Notas iniciais
BOA LEITURA, MENINAS...

CAPÍTULO 19

POV. EDWARD

Senti um toque suave perto dos lábios e resmunguei baixinho, enfiando o rosto no meu travesseiro e me recusando terminantemente a ser tirado dos meus sonhos.

Ouvi um riso baixo e o toque insistente migrou para os meus cabelos, iniciando uma leve massagem, o que fez com que eu relaxasse e me entregasse novamente ao sono que ainda sentia.

Eu não havia dormido muito durante a noite e tudo o que queria nesse momento era ser deixado em paz, para poder recuperar as energias e voltar para o mundo perfeito dos sonhos.

Se possível, eu queria dormir por trinta horas seguidas sem ser incomodado.

Mas, o que quer que estivesse tentando me despertar era bem insistente, e depois de me assustar com um beijo estalado na orelha, eu me deitei de costas novamente, desistindo de dormir e abrindo apenas um olho, para me deparar com o rosto sorridente mais lindo do mundo e que até alguns momentos atrás, habitava os meus sonhos.

Se fosse para ter essa visão todas as manhãs, ela poderia me acordar de madrugada eternamente.

Aliás, se fosse para contemplá-la, eu nem me importaria em não dormir nunca mais.

_ Bom dia, dorminhoco..._ Bella falou, beijando meus lábios e eu sorri, abraçando-a e trazendo-a para cima de mim, adorando sua espontaneidade.

Ela vestia a camisa que eu usara na noite anterior e, como alguns botões estavam abertos, era possível ver o contorno superior dos seus seios, o que enviou uma onda de desejo por todo o meu corpo.

Além disso, seu cheiro suave estava impregnado por todo o quarto, aumentando ainda mais as sensações que tomavam meu corpo sempre que eu a tinha por perto.

Será que um dia eu seria capaz de deixar de desejá-la dessa forma?

Eu esperava sinceramente que não.

_ Eu estava tendo um sonho muito bom e por isso não queria acordar. Mas, de repente, eu me dei conta que a realidade é muito melhor... _ Eu declarei com a voz rouca de sono, beijando-a em seguida e ela riu, se afastando de mim.

_ Eu preparei o café da manhã... Por isso eu te acordei... _ Ela falou, apontado timidamente para a bandeja que estava pousada sobre a mesa de cabeceira e meu sorriso se alargou.

Era a primeira vez que Bella cozinhava para mim.

No apartamento em Seattle, ela procurava mexer no mínimo de coisas possíveis, e eu imaginava que isso se devia ao fato de ela ainda não se sentir a vontade morando lá.

Bella sempre fora tímida e eu achava que suas atitudes eram normais, dadas às circunstâncias pelas quais ela fora parar em minha vida.

No entanto, agora eu me dava conta de que tudo o que ela precisava era ser oficialmente minha namorada para fazer parte da minha rotina e cuidar de mim, assim como eu adorava tomar conta dela.

_ Ora, ora... Minha namorada cozinhou para mim? Que honra..._ Eu falei me sentando e, com sua ajuda, trouxe a bandeja para a cama.

_ Não é nenhum banquete como de ontem à noite, mas acho que está comestível..._ Bella falou com os olhos baixos, um pouco corada, e eu comecei a comer as panquecas, que estavam deliciosas por sinal.

Ela me olhava em expectativa e eu soltei um gemido de prazer enquanto mastigava, fazendo-a suspirar em alívio e começar a comer sua própria panqueca.

_ Está muito bom... De verdade. Quem te ensinou a cozinhar?_ Eu perguntei, bebendo um pouco de suco de laranja e ela deu de ombros, continuando concentrada em suas panquecas, mas eu via que ela estava pensando em uma resposta.

_ Minha mãe_ Bella respondeu depois de alguns minutos e eu a encarei com atenção._ Quando ela casou, não conseguia nem fritar um ovo. Aí, depois das reclamações constantes do meu pai, ela se empenhou em aprender a cozinhar e, modéstia parte, aprendeu muito bem. Eu me lembro que quando era criança, tinha que experimentar suas tentativas de pratos elaborados e sofria muitas azias depois..._ Ela fez uma careta adorável ao recordar-se do fato, rindo em seguida e eu a acompanhei._ Mas, com o tempo ela realmente aprendeu e conforme eu fui crescendo, se empenhou em me ensinar, dizendo que eu não ia passar pelo que ela passou com as críticas do meu pai e que meu marido não passaria fome...

_ Pois sua mãe fez um bom trabalho... Suas panquecas estão divinas..._ Eu declarei, me servindo de mais algumas e ela corou, baixando o olhar e tomando seu suco.

