Journey
21 Veinte uno
Notas iniciais
– Guitar Center?! — Dean exclamou quando os dois pararam em frente ao grande letreiro vermelho — Você não tá tentando comprar uma guitarra nova pra mim, né?
– Dean, eu ainda te devo muito dinheiro, então eu pensei que seria uma boa ideia.
– Olha, Cas, eu agradeço, mas meu bebê é insubstituível.
– Não pense nisso como substituição. É uma adição. Você vai ter mais uma guitarra. — disse enquanto andavam para perto da porta, que abria sempre que alguém se aproximava, liberando um ar gelado muito convidativo.
Aquele lugar era enorme. Não demoraram muito até encontrar a grande parede com milhares de guitarras, de várias cores, formas e marcas. Dean quase conseguia ouvir um coro angelical cantando ao fundo.
Uma vendedora logo se aproximou.
– Vocês precisam de ajuda?
– Não, obrigado — Dean respondeu — A gente só tá dando uma olhada sem compromisso.
– Eu posso ver aquela stratocaster vermelha lá em cima? — Cas apontou.
Rapidamente a moça subiu por uma escada, pegou a guitarra e plugou-a num amplificador.
– Podem ficar à vontade para testar. — a moça falou, se afastando — Se precisarem de mais alguma ajuda, meu nome é Marie.
– Obrigado. — Dean respondeu. Castiel estava muito concentrado tocando as cordas soltas para tentar afinar a guitarra um pouco.
– Você gosta dessa aqui? — Cas perguntou — É parecida com a sua, só que é vermelha e o som é mais estalado.
– É... não. Parece guitarra de gente que toca na praia.
– E que tal essa aqui? — Cas apontou para uma azul que estava próxima.
– Azul? Que pessoa de respeito tem uma guitarra azul?
– O cara do Green Day. — disse, estalando os dedos e Dean concordou com a cabeça.
– Mas mesmo assim, azul não é clássico. E eu não quero nenhuma guitarra que se pareça com a minha antiga, porque ela é única, entende? Mas ao mesmo tempo, eu acho que nunca mais vou encontrar uma que eu goste tanto.
– Essa sua obsessão por aquela guitarra não é nem um pouco saudável, você sabe, né? — Cas suspirou — Não tem nada aqui que você queira testar, assim, só de curiosidade?
– Bem — Dean virou os olhos para a lateral — na verdade, tem uma sim.
A tal guitarra não estava nem exposta. Tiveram que chamar a vendedora para tirá-la de dentro do vidro que a protegia. Mas agora, lá estava ela, nas mãos de Dean.
– A guitarra de dois braços do Jimmy Page! — Dean deu um grito pouco viril — E-eu posso tocar?
– Pode. — a vendedora sorriu
– Você não vai tocar Sta... — Castiel começou a perguntar, mas era tarde demais. Dean já tinha começado a tocar Stairway to Heaven — É, você vai.
Após mais de cinco minutos ininterruptos de Dean tocando, a moça já tinha ido embora atender outras pessoas e Cas aguardava sentado de pernas cruzadas no chão.
– Eu deveria ter comprado uma gaita pra te acompanhar.
– Shh... Essa é a parte legal. — Dean disse dedilhando até seus dedos sumirem e em seguida, fazendo uma voz muito aguda — AND AS WE WIND ON DOWN THE ROAD, OUR SHADOWS TALLER THAN OUR SOULS...
Naquela hora, todos na loja se viraram para Dean.
– Caramba, desde quando você consegue alcançar essas notas tão altas? — Cas arregalou os olhos
– Silêncio, essa é a melhor parte.
– Você diz isso para todas as partes.
– TO BE A ROCK AND NOT TO ROOOOOOOOOLL — Dean o ignorou completamente. Foi desacelerando o ritmo e com um tom mais suave cantou — And she's buying a stairway... — fez um mistério básico e sussurrou — to heaven...
Algumas pessoas que prestavam atenção aplaudiram. Muito orgulhoso de si mesmo, Dean levantou a guitarra por cima da cabeça, como se fosse um troféu. Cas revirou os olhos e passou o braço em volta do pescoço do outro.
– