e nos deliciamos com Fast Food, embora ele insistisse em me oferecer alface no lugar dos lanches, afirmando que eu deveria pensar na saúde da nossa filha.

Mas, eu sabia que de vez em quando poderia abusar desse tipo de comida e procurava ignorar sua paranóia.

Ele ficava emburrado quando eu me recusava a obedecê-lo e para compensá-lo, eu o enchia de carinho.

E desde que eu chegara a Boston, fazíamos amor todos os dias e a qualquer momento.

Era apenas o desejo surgir para que nos agarrássemos no quarto, na sala, no banheiro ou na cozinha e transformássemos todo o nosso amor e atração que sentíamos um pelo outro em momentos de puro prazer.

Eu nunca imaginei que um envolvimento sexual fosse tão bom, tão gostoso, tão perfeito...

Mas, eu sabia que nossa magnífica sincronia só era possível devido aos sentimentos que nutríamos um pelo outro e que agora era confessado a qualquer momento.

Eu não me sentia tímida em lhe dizer que o amava e, mesmo que a timidez ameaçasse me tomar outra vez, bastava que eu olhasse para o seu sorriso lindo para que a coragem voltasse e eu lhe dissesse outra vez o quanto ele era importante e indispensável para a minha vida.

Ele também sempre me dizia o quanto me amava e o quanto estava feliz por eu ter me tornado sua namorada e estar esperando sua filha.

E era nesses momentos que eu me sentia uma tola por ter tido aquele ciúme absurdo dele e de sua amiga Emily.

Edward me amava de verdade e eu não acreditava que um dia seria capaz de me trair com qualquer outra mulher, por mais bonita, loira e perfeita que ela fosse.

E isso me deixava perfeitamente segura para viver esses dias maravilhosos com Edward sem cobrá-lo ou acusá-lo por sua relação de amizade com Emily ou com qualquer outra pessoa.

Em resumo, depois de nossa pequena briga, minha estadia em Boston havia sido perfeita e o fato de eu ter que ir embora daqui a poucos dias fazia com que eu me sentisse profundamente triste e vazia.

Se fosse por mim, eu ficaria em Boston com meu namorado, mas precisava colocar o futuro da minha filha em primeiro lugar e, portanto, eu tinha que voltar e concluir as matérias desse semestre, para que quando minha pequena nascesse, eu tivesse que cursar apenas a disciplina de estágio, que era feita no último período do curso.

Além do mais, eu tinha uma entrevista muito importante em uma das maiores construtoras de Seattle e não podia desperdiçar a oportunidade de conseguir um estágio.

Não disse nada a Edward a respeito dessa entrevista, pois sabia que ele não aprovaria, já que me tratava como uma inválida quando o assunto eram meus estudos e possíveis trabalhos durante a gravidez.

Apesar da saudade opressora que eu sentia dele, eu me sentia perfeitamente bem para seguir com minha rotina, mesmo estando grávida e nada me impediria de ir atrás do meu sucesso profissional, já que ele também traria benefícios a nossa filha.

Suspirei pesadamente e olhei para nossa foto que ficava em sua mesa de cabeceira, me lembrando com carinho do nosso passeio pelo parque no dia em que tiramos essa foto.

Fora no mesmo dia em que eu conhecera Emily.

Resolvemos fazer um piquenique para aproveitarmos a bucólica paisagem de Boston e após nossa refeição fomos interrompidos por sua amiga, que queria se apresentar normalmente e tirar a impressão errada que eu tive dela no dia em que nos vimos pela primeira vez.

E foi naquele momento que eu percebi que ela era uma boa pessoa e que seu envolvimento com meu namorado não passava de amizade, o que eu sinceramente achava ótimo.

Ela me dissera que meu namorado falara em mim o tempo todo e sempre deixara muito claro para ela, e para as outras meninas, que ele era comprometido e completamente apaixonado por sua namorada.