Ela ficava tão linda quando estava envergonhada, que minha vontade era apertá-la até que seus olhos saltassem das órbitas e enchê-la de beijos.

Mas, se eu fizesse isso nesse momento, provavelmente iria assustá-la.

Além do mais, eu estava morrendo de fome, e tudo o que eu queria nesse momento, era repor minhas energias para poder mimá-la mais um pouco.

Terminamos nosso café e eu a convidei para um banho depois de olhar no relógio e verificar que ainda tínhamos bastante tempo antes de nossa primeira consulta.

Bella me olhou por longos segundos, decidindo se aceitava ou não o meu convite, mas por fim me seguiu até o banheiro, me fazendo o homem mais feliz do mundo por poder despi-la e contemplá-la completamente nua.

Ensaboei todo o seu corpo, não ignorando nem mesmo um centímetro e me excitei quando seus gemidos e suspiros começaram a ser ouvidos no banheiro na medida em que tornava as carícias mais intensas.

_ Pensei que seria só um banho..._ Ela sussurrou, enquanto eu acariciava seus seios com as mãos ensaboadas e eu ri, mordendo o lóbulo de sua orelha e percebendo que seu corpo todo se arrepiava.

_ Você sabe que eu sou um cara sem malícia, mas você é uma tentação muito grande, Isabella Swan... Eu não resisto ao seu charme, seu cheiro, sua pele..._ Eu falei, lambendo seu pescoço e ela gemeu, se virando de frente para mim.

_ Então a culpa é minha se você não consegue manter as mãos longe de mim?_ Ela perguntou, fingindo indignação e eu ri, assentindo._ Pois eu não concordo...

_ Ah, não? E posso saber de quem é a culpa, já que antes de você entrar em minha vida eu era um cara super comportado e quase celibatário?_ Eu perguntei e ela ergueu a sobrancelha, antes de cair na gargalhada, me fazendo olhá-la magoado.

_ Celibatário, Edward? Não me venha com essa, pois eu sei muito bem que sua vida sexual era bem agitada... Eu ouvia muitos comentários das festas de irmandades que você frequentava..._ Ela falou e foi minha vez de encará-la indignado.

_ Ei... Isso são apenas boatos. Não vou mentir, dizendo que não ia para a cama com algumas garotas, mas eu quase não frequentava essas festas. Além do mais, pouco tempo depois de entrar na faculdade, eu firmei compromisso com a Tanya e saiba que eu sempre fui um cara fiel..._ Eu falei e ela corou, baixando o olhar e eu sabia exatamente o que ela estava pensando._ Fui fiel até que a garota que eu sempre amei entrou na minha vida e nada mais importava do que tê-la ao meu lado.

Bella soltou um suspiro e colou seu corpo no meu, escondendo o rosto em meu pescoço e eu a abracei com força, beijando seus cabelos de leve.

_ Eu não me arrependo do que aconteceu entre nós... Mas, eu me sinto culpada por saber que traímos outras pessoas. Isso não foi certo..._ Ela declarou e eu suspirei, afastando seu corpo do meu e encarando-a seriamente.

_ Eu sei, princesa e não pense que eu me orgulho disso... Afinal, apesar de seu jeito mimado, Tanya sempre me respeitou como seu namorado. Mas, ela sempre soube que eu era apaixonado por você e que se eu tivesse a oportunidade de conquistá-la, jamais a desperdiçaria. Eu sei que a magoei e me sinto mal por ter feito isso... Mas, eu sei que ela ainda vai encontrar uma pessoa legal e esquecer o que houve... Um dia, nosso namoro não vai passar de uma lembrança pra ela... _ Eu declarei e Bella suspirou, pegando o sabonete e começando a passá-lo distraidamente pelo meu corpo.

_ Nós dois começamos do jeito errado, Edward... Eu também traí meu ex-namorado e apesar de ele merecer, já que estava sendo um canalha há bastante tempo, me arrependo por tê-lo feito de idiota..._ Ela falou de maneira triste e eu bufei, ao pensar que Jacob também a fez de idiota, saindo com outras garotas e ainda contando para todos que Bella se recusava a transar com ele.

Aquele calhorda não merecia o arrependimento da minha namorada e mesmo que esse não fosse o momento mais apropriado para isso, já que eu a tinha nua na minha frente, pronta para receber meu amor, desejo e carinho, eu a faria esquecer essa história de uma vez por todas.

_ Você sabia que também foi traída, Bella?_ Eu perguntei e ela me olhou espantada, parando seus movimentos.

_ O que?_ Perguntou em um fio de voz e eu suspirei, olhando-a com atenção, enquanto tirava alguns fios de cabelo que estavam grudados em seu rosto molhado, e beijava sua fronte.

