Notas iniciais
BOA LEITURA, MENINAS!

CAPÍTULO 21

POV. BELLA

Alguma coisa muito estranha estava acontecendo naquela casa.

Eu não sabia dizer o que era, mas pela cara de Alice tratava-se de algo grave.

Quando eu acordara de manhã, ela já estava bastante agitada e parecia irritada com alguma coisa.

Como minha amiga era um bichinho meio estranho, preferi deixa-la em paz e me concentrar em minhas atividades matinais, para que não chegasse atrasada em mais uma aula.

Ultimamente, meu sono era quase incontrolável e, quase todos os dias, eu depois do início das primeiras aulas, deixando alguns professores mais metódicos bastante irritados.

Quando Edward não tinha plantão, eu ia para a faculdade com ele, adorando tê-lo ao meu lado, mesmo que isso significasse receber olhares mortais, cheios de maldade e inveja, da maioria das garotas existentes no campus.

Mas, hoje ele saíra bem cedo, me deixando apenas um bilhete fofo e eu tivera que ir para a aula a pé.

Eu gostava de caminhar e o apartamento dos irmãos Cullen não era tão longe, mas isso significava acordar mais cedo e, inevitavelmente, chegar atrasada.

Dessa forma, mesmo vendo que Alice estava a ponto de ter um ataque de nervos, eu tomei meu café e segui para a aula, deixando-a sozinha.

O intervalo nos dias que Edward estava no plantão também era estranho.

Mesmo o hospital sendo praticamente do outro lado do campus, ele fazia questão de vir me ver todos os dias.

Na verdade, eu desconfiava que ele queria apenas vigiar minha alimentação, certificando-se de que eu estava obedecendo as recomendações de Carlisle, mas eu não me importava, pois adorava tê-lo ao meu lado.

Mas, hoje eu comera sozinha, pois desde que descobriram sobre minha gravidez, os poucos amigos que eu tinha, haviam desaparecido.

Não que eu tivesse muitos deles.

Na verdade, meu círculo de amigos incluía, em sua grande maioria, colegas de sala do meu ex-namorado e seus amigos de infância que moravam na reserva.

Imagino que depois do término do nosso namoro Jacob tenha contado uma história mirabolante a todos eles, por que muitos, nem sequer olhavam na minha cara.

Eu tentava não me importar muito com isso, já que hoje eu percebia que minha vida, desde o início do meu namoro com Jacob, girava em torno da vida dele, dos amigos deles, dos sonhos dele e dos preconceitos dele e se essas pessoas, que se diziam minhas amigas, me ignoravam por causa de uma gravidez, não mereciam nem sequer a minha consideração.

De certa forma, eu sempre me lembraria com carinho de alguns momentos passados ao lado de Jacob que, antes de tudo, fora meu grande amigo.

Mas hoje, eu tinha certeza que a melhor coisa que meu ex-namorado trouxera a minha vida fora Edward.

Embora Alice tenha sido sempre minha melhor amiga, nossa relação nunca me aproximou do seu irmão, embora ela tenha sempre insistido para que eu ficasse com Edward.

Fora a amizade que ele mantinha com Jacob que me fizera conhecê-lo e admirá-lo e hoje, devido a minha felicidade ao seu lado, eu sempre seria grata ao meu ex-namorado por ter sabido escolher um grande amigo.

Eu ainda lamentava o fato de eles não se falarem mais.

Sentia-me culpada por tê-los separado, acabando com uma amizade de tantos anos, mas, nesse momento, eu me dava o direito de ser egoísta.

Se fosse para alguém estar ao lado daquele garoto maravilhoso, carinhoso, altruísta e perfeito, embora ele discordasse profundamente deste último adjetivo, que fosse eu, que me descobria cada dia mais apaixonada por ele.

A forma como Edward me defendera do meu pai nunca seria esquecida.

Ele me protegera como ninguém jamais fizera e, a cada minuto que eu passava ao seu lado a certeza de que eu estava perdidamente apaixonada por ele aumentava.

Eu tinha vontade de me chutar por ter perdido a oportunidade de lhe dizer, na noite de sábado, que as lembranças da nossa primeira vez haviam retornado para minha mente.

Mas, naquele momento, depois do dia cheio que tivemos, eu achei melhor não lhe dizer uma coisa tão importante como aquela, pois eu queria fazer dessa revelação um momento especial para ele, como tantos que ele fizera para mim.

