Notas iniciais
BOA LEITURA, MENINAS!

Capítulo 20

POV. BELLA

A decepção era um sentimento bastante incomodo e doloroso, mas, por estar tão acostumada a passar por tantas dela desde a infância, eu as ignorava há bastante tempo.

Principalmente se estivessem relacionadas ao meu pai.

Eu chegara a acreditar que ele havia passado por alguma experiência sobrenatural nas últimas semanas que o fizera ver que seu machismo e preconceito não o levariam a nenhum lugar, mas depois de suas últimas palavras estava mais do que claro que Charlie Swan jamais iria mudar.

Aceitar Edward e meu bebê de forma verdadeira me faria vê-lo com outros olhos e, quem sabe, estabelecer com ele uma relação normal de pai e filha, como nunca tivemos nesses vinte e um anos de convivência.

Mas, ele não queria fazer as pazes comigo.

Charlie queria, mais uma vez, me dominar e isso eu não iria permitir.

Ele ainda olhava para meu rosto esperando por minhas palavras de aceitação, mas, ele estava redondamente enganado se achava que poderia limitar minha felicidade ao seu mundo obscuro e preconceituoso.

Charlie era meu pai e sempre teria meu amor e meu respeito, mas, não teria mais a minha obediência.

Segui-lo como um cachorrinho adestrado nunca fizera parte do meu comportamento usual, mas desde o momento em que eu me envolvera com Edward e descobrira que a vida era muito mais do que eu sempre acreditara, minha revolta contra as atitudes do meu pai crescera ainda mais.

Aquele cara, que de tão perfeito nem parecia real, me mostrou um mundo maravilhoso e eu não estava disposta a perdê-lo a fim de obedecer às ordens ridículas de um pai que tinha a mente aprisionada eternamente na idade média.

_ Você não vai falar nada?_ Charlie me perguntou altivo diante do meu silêncio prolongado e eu respirei fundo antes de lhe dizer tudo o que estava entalado em minha garganta.

Eu sabia que, a partir do momento em que eu abrisse minha boca, o pedido de desculpas de Charlie cairia por terra e nossa trégua não mais existiria.

Mas, se isso fosse necessário para finalmente me libertar de seus preconceitos, eu não me importaria, pois só assim, eu teria a chance de ser realmente feliz ao lado do cara que eu estava começando a amar mais do que qualquer coisa.

_ Eu irei sim voltar a Seattle. Eu irei sim continuar morando com Edward, meu namorado. E eu vou sim terminar esse semestre, pois ao contrário de você, eu não tenho vergonha do meu bebê._ Declarei pausadamente, fazendo-o me fitar incrédulo.

Acho que ele não esperava por isso.

_ Como é que é?

_ É isso mesmo que ouviu, papai. Minha vida está perfeita como está e eu não irei mudá-la para me submeter às suas vontades._ Eu falei com a voz elevada e vi seu rosto adquirir um tom vermelho, que indicava alto nível de irritação.

_ Mas, isso é um absurdo! Não vou permitir que me desafie dessa forma, mocinha!_ Ele gritou e eu sorri amargamente ao me dar conta que passei a vida toda ouvindo aquele tipo de frase.

_ Não estou desafiando-o, Charlie. Trata-se da minha vida e, portanto, eu decido o que é melhor para mim. No momento, estar em Seattle, ao lado de Edward, é o melhor. Ele é o pai do meu bebê, é meu namorado, me ama e me apoia, sendo que não existe a menor possibilidade de eu ficar longe dele._ Eu falei e Charlie bufou, socando o tampo da pia e me fazendo dar um pulo, assustada.

_ Aquele cara te enfeitiçou e só você não percebe isso. Ele não vai te fazer bem, Bella. Edward Cullen vai ser o pivô do seu fracasso...

_ Ele já me faz bem, pai. Edward, com gestos singelos, me mostrou o que é ser amada, respeitada, desejada... Ele é um cara legal e tem uma família incrível, que me recebeu como se eu tivesse feito parte dela a vida toda. Edward é bom, romântico, carinhoso, altruísta e tem tantas outras qualidades que nem parece ser real. Qualquer garota dessa cidade morreria para estar com ele. Qualquer pai se sentiria bem por entregar sua filha aos seus cuidados. Só você, com sua mente limitada, que não percebe isso._ Eu falei amargurada e ele me olhou com raiva, dando um passo em minha direção, me fazendo recuar.