_ Foi Alice que me contou... Segundo ela, seu querido ex-namorado a traía com uma garota da reserva. _ “E eu não duvido nada de que ele a traía com outras garotas também...” _ Acrescentei em pensamento e Bella sorriu tristemente depois de alguns minutos de silêncio, voltando a passar o sabonete pelo meu corpo.

_ Eu sei de quem se trata... Leah Clearwater, não é? _ Ela perguntou e eu suspirei, assentindo levemente e me perguntando como diabos ela sabia com que menina Jacob a traia._ Eu cheguei a desconfiar, já que sempre que eu ia à reserva os encontrava juntos, mas como achava Jacob perfeito demais, não dei atenção aos meus instintos. Mas, ele tinha que transar de algum jeito, não é? E se eu me negava, o natural seria procurar uma substituta..._ Bella falou com amargura e eu segurei sua mão, detendo seus movimentos e fazendo com que ela me encarasse.

_ Você é insubstituível, Bella e só um idiota como o Jacob para não perceber. Mas, sabe de uma coisa? Eu até o agradeço por sua canalhice, uma vez que suas atitudes imbecis me trouxeram você... Se ele não tivesse sido um canalha machista, hoje você não seria minha namorada, não estaria grávida da minha filha e nem estaria nua comigo no chuveiro da minha cabana... Portanto, sou imensamente grato por ele ter sido um idiota. E eu só lhe contei sobre essa garota para que você pare de se sentir culpada, já que apenas deu o troco..._ Eu declarei e ela sorriu, se inclinando em minha direção e beijando meus lábios.

_ Apesar de eu também ter sido traída, o que fizemos não foi certo. Um erro não justifica o outro, Edward...

_ Eu sei e lamento que nossa história tenha começado com uma traição, mas eu nunca vou me arrepender de ter ficado com você..._ Eu declarei e ela sorriu, se inclinando em minha direção e beijando meus lábios de leve.

_Eu adoro os rumos que minha vida tomou, Edward, e não quero desperdiçar momentos preciosos falando sobre o passado. Jacob fez parte da minha história e sempre terá um lugar especial na minha memória, mas acabou e você é o meu presente, muito gostoso por sinal._ Ela falou piscando e eu ri, fazendo-a corar._ Vamos nos concentrar nisso, por favor, e esquecer esses fantasmas chamados ex-namorados?_ Ela pediu docemente e eu ri, beijando-a e levando minhas mãos até suas nádegas, para colar seu corpo ao meu.

_ Seu pedido é uma ordem, namorada..._ Eu declarei sorrindo de forma maliciosa e imprensando seu corpo contra a parede, iniciando uma série de carícias que nos levou ao auge do prazer em mais um ato de amor pleno e satisfatório.

Depois de vestidos, arrumamos um pouco da bagunça da cozinha e guardamos nossas coisas no carro, pegando a estrada em direção a Forks.

Bella dormiu durante a curta viagem, após ouvir um pouco de música e eu me senti culpado por vê-la tão cansada.

Mas, como ela não havia reclamado de nossas atividades noturnas e matinais em nenhum momento sequer, eu deixei minha culpa de lado, me concentrando na estrada e tentando conter minha ansiedade por saber que em breve eu iria ver minha filha.

Eu não sabia de onde vinha essa certeza de que o bebê que Bella carregava era uma menina, mas eu não estava errado.

Não podia estar.

Só de imaginar uma menina idêntica a minha princesa me chamando de papai, eu sentia meu coração se alegrar de uma maneira que eu nunca imaginei ser possível.

A grande verdade é que eu nunca havia pensado em mim como pai, mas não podia estar mais feliz esperando para segurar minha filha nos braços.

Depois de mais ou menos meia hora de viagem, estacionei o carro em frente ao hospital e minha mãe, que nos esperava na entrada, veio sorrindo em direção ao carro.

_ Bella... Amor... Acorda._ Eu falei suavemente, beijando o rosto da minha princesa linda e ela suspirou, abrindo os olhos e sorrindo para mim.

_ Chegamos?

_ Sim... E já estamos um pouco atrasados, inclusive. Por isso, se apresse... Meu pai já deve estar a nossa espera..._ Eu falei, desafivelando nossos cintos e em poucos segundos, já estávamos fora do carro, sendo esmagados pelo abraço efusivo de minha mãe.

_ Que saudade de vocês... Como estão? E meu neto?_ Ela perguntou, acariciando a barriga de Bella que corou e olhou para mim sorrindo sem graça.

_ Sua neta está ótima, dona Esme... Crescendo bastante e deixando sua mamãe cada vez mais cansada..._ Eu declarei, abraçando Bella pela cintura e minha mãe sorriu, olhando docemente para minha namorada.