Mas, apesar de tudo o que acontecera durante nossa curta viagem até Forks, os momentos mágicos que eu passara ao lado do meu namorado superaram qualquer problema e eu considerava nosso fim de semana um sucesso.

Acho apenas que Alice não poderia dizer o mesmo do fim de semana dela, já que a cada minuto que passava ela parecia mais azeda.

Fazia cerca de uma hora que eu chegara da faculdade, já que hoje ficara presa na biblioteca devido há um imenso trabalho de arquitetura ambiental e, desde que eu pusera os pés na sala, Alice não soltara o telefone, parecendo extremamente irritada quando seu interlocutor não atendia suas insistentes ligações.

_ O que deu nela?_ Rosalie me perguntou, sentando-se ao meu lado e me oferecendo uma xícara de chocolate quente, que eu aceitei de bom grado.

Fazia pouco tempo que ela havia chegado, acompanhada de Emmett e, pelo visto, também estranhara o comportamento estressado de Alice.

_ Eu não sei... Ela está irritada desde manhã. Hoje eu não troquei nem uma palavra com ela, pois estou com medo de levar alguma patada._ Eu falei e Rosalie riu, olhando para nossa amiga baixinha que continuava a andar de um lado para o outro na sala.

_ Acho que ela não teve um fim de semana muito bom. Jasper ficou doente e todos os planos pervertidos de Alice tiveram que ser cancelados.

_ Doente?

_ É... Uma virose ou sei lá como se chama uma crise de vômito..._ Rosalie explicou e eu suspirei, olhando novamente para Alice, que agora admirava a paisagem da janela com o olhar perdido.

_ Mas, ele está bem?

_ Sim... Acho que sim. Mas, de qualquer forma, os planos sexuais de Alice foram por água a baixo.

_ E isso é um motivo para ficar mal humorada durante um dia inteiro?_ Eu perguntei, quase retoricamente e Rosalie me olhou de forma divertida.

_ Minha cara cunhada... A falta de sexo é, sem dúvida, o maior motivo do mau humor feminino. Pelo menos, é a fonte primária da maioria dos meus ataques de irritação. Você está impressionada com isso por que desde que começou a se relacionar com Edward, tem sexo de qualidade quase todos os dias... E, não tente negar, por que eu sei que vocês são bem animadinhos..._ Rosalie falou e eu senti meu rosto esquentar ao ouvi-la se referir a minha vida íntima daquela forma.

Qual o problema dela, de Alice e de Emmett, afinal?

Por que será que eles gostavam tanto de fazer referência a minha vida sexual com Edward?

_ Você e seu namorado maluco se merecem, Rosalie..._ Eu resmunguei e ela riu._ E como sabe que o sexo com Edward é de qualidade?_ Perguntei, sem esconder minha irritação e ela me olhou espantada, gargalhando em seguida e fazendo com que Alice nos fitasse.

_ Eu nunca experimentei, se é isso que está me perguntando. Pode ficar tranquila, que ele é apenas meu cunhado e amigo. Mas, eu sou namorada do Emmett e bem... Acho que estrutura física, se é que me entende, é algo genético. E eu escutava os gemidos da Tanya sempre que ela dormia aqui. Não acho que eram fingidos. Além do mais, já escutei alguns ruídos de vocês dois também e não acho, de forma alguma, que você estava insatisfeita com o que estava rolando... Muito pelo contrário._ Ela falou, piscando em minha direção e eu fiquei ainda mais vermelha, se é que isso era possível.

Como assim ela já tinha ouvido alguns ruídos?

Isso era constrangedor demais, para dizer o mínimo.

_ Eu não acredito que estou sendo obrigada a ouvir esse tipo de coisa..._ Eu falei emburrada e ela riu mais ainda.

Poucas vezes, Rosalie levava alguma coisa a sério.

_ Credo, Bella... Você tem que deixar essa timidez de lado, afinal, daqui uns anos você terá que orientar seu filho nesse sentido e não vai conseguir se tiver essa mente puritana.

_ Meu bebê nem nasceu ainda, Rosalie. Portanto, eu terei bastante tempo antes de ter “a conversa” com ele.

_ Nem tanto tempo... Eu quis saber de onde vinham os bebês com cinco anos de idade... Sabe como é... Tem crianças que são precoces._ Rosalie debochou e eu revirei os olhos.

_ Você só pensa nisso?