Sorri triunfante ao ouvir essas palavras e amaldiçoei cada menina que desejara meu namorado de maneira imprópria, me sentindo extremamente feliz por saber que, enquanto elas sonhavam em tê-lo nu em suas camas, eu tinha esse privilégio só para mim, já que quando eu o queria dessa forma, tudo o que eu tinha que fazer era beijá-lo e pular em seu colo.

Elas que morressem de inveja, pois Edward Cullen tinha dona e esta não estava disposta a dividi-lo.

Mas, eu não poderia impedi-lo de se relacionar com outras mulheres.

No entanto, ficaria extremamente aliviada se todas fossem engraçadas e sinceras como Emily.

Respirei fundo e me esparramei sobre a cama, me sentindo extremamente sozinha, já que Edward precisara ir para o hospital e eu tivera que ficar em casa sem ele.

Nesses dias em que eu ficara em Boston, ele quase não fora para Harvard e acho que me deixara mal acostumada, já que ficar sem ele apenas por algumas horas estava sendo uma tortura.

Além do mais, hoje eu não estava me sentindo muito bem e, por esse motivo, queria que Edward estivesse aqui comigo, para me abraçar e dizer que tudo se resolveria.

Aquela dor incômoda em meu baixo ventre vinha me acompanhado há dias, mas eu não quisera preocupar Edward e me mantivera em silêncio.

Até porque, segundo Carlisle, aquele incômodo seria normal por algum tempo e eu não precisava me preocupar com nada desde que não houvesse sangramentos.

Por isso, decidi ignorar essa indisposição e curtir a companhia do meu príncipe, já que em breve eu seria privada dela.

Ouvi um barulho na sala e me levantei em um pulo, me apressando pelo corredor e me jogando no colo de Edward assim que ele apareceu em meu campo de visão.

_ Oi, princesa... Também senti sua falta..._ Edward falou rindo, beijando meus cabelos e eu me aconcheguei em seu corpo, enterrando meu rosto em seu pescoço.

_ Não gosto de ficar sozinha..._ Eu reclamei e ele suspirou, sentando-se no sofá e me acomodando em seu colo.

_ Eu também não gosto de deixá-la, ainda mais sabendo que você vai embora daqui a dois dias, mas eu precisava ir até o hospital... Afinal, seu sou residente e não posso abandonar minhas obrigações. Mas, agora estou aqui e sou todo seu..._ Ele falou beijando meu pescoço e eu senti os costumeiros arrepios tomando conta do meu corpo.

_ Você é sempre todo meu e acho bom que não se esqueça disso..._ Eu pontuei e ele gargalhou, me deitando no sofá e começando a abrir os botões da minha blusa, enquanto me encarava com o olhar cheio de malícia e desejo.

_ Eu não vou me esquecer, princesa..._ Ele garantiu, acariciando levemente os meus seios e eu gemi, arqueando o corpo em sua direção._ E você? Também é completamente minha?

_ Sua... Só sua..._ Eu afirmei, sentindo meu corpo ser consumido por um fogo latente enquanto ele se inclinava em minha direção e tomava meu seio em seus lábios.

_ Minha gostosa linda..._ Edward falou com a voz rouca, descendo seus lábios por meu tronco e alcançando minha barriga no momento em que ele começou a desabotoar meu shorts.

Sua mão foi imediatamente até minha intimidade e eu senti meu corpo se retesar, antecipando o prazer que eu sempre alcançava quando estava com ele.

Edward me deixava louca com seus beijos e carícias e eu não imaginava que existisse algum lugar no mundo melhor para mim do que os seus braços.

Gemi baixinho quando ele me penetrou com os dedos e ele sorriu, beijando meus lábios com carinho.

_ Você está sempre pronta, princesa..._ Ele falou e eu senti meu rosto esquentar, fazendo-o rir._ Sempre tão tímida... Eu amo sua timidez, minha Bella... Sua docilidade, sua personalidade, sua voz, sua pele, sua inteligência, sua teimosia... Eu amo tudo em você. Eu amo pertencer a você e eu amo mais ainda o fato de você ser minha..._ Ele declarou, me penetrando lentamente e eu arfei, tanto pelo prazer e tanto pela dor incômoda que eu senti em meu baixo ventre.