_ É assim mesmo, meu anjo... Os primeiros meses são os mais complicados por conta dos enjoos e do sono excessivo. Depois, tirando a barriga enorme, o resto é fácil... Além do mais, tenho certeza de que quando você segurar seu bebê nos braços, qualquer sofrimento pelo qual tenha passado, vai ter valido a pena._ Minha mãe declarou e Bella sorriu, descansando o rosto em meu ombro e ganhando um beijo na face.

Minha princesa ainda não ficava a vontade perto dos meus pais, principalmente para conversar sobre o bebê, já que ela ainda sentia-se culpada por ter pensado em abortá-lo.

Mas, eu tinha certeza de que com o tempo, Bella aprenderia a amá-los e confiar neles assim como eu e meus irmãos, já que Esme e Carlisle eram pessoas incríveis e receberam minha namorada em nossa família de braços abertos.

_ O papai está nos esperando?_ Eu perguntei, nos dirigindo para a entrada e minha mãe sorriu, assentindo e seguindo nossos passos.

_ Acho que ele está mais ansioso do que vocês... Não para de falar nesse exame e na emoção que ele vai sentir ao escutar o coração do neto pela primeira vez...

_ Nós já vamos saber o sexo do bebê hoje?_ Bella perguntou com a voz baixa e minha mãe sorriu, balançando a cabeça.

_ Acredito que não. Ainda é muito cedo para isso. Esse primeiro exame é necessário para vermos a posição e a formação do feto, os batimentos cardíacos, o crescimento e a possibilidade de malformações ou síndromes genéticas. Além disso, precisamos analisar sua placenta, a quantidade de líquido amniótico e o comprimento do colo do útero, para garantir que não há riscos de parto prematuro._ Minha mãe explicou em toda sua sabedoria e Bella assentiu, embora eu tivesse a sensação de que ela não tivesse muita ideia do que minha mãe estava falando.

Mas, eu sabia que todos esses detalhes eram imprescindíveis para uma boa gestão, e eu estaria mais do que atento a cada minúcia, a fim de garantir que nada de errado acontecesse com minha pequena dama enquanto ela estivesse abrigada no ventre da mãe.

Entramos no consultório do meu pai e ele nos recebeu com imensa alegria, conduzindo Bella até o banheiro, para que ela trocasse de roupa a fim de iniciarmos os exames e pedindo a minha mãe que fosse para a sala anexa ao seu consultório verificar se já estava tudo pronto.

_ E aí, papai? Como vai a vida?_ Carlisle perguntou, quando ficamos sozinhos no consultório e eu sorri imensamente, lembrando-me rapidamente da noite de ontem.

_ Estou ótimo, pai... Mais feliz, impossível..._ Eu declarei e ele riu, apontando com um gesto de cabeça para a aliança que agora estava abrigada em meu anelar direito.

_ Casou-se por esses dias?_ Carlisle perguntou e eu ri, socando seu braço de leve.

_ Não... Mas, isso está definitivamente em meus planos... Por enquanto, eu sou apenas um namorado... O mais feliz do mundo, por sinal..._ Eu confessei e ele sorriu largamente.

_ Isso é bem visível, filhão... Acho que nunca vi seus olhos brilharem tanto. E saiba que fico muito feliz por vocês estarem namorando. Eu tenho consciência de que Bella sempre foi a garota dos seus sonhos e acho que você, como um legítimo Cullen, é o cara mais indicado para fazê-la feliz._ Meu pai falou, mas eu não pude responder, já que Bella saiu do banheiro e nos olhou tímida por estar vestida apenas com uma camisola azul.

_ Você está linda..._ Eu falei me aproximando e ela corou, revirando os olhos e me olhando torto.

_ Linda com essa camisola? Duvido muito... E não diga essas coisas perto do seu pai..._ Ela resmungou e eu ri, fazendo meu pai me acompanhar.

_ Eu não ouvi nada, querida... Fique tranquila. Agora, vamos para a sala de exames, pois eu estou doido para conhecer meu neto..._ Carlisle declarou, nos guiando até a sala ao lado e eu paralisei quando entramos e nos deparamos com Charlie e Renée sentados nas cadeiras destinadas aos acompanhantes.

Bella também ficou estática e o único indício de que ela ainda estava viva, era o aperto de sua mão na minha, que aumentava a cada segundo.

_ Eu... Bem, Renée me ligou perguntando da filha e eu a convidei para assistir o exame. Espero que não se importem..._ Minha mãe se explicou, percebendo nosso desconforto e eu suspirei, levando minha namorada até a mesa de exames e tentando ignorar o olhar mortal que Charlie me lançava.

