Journey

24 Veinticuatro


Notas iniciais
Resolvi me render a todo esse Sabriel florescendo na minha alma. Mas é só por um capítulo, depois nós voltaremos com a programação normal de Destiel.

Era verdade que toda noite tinha festa naquele hotel, mas naquela noite, a maior parte da música vinha de uma porta laranja no trigésimo andar.

– Então é aqui que o Dean tá ficando? — Sam perguntou a Gabriel. Os dois estavam parados em frente ao quarto de Castiel.

– Literalmente ficando. — Gabriel disse com um sorrisinho no canto dos lábios

– O que você quer dizer com isso? Você acha que... — Sam fez um gesto obceno com a mão — Aqui? Agora?

Um gemido mais alto escapou por entre a música.

– Isso responde a sua pergunta?

– Bem, sei lá, podia ser um gemido do Robert Plant. — sugeriu — Ele geme em praticamente todas as músicas do Led Zeppelin.

– Não faz o inocente, Sammy. É óbvio que eles tão quebrando a louça lá dentro. — Gabriel suspirou, carregando a jaqueta por cima do ombro — A gente pode voltar pra festa agora?

– Na verdade, eu acho que eu vou voltar pro quarto e terminar de ler meu livro.

– Ai, mas por quê? — Gabriel falou, soando mais desapontado do que desejava — Eu fui pessoalmente convidar sua banda pra área VIP do hotel e é isso que você faz?

– Desculpa. — Sam falou sem graça — Eu já dei uma passadinha lá e eu tenho a Ruby e o Lucy me representando.

– Nesse caso — Gabriel respirou fundo — eu vou com você.

Os dois dividiram o elevador em silêncio. O único assunto que tinham tido até agora era o mais novo e supersecreto relacionamento de seus respectivos irmãos, mas fora isso, eram como água e vinho.

– Você tem certeza que não quer voltar pra festa? Eu juro que não me importo de ficar sozinho. — Sam disse, enquanto se sentava e abria um livro grosso na metade

– Não, aquela festa tava muito xoxa mesmo. — mentiu e se deitou na cama, se sentindo completamente à vontade — Que livro grosso esse seu... qual o nome?

– Ahn, os Miseráveis. — respondeu — Eu trouxe outros, se você quiser um pra passar o tempo...

– Obrigado, chuchu, mas eu não sou muito do tipo que lê. — respondeu, tirando o celular do bolso e chacoalhando-o — Mas relaxa, eu tenho diversão.

Sam lia com muito interesse, apenas se movendo para tirar algum fio de cabelo que eventualmente caía sobre seu olho. Gabriel ria alto e rolava na cama, fazendo comentários retóricos de vez em quando.

– Chris Pine, Chris Pratt, Chris Evans — suspirou — Abençoado seja o nome Chris. Que Deus coloque um Instagram na vida desses homens.

Sam às vezes levantava os olhos do livro e ria de uma coisa ou outra.

– Menino, Deus me ouviu! O Pratt tem Instagram. — Gabriel riu pomposamente consigo mesmo — Você tem um Instagram, Sammy?

– Não, eu não tenho.

– Você deveria. — Gabriel piscou — Bofe escândalo você.

– Eu? — Sam riu — Eu faço o que eu posso, mas é muito difícil viver à sombra do supermodelo.

– O Deano? Sério?

– Sério. — Sam marcou a página do livro — Não que a nossa banda fosse muito famosa, mas todos os gritos femininos da platéia sempre foram pra ele.

– Chocado. — Gabriel colocou a mão sobre o peito — Sério, é que nem você achar o Liam Hemsworth mais bonito que o Chris Hemsworth, sabe? Tipo, se você tivesse que escolher um deles, qual você... — Gabriel parou a pergunta no meio — Ah, desculpa, você vai ficar constrangido de responder, eu...

– Chris Hemsworth, definitivamente — Sam falou — Por que eu ficaria constrangido?