_ Não... Bem, pelo menos não na maioria do tempo._ Ela debochou e eu tive que rir de suas palavras.

Escutei um barulho na porta e senti meu coração disparar ao ver meu príncipe lindo entrando por ela.

Sorri mentalmente ao pensar nele como meu príncipe, mas como ele sempre me chamava de princesa, acho que o tratamento era adequado.

Mas, ao olhar para sua expressão, meu sorriso morreu nos lábios.

Edward parecia preocupado e bastante irritado, indo diretamente até Alice e me ignorando completamente, o que não era um comportamento usual.

Rosalie me olhou com uma pergunta muda nos olhos e eu dei de ombros, prestando atenção no meu namorado que agora conversava aos sussurros com sua irmã.

_ Ela não vai desistir, Edward!_ Alice falou, alto demais para que eu e Rosalie, que estávamos distantes, não ouvíssemos e seu irmão suspirou, arremessando na parede o livro que estava em suas mãos.

Eu pulei assustada e fiquei me perguntando onde estava o meu namorado que saíra de casa hoje pela manhã.

Aquele cara agressivo e explosivo não era o cara que eu conhecia e que estava aprendendo a amar.

_ Eu não vou! E ninguém vai me convencer..._ Ele gritou irritado e Alice bufou, jogando os braços para cima e dando as costas para o irmão.

_ Eu já disse isso a ela, Edward, mas, você sabe como nossa mãe é. E, além do mais, acho que vai ser bom para sua carreira..._ Alice argumentou e, a cada minuto que passava, eu entendia menos o que estava acontecendo.

_ Minha carreira já tem destino certo. Vou me formar e trabalhar com o papai em Forks. Não preciso de nada além de um diploma universitário para concluir meus planos.

_ Então por que se inscreveu naquela merda de residência?_ Alice perguntou aos gritos e, nesse momento, Rosalie resolveu intervir na discussão e eu fui abrir a porta, já que havia alguém tocando a campainha insistentemente.

Fique surpresa ao ver que era Esme e pela sua expressão, estava tão ou mais irritada que os filhos.

Dei espaço para ela passar, cumprimentando-a e sendo completamente ignorada, já que ela nem me olhou e marchou imediatamente em direção aos filhos.

_ Você vai, Edward Cullen e não há discussões quanto a isso. Eu e seu pai já conversamos e chegamos à conclusão de que essa experiência vai ser ótima para você. Além do mais, trata-se apenas de um ano... Não estamos falando de uma vida inteira, pelo amor de Deus...

_ Eu tomo minhas próprias decisões, mãe... E eu não quero ficar um ano longe de Seattle. Você se esqueceu de que minha filha nasce daqui a sete meses?_ Edward perguntou e eu senti o ar me faltar ao me dar conta de que Esme queria que ele saísse de Seattle.

E, se isso acontecesse, nós ficaríamos separados.

E isso doeria, já que a simples ideia de não tê-lo por perto me fazia ter vontade de me encolher em um canto e chorar por horas e horas seguidas.

Respirei fundo e me sentei no sofá, ficando completamente imóvel enquanto observava o desenrolar da cena bizarra a minha frente e tentava a todo custo engolir o nó doloroso que se formara em minha garganta.

_ Filho, nós vamos cuidar de sua filha, meu bem... Além do mais, você terá períodos de férias e poderá voltar para Seattle a fim de visitar sua namorada e sua filha...

_ Eu não quero ser um namorado de férias, mãe. Eu amo a Bella em tempo integral e não existe a menor possibilidade de eu ficar longe dela e da nossa filha..._ Edward gritou e eu estremeci, me dando conta que meu corpo inteiro tremia.

Ele ia me deixar...

Eu ficaria sozinha aqui...

Eu teria nossa filha sozinha...

Meu pai estava certo, afinal, pois, mesmo não querendo, Edward teria que me deixar.

Eu estava oficialmente passando mal.

_ Bella? Bella?_ Ouvi a voz de Rosalie me chamando, mas não conseguia responder, por que meu cérebro ainda estava ligado no fato de que Edward iria me deixar._ Edward, corre aqui. Ela está gelada._ Minha amiga falou preocupada e, em menos de um segundo, Edward estava ajoelhado a minha frente, segurando meu rosto com cuidado.

_ Bella? Amor?_ Edward me chamou e eu estremeci, querendo responde-lo, mas simplesmente não conseguindo.

