Journey

29 Veintinueve


Notas iniciais
Gente, que semana corrida. Eu quase derramei coca cola no meu histórico escolar e depois eu perdi ele, tirei segunda via, etc. Mas o que isso tem a ver com a fic? Nada. Então é, vamos ao capítulo, espero que esteja bom!

– Sério que você escondeu na seção de Achados e Perdidos? — Dean sussurrou para Gabriel, encostado na porta — Genial! Sinceramente.

– Disfarça, homem. — Gabriel deu-lhe uma cotovelada — Mas obrigado. Eu sou genial mesmo. Mas o que você tá fazendo aqui? Já terminou suas tarefas, é?

– Positivo. Eu vim te procurar porque eu não sei onde guardar essas caixas de roupa e as suas encomendas.

– Shh, espera, acho que ela achou...

A atenção de todos estava em Ruby, que analizou as baquetas, jogou uma delas para cima, pegou de volta, olhou mais um pouco e confirmou.

– São essas mesmo. — todos na sala compartilharam um suspiro de alívio — Eu só não entendo como elas vieram parar no Achados e Perdidos, tipo, elas não saíram do meu quarto.

Gabriel tossiu.

– Você é muito otária mesmo. — Lucy falou, encostado num canto, de braços cruzados — Achados e Perdidos é o primeiro lugar que se olha.

– Cala a boca, seu babaca. Você também não pensou nisso.

– Porque eu não tinha interesse nenhum em procurar, ainda mais por um motivo tão ridículo e infantil...

– Continua falando, vai — ela se aproximou e apontou uma das baquetas pra cara dele — Continua falando que eu enfio isso daqui no...

– Sem briga, gente! — Sam separou os dois — O importante é que a Ruby reencontrou as baquetas dela e tá tudo bem de novo, não é verdade?

– É, tanto faz... — Lucy falou e Ruby apenas deu de ombros

– Ei, você não vai dizer obrigada pro Gabriel não? — Sam falou

– Pode deixar, mãe, eu não esqueci meus modos. — aproximou-se de Gabriel e deu-lhe um beijo na bochecha — Valeu mesmo, carinha, foi bem gentil da sua parte me ajudar.

– Acostume-se, querida, eu sou legal assim mesmo. — riram um para o outro. Gabriel congelou um sorriso e esperou até não ter mais ninguém na sala além de Dean para começar a limpar a bochecha freneticamente.

– Eca, eca, eca. Álcool gel! Rápido, Deano!

– Meu Deus, você é muito dissimulado.

– Como você consegue ficar calmo quando tem germes de Ruby no ambiente? Argh.

– Para de chilique, Gabriel. — disse quase no mesmo instante que o outro puxou a ponta de seu casaco e usou para limpar a bochecha — Cara... Você limpou os germes da Ruby em mim?

Sam apareceu de novo na sala e os dois rapidamente voltaram a agir de acordo com as suas respectivas idades.

– Desculpa, mas a gente deve continuar o ensaio hoje ou...?

– Poxa, acho que vamos ter que deixar pra amanhã agora. — Gabriel olhou a hora no celular — Desculpa, Sammy, eu tô muito enroladíssimo e já tá na hora da outra banda. — suspirou — Desculpa mesmo. Mas vejo você amanhã?

– No ensaio do palco externo? Claro!

– Não... — Gabriel virou os olhos sem jeito — A outra coisa...

– Que outra coisa? — Sam levantou uma sobrancelha. Os três ficaram se entreolhando muito confusos por uns cinco segundos.

– Ah! — Dean começou a entender o que estava acontecendo

– Você não entregou? — Gabriel começou a metralhá-lo com o olhar — Um bostinha. É isso que você é, Dean. É isso que você é. Argh! Entrega o bilhete, agora!

Muito contrariado, Dean tirou o papel do bolso e segurou as mãos de Sam antes de entregá-lo.

– Você não precisa ir se você não quiser, tá? Você é bom demais pra ele, Sam... Bom demais. — ficou com dificuldades de soltar o bilhete, mas Sam foi mais forte e puxou o papel.

Leu e abriu um sorriso.

– Ah, um Lual! — falou com ânimo — Eu vou sim, acho que vai ser legal.

– Ai, que maravilha!

– Eu posso chamar a Ruby e o Lúcifer?

E naquele segundo, Gabriel quebrou-se em pedacinhos. Dean não pode deixar de soltar uma risada abafada, que tentou disfarçar com tosse.

– Ai, desculpa, eu não deveria ter perguntado. — Sam ficou envergonhado — É uma daquelas festas privadas?

– Não, imagina! — tentou rir — A praia é pública. Pode chamar quem você quiser.

Os três ficaram mais dois minutinhos conversando sobre qualquer coisa sem importância, até que Lúcifer apareceu tirando Sam da sala para mostrar-lhe alguma coisa engraçada no seu celular.

– Então é um Lual mesmo? — Dean estava com sérios problemas para parar tirar o irritante sorrisinho de satisfação do rosto — Nossa, e eu aqui julgando você, achando que você queria ficar sozinho com o meu irmão.

