Journey
22 Veintidós
Notas iniciais
– Ele tá bem atrás de mim, não tá? — Dean perguntou, ainda agachado, e Cas confirmou com a cabeça.
Sam estava parado a poucos centímetros dos dois, com o saquinho da farmácia na mão e muitas dúvidas. Os dois se levantaram rapidamente.
– Como assim se eu "desconfiei de alguma coisa"? — imitou aspas com as mãos — O que você tá escondendo de mim, Dean?
– Não é nada, é só... — a mente de Dean já tinha se esgotado das mentiras convincentes — Droga. Não é nada, Sam.
– Tem certeza? — Sam deu a segunda deixa.
Dean se viu preso entre duas paredes que se aproximavam cada vez mais uma da outra, prontas para esmagá-lo caso ele não respondesse rápido. De um lado, os olhos de Cas estavam desesperançosos com a certeza de que ele iria apenas inventar mais alguma coisa para sair daquela situação. Do outro, os olhos confusos de seu irmão.
– Tá bom, quer saber? Eu falo. Eu e o Cas... a gente... — Dean gaguejava. A expectativa no rosto de Castiel só não era maior do que a de Sam, que deixou escapar um sorriso bobo. — Ei, que sorrisinho foi esse?
– Nada, por favor, continua. — ele disse, tentando controlar suas feições
– Eu tô tentando. — respirou fundo — Eu e o Cas... O Cas não é só meu amigo, como eu falei. A gente — passou o braço por volta de Castiel e fez um sinal com a mão, tentando indicar que estavam juntos — Ok, você já entendeu. Todo mundo já entendeu. Pronto.
Sam já não se aguentava mais. Começou a gargalhar no meio da farmácia.
– Wow, como você é dramático, Dean. — Sam pousou a mão sobre o ombro do irmão — Eu já tinha sacado, só queria mesmo ver você passar por isso tudo.
– Então por você tudo bem?
– Como assim? É claro. — Sam deu um tapinha no ombro de Cas — Mas olha, o Dean nunca pediu meu consentimento sobre ninguém antes, você deve ser muito importante.
– Shh... Sam! — Dean colocou a mão sobre a testa — V-você não tá nem, assim... surpreso?
– Na verdade, não. — Sam balançou a cabeça — Eu sempre soube que você dava uma olhada nos meninos da escola... — foi interrompido por uma bofetada de Dean — Ai, é brincadeira, é brincadeira.
Castiel foi até o caixa, enquanto os dois irmãos esperavam do lado de fora.
– Então, questionário. Como vocês se conheceram? — Sam parecia genuinamente feliz
– Eu comprei uma passagem de trem pra ele, quando eu tava vindo procurar você. — Dean suspirou — Será que você pode tirar esse sorriso idiota do rosto?
– Não. — Sam continuou — No trem, ah! Então eu tenho um grande papel nessa história. Tá, segunda pergunta, todo mundo chama ele de Cas ou é uma coisa só entre vocês?
– Menos, Sam. — Dean revirou os olhos — Você não vai contar pro papai, vai?
– Por favor, o que você acha? Eu sabia que você ia perguntar isso. Por que você se preocupa tanto com o papai? Fugi há uma semana e ele não deu nem um telefonema.
– Mas isso, jovenzinho, foi graças a mim. Eu que liguei pro tio Bobby e pedi pra ele enrolar o homem. Você nem agradeceu.
– Tá, obrigado, Dean. — Sam fez uma voz debochada — Mas a questão é: olha só onde a gente tá agora! Tirando férias da vida pra fazer o que quiser. Ninguém manda na gente.
– Ok, calma aí, Ferris Bueller. Não é bem assim... Eu prometi pro tio Bobby que a gente ia voltar sábado. E quando a gente voltar — Dean suspirou, como se as palavras pesassem — nenhuma palavra sobre isso. Por favor, Sam.
– E o Castiel sabe que vai ser assim?
– A gente tem evitado esse assunto... Mas, Sam, você precisa prometer.
– Tá, eu...
O bolso do irmão de Dean começou a fazer um som de bateria. Sam desbloqueou o celular e atendeu. Enquanto isso, Cas saía da farmácia para se juntar aos dois.
– Alô? Já, já to indo. — suspirou — Eu encontrei... Hã? É sério? — Sam riu — Diz que a gente vai, então. To chegando aí. Té mais. — desligou o telefone
– Quem era? — Dean perguntou
– Ruby. Ela quer a encomenda dela. — coçou a cabeça — Nossa, você se lembra daquele cara do hotel que salvou a minha vida, o Gabriel?
– Ele salvou sua vida? — Castiel estranhou
– É claro que não, ele está sendo dramático — Dean tossiu — E sim, eu lembro, ele é irmão do Cas.
– Sério? Que mundo pequeno. Ele convidou a banda pra almoçar. Então é, vou indo. — acenou, se afastando dos dois — A gente se vê.
– Ei, espera, como assim ele convidou vocês pra almoçar? Vocês são amigos agora? — Dean tentava gritar — Senta longe dele Sammy!
O dia então continuou como o planejado. Era clara a tranquilidade que pairava sobre o ar agora que Sam sabia de tudo e eles já não precisavam mais esconder nada de ninguém. Enquanto Cas enchia a cesta do walmart com torta, barrinhas de cereal e suco detox, Dean não parava de tagarelar sobre como Gabriel lhe dava nos nervos quando o assunto era Sam. O único momento em que calou a boca foi quando pararam na parte de DVD's e Dean voltou de lá abraçado a um box de Star Wars.
Já era fim de tarde quando chegaram ao hotel. As compras da loja de instrumentos estavam na recepção. O atendente tentou carregá-las até o quarto, mas Castiel não deixou.
– Obrigado, mas não precisa, nem é tão pesado assim. Eu insisto.
– O senhor que sabe. — o atendente respondeu — A propósito, o senhor Balthazar lhe procurou o dia todo.
– Ele procurou, é? Eu estava ocupado. Diga que depois eu passo na sala dele.
Subiram e nem estavam tão próximos do quarto, quando Castiel viu que sua porta laranja estava entreaberta.
– Droga, deve ser o Balthazar. — entregou as compras na mão de Dean — Eu preciso resolver isso. Você se importa de esperar aqui?
– O quê? Por quê? — Dean apertou os olhos — Você tá tentando me esconder?Não, né?
– Eu só preciso de cinco minutos. Já volto.
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