Ele iria me deixar.

Como viver sem ele, agora?

_ Bella? Fala comigo, princesa..._ Ele pediu desesperado e eu finalmente foquei meus olhos em seu rosto, deixando as primeiras lágrimas de angústia deslizarem sobre a pele das minhas bochechas._ Ei, aconteceu alguma coisa? Você está com alguma dor?

“Sim... Está doendo. Você vai me deixar... Você vai embora”... _ Eu queria gritar, mas as palavras não saíam.

Por que eu estava reagindo dessa forma?

Por que a ideia de ficar longe dele machucava tanto?

“Por que você o ama, sua retardada...” _ Minha consciência gritou e eu respirei fundo, sabendo que essa era toda a verdade, embora eu não admitisse isso em voz alta.

Mas, como dizer isso a Edward se ele iria embora?

_ Bella, responde!_ Edward falou, me chacoalhando de leve e eu enterrei meu rosto em seu pescoço, abraçando-o com força._ Ei, princesa... O que foi?_ Ele perguntou, acariciando meus cabelos e eu funguei, não conseguindo mais conter a torrente de lágrimas que teimava em se libertar.

_ Leva para o quarto, Edward e tente acalmá-la..._ Esme falou e Edward obedeceu, me pegando no colo e me levando para o quarto que, por enquanto, ainda dividia comigo.

Ele fechou a porta com o pé e, com cuidado, me deitou sobre a colcha, tirando os fios de cabelo que estavam grudados no meu rosto e me olhando com carinho.

_ Você está me assustando, princesa... O que aconteceu?_ Ele perguntou, beijando meu rosto e eu suspirei, me aproximando dele e o abraçando com força.

Eu tinha que aproveitar os momentos que ainda tinha ao seu lado, já que eles pareciam prestes a acabar.

_ Bella?

_ Você vai embora..._ Eu murmurei e ele suspirou, beijando meus cabelos e me abraçando com força.

_ Eu não vou a lugar nenhum, minha princesa... Não sem você._ Ele garantiu e eu chorei por saber que ele não poderia cumprir sua palavra, pois segundo sua mãe, essa tal residência faria bem ao seu currículo e a sua formação.

E se iria fazer bem a ele, mesmo que doesse em mim, Edward deveria ir.

Fiquei em silêncio, apenas curtindo sua presença até que meus olhos pesaram e eu tive que me entregar ao cansaço.

Edward, ao perceber minha sonolência, começou a sussurrar em meu ouvido o que parecia ser uma canção de ninar e como a sensação de tê-lo ao meu lado, cantando para mim era maravilhosa, eu adormeci, me esquecendo por um momento da minha dor por saber que em breve eu iria perdê-lo.

**********

ALGUMAS HORAS DEPOIS...

Acordei horas depois sentindo minha cabeça latejar.

Era sempre o que acontecia quando eu chorava e dormia em seguida, mas o sono era a forma mais eficaz de se esquecer dos problemas.

E dessa vez, os problemas eram graves, já que eu teria que me separar de Edward.

Suspirei tristemente e levantei meu tronco, me assustando ao ver Esme me olhando atentamente do ouro lado do quarto.

_ Está melhor?_ Ela perguntou e eu assenti, me sentando na cama e me encostando a cabeceira._ Sua pressão baixou. Ficamos preocupados.

_ Eu estou bem agora... Na verdade não sei bem o que aconteceu, mas já passou..._ Eu garanti e Esme sorriu, levantando-se e vindo sentar-se ao meu lado.

_ Eu sei o que houve, querida... Você teve uma leve crise de pânico. No calor do momento, esquecemos que você está grávida e iniciamos uma discussão na sua frente. Desculpe por temos te assustado. Não foi essa minha intenção quando vim de Forks para cá. Eu queria apenas por um pouco de juízo na cabeça do meu filho._ Esme explicou e eu senti um nó se formar em minha garganta ao imaginar, mais uma vez, Edward se afastando de mim.

Esme deve ter percebido minha tristeza, pois segurou minhas mãos firmemente e me encarou nos olhos.

_ Minha intenção não é separá-los, querida... Meu filho adora você e jamais me perdoaria se eu fizesse qualquer coisa para prejudicar o namoro de vocês. Mas, Edward foi aceito em Harvard e eu não posso deixar que ele desperdice essa oportunidade quando eu sei o bem que essa experiência faria para sua carreira. Além do mais, em breve ele terá um bebê para sustentar e precisa estar profissionalmente preparado para lidar com todos os gastos que acompanham um filho.