– Bem — Gabriel estava boquiaberto — Se eu fizesse essa pergunta pro Dean, ele ia...

– É, eu sei, mas eu não sou o meu irmão.

Voltaram cada um para seus afazeres. Nos vinte minutos de silêncio que se passaram, puderam ouvir o barulho de uma chuva forte lá fora. Grandes clarões volta e meia tomavam conta do quarto.

– Isso foi um relâm... — Sam ia perguntar, mas viu que na verdade se tratava do flash da camêra do celular de Gabriel, apontada para ele — Você tá tirando foto de mim?

– Talvez. — Gabriel respondeu, abaixando a câmera — Você vai ser famoso depois de sábado, é melhor tirar foto enquanto você ainda é acessível.

– Famoso? Rá. Certo.

A conversa foi interrompida por um Lúcifer muito bêbado que entrou cambaleando no quarto, seguido de uma Ruby hiperativa.

– Sam, eu te procurei a festa toda — deu-lhe um beijo na bochecha e puxou-lhe da cadeira — Vem, vamos pra lá!

– Desculpa, querida — Gabriel se intrometeu — Ele não quer ir pra festa, ele quer ler o livro.

– Ah, é? E você é o porta voz dele agora? — virou o rosto para cima para tentar olhar Sam nos olhos — Você não tá a fim de ir na festa, Sam?

– Na verdade, Ruby...

– Qual foi? Ainda não é nem três da manhã.

– Deixa ele, Ruby — Lucy falou bagunçando os cabelos de Sam — O pai dele não deixa ele sair a essa hora.

– Cala a boca, cara — Sam falou, se afastando — Eu vou nessa droga de festa, tá? — deixou-se ser puxado por Ruby — Foi mal, Gabriel. — foram suas últimas palavras antes de sair do quarto

Gabriel suspirou e cruzou as pernas sobre a cama. Lucy estava deitado de qualquer jeito no chão.

– Eu aqui todo trabalhado na lantejoula e ele vai pra festa com a menina de pretinho básico. Dá pra acreditar? — falou como se o homem loiro desacordado no chão estivesse ouvindo

– Você não faz o tipo dele. — aparentemente, ele estava de fato ouvindo.

– Ah, não — Gabriel riu — Eu tenho um gaydar fortíssimo, esse com certeza balança pros dois lados.

– Não foi isso que eu quis dizer. — Lucy continuou com seu discurso arrastado — Eu faço o tipo dele.

– O quê? Para tudo! — Gabriel gritou — Repete que eu acho que tô ouvindo coisas.

– Eu faço o tipo dele, a Ruby faz o tipo dele, mas você não. — Lúcifer riu — Você tá tentando ser um herói, mas ele gosta dos caras maus.

– Você acha? — Gabriel ficou pensativo por um segundo, mas depois caiu em si — Quer saber? Receber conselho do cara desmaiado no tapete é o fundo do poço. Eu vou é voltar pra festa.

A porta do elevador abriu. Uma figura alta de blazer o olhava de maneira divertida.

– Dia ruim, Gabriel? — Balthazar perguntou

– Não enche, Baltha. — respirou fundo — Mas hein, você circulando pelo hotel uma hora dessas?

– Problemas pessoais que eu tô resolvendo, nada demais.

– Devem ser muito pessoais pra você ir pessoalmente.

Balthazar não respondeu. O andar de Gabriel chegou e ele já ia saindo.

– Ei, Gabriel. — Balthazar chamou e estendeu-lhe uma barrinha de chocolate que tirou do bolso. Gabriel agarrou-a sem hesitar.

– Você me conhece tão bem... — deu uma mordiscada no chocolate com os dentes laterais e voltou a sua pose confiante de sempre, caminhando festa adentro.

Notas finais
Mamma Mia, here I go again. Tô sentindo que essa fanfic vai ser maior do que eu pensava. Nhai, até capítulo que vem. o/