_ Ninguém é tão perfeito assim, Bella... Um dia, os defeitos irão aparecer e eu quero ver se vai ter tanta consideração por seu namorado quando ele lhe deixar sozinha para criar essa criança que espera. Jacob é e sempre será o cara ideal para você e eu jamais vou deixar de repetir isso..._ Ele falou e foi minha vez de me sentir irritada com sua insistência para que eu namorasse Jacob.

Quando ele ia entender, de uma vez por todas, que aquele cara fazia parte do meu passado?

_ Se gosta tanto dele, se o considera tão perfeito, por que não pede ele em namoro? Iam formar um belo casal..._ Eu falei ironicamente e, antes que pudesse reagir, senti a mão de Charlie em meu rosto, desferindo em mim mais um de seus tapas humilhantes, fazendo com que eu me apoiasse na pia para não cair.

Lágrimas de ódio invadiram meus olhos e, de repente, sem que eu soubesse de onde surgiram, senti dois braços fortes ao meu redor, que me viraram em direção a um corpo quente, me permitindo chorar encostada em um peito largo e com um cheiro bastante conhecido.

Era Edward e eu não precisei ouvir sua voz irritada para ter essa certeza.

_ Nunca mais encoste um dedo nela..._ Edward falou para meu pai e eu não vi qual foi sua reação, já que estava de costas para ele, mas eu sabia que Charlie não ia admitir ouvir ordens do meu namorado.

_ Quem é você para me dar ordens? E o que está fazendo na minha casa? Suma daqui..._ Meu pai gritou e Edward respirou fundo, ignorando-o e levantando meu rosto em sua direção.

_ Você está bem?_ Ele perguntou, acariciando meu rosto afogueado e eu assenti, sem conseguir evitar com que mais lágrimas escorressem por meu rosto.

Ele me abraçou com força e eu me senti segura e amada, mesmo ainda estando sob a mira do olhar fulminante do meu pai.

_ Vai embora daqui, rapaz..._ Meu pai gritou e Edward o encarou seriamente.

_ Eu vou, senhor Swan, pois não gosto de estar em um ambiente onde existem outros homens que agridem mulheres. Mas, vou levar Bella comigo, pois não vou permitir que ela fique nem mais um minuto aqui...

_ Essa aqui é a casa dela._ Meu pai gritou e Edward respirou fundo, encarando-o com um ódio que eu nunca vira em seu olhar.

_ O senhor a expulsou daqui... Ou já se esqueceu disso? Mas, mesmo assim, ela resolveu voltar, por que queria estabelecer uma relação de amor com o senhor antes que nossa filha nascesse... Mas, ao que parece, o senhor não percebe a filha maravilhosa que tem e prefere ofendê-la e agredi-la. Portanto, não merece tê-la ao seu lado e eu estou levando-a comigo..._ Edward declarou, me puxando escada a cima para que eu pudesse pegar minhas coisas e eu fui, querendo sair o mais depressa possível daquela casa.

Minha mãe, como da primeira vez que eu saí de casa, apareceu chorando, implorando para que eu me acalmasse e conversasse com meu pai.

Mas, eu não queria falar com Charlie.

Pelo menos não agora e, infelizmente, mais uma vez, teria que fazer minha mãe sofrer.

_ Ela vai comigo, senhora Swan... Eu sei que você é mãe dela, mas eu não posso permitir que ela seja humilhada pelo pai, quando tem minha casa para ficar. Lá, todos a amam como alguém da família e jamais vão agredi-la. Eu vou cuidar muito bem da sua filha e garantir que ela te ligue todos os dias..._ Edward falou, carregando minhas malas para seu carro e eu o segui em silêncio, me sentindo extremamente exausta.

Minha mãe beijou meu rosto, garantindo que ia conversar com meu pai e seu sabia que a guerra iniciada naquela casa não teria fim tão cedo, já que dona Renée não parecia nada feliz com as atitudes do meu pai.

Só esperava que ele não a maltratasse.

Fechei os olhos quando Edward pôs o carro em movimento e respirei aliviada por estar indo para longe do meu pai.