_ Eu também amo tudo em você, Edward e jamais vou me arrepender de ter lhe entregado minha vida..._ Eu falei, beijando-o com carinho e acolhendo-o em meu corpo com todo o amor e carinho que ele despertava em mim.

Em poucos minutos, apesar da ardência que eu ainda sentia devido ao nosso contato íntimo, eu alcancei o ápice do prazer e me aconcheguei em seus braços, esperando até que nossa respiração voltasse ao normal.

_ Eu machuquei você?_ Ele me perguntou depois de uns segundos e eu o olhei espantada, me perguntando se ele era capaz de ler pensamentos._ Eu percebi que você estava incomodada com algo e imaginei que isso se devesse a algum desconforto em sua região íntima..._ Edward falou em um tom profissional e eu corei, notando que ele também estava bastante sem graça.

Falar sobre essas coisas com ele sempre me deixava sem graça, o que era engraçado, já que estávamos fazendo amor há poucos minutos.

Mas, fazer isso e conversar sobre isso eram coisas completamente diferentes.

_ É só uma ardência... Acho que é normal, já que estamos... Hum... Estamos fazendo amor todos os dias..._ Eu falei sem graça e ele sorriu, beijando minha testa com carinho.

_ Eu trouxe uma pomada para você. É só aplicar depois do banho. E eu vou deixá-la em paz até amanhã, para que essa ardência desapareça. Mas, caso note qualquer sinal de sangramento me avise, ok?_ Ele pediu e eu assenti sem graça, me levantando e seguindo em direção ao banheiro.

Depois do banho, apliquei a pomada e fui para a cozinha preparar algo para o almoço.

Passamos a tarde toda assistindo filmes e comendo uma infinidade de doces e chocolates e a noite ele me levou ao teatro, para assistirmos um concerto de um pianista famoso que ele adorava.

Dormimos abraçados e no dia seguinte, almoçamos com Emily, que nos levou para conhecer uma galeria de artes maravilhosa.

Passamos a tarde juntos e a noite, após eu me despedir de Emily, prometendo não odiá-la por ela ser amiga do meu namorado gostoso, Edward me levou para mais um jantar romântico, que seria o último da minha temporada em Boston.

_ O aniversário da minha mãe está se aproximando e eu vou para Seattle em breve. Além do mais, quero estar presente em sua próxima ultrassonografia, o que significa que ficaremos apenas algumas semanas sem nos ver._ Edward declarou e eu sorri tristemente, não querendo ter que me despedir dele, mas não vendo outra saída.

Voltamos para o seu apartamento e fizemos amor lentamente, aproveitando cada segundo da nossa última noite juntos.

Era triste ter que me despedir, mas eu engoli o choro e a tristeza e tratei de dormir, já que passaria o dia seguinte praticamente dentro de um avião.

Quando amanheceu, Edward me acordou carinhosamente, me enchendo de beijos e enquanto eu fui tomar um banho ele preparou nosso café e terminou de me ajudar a arrumar minhas coisas.

Ele havia me enchido de presentes e também comprado mil e uma coisas para nossa filha, tanto que eu precisei de uma mala extra para levar toda a minha bagagem.

Certifiquei-me de que não estava me esquecendo de nada e as nove em ponto, estávamos em frente ao meu portão de embarque, com as malas devidamente despachadas e esperando apenas a última chamada para meu vôo.

_ Eu quero que me prometa que você vai se cuidar e não vai abusar das comidas gordurosas, nem dos doces e que vai fazer sua caminhada diária..._ Edward falou me abraçando e eu rolei os olhos.

_ Eu prometo, Edward... Você tem que relaxar, sabia? Ou vai acabar tendo um infarto até o fim dessa gravidez.