_ Eu estava com saudades, filha..._ Renée falou, enquanto aproximava-se de Bella e depositava um beijo em seu rosto.

Minha princesa me olhou por um momento, antes de voltar sua atenção para a mãe e sorrir com carinho.

_ Eu também estava, mãe... Mas, você não pode reclamar, pois eu liguei quase todos os dias._ Bella se justificou, deitando-se na maca e eu a cobri com um lençol, enquanto meu pai abria os botões de sua bata com cuidado, a fim de iniciar a ultrassonografia.

Ele lambuzou sua barriga com o gel transparente e Bella fez uma careta ao senti-lo frio, me fazendo sorrir.

_ Bem... Se afastem um pouquinho e fiquem de olho naquela tela grande..._ Meu pai comandou, sentando-se a altura do ventre de Bella e eu fui para o seu lado, segurando sua mão e beijando sua testa, enquanto meu Carlisle iniciava o exame.

De forma alguma, eu ficaria longe da minha namorada nesse momento.

Eu queria estar ali, segurando sua mão, quando nosso bebê, que ainda era um pequeno embrião, aparecesse naquela tela.

Aquele pequeno milagre era a prova de que Bella era minha e seria, sem dúvida, a criança mais amada desse mundo.

Ficamos todos em silêncio, até que o som de batidas rápidas e poderosas tomou o ambiente, me fazendo chorar de emoção por saber que aquele era o coração da minha menininha, pulsando rápido e saudável.

Olhei para Bella e ela também chorava silenciosamente, enquanto olhava fixamente para a tela a nossa frente, acompanhando as explicações do meu pai a cerca dos pequenos borrões que ele ia circulando e medindo com uma linha pontilhada.

_ Você está grávida de sete semanas e por isso já podemos ouvir o som do coração, apesar de ele ainda ser um órgão rudimentar. Seu bebê está com mais ou menos 12 mm e alguns órgãos, além do coração e cérebro, já estão em pleno desenvolvimento. Não é possível ver os braços e pernas ainda, mas no próximo mês eles já estarão formados._ Meu pai explicou e Bella fungou, limpando as lágrimas com as costas das mãos e continuando vidrada na tela a sua frente.

_ 12 mm? Meu filho tem o tamanho de um caroço de feijão e já tem coração, cérebro e outros órgãos?_ Ela perguntou admirada e eu ri, beijando sua mão que segurava firmemente a minha.

Pelo que eu percebia durante a movimentação do aparelho pelo ventre de Bella, nossa filha estava muito bem e, aparentemente, não apresentava nenhuma anomalia.

Bella estava saudável e sua gravidez seria bastante tranquila.

_ Pois é... Ele ou ela está crescendo rápido, querida... Seu bebê já se mexe em seu ventre, mas ele é muito pequeno para que você o sinta. A partir de agora, você vai começar a ganhar peso de verdade, mas eu temo que os enjoos não vão desaparecer tão facilmente._ Meu pai voltou a explicar e Bella fez uma careta adorável ao ouvir a palavra enjoo.

_ Ás vezes eu penso que eles não vão desaparecer nunca..._ Bella reclamou e tanto minha mãe quanto Renée riram.

Apenas Charlie continuava alheio a qualquer emoção a sua volta.

Ele não parecia à vontade ali, mas não desgrudava os olhos da tela, fazendo com que eu me perguntasse o que se passava por sua mente naquele momento, vendo seu neto no ventre da filha que ele expulsara de casa.

_ Vai passar, meu anjo... Eu enjoei até o quinto mês. Então, se você saiu a mim, essa tortura vai persistir por um tempo. Mas, um dia acaba..._ Renée falou, me fazendo desviar os olhos de Charlie e Bella suspirou, voltando a prestar atenção na imagem da tela.

_ Quando vamos saber o sexo?_ Minha princesa perguntou e Carlisle sorriu, desligando o aparelho e oferecendo uma toalha para que Bella limpasse o gel que ainda estava sobre seu ventre liso.

_ Por volta do quarto mês... Existem exames mais precisos, que detectam a presença ou não do cromossomo y em uma amostra do sangue placentário da mãe. Mas, aqui em Forks ainda não dispomos dessa tecnologia. Como sei que vocês estão ansiosos para saber se é um menininho ou uma menininha, vou fazer um pedido para que esse exame seja feito em Seattle._ Meu pai falou e eu sorri imensamente por saber que eu poderia confirmar que Bella estava realmente grávida de uma menina antes do esperado.

_ Edward tem certeza que é uma menina..._ Bella comentou, descendo da maca e meu pai riu.