Chorei em silêncio, me lamentando por um dia que começara tão bem, estar terminando de forma tão trágica.

Fizemos o caminho todo em silêncio e quando chegamos a sua casa, Edward me levou direto para seu quarto, insistindo para que eu me deitasse.

E foi o que eu fiz, mas insisti para que ele se deitasse comigo e me abraçasse forte.

E ele fez exatamente o que eu pedi.

E apenas seu apoio e seu extremo carinho foram capazes de me fazer esquecer o episódio de agora a pouco e me entregar ao cansaço que me tomava depois de tantas emoções.

**********

POV. EDWARD

No momento, a pessoa que eu mais odiava no mundo, chamava-se Charlie Swan e era um dos policiais mais respeitados de Forks, mas que não entendi nada a respeito de como tratar uma mulher.

Não dava para explicar a raiva que eu sentira ao ver Charlie batendo na minha princesa.

Minha vontade era agredi-lo da mesma forma, para que ele sentisse a dor e a humilhação que estava fazendo sua filha passar.

Respirei fundo, tentando me acalmar e beijei o rosto da minha princesa, enquanto me recordava do momento em que eu a encontrara arrasada na cozinha de sua casa.

Não era para eu estar lá.

Acontece que, ao chegar na casa dos meus pais, notei que a bolsinha onde Bella guardava seus remédios e vitaminas tinha ficado no carro e eu resolvi que, logo após o almoço, iria levar para ela, já que minha princesa não podia ficar sem esses medicamentos.

É claro que isso era apenas uma boa desculpa para vê-la, mas eu não conseguia evitar.

Eu gostava demais daquela garota e tudo o que eu queria era estar ao seu lado todas as horas do meu dia.

Terminei de almoçar e fui para a casa da família Swan, mesmo depois da minha mãe me pedir mil vezes para eu deixa-la passar um final de semana tranquilo com seus pais.

Eu sei que Bella precisava de espaço e que, para o bem de nossa relação, precisávamos conviver com outras pessoas além de nós mesmos, mas algo me dizia que eu precisava estar com ela naquele momento.

E eu não estava errado, afinal.

Quando estava perto da porta, ouvi o som de vozes alteradas e entrei, sem nem mesmo tocar a campainha.

E, para meu ódio e desespero, assim que coloquei os pés na cozinha, vi Charlie acertando o rosto de Bella com um tapa violento.

Para que ele quisera trazê-la para casa?

Para agredi-la?

Pois se fosse assim, ele nunca mais se aproximaria dela.

Eu não ia permitir que ninguém tocasse em minha princesa para machucá-la.

Ela já passara por tanta coisa desde que descobrira sobre sua gravidez e tudo o que ela precisava agora era de calma para curtir os meses que precediam o nascimento tão esperado de nossa filha.

E eu estaria ao seu lado para garantir que nada fosse capaz de manchar esse momento tão especial para nós dois.

Suspirei pesadamente e beijei seus cabelos, apertando-a levemente em meus braços.

Era ali que ela tinha que estar... Protegida e amada... Comigo.

Ela parecera tão frágil enquanto eu a trazia para casa, que minha grande vontade era de escondê-la do mundo, para que ninguém pudesse lhe fazer mal outra vez.

Aconcheguei seu corpo delicado em meus braços e inspirei o cheiro doce dos seus cabelos, adorando tê-la ali comigo.

Eu estava me torturando por me imaginar longe dela durante todo o fim de semana, querendo até mesmo invadir sua janela, que agora, a única coisa que eu poderia fazer era aproveitar sua companhia.

Deixei que o cansaço das últimas horas embalasse meu corpo e aproveitei para tirar um cochilo, já que eu tinha minha princesa exatamente onde eu queria: nos meus braços.

**********

ALGUMAS HORAS DEPOIS...

Meus pais haviam saído para um jantar na associação médica de Forks e eu aproveitei que a casa estava vazia para preparar um jantar para minha princesa, como já fizera várias vezes em Seattle.

Afinal, apesar da briga com seu pai, hoje conhecemos nossa filha e esse fato merecia ser comemorado com classe.

Sorri largamente ao me recordar da imagem borrada que eu tivera da nossa filha naquela manhã.