_ Eu só quero que tudo saia bem e que daqui a alguns meses possamos segurar nossa filha..._ Ele declarou e eu suspirei, sabendo que ele não daria uma trégua em sua preocupação até o nascimento da nossa bebê.

_ Certo... Eu vou me cuidar, fique tranquilo. E eu quero que você me prometa que não haverá outras amigas loiras e lindas dormindo em seu apartamento..._ Eu pedi e ele riu, me beijando nos lábios.

_ Pode deixar, minha ciumenta... Nem uma mulher além de você vai dormir naquela casa. Eu prometo..._ Ele garantiu e eu me senti aliviada, sabendo que ele dizia a verdade.

Escutei o chamado do vôo e senti meu coração se apertar, sabendo que chegara a hora da despedida.

_ Sem cartas dessa vez?_ Edward perguntou e eu sorri, negando com um gesto de cabeça.

_ Não preciso mais de cartas para te dizer que eu te amo..._ Declarei e ele sorriu largamente, me beijando de maneira apaixonada.

_ Eu também te amo, princesa... Muito. Obrigada por me permitir viver isso. Obrigada pelas suas lembranças, pelo seu presente e pelo seu futuro, que se depender de mim, vai ser repleto de alegria._ Edward falou, me abraçando com força e eu suspirei, me afastando dele e acomodando minha mochila nas costas.

_ Tchau..._ Eu sussurrei, tentando contar as lágrimas e ele me mandou um beijo, enquanto eu me afastava quase correndo.

Depois de acomodada em meu assento, eu me permiti chorar, sabendo que mesmo que o tempo passasse depressa, a saudade que eu sentia dele iria me torturar a cada maldito dia.

Mas, eu seria forte e não me deixaria abater.

Eu precisava pensar em minha filha e eu sabia que me entregar à tristeza não era a melhor forma de cuidar da minha neném.

Pousei a mão sobre meu ventre e respirei fundo, tentando conter o choro.

Logo, essa distância iria acabar e essas despedidas não seriam mais necessárias.

Mas, antes disso, eu me manteria forte...

Por Edward, por minha filha e por mim.

**********

ALGUNS MESES DEPOIS...

Já fazia meses que eu não via Edward.

Ele não pudera vir para o aniversário de sua mãe e nem para o segundo exame de ultrassonografia, como ele prometera.

Edward ficara preso no hospital e não conseguira uma liberação longa o suficiente que compensasse fazê-lo de deslocar até Seattle.

Dessa forma, nos falávamos apenas por telefone e pela internet e a saudade que eu sentia dele crescia a cada dia.

Eu havia conseguido o estágio que eu tanto sonhara e os estudos estavam ocupando todo o meu dia, mas durante as noites eu chorava até conseguir dormir, sentindo um vazio tão intenso, que aumentava a cada maldito dia em que eu continuava longe do meu namorado.

Eu já estava entrando no quinto mês de gestação e minha barriga já era completamente visível, o que fazia com que eu recebesse muitos olhares de deboche e pena por não estar com o pai do meu bebê ao meu lado.

Alice, Rosalie, Emmett e Jasper procuravam me animar e me fazer companhia, mas ninguém conseguia suprir a falta que Edward fazia.

Minha mãe vinha me visitar praticamente toda a semana, já que eu quase não ia a Forks e eu gostava muito de sua presença, pois ao seu lado eu me sentia segura e protegida, mas ela também não era capaz de diminuir a saudade que eu sentia do meu príncipe lindo.

Suspirei pesadamente e senti um leve tremor em meu ventre, que sempre se repetia quando eu ficava triste.

Era como se minha filha estivesse me consolando e me dizendo que tudo ficaria bem e que logo seu pai estaria com a gente.

Eu queria tanto que Edward estivesse ao meu lado quando eu senti nossa filha em meu ventre pela primeira vez, mas isso não fora possível e agora eu torcia para que ele estivesse comigo quando ela chutasse, já que os movimentos que ela fazia até agora não passavam de alguns tremores.

Ela ainda era pequena, mas se desenvolvia depressa e eu não via a hora de finalmente segurá-la em meus braços.