_ Mas, ele precisa ir embora para isso?_ Perguntei, não tentando esconder a amargura que eu sentia por saber que, de certa forma, ela queria separá-lo de mim.

Esme suspirou e soltou minhas mãos, ainda continuando a me encarar seriamente.

_ Ele precisa ir para Boston se quiser fazer essa residência. E eu pendo que você não deveria ser tão egoísta a ponto de fazê-lo ficar ao seu lado a qualquer custo, já que até bem pouco tempo, você o ignorava completamente._ Esme falou e eu me empertiguei, não encontrando na mulher a minha frente nem um traço da doçura que lhe era característica._ Bella, meu filho precisa ir... Vai ser melhor para todos. Por que, por mais que ele diga que não planeja sair de Forks, isso pode vir a acontecer e com uma residência feita em uma das melhores universidades do mundo, ele terá melhores oportunidades.

_ Por que está me dizendo tudo isso?_ Perguntei com a voz embargada e ela suspirou, secando suavemente a lágrima que descia por meu rosto.

_ Por que só você pode convencê-lo a ir para Boston... E eu estou lhe implorando que converse com ele e o faça entender que trata-se apenas de um ano e que tudo vai ficar bem nesse período em que ele estiver fora.

_ Nem tudo vai ficar bem, Esme... Eu não estarei bem. Ele também não...

_ Você pode parar de pensar em você só por um minuto? Pense em Edward, Bella... Pense no que isso vai significar para a carreira dele e em quantos benefícios essa experiência pode trazer a você e ao bebê de vocês. Meu filho ama você e eu sei que ele pode estar sendo correspondido... Então, prove isso a ele. Deixe-o livre... Deixe-o seguir o caminho que o levará diretamente para o sucesso e eu tenho certeza de que, depois desse período difícil de separação, o relacionamento de vocês estará mais forte e seguro e nada poderá abalá-lo... Pense nisso._ Esme falou, levantando-se e saindo e eu cai sobre os travesseiros, deixando que minhas lágrimas de dor e revolta rolassem por meu rosto.

Por que eu tinha que deixa-lo livre, quando tudo o que eu queria era escondê-lo do mundo, para que ninguém pudesse nos separar?

Por que doía tanto imaginá-lo longe de mim?

E por que eu tinha que me apaixonar por ele e perde-lo logo em seguida?

Essa residência podia ser até por um curto período, como Esme afirmara, mas Edward estaria sozinho e poderia perfeitamente se envolver ou até mesmo se apaixonar por outra garota e aí, eu estaria sozinha para sempre, longe do único homem que eu sabia que poderia me fazer imensamente feliz.

A vida não era justa comigo.

Primeiro ela me dava coisas maravilhosas e, logo em seguida, antes que eu pudesse aproveitar de tudo plenamente, ela as arrancava de mim, me deixando sofrer de saudade e desespero.

Mas, se Edward precisava da minha anuência para realizar essa residência, ele a teria.

Não queria prendê-lo a mim e, eu sabia que se ele fosse realmente meu, ele voltaria.

Caso contrário, era por que ele nunca me pertencera de fato.

**********

POV. EDWARD

Eu estava desesperado.

E tudo isso por que eu não me via indo para outro estado, a fim de realizar a residência do sonho de qualquer estudante de medicina, e ficando longe de minha princesa.

Por que estava claro que Bella não iria comigo.

Ela precisava ficar em Seattle e terminar o semestre antes do nascimento de nossa filha, já que depois desse acontecimento, ela teria que adiar o término do curso por pelo menos seis meses.

E por mais que a ideia de deixa-la para trás me ferisse, eu não podia ser egoísta e pedir para que ela me acompanhasse.

Mas, eu sabia que não podia desperdiçar uma chance como essa.

Mesmo afirmando que trabalharia em Forks, eu sabia que ficar naquela cidade fria e chuvosa não era o sonho de Bella e se eu quisesse tê-la ao meu lado, teria que buscar novos horizontes.

E Harvard seria perfeita para ampliá-los.

Suspirei pesadamente e enterrei o rosto entre as mãos, me sentindo mais perdido do que nunca.

Como minha vida virara de ponta cabeça de uma hora para outra?