Eu jamais iria me esquecer da sensação que tomara meu corpo quando eu ouvira o som do seu coração, tão forte, rápido e lindo.

Aquele som a tornou ainda mais real, marcando minha vida de maneira irremediável.

Eu não via a hora de ter minha bonequinha correndo pela casa, me chamando de papai e alegrando meus dias com aquela alegria típica de toda criança.

Senti braços pequenos rodeando minha cintura e sorri, me virando na direção de minha princesa e dando-lhe um beijo no topo da cabeça.

_ Olá, dorminhoca..._ Eu provoquei e ela fez uma careta, esfregando o rosto em minha camisa.

_ Eu estava cansada... Aliás, eu ando sempre cansada. Nossa filha suga todas as minhas energias..._ Ela falou, fazendo uma careta linda e eu sorri, beijando seus lábios.

_ Então, a senhorita admite que está grávida de uma menina?

_ Você insiste tanto nisso, que eu já estou convencida. Não consigo me imaginar dando a luz a um menino.

_ Se você me der tempo, posso providenciar o menino..._ Eu falei piscando para ela de maneira maliciosa, que corou lindamente e escondeu o rosto no meu peito.

_ Deixa-me ter esse bebê primeiro... Depois, falamos dos próximos..._ Ela resmungou e eu ri, feliz por ouvi-la falando da possibilidade de termos mais filhos um dia.

Isso significava que ela pretendia ficar comigo durante muito tempo e é claro que, um dia, eu a lembraria de suas palavras, cobrando-a de sua promessa de ficar ao meu lado.

_ Certo... Agora, vá tomar um banho, enquanto eu termino nosso jantar._ Eu falei e ela sorriu, espiando dentro da panela.

_ O que você está cozinhando? Seus pais vão jantar com a gente?

_ Estou fazendo Nhoque. E não, meus pais não vão jantar com a gente. Eles foram num jantar na associação médica e, se eu entendi direito, vão esticar a noite em um hotel em Port Angeles..._ Eu declarei e Bella me olhou espantada, enquanto roubava um pouquinho do molho que eu preparava.

_ Esticar a noite?_ Perguntou em dúvida e eu ri, abraçando-a outra vez e beijando seu pescoço.

_ Sim... Esticar a noite, fazer amor, transar... Essas coisas que casais fazem._ Eu declarei, tentando conter o riso a todo custo quando vi sua expressão de incredulidade e seu rosto corado.

A timidez dela me fascinava.

_ É tão estranho pensar que nossos pais fazem essas coisas...

_ Os seus, não fazem..._ Eu declarei e ela me olhou com atenção, entre espantada e irritada.

_ Por que diz isso?

_ Por que se seu pai tivesse uma vida sexual, não seria tão amargurado..._ Eu falei de maneira seca e ela suspirou, se afastando de mim e recostando-se na bancada da pia com os braços cruzados, me encarando seriamente.

_ Eu não sei como anda a vida sexual dos meus pais, Edward... Na verdade, eu nem gosto de pensar nisso. Mas, o problema de Charlie não tem a ver com sexo e sim com o machismo. Ele quer controlar a vida de todos que estão a sua volta e não aceita ser contrariado._ Ela falou tristemente e eu suspirei.

_ Eu não gostei de vê-lo agredindo-a. Não gostei nem um pouco._ Eu resmunguei e minha princesa sorriu tristemente.

_ Eu também não gostei de ser agredida, Edward, mas, Charlie não é um homem usualmente agressivo... Eu o provoquei e, de certa forma, mereci o tapa que levei.

_ Eu não acho isso... Eu não escutei a discussão que vocês tiveram, mas eu acho que nada justifica o fato de ele ter te batido. Você está grávida, Bella..._ Eu falei revoltado e ela baixou o olhar, parecendo envergonhada.

_ Eu falei para ele namorar o Jacob..._ Bella murmurou e eu paralisei, olhando-a com atenção.

_ Como?

_ Ele disse que jamais iria se conformar com o término do meu namoro com Jacob. Então, eu falei para meu pai namorá-lo, já que o achava tão perfeito e... Bem, ele se irritou..._ Ela explicou e eu fiquei encarando-a por longos segundos, antes de cair na gargalhada.