Terminei de revisar o projeto em que eu vinha trabalhando há algumas semanas e sorri satisfeita, assinando a planta e guardando-a no tubo.

Deixei o projeto sobre a mesa do meu chefe e fui ao banheiro, antes de seguir para o apartamento.

Como meu tempo estava escasso devido às aulas e o estágio, eu vinha para a construtora a pé, a fim de fazer minha caminhada diária e impedir meu namorado de morrer do coração, enquanto preocupava-se com minha saúde e com o bem estar de nossa filha.

Me despedi dos colegas de trabalho e fui andando tranquilamente para casa, passando pelo supermercado para comprar algumas frutas e o bendito peixe que eu havia prometido para Alice que faria para o jantar.

Quando estava a apenas um quarteirão de casa, aguardei pacientemente até que o semáforo para pedestres abrisse e atravessei pela faixa, como fazia todos os dias.

O trânsito em Seattle era uma loucura e o melhor era obedecer todas as regras, já que tentar atravessar a rua por outro lugar que não fosse pela faixa, poderia ser considerado suicídio.

Mas, ao que parecia, o melhor era não atravessar rua nenhuma, já que, sem saber como e mesmo estando na faixa, eu fui atingida por um carro, que me jogou longe e me fez perder a consciência por alguns segundos.

Senti meu corpo se chocar contra o chão e a única coisa que eu pensei foi em minha filha.

“Meu Deus, não deixe que nada aconteça com ela... Por favor...” _ Eu pedi fervorosamente, sentindo as lágrimas de desespero escorrer por meu rosto e me assustei, quando notei que alguém estava ajoelhado ao meu lado, tentando chamar minha atenção.

_ Bella? Bella, fala comigo... Você está bem?_ Era Jacob e eu fiquei olhando-o, sem saber o que dizer, já que meu corpo doía e minha cabeça estava confusa._ Por que você tem que ser tão distraída? Não viu a merda do carro vindo descontrolado em sua direção?_ Ele perguntou irritado e se não fosse minhas dores e minha preocupação, eu teria revirado os olhos e mandado-o a merda.

Era óbvio que eu não havia visto o carro, pois caso contrário, teria desviado e não estaria estirada no chão, correndo o risco de perder meu bebê.

_ Fique calma, tá? Eu já liguei para a ambulância, mas disseram que vão demorar... Portanto, eu vou levá-la ao hospital. Mas, preciso que fique calma..._ Jacob falou e eu assenti, gemendo de dor quando ele me levantou do chão e me levou para o seu carro.

Ele me colocou sobre o banco traseiro e eu respirei fundo, tentando manter a calma e pensar na minha filha.

_ Meu bebê..._ Eu balbuciei e ele me olhou preocupado, enquanto me prendia cuidadosamente no banco para que eu não caísse.

_ Vai ficar tudo bem... Nada vai acontecer com seu bebê..._ Ele falou, olhando para a parte de baixo do meu corpo e eu notei que ele empalideceu, fazendo meu desespero aumentar.

Algo estava errado.

Minha filha corria riscos e eu sentia isso de alguma forma.

_ Edward... Chame ele... Edward_ Eu pedi e ele respirou fundo, assentindo.

_ Assim que chegarmos ao hospital, eu ligo pra ele..._ Ele prometeu e eu suspirei aliviada, me sentindo extremamente cansada e com sono.

Jacob arrancou com o carro e a última coisa que me lembro é ele me pedindo para me manter acordada.

Eu até tentei lutar contra a letargia que tomava conta de mim, mas era mais forte do que eu e, por isso, acabei dormindo, torcendo para que nada de ruim acontecesse com o meu bebê, pois minha vida teria um fim ali, caso eu perdesse minha filha.

Notas finais
E aí, galera... Gostaram? Espero que sim. Agradeço aos comentários e espero bastante interação nesse capítulo também. Quero saber a opinião de vocês sobre cada detalhe. Beijos e até o próximo!