_ Por que você não sai um pouco? A brisa vai ajuda-lo a esfriar a cabeça..._ Rosalie falou, sentando-se ao meu lado e eu sorri tristemente, olhando-a com carinho.

_ Nada vai esfriar minha cabeça, loira... Nada além de saber que eu não vou ter que me separar da mulher da minha vida...

_ Um ano passa rápido, cabelo. Além do mais, teremos as férias, os feriados e os recessos... Vocês terão tempo de se curtirem..._ Rosalie argumentou e eu suspirei, fazendo uma careta.

Como fazê-la entender que eu não ia conseguir ficar tanto tempo sem olhar para o rosto lindo da minha princesa?

_ Eu quero estar com ela sempre, Rose e não passar temporadas ao seu lado. Além do mais ela está grávida e precisa dos meus cuidados._ Eu falei e Rosalie revirou os olhos.

_ Não seja dramático, Cullen... Gravidez não é doença e Bella terá um batalhão de gente ao seu redor a fim de ajuda-la e cuidar dela. Você precisa pensar no seu futuro, por que daqui a poucos meses terá uma boca para alimentar e uma bunda para cobrir de fraudas..._ Ela falou e eu ri pela primeira vez na noite, sabendo que, apesar da brincadeira, ela tinha toda a razão._ Edward, eu sei que vai doer... A simples ideia de me separar do seu irmão, ainda que seja por poucos dias, já me faz ter vontade de morrer... Mas, se fosse necessário deixa-lo ir para o bem de sua carreira e futuro, eu não hesitaria, pois sei que em um futuro próximo ele me agradeceria por isso e, essa gratidão apenas iria tornar o nosso amor ainda mais forte e especial._ Ela ponderou e eu suspirei.

Rosalie estava certa, mas se ir para Boston era o melhor a fazer, por que doía tanto?

_ Vou conversar com minha namorada, primeiro. Dependendo de sua resposta, eu irei. Mas, caso ela me pedir para ficar, eu não sairei de Seattle nem sob pressão do exército..._ Declarei e Rosalie riu, me abraçando de lado e beijando meu rosto.

_ Sim, senhor... Mas, algo me diz que ela não vai fazer isso, por que sua namorada sabe reconhecer o valor de uma oportunidade como essa e jamais iria limitar suas escolhas...

Sim... Ela tinha razão e, de repente, mesmo antes de conversar com minha princesa, eu sabia que em breve estaria partindo para Boston, por que ainda que essa separação doesse, ela era extremamente necessária.

*********

Esperei Bella tomar seu banho e jantar para ter nossa conversa.

Eu sabia que minha mãe havia conversado com ela e não queria nem imaginar o que dona Esme, com sua ideia fixa de me enviar para Boston, havia dito a ela.

Eu chegara a me revoltar contra minha mãe devido a sua extrema insistência, mas depois eu refletira sobre suas atitudes e sabia que ela estava certa em querer o melhor para minha carreira.

Respirei fundo quando minha princesa veio deitar-se ao meu lado e a abracei com carinho, beijando seu rosto e a aconchegando ao meu corpo.

_ É tão bom estar com você assim..._ Eu murmurei contra a pele cheirosa do seu pescoço e ela suspirou, virando-se de frente para mim e me encarando com os olhos tristes.

_ Vai ser por pouco tempo..._ Ela murmurou com a voz embargada e eu suspirei, sabendo que naquele momento ela estava me dizendo que eu podia ir para Harvard.

_ Você vai me esperar?_ Perguntei, não conseguindo conter minhas lágrimas e ela sorriu, enxugando-a com beijos.

_ Sempre... Nós, eu e sua filha, vamos esperar por você sempre..._ Bella afirmou e eu funguei, enterrando o rosto no seu pescoço e abraçando-a com todo o amor que eu sentia.

Seria uma separação difícil, mas ao fim, tudo ficaria bem, pois minha princesa esperaria por mim.

E era isso o que importava.

Era o que sempre importaria.

**********

DUAS SEMANAS DEPOIS...

Hoje eu iria para Harvard Medical School.

Como a seleção era bastante criteriosa e a coordenação exigente, eles determinaram que eu fosse o quanto antes para Boston, ou colocariam outro estudante em minha vaga.

E dessa forma, eu e meus pais ajeitamos tudo em menos de dez dias e aqui estava eu: de malas prontas a poucas horas de ir para o aeroporto.