Imaginar a cena que Bella descrevera era simplesmente hilário...

_ Posso saber do que você está rindo?

_ Por que imaginar essa cena é simplesmente engraçado demais._ Eu falei e ela acabou rindo também.

_ Eu me irritei com a insistência dele a respeito desse assunto. Eu não quero mais nada com o Jacob e acho que ele tinha que respeitar minha vontade... Até por que, eu estou grávida de outro cara e não pretendo, de forma alguma, ficar longe dele..._ Ela declarou e eu sorri largamente ao ouvir sua última frase.

Bella ainda não havia dito que me amava, mas suas atitudes mostravam que ela gostava muito de mim e que nosso relacionamento tinha futuro, uma vez que a cada dia que passava ele ficava sólido.

_ Eu também não pretendo ficar longe de você, minha princesa. Eu passei horas me lamentando por não poder ficar com você durante esse fim de semana e, apesar de não gostar que sofra desentendimentos com seu pai, eu estou muito feliz por tê-la aqui._ Eu falei, abraçando-a e ela suspirou, rodeando meu corpo com seus braços pequeninos e descansando sua cabeça em meu peito.

_ Eu também estou muito feliz por estar aqui com você. Mas, como estou com muita fome, vou deixá-lo terminando o jantar e vou tomar um banho._ Bella declarou, beijando meu rosto e dirigindo-se para o andar de cima e eu fiquei ali, terminando nossa comida com um sorriso bobo nos lábios e ansioso para tê-la ao meu lado mais uma vez.

**********

_ Humm... Isso está divino..._ Bella falou, servindo-se de mais um pedaço do Nhoque de forno que eu preparara e eu ri de seu entusiasmo com a comida.

_ Obrigado, senhorita... Estou a sua disposição sempre que quiser comer algo diferente..._ Eu falei e ela sorriu.

_ É bom saber disso, Dr. Cullen, por que com a fome que eu ando ultimamente, pratos diferentes, de preferência italianos, são tudo o que eu preciso.

_ E os enjoos?

_ Só aparecem pela manhã. Mas, quando me recupero deles, tudo o que eu quero é comer, comer, comer..._ Bella falou, fazendo uma careta adorável e eu ri.

_ Desse jeito, ao fim dessa gravidez, eu terei uma filha linda e uma namorada gordinha..._ Eu falei rindo e Bella parou de comer, me olhando preocupada.

_ Se eu engordasse muito, você iria me trocar por outra garota magrinha?_ Bella perguntou, parecendo insegura e eu sorri, acariciando sua mão que estava pousada sobre a mesa.

_ Eu jamais trocaria você por qualquer outra mulher, minha princesa, mesmo que você viesse a pesar duzentos quilos. Eu te amo, Bella... Seu corpo, sua beleza, suas curvas... Isso são coisas que te fazem ser você e, portanto, eu os amaria em quaisquer proporções que tivessem._ Eu declarei suavemente e vi uma lágrima solitária escorrer por seu rosto.

_ Eu não mereço você..._ Ela sussurrou e eu ri, levantando-me e indo até sua cadeira para poder abraça-la.

_ É claro que merece, princesa... Eu sei que sou gostoso e lindo, mas você é mais tem mais adjetivos do que eu serei capaz de acumular em uma vida, o que a torna bastante especial e perfeita para mim._ Eu falei, enxugando suas lágrimas e ela fungou, me encarando seriamente.

_ Gostoso e lindo?_ Ela perguntou debochada, erguendo a sobrancelha e eu ri, assentindo de leve._ Você se esqueceu do modesto, Edward...

_ Mas, eu sou modesto, amor, por que deixei de fora muitas outras características marcantes que eu tenho...

_ E quais seriam elas?

_ Cheiroso, inteligente, bom de cama, ótimo beijador... Essas coisas..._ Eu falei inocentemente e ela gargalhou, apertando minhas bochechas de leve.

_ Você é fofo também, Edward... Mas, quanto ao bom beijador e bom de cama... Bem, só eu posso te dar notas nessa categoria. Não acho que sua opinião conte nesses casos...

_ Claro que conta... Afinal, eu tenho guardado na minha memória cada suspiro, cada palavra e cada gemido seu enquanto estava em meus braços. E eu sei que foram de prazer. _ Eu declarei e ela corou.