_ Meu filho sempre foi apaixonado por meninas. Quando Alice nasceu, ele a mantinha sob vigilância o tempo todo e Esme e eu tínhamos que ficar de olho para que ele não tentasse tirá-la do berço e saísse carregando-a pela casa._ Carlisle falou e eu sorri ao pensar em minha irmã como um bebê.

Quando Alice nasceu, eu ainda era bem pequeno, mas tenho algumas lembranças da fixação estranha que eu tinha por ela, me fazendo persegui-la por todos os lados e insistir em cuidar dela, mesmo eu não sabendo nem cuidar de mim mesmo.

_ Edward vai ser um papai babão, Bella... Então, prepare-se para ter que educar duas crianças, pois se depender do doutor Cullen aqui, a filha de vocês vai ser bem mimada..._ Minha mãe declarou e eu a estreitei o olhar em sua direção, querendo que ela e Carlisle parassem de denegrir minha imagem para Bella.

_ Será que dá para parar de falar mal de mim na minha presença?_ Eu falei, fingindo estar bravo e todos, menos Charlie, riram.

_ Não é falar mal, querido... Trata-se apenas de uma realidade. Eu conheço você e imagino como será o seu comportamento com relação a essa criança. Só quero deixar Bella bem avisada..._ Esme falou e eu revirei os olhos, segurando Bella pela mão e guiando-a em direção ao banheiro, para que ela pudesse trocar de roupa.

Deixei que meus pais se entendessem com Charlie e Renée, já que eu não me sentia nem um pouco preparado para lidar com o mau humor do meu sogro e fiquei a espera da minha princesa.

Quando Bella já estava devidamente vestida, voltamos para o consultório do meu pai e ele lhe receitou vitaminas, complementos alimentares e um remédio para o enjoo, pedindo também alguns exames para verificar sua taxa de glicose, colesterol e possíveis riscos de anemia.

Carlisle falou a respeito de sua alimentação e dos exercícios e eu sorri triunfante por ter a ajuda do meu pai a esse respeito, já que Bella era extremamente teimosa e não gostava que eu ficasse controlando seus horários e cardápios.

Saímos poucos minutos depois, já que meu pai teria uma cirurgia em breve e combinamos de almoçar juntos.

Minha mãe ia preparar sua famosa lasanha e eu não via a hora de matar a saudade de sua comida maravilhosa.

Guiei Bella até o estacionamento e senti meu coração falhar uma batida quando Renée segurou minha namorada pelo braço, dizendo que ela ficaria em sua casa durante esse fim de semana.

Como assim eles queriam me separar da minha namorada?

Charlie não a havia expulsado de casa?

_ Mãe, eu..._ Bella hesitou, olhando para o pai por um momento, antes de me encarar em um pedido mudo de ajuda.

_ Renée, eu prefiro que Bella fique comigo na casa dos meus pais.

_ Nem pensar... Já faz mais de duas semanas que Bella não volta para casa e eu quero ter a companhia da minha filha, antes que ela precise retornar a Seattle. Sinto muito, Edward, mas minha filha irá para minha casa..._ Minha sogra declarou e eu suspirei, tentando controlar a vontade absurda de esconder Bella dos pais.

_ Eu combinei de almoçar com os pais do Edward, mãe..._ Bella tentou argumentar, mas seu pai, pela primeira vez desde que o vimos na sala de exames, resolveu intervir.

_ Você vem com a gente, Isabella... Tenho certeza de que os pais do Edward vão entender. Pegue suas coisas e venha conosco._ Ele falou, seguindo em direção a sua viatura e Bella suspirou, indo até o Volvo e separando algumas roupas de sua mala.

_ Você não precisa ir se não quiser..._ Eu falei, ajudando-a e ela suspirou mais uma vez, me olhando por um momento e sorrindo tristemente, enquanto acariciava meu rosto.

_ Eles não vão desistir, Edward... E eu vou ficar bem. Acho que já está na hora de conversar com meu pai sobre minha gravidez e nosso namoro. Apesar de tudo o que ele me disse, Charlie jamais vai deixar de ser meu pai, então, nós precisamos nos acertar._ Ela falou e eu bufei, abraçando-a e enterrando meu rosto em seu pescoço.

_ Não quero ficar sem você... Não consigo mais dormir sem tê-la ao meu lado..._ Eu declarei e ela riu.

_ Serão apenas duas noites e depois eu serei toda sua outra vez. Além do mais, você poderá me visitar..._ Ela falou e eu suspirei, sabendo que não conseguiria dissuadi-la da ideia de ficar longe de mim naquele fim de semana.

Minha princesa terminou de pegar suas coisas e seguiu para o carro dos pais depois de me dar um beijo de despedida.