Eu ainda não me sentia bem com a ideia de ficar longe de minha princesa, mas Bella parecia estar aceitando bem o fato de eu estar indo para Boston e, no último fim de semana, fora comigo para a capital do Estado de Massachusetts para me ajudar a escolher um apartamento.

Meus pais sugeriram que eu ficasse em um alojamento, mas como eu pretendia que Bella fosse me visitar várias vezes, preferi encontrar um lugar mais confortável, para que ela pudesse ficar a vontade nos dias em que passássemos juntos.

Dessa forma, aluguei um duplex próximo a faculdade e ela me ajudou a arrumá-lo, parecendo feliz pela minha conquista e, ao mesmo tempo, triste por ter que ficar longe de mim.

E era exatamente essa última parte que me dava a cada dia a certeza de que ela estava apaixonada por mim, embora não admitisse isso nem para ela mesma.

Suspirei pesadamente e coloquei meus últimos livros na mala, fechando-a e colocando-a no canto do quarto que, a partir de amanhã, seria apenas da minha namorada.

Fiz uma careta ao me imaginar dormindo sozinho, mas tentei mandar esse pensamento para longe, já que me lamentar não faria com que eu pudesse leva-la comigo.

Pelo menos não por enquanto, pois assim que ela realizasse as últimas provas do semestre, eu vira até Seattle e a levaria comigo, nem que para isso eu precisasse amarrá-la.

Fui até a mesa de cabeceira e peguei o resultado do exame de Sexagem Fetal que fizemos na semana passada.

Bella realmente estava grávida de uma menina e quando eu tive a comprovação dessa certeza quase saí pulando pela rua de tanta alegria.

Minha namorada me olhara sorrindo quando eu praticamente berrara de alegria ao ler o resultado e disse que havia ficado feliz, pois sabia que era o que eu queria.

E agora, ficar longe das minhas razões de viver seria ainda mais difícil, já que eu queria acompanhar todo o desenvolvimento de minha filha no ventre de sua mãe.

Mas, Bella me prometera que não me esconderia nada e que nos falaríamos pela Web todos os dias e isso era o que me consolava no momento.

Alice, Jasper, Rosalie e Emmett estavam encarregados de vigiar minha princesa a fim de garantir que ela comeria direito e não faria nenhuma estripulia.

Bella reclamara, dizendo que sabia se cuidar sozinha, mas ela sabia que eu não ia aliviar e acabara cedendo e se propondo a me manter diariamente informado de suas atividades.

E assim, os dias passaram e eu aproveitei todos os momentos que ainda tínhamos juntos para mimá-la de todas as formas possíveis.

Fizemos longos passeios, estudamos juntos, dormimos juntos, tomamos banhos juntos, comemos juntos, rimos juntos, choramos juntos e o tempo voou, me fazendo sentir o gosto amargo da saudade a cada dia que passava.

Nós fizemos amor todas as noites e Bella, apesar de cansada, jamais se negava a mim.

Era como se, assim como eu, ela quisesse memorizar nossos momentos juntos para que quando a separação inevitável chegasse, ela pudesse recorrer as lembranças para sofrer menos.

Respirei fundo, tentando conter a tristeza que esses pensamentos traziam e fui para a sala, onde minha princesa lia compenetrada.

Sentei-me ao seu lado e beijei seu rosto, puxando seu corpo delicado para se recostar ao meu.

_ Tudo pronto?_ Ela perguntou e eu assenti.

_ Sim, senhora...

_ Seus pais ligaram e disseram que já estão chegando para leva-lo para o aeroporto..._ Ela declarou e eu suspirei, me levantando e puxando-a pela mão.

_ Se é assim, quero me despedir de você da maneira certa._ Falei, com a voz atormentada de dor e desejo e Bella engoliu em seco, me seguindo até o quarto sem emitir um único som.

Ela sabia o que iríamos fazer e a julgar por sua expressão ansiosa, era exatamente o que ela queria.

Tirei suas roupas com cuidado, olhando-a atentamente e gravando cada pedaço do seu corpo lindo em minha mente.

Beijei-a com carinho e veneração e, com um gemido rouco, ela se rendeu aos meus carinhos, me deixando amá-la da forma como eu tinha vontade.

Passamos as próximas horas perdidos um no outro e quando ela chegou a clímax, eu pude ver as lágrimas escorrendo por seu rosto bonito, fazendo com que meu coração doesse ao vê-la sofrendo.