_ Edward!_ Protestou, batendo em meu ombro e eu ri, beijando-a levemente.

_ O que me diz? Concorda ou não que eu sou doutor nessas categorias?_ Eu provoquei e ela revirou os olhos, levantando-se e começando a levar a louça suja para a pia.

_ Quantos anos você tem? Quinze? Não acredito que estou sendo questionada quanto ao seu desempenho na cama... Isso é tão coisa de garoto do ensino secundário..._ Ela resmungou e eu sorri, me aproximando de seu corpo e abraçando-a.

_ Por que você não admite que adora fazer amor comigo? Por que não diz em voz alta que quando está nos meus braços eu a transporto para lugares que você nunca pensou que pudessem existir?_ Eu provoquei e ela estremeceu, me fazendo sorrir contra a pele do seu pescoço.

_ Edward, essa conversa é tão estranha...

_ Por quê?

_ Por que eu não me sinto a vontade em falar de nossa vida íntima dessa forma...

_ Eu não vejo problemas nisso... Quero apenas que você diga que eu sou o único homem capaz de levá-la às estrelas e além. Mesmo que você não se lembre de todos os nossos momentos juntos, eu sei que aqueles que estão guardados na sua mente são especiais e foram extremamente prazerosos... Pelo menos para mim foram..._ Eu declarei e ela respirou fundo, antes de se virar em minha direção e me encarar seriamente.

_ Eu me lembro de cada momento ao seu lado. Cada beijo, cada toque, cada carinho... E se isso te faz feliz, sim... Os momentos passados nos seus braços são os melhores da minha existência. Com você, eu descobri prazeres que eu jamais imaginei que existissem... Você me faz feliz, Edward e um dia, não muito longe, eu vou poder dizer as palavras que eu sei que você espera..._ Bella falou emocionada, acariciando meu rosto com suavidade e eu suspirei, tentando decifrar a verdade por trás de suas palavras.

“Eu me lembro de cada momento ao seu lado. Cada beijo, cada toque, cada carinho”...

Foi o que Bella acabara de dizer e só de me lembrar de suas palavras sentia meu coração bater mais forte.

Fiquei pensando se sua afirmativa indicava que ela havia finalmente se lembrado de nossa primeira vez.

Eu sonhava com o dia em que essas lembranças voltariam para sua mente, mas simplesmente não tinha coragem de lhe perguntar se isso já havia acontecido, pois temia que, no caso de uma resposta negativa, o meu ego fosse ferido mais uma vez.

Por isso, me mantive em silêncio, enquanto Bella ainda me encarava.

_ Satisfeito?_ Ela perguntou baixinho e eu sorri, abraçando-a e enterrando meu rosto em seus cabelos úmidos.

_ Muito... Só o fato de tê-la ao meu lado faz de mim o homem mais satisfeito desse mundo. Eu te amo, minha princesa..._ Eu murmurei e ela suspirou tristemente, fazendo com que eu interrompesse nosso abraço para poder olhá-la nos olhos._ E vou esperar o tempo que for preciso para ouvir essa declaração dos seus lábios._ Eu declarei e ela sorriu, se inclinando em minha direção e beijando meus lábios com extrema delicadeza.

_ Obrigada por ser tão perfeito e por ter tanta paciência comigo...

_ Disponha, senhorita..._ Eu falei, beijando-a outra vez e depois de alguns minutos agarrados, o desejo tomou conta de nossos corpos, fazendo com que eu a levasse para o sofá e fizesse amor com ela ali mesmo.

E mais uma vez, Bella se entregou aos meus carinhos, gemendo e suspirando a cada toque e a cada beijo que trocávamos, me fazendo perceber o quanto éramos perfeitos juntos.

E isso não era clichê...

Era uma doce realidade.

Bella havia nascido para mim e, no que dependesse dos meus esforços, jamais sairia do meu lado.

Depois do amor, nos deitamos no tapete felpudo que cobria o chão da sala e ficamos ali trocando carinhos, até que nossos corações e nossa respiração foram voltando ao normal.

_ Se seus pais entram aqui agora, acho que nunca mais terei coragem de encará-los..._ Bella comentou e eu ri, beijando sua testa.