E eu fiquei ali, sozinho e arrependido por tê-la trazido para Forks.

Eu não estava preparado para ficar sem ela e odiava ter que deixá-la ir.

Só esperava que esses dias passassem depressa, antes que eu fosse obrigado a invadir a casa do chefe Swan e sequestrar minha namorada.

**********

POV. BELLA

Cheguei em casa com a sensação estranha de que não deveria estar ali.

As palavras de Charlie me expulsando de sua vida quando ele descobrira sobre minha gravidez nunca abandonaram minha mente e, apesar de ter me feito de forte na frente de Edward, eu tinha medo do que poderia acontecer durante aquele fim de semana em que estivesse na companhia dos meus pais.

Minha mãe estava exultante por me ter ali, mas Charlie continuava sério, me olhando de soslaio e evitando me dirigir a palavra.

Ás vezes, eu queria ter o dom de ler mentes apenas para descobrir o que se passava na mente estranha do meu pai nesse momento.

Ele quisera me trazer ali e isso era um fato, mas, para que?

Será que Charlie iria começar mais uma vez sua sessão de ofensas?

Eu esperava que não, pois caso contrário, eu jamais colocaria meus pés ali outra vez, nem mesmo pela minha mãe.

_ Se quiser tomar um banho antes do almoço, dá tempo meu bem..._ Minha mãe falou e eu suspirei, aceitei sua sugestão, indo para meu quarto e fugindo do olhar perturbador do meu pai.

Peguei meu celular para verificar as horas e sorri largamente quando vi uma mensagem de Edward que chegara há poucos minutos atrás.

“Sinto sua falta. Eu odeio que me separem de você... Não estou pronto para isso, já que faz menos de 24 horas que se tornou minha namorada.”

Tratei de responder, a fim de não deixa-lo ansioso.

“Também sinto sua falta. Mas, serão apenas algumas horas. Logo estaremos juntos outra vez.”

Enviei e sorri, quando menos de um minuto depois, sua resposta chegou.

“O quão infantil seria de minha parte pular sua janela essa noite?”

Eu gargalhei de sua ideia e respondi rapidamente:

“Não seria infantil e sim perigoso. Além do mais, pode usar a porta. Tenho certeza de que Charlie não irá impedi-lo”.

Em novamente, a resposta veio rápida.

“Eu não teria tanta certeza, mas vou passar aí mais tarde. Mal posso esperar para te ver outra vez e beijar esses lábios deliciosos. Te amo!”.

Eu sorri ternamente, quase beijando a tela do celular ao ler suas palavras e lhe enviei uma mensagem, me lamentando por ainda não poder dizer que o amava.

“Estarei te esperando ansiosa... Beijos!”.

Quando voltássemos a Seattle, eu lhe diria que havia recuperado as lembranças da nossa primeira vez e esperava que depois disso eu me sentisse mais segura para deixar que os sentimentos que eu nutria por ele aflorassem com força total e eu pudesse, finalmente, lhe confessar o meu amor.

Suspirei pesadamente, me perguntando quando minha vida entraria completamente nos eixos.

Fui para o banheiro e tomei um banho demorado, me lembrando da noite maravilhosa que tivera nos braços de Edward.

Meu corpo ainda estava sensível depois de tantas horas de amor e eu imaginei se minha vida ao seu lado seria sempre assim, tão intensa e maravilhosa.

Se eu fosse levar em conta todo o seu romantismo, carinho e dedicação, eu jamais teria do que reclamar se ficasse ao seu lado.

Tirei Edward momentaneamente dos meus pensamentos e depois de colocar uma roupa confortável, desci para o almoço.

Estava tudo delicioso e minha mãe passou a me perguntar cada detalhe da minha rotina em Seattle e eu me vi contando tudo a ela, menos sobre o meu confronto com Jacob e Tanya e sobre minhas noites sem pudor ao lado de Edward.

É claro que eu não diria nada a esse respeito, já que bastava que eu tocasse no nome de Edward para que o semblante de meu pai ficasse carregado.

Ele ainda não o aceitava em minha vida e eu fiquei triste ao imaginar quando, finalmente, Charlie iria apoiar minhas escolhas.

_ E essa aliança, meu bem? Você não a usava quando voltou para a universidade..._ Minha mãe falou e eu suspirei, olhando para o meu pai por uns segundos, aténs de explicar-lhe sobre a aliança.

_ É um anel de compromisso, mãe. Edward me deu ontem, quando me pediu oficialmente em namoro. Ele está usando um também._ Eu declarei orgulhosa e minha mãe suspirou, pegando minha mão e encarando meu anel por longos segundos.

