Journey
28 Veintiocho
Notas iniciais
[Sexto Andar]
"Ok, Dean, não tem nada de mais. Aquele dia foi muito confuso, é claro que o Cas não vai se importar." Dean pensava consigo mesmo enquanto andava até a porta do quarto de Sam, com o bilhete de Gabriel numa mão e um embrulho da starbucks na outra "Foi só um beijo que não significou nada. Você vai explicar e ele vai entender. É. É isso."
Ia bater na porta, quando caiu em si.
– Nossa, o que eu tô fazendo? — apoiou o embrulho da starbucks no chão e abriu o bilhete depressa — O que esse louco quer com meu irmão? Hm. HMM. Rá. Muito bom. Lual na praia sexta feira. Até parece.
Dean guardou o bilhete no próprio bolso e deu meia volta para pegar o elevador.
[Estúdio]
– Muito bom, meninas! — Gabriel falou para a banda que saía — Amanhã no mesmo horário, tá? Só que dessa vez vai ser no palco mesmo, no pátio do hotel.
– Pode deixar. — Anna acenou e foi embora com as outras garotas da sua banda.
Gabriel congelou um sorriso até que a porta do elevador se fechasse. Depois, deu um longo suspiro e se jogou na cadeira da mesa de som.
– Eu não acredito que tem mais seis bandas pela frente.
– Pelo menos essa é a fase final, as bandas são melhorzinhas. — Castiel disse
– Eu sei, mas... Ai, eu queria sair mais cedo. A vida é muito curta para desperdiçar um dia de sol desses enfurnado numa sala.
– Isso porque você mora aqui. Pense nas pessoas que trabalham longe de casa.
– Senhor! Deixa eu reclamar em paz, Castiel. — Gabriel deu um empurrão de leve no irmão — Vai ser otimista longe de mim, vai.
[Sala do Balthazar]
– Aqui, garoto. — Balthazar estendeu um papel a Dean — Não tenho certeza do número da sala do costureiro, mas o endereço é esse aqui.
– Obrigado. — Dean tentou puxar o papel da mão de Balthazar, mas ele não queria soltá-lo. Dean olhou para sua cara, confuso.
– Você resolveu trabalhar de graça pra subir no meu conceito? — apertou os olhos e encarou Dean
– Eu...
– Porque se foi isso, saiba que está funcionando.
– Que bom. — Dean deu seu sorriso nervoso, finalmente conseguindo arrancar o papel da mão do outro — Eu vou indo, então. — virou-se para a porta de saída
– Ah, mais uma coisinha. — e virou-se de volta para Balthazar — Nunca mais entre nessa sala sem ser chamado. O Castiel e o Gabe sabem que nada de bom acontece com quem faz isso.
– Certo. — Dean riu sozinho, pois Balthazar estava muito sério. Engoliu em seco e saiu.
[Estúdio]
– Cassie, você ouviu esse barulho? — Gabriel levantou da cadeira com um pulo
– Eu escuto muitos barulhos o tempo todo, de qual exatamente você tá falando? — coçou a cabeça
– O barulho do Sam chegando. — Gabriel falou e Castiel franziu o cenho — O barulho do elevador, homem. É hora da banda dele. Se situa.
– Errou por quatro anos de diferença. — Dean adentrou o estúdio com o embrulho da starbucks — Aqui seu café. — tirou o copo com o seu próprio nome escrito e entregou para Gabriel
– Não! Que droga, você estragou tudo, Deano. — Gabriel disse, sem nem mesmo provar o café, apenas encarando o copo
– Porra nenhuma que eu estraguei! — Dean cruzou os braços — Café com leite, sete gotas de adoçante. Tá tudo certo sim.
– Mas eles escreveram o seu nome no copo! Era pra ter dado o meu nome. — suspirou alto — Agora não vai dar pra tirar foto e postar no Instagram, nossa, muito obrigado.
Dean revirou os olhos, enquanto Cas achava graça de tudo.
– Ah, Cas — Dean tirou outro copo de dentro do embrulho — Eu trouxe o seu Chai Latte.
– Nossa, Dean — Cas tomou o copo em suas mãos — Obrigado! Você se lembrou que eu gosto de Chai Latte.
– É, pois é, nada de mais. — virou os olhos pra baixo
– Ai não, era só o que faltava. Não vou tolerar vocês sendo fofos na minha frente. — Gabriel largou o copo na mesa e foi empurrando Dean até o elevador — Vai terminar suas tarefas que eu não tô te pagando pra ficar flertando com o meu assistente, tá?
– Você não tá me pagando...
[Quarto do Sam]
– Nem morto — Sam falou do banheiro, com uma escova de dentes na boca — Eu não vim aqui pra tocar bateria — cuspiu na pia e apontou para Lucy com sua escova — e a sua voz não é exatamente melódica. Sem ofensa.
– Mas é pela banda, Sam! — Lucy argumentou — Se os White Stripes tocavam só com guitarra e bateria, a gente também consegue.
– Acho mais fácil trazer a Ruby de volta.
– Boa sorte com isso. Duvido que alguém consiga tirar aquela lá do quarto. — encostou o ouvido na parede — Ela nem tá fazendo barulho nenhum, você acha que ela tá viva?