_ Eles vão dormir fora, amor... Além do mais, eles iriam entender que quando eu estou ao seu lado o quarto torna-se o lugar mais distante do mundo._ Eu falei e ela riu, beijando meu peito.

_ O que você acha de nos vestirmos e arrumarmos a bagunça da cozinha? Depois, podemos assistir um filme e aproveitar o resto da noite... O que acha? _ Bella perguntou e eu suspirei, levantando-me e jogando seu vestido em sua direção.

_ Mas, vista-se logo, antes que eu a proíba e a faça lavar a louça nua..._ Falei brincando e ela revirou os olhos, se vestindo e seguindo na direção da cozinha.

E em menos de uma hora, em meio a risos, brincadeiras e beijos roubados, finalmente terminamos de lavar a louça e arrumar a bagunça da cozinha.

Depois, tomamos um banho na banheira do quarto dos meus pais e fomos para o meu quarto assistir TV.

Eu achava interessante o gosto para filmes da minha namorada que, ao invés de preferir romances e dramas sem açúcar, gostava mais de um bom filme de ação ou terror, sendo que ela nem piscava ao ver fantasmas e assassinos aparecendo na tela.

Eu gostaria que ela tivesse aqueles ataques de medo, para que eu tivesse um bom pretexto para abraçá-la, mas, aparentemente, Bella tinha mais coragem do que aparentava.

Como o dia fora cansativo e a história do filme estava monótona, eu acabei cochilando, acordando apenas quando Bella sentou-se sobre meu colo e passou a dar beijos suaves por toda a extensão do meu rosto.

_ Acorda, dorminhoco... Vamos para a cama...

_ Cama?_ Perguntei animado e ela riu.

_ Cama sim... Mas, para dormir. Já fizemos amor duas vezes hoje e eu estou cansada..._ Ela declarou e eu suspirei tristemente, me sentindo como uma criança que acabava de ter seu doce preferido roubado.

Mas, Bella estava grávida e eu precisava respeitar o seu limite.

Fomos juntos para o quarto e, depois de fazermos nossa higiene noturna e trocarmos alguns beijos deliciosos, nos deitamos juntos, adormecendo logo em seguida.

No dia seguinte, após o café, saímos para caminhar com Boris, que estava tão feliz em nos ver, que foi difícil contê-lo.

Meu amigão sempre gostara muito da Bella e eu o entendia perfeitamente, já que compartilhava do mesmo sentimento que ele.

Encontramos alguns amigos durante nosso passeio que pareceram surpresos ao saberem que estávamos juntos, mas eu não me deixei abalar por seus olhares e palavras maldosas, me sentindo muito orgulhoso e satisfeito por ter Bella ao meu lado, como minha namorada.

Eu notava que Bella ficava um pouco desconfortável com os olhares de algumas pessoas que sempre a viram acompanhada de Jacob, mas nessas horas eu procurava segurar sua mão e transmitir-lhe apoio, mostrando-lhe que eu estava ao seu lado e não iria sair dali.

Quando finalmente voltamos para casa, meus pais já esperavam por nós com o almoço praticamente pronto e, após a refeição, Bella e eu começamos a arrumar nossas coisas para voltarmos a Seattle, já que na manhã seguinte, eu estaria de plantão.

Nos despedimos dos meus pais no fim da tarde e quando chegamos em Seattle, encontramos o apartamento vazio.

_ Parece que Alice e Emmett não tem casa..._ Bella comentou e eu ri, levando nossas coisas para o quarto.

_ Eles são assim mesmo... Preferem estar na casa dos namorados do que aqui. Mas, eu acho ótimo. Pelo menos assim, temos privacidade._ Eu falei, piscando em sua direção e ela riu, dirigindo-se para o banheiro.

Eu a segui e, como não podia ser diferente, acabamos transando embaixo do chuveiro, para só depois irmos até a cozinha e preparar uma macarronada para o jantar.

Dormimos cedo, logo após terminar a arrumação da cozinha e, na manhã seguinte eu saí antes que minha princesa acordasse.

Deixei um bilhete de despedida e prometi que a noite estaria com ela outra vez, desejando-lhe um excelente dia e recomendando-lhe que comesse corretamente.