Abracei-a com carinho, querendo consolar a nós dois, pois eu sabia que ela também estava sofrendo com nossa separação.

_ Eu vou voltar para você, meu amor..._ Eu sussurrei em seu ouvido e ela suspirou contra minha pele, fazendo com que meu corpo todo se arrepiasse.

_ E eu vou esperá-lo..._ Ela respondeu e, mais uma vez, eu senti que aquela frase era o que bastava para que eu pudesse ir para Harvard em paz.

Tomamos banho juntos e pós a chegada dos meus pais, seguimos para o aeroporto.

Meu voo já havia sido anunciado e após despachar as malas, seguimos para o portão de embarque, onde eu me despedi dos meus familiares e da minha namorada.

Deixei Bella por último e quando eu a abracei, ela se agarrou a mim com desespero, fazendo com que minha vontade de mandar tudo para o inferno aumentasse ainda mais.

_ Promete que não vai se envolver com nenhuma universitária gostosa, oferecida e vagabunda?_ Ela pediu e eu ri, beijando seus lábios.

_ É claro que eu prometo, pois nenhuma universitária que eu venha a conhecer vai se comparar a beleza extraordinária da minha estudante de arquitetura linda..._ Eu declarei e ela fez uma careta, rindo em seguida._ Eu amo você, Bella... Só você e nenhuma outra garota desperta qualquer tipo de interesse em mim.

_ Eu... Eu..._ Ela gaguejou, bufando irritada e eu sorri, sabendo o que ela queria dizer, mas ainda não conseguia.

_ Ei... Shii... Eu a amo por nós dois e, por enquanto, isso é o suficiente. Vou esperar o tempo que for preciso para ouvir essas palavras de sua boca, então, não se preocupe com isso..._ Eu falei e ela sorriu tristemente, me beijando com carinho.

_ Vou sentir sua falta...

_ Eu também, princesa... Vou contar as horas para te ver e não quero desculpas... Daqui a três semanas você irá me visitar, ok?_ Eu perguntei e ela assentiu, me abraçando com força quando ouviu o último chamado do meu voo._ Eu preciso ir..._ Declarei, beijando-a com todo o amor que eu sentia e fazendo-a corresponder a mim.

Em seguida, me ajoelhei em frente ao seu corpo e, depois de erguer sua blusa, depositei um beijo sobre sua barriga que já se tornava evidente.

_ Cuide da mamãe, minha princesinha e saiba que eu estarei pensando em vocês a cada minuto do meu dia..._ Eu falei e Bella fungou, mexendo levemente nos meus cabelos enquanto eu beijava sua barriga mais uma vez.

Depois disso, eu segui para o portão de embarque sem olhar para trás, pois caso eu fizesse isso, corria o risco de não ir para lugar nenhum.

Procurei por meu lugar no avião e só quando estava confortavelmente acomodado, peguei a carta que Bella me entregara no dia anterior e me pus a lê-la, como havia prometido a ela.

Minha namorada estava bastante misteriosa ao me entregar o papel e só a promessa de abrir a carta apenas quando eu estivesse a caminho de Boston me impediu de rasgar o envelope na sua frente a fim de desvendar seus segredos.

Mas, foi só me dar conta do conteúdo da carta que eu percebi o porquê de ela não me deixar lê-la na sua frente.

Ela sabia que suas palavras poderiam me fazer desistir de Harvard e não era isso o que ela queria.

E nem eu, já que eu sabia o bem que essa experiência faria a minha carreira.

Mas, como seguir em frente quando ela me contava isso justamente agora?

Sorri entre lágrimas e guardei o papel novamente.

Ela me dera um presente de despedida lindo e, quando eu a visse outra vez, eu a faria sentir-se ainda mais especial e amada, pois esse era o meu papel: fazê-la feliz e eu me empenharia eternamente nessa tarefa.

Notas finais
O QUE SERÁ QUE TINHA NESSA CARTA? GOSTARAM DO CAPÍTULO? ESPERO QUE SIM... QUERO AGRADECER AOS COMENTÁRIOS E DAR BOAS VINDAS AS LEITORAS NOVAS QUE SE PRONUNCIARAM NO ÚLTIMO CAPÍTULO. CONTINUEM APARECENDO, MENINAS, POIS ADORO INTERAÇÃO. KKKKKKKKK BEIJOS E ATÉ O PRÓXIMO COM A VIDA DO NOSSO LINDINHO EM BOSTON.