– Cala a boca, é claro que ela tá.
Sam terminou de se arrumar e os dois foram para a porta do quarto ao lado. Lucy deu uma batida de leve na porta e não houve nenhuma reação.
– Bate mais forte. — Sam o fitou preocupado
Lucy bateu um pouco mais forte e dessa vez, foi respondido com uma batida horrivelmente alta vinda da parte de dentro, fazendo a porta tremer.
– É, ela tá viva sim. — Lúcifer constatou
[Sala do Costureiro]
"Talvez o Cas não precise saber" Dean refletia mais sobre a coisa toda com a Anna "porque dessa forma, eu mostro que não significou nada. É. Eu não vou contar. Eu até já esqueci, na verdade."
Um homem alto e magro, com um terno perfeitamente alinhado, saiu de trás de uma cortina, carregando quatro caixas cheias de roupas.
– Hm — ele olhou Dean de cima a baixo — Você é o Gabriel?
– Não, mas foi ele que me mandou aqui.
– Ah, claro. Você trabalha pra ele?
– Sim. — Dean respondeu com desgosto — Posso levar logo, moço?
– Não quer conferir se está tudo certo? — o homem falou, já abrindo a caixa de cima.
– Não precisa, não vai fazer muita — Dean tentava explicar, enquanto o homem tirava um cocar indígena lá de dentro — diferença... Será que isso tá certo?
O homem deu de ombros e riu.
– Você quer ver as outras?
– Sim. Por favor. — Dean disse, num tom muito preocupado
[Estúdio]
– Desculpa a demora, Gabriel. — Sam falava, enquanto Lucy já estava na sala de vidro, fazendo os ajustes de costume na sua guitarra — A gente tava tentando chamar a Ruby. — suspirou. Aquela situação toda estava lhe deixando fisicamente cansado.
– Você deve estar muito decepcionado com ela, não?
– Na verdade, eu acho compreensível. — Sam disse. Foi possível ouvir uma risada abafada de Lucy ao fundo. Sam pigarreou, ignorando-o. — Por insegurança as pessoas se agarram a essa coisa de amuleto da sorte, sabe. É tipo o meu irmão com a guitarra dele, aquela que eu quebrei por acidente. A propósito, — virou-se para Castiel — eu não sei o que você tá fazendo, mas o Dean nunca mais reclamou da guitarra. Honestamente, eu nunca vi meu irmão tão tranquilo.
Castiel sorriu e deu dois tapinhas nas costas de Sam.
[Recepção]
"NADA DE PÂNICO, DEAN. NADA. DE. PÂNICO." tinha monólogos internos enquanto aguardava o homem da recepção checar se não tinha nenhuma encomenda para Gabriel "Mas também, se o Cas terminar com você por causa da coisa com a Anna, qual diferença faz?"
– Senhor? — o homem da recepção tentava chamar a atenção de Dean
"Você já vai embora depois de sábado mesmo. E aí vocês nunca mais vão se ver. Vai ser uma memória triste de qualquer jeito."
– Senhor, a encomenda!
"Mas nossa, ia ser um jeito muito merda de se despedir. Droga, nada de despedidas sentimentais, tá? Continue sendo sério, Dean, você é um cara sério."
– Está tudo bem com o senhor?
"Talvez você deva usar um terno sábado. Ternos são bem sérios. Exceto pelo fato de que você não trouxe roupa nenhuma além..."
– Senhor! — o homem da recepção deu um peteleco no rosto de Dean, que acordou de seus devaneios, bastante chocado
– Q-que porra foi essa?
– Desculpe, o senhor estava me assustando. — o homem falou — Aqui está sua encomenda.
Dean pegou e saiu olhando feio para o homem, sem agradecer.
[Estúdio]
– Chega! Chega, gente. — Sam parou de cantar e interrompeu o ensaio no microfone — Obrigado pela ajuda, Castiel, mas não tem sentido nenhum ensaiar sem a Ruby, já que quem vai tocar sábado é ela.
– Não só sábado, amanhã também. — Castiel respondeu — Amanhã é o ensaio no palco do evento.
– É sério? — Lucy olhou para o teto, sarcasticamente radiante — Estamos fodidos!
– Mas olha, o Castiel pode tocar com vocês, não tem problema. — Gabriel deu de ombros e sorriu — Esse festival é nosso, a gente faz o que quiser.
– Tá, já chega disso Gabriel. — Castiel levantou-se da bateria e saiu da sala de vidro para falar com o irmão — Seria muito legal se por um milagre — piscou o olho exageradamente — a Ruby achasse as baquetas dela.
– O que você quer dizer com isso?
– Aposto que o Sam seria eternamente grato a você. — deu uma cotovelada em Gabriel, que olhou para dentro do vidro, onde Sam passava as dedos pelos cabelos de preocupação.
– Você acha? — olhou para o chão, derrotado. Deu dois goles no café e pegou o microfone da mesa de som — Meninos, eu estava aqui pensando e... eu acho que tem um lugar que a Ruby esqueceu de procurar.
Fale com o autor