Antes de ir para o hospital, passei pelo laboratório que meu pai indicou e marquei o exame de Sexagem Fetal para daqui a três dias, me sentindo ansioso para finalmente confirmar que Bella estava grávida de uma menina linda.

Depois, me concentrei no trabalho, já que o hospital naquele dia estava uma grande loucura.

Nos dias de plantão, eu desligava meu celular, pois caso um dos professores nos visse atendendo a qualquer chamada, que não fosse do hospital, seríamos residentes mortos.

Por isso, me assustei um pouco, quando notei que havia quinze ligações perdidas da minha mãe, algumas de Alice e até do meu pai, sentindo meu corpo gelar ao pensar que algo grave poderia ter acontecido com minha princesa ou com nossa filha.

_ Mãe?_ Falei preocupado, assim que ela atendeu ao telefone e a ouvi suspirar, parecendo um pouco irritada.

_ Se minha vida dependesse do senhor atender ao telefone eu estaria perdida, não é Edward Cullen?_ Ela falou exasperada e eu sorri.

_ Eu estava de plantão, mãe e você sabe que não podemos atender ao telefone a qualquer momento. Mas, o que te fez me ligar tantas vezes assim?

_ Ah... Claro... Eu te liguei por que tenho uma excelente notícia..._ Ela falou animada e eu respirei aliviado por constatar que nada de errado havia acontecido com Bella ou com nossa filha.

_ Que notícia?

_ Hoje pela manhã, você recebeu uma carta de Harvard e, como sou sua mãe, me dei o direito de abri-la e bem... Trata-se de uma carta de aceite, filho... Você foi aceito com honras para terminar a residência lá... Isso não é ótimo? Eu acho incrível e... _ Minha mãe continuou falando, mas eu já não ouvia.

Harvard?

Carta de aceite?

Me lembrei de que quando Bella e eu nos desentendemos, logo após nossa primeira vez, eu enviei um requerimento para Boston, querendo mais do que nunca sair de Forks para que assim, pudesse esquecê-la.

Mas, depois de tudo o que acontecera, eu me esquecera completamente disso e não queria ir para lugar nenhum que me deixasse longe da minha princesa.

Se eu não conseguia me imaginar um final de semana sem ela, o que seria da minha vida se eu tivesse que morar em outro estado, a mais de três mil milhas de distância?

Isso era impossível!

_ Edward? Ainda está aí?_ Minha mãe perguntou, certamente estranhando o meu silêncio e eu respirei fundo, antes de responder.

_ Sim, mãe... Só estou surpreso. Havia me esquecido de Harvard...

_ Mas, eles não se esqueceram de você, meu amor e amanhã, estou indo para Seattle, a fim de resolvermos os detalhes de sua mudança. Essa residência vai fazer maravilhas com o seu currículo, meu filho..._ Minha mãe falou, ainda mais animada e eu suspirei, sabendo que teria que decepcioná-la.

Eu não iria para Boston.

Não sem minha princesa.

Mas, agora, o difícil seria convencer minha mãe desse fato.

Que Deus me ajudasse!

Notas finais
GOSTARAM? O QUE ACHARAM DA ATITUDE DE BELLA E EDWARD COM RELAÇÃO A CHARLIE? POR QUE SERÁ QUE BELLA NÃO DISSE A EDWARD QUE SE LEMBROU DA PRIMEIRA VEZ DELES? SERÁ QUE EDWARD VAI OU NÃO PARA HARVARD? MENINAS, OBRIGADA PELOS INÚMEROS COMENTÁRIOS E PELA PACIÊNCIA COM A DEMORA DAS POSTAGENS. SAIBAM QUE EU LEIO CADA PALAVRA QUE VOCÊS ME ESCREVEM E SÓ NÃO RESPONDO CADA COMENTÁRIO POR FALTA DE TEMPO, JÁ QUE TRABALHO E ESTUDO E USO MEUS MOMENTOS VAGOS PARA PREPARAR CAPÍTULOS NOVOS. E UM BEIJO ESPECIAL PARA ERICKA PATTZ QUE RECOMENDOU A FIC... OBRIGADA FLOR. COMENTEM BASTANTE, MINHA GENTE. ATÉ O PRÓXIMO GALERA... BEIJOS!