_ Ele é tão romântico, não é filha? Está na cara que ele é perdidamente apaixonado por você. Na verdade, eu penso que ele sempre foi...

_ Você está certa, mãe... Ele sempre foi apaixonado por mim e eu nunca imaginei que pudesse ser tão feliz ao lado de um homem, como eu sou feliz ao lado dele. Edward reagiu tão bem a minha gravidez que às vezes eu nem acredito que ele é real._ Eu falei e minha mãe sorriu largamente, se inclinando em minha direção e tocando meu ventre com carinho.

_ Essa criança vai ser muito amada, filha... Pelo pai e por todos a sua volta._ Ela declarou, olhando seriamente para o meu pai por longos segundos e saindo da cozinha com a desculpa de ir olhar a roupa na máquina.

Eu respirei fundo e comecei a tirar a mesa, levando os pratos para pia, onde meu pai começou a lavá-los, na mesma parceria que fazíamos quando eu era menina.

Guardei as sobras de comida na geladeira e me pus a enxugar a louça, guardando-a em seus devidos lugares.

Trabalhamos em silêncio por todo o tempo e só quando o meu pai terminou de limpar a pia, ele virou-se em minha direção, me encarando com atenção.

_ Então você está mesmo grávida?_ Ele perguntou e eu suspirei, pendurando o pano de prato e encarando-o.

_ Sim... Meu bebê nasce daqui a alguns meses e eu estou muito feliz por isso...

_ E agora, você está namorando aquele rapaz?

_ Sim... Ele me pediu em namoro ontem.

_ E o Jacob?_ Meu pai perguntou e eu bufei ao me lembrar do meu ex-namorado.

_ Jacob é o meu ex-namorado, pai.

_ Só isso? Nada do que vocês viveram durante esses anos conta?

_ Claro que conta. Ele sempre vai fazer parte da minha memória, mas é só isso. Agora, eu estou com outra pessoa, que é maravilhosa por sinal, e que é o pai do bebê que eu espero... ISSO conta mais do que qualquer coisa..._ Eu expliquei e meu pai suspirou, coçando a cabeça e desviando os olhos dos meus.

_ Não foi isso que eu planejei pra você, Bella... Eu queria que você se formasse na faculdade, fosse uma boa profissional e só depois, se casasse e tivesse filhos. Mas, aprendi que as coisas geralmente não são como desejamos e que temos que aceitar os rumos que a vida toma._ Ele explicou e eu o olhei em expectativa, tentando entender o que ele queria realmente me dizer.

_ E o que isso significa?

_ Significa que eu estou me desculpando por tê-la expulsado de casa quando descobri sobre sua gravidez. Lamento por ter te tratado daquela forma e ter te dito coisas horríveis. Mas, eu sou assim... Retrógrado e preconceituoso. Ainda não gosto do seu novo namorado, mas se ele te faz feliz, tudo o que eu posso fazer e tentar suportá-lo..._ Charlie falou e eu senti lágrimas invadirem meu rosto ao me dar conta de que ele estava, realmente, se desculpando.

Acho que nunca, em meus vinte e um anos, eu vira meu pai se desculpar com quem quer que fosse.

Ele achava que sua forma de pensar era superior a de todos os outros mortais e jamais dava o braço a torcer e esse seu gesto significava muito pra mim.

Me atirei em seus braços chorando e me senti muito bem quando ele também me abraçou.

_ Obrigada, papai..._ Eu murmurei fungando e ficamos ali abraçados por longos minutos, até que suas próximas palavras me tiraram o chão, mais uma vez.

_ Você vai voltar para casa. Nada de morar com o namorado. Nós vamos buscar suas coisas amanhã e você só volta para a faculdade depois que esse bebê nascer..._ Ele declarou e eu suspirei tristemente, sabendo que nossa trégua momentânea havia acabado.

Outra discussão iria começar e eu sabia que, mais uma vez voltaríamos a estaca zero, caso meu pai não deixasse de lado seu machismo e autoritarismo.

De jeito nenhum eu ficaria longe de Edward e meu pai teria que entender isso, ou teríamos um sério problema a resolver.

Notas finais
GOSTARAM? EU ESPERO QUE SIM, POIS ESSE CAPÍTULO FOI MAIS DIFÍCIL DE ESCREVER DO QUE UM PARTO... KKKKKK NÃO ESTOU EM MEU MELHOR MOMENTO CRIATIVO E ESPERO QUE TENHA FICADO DO AGRADO DE TODOS. COMENTEM BASTANTE, POIS AS PALAVRAS DE VOCÊS SEMPRE ME ANIMAM E ME INSPIRAM. BEIJOS E ATÉ O PRÓXIMO!