– Não faz a maldita, tá? E saiba que só pelos acontecimentos do dia de hoje, você vai ficar me devendo um favor que pode ser cobrado a qualquer momento da sua preciosa vidinha. — respirou fundo — Eu fui claro?

– Claríssimo.

– Ótimo. Carrega essas caixas e vamos voltar para o estúdio.

***

Era pouco mais de meia noite e Dean não conseguia dormir, mesmo depois do dia (e da noite) cansativa que teve. Seus conflitos internos não lhe deixavam em paz.

– Você não tá bem, né? — a voz de Castiel vinda do outro lado da cama lhe pegou de surpresa

– Que issso, Cas, tá tudo bem sim. É só insônia. — cobriu-se com o lençol e ficou deitado de frente para Castiel

– Não me engana, Dean. — colocou a mão sobre o rosto do outro — Fala comigo, eu quero te ajudar. É sobre sábado?

– Para. A gente não conversa sobre sábado. Essa é a regra. — respirou fundo — Isso é problema do Dean do futuro, lembra?

– Lembro, mas se o Dean do presente tá triste com isso, a gente precisa conversar agora.

– Eu não tô triste. Tá tudo bem.

– Dean...

– Quer saber? Ok. Você tem razão. Não tá nada bem, mas eu não quero falar sobre isso. — soou rude sem querer, mas logo veio-lhe a culpa — Olha, desculpa... Eu vou dormir.

– Você quer que eu te abrace?

Dean abriu apenas uma frestinha dos olhos e encarou Cas, bem sério.

– Quero.

Dean se afundou no abraço de Cas com uma cara bem emburrada, enquanto Cas estava em paz, passando a mão pelas costas e pelo cabelo do outro. Dean foi ficando com sono e começou a abraçar também. Não queria que Cas terminasse com ele por causa da Anna ou por causa de sábado. Não queria que Cas terminasse com ele nunca. E por mais vulnerável que isso lhe fizesse sentir, era a mais pura verdade.

– QUE TRAGÉDIA! Catástrofe! Infortúnio! — Gabriel adentrou o quarto, acendendo a luz — Eu não acredito que isso tá acontecendo!

– Cara! — Dean se soltou de Cas o mais rápido que pôde e se cobriu melhor com o lençol — Você não sabe bater?

– Algum problema, Gabriel? — Castiel perguntou, coçando os olhos que ainda se acostumavam com a claridade

– Um homicídio, provavelmente. — Dean passou o lençol por cima de Cas também — Porque pela invasão, só pode ser... O que foi dessa vez?

– O Balthazar odeia Céline Dion. — Gabriel abriu um pacote de camisinha que encontrou na cabeceira e começou a inspirar e soltar o ar dentro dela, como as pessoas geralmente fazem com sacos de papel, numa tentativa de se acalmar.

– Eu sei que isso é difícil de aceitar, mas nem todo mundo compartilha do mesmo gosto musical que você. — Castiel falou, enquanto Dean estava com ódio demais para qualquer outra coisa — Acontece.

– O problema é que ela era a nossa diva do festival. — começou a andar em círculos — Ela ia cantar entre as apresentações. Mas o Balthazar não quer ver a cara dessa mulher, tá tudo arruinado!

– Mas o Balthazar conhece tanta gente, ele não pode simplesmente chamar outra pessoa? — Cas sugeriu

– Você tá louco? O festival é amanhã! — sentou de pernas cruzadas na cama, no meio dos dois e voltou a respirar dentro da camisinha — Tanto trabalho em vão. É o fim. Eu não sei o que fazer.

Dean e Cas se entreolharam, como se estivessem tendo uma conversa mental, que demorou uns dois minutos, mas por fim chegaram a uma solução.

– O Dean pode tocar no lugar dela. — Castiel sugeriu, antes que Dean pudesse abrir a boca.

– O quê? Pera aí. Não! Não foi isso que a gente combinou. — Dean estava em estado de negação — Eu acho que o meu sinal de Vamos-Enxotar-o-Gabriel-Pra-Fora-Usando-a-Guitarra foi bem claro quando eu olhei para a guitarra.

– Seus sinais são muito confusos, Dean.

– Mas é uma ideia brilhante! — Gabriel largou a camisinha e abraçou os dois — Vem comigo, Deano. — tentou puxar Dean pelo braço, mas o loiro resistiu — Não se faz de difícil, você tá me devendo um favor!

– Tudo bem, eu vou! Mas... — falou, envergonhado — deixa só eu colocar uma roupa primeiro.

– Ah, tá. Só não demora. — saiu de cima da cama e sentou-se no tapete, sacando o celular do bolso para esperar.

Dean tacou-lhe um travesseiro na velocidade da luz.

– Lá fora, tudo bem, eu tô aqui fora. — saiu depressa e fechou a porta.

Notas finais
Sempre que eu me lembro que o Balthazar não gosta de Céline Dion, eu também me lembro de um episódio de Ilha dos Desafios que o garoto tinha medo da Céline Dion. Quanto bully com a moça. Mas tá, né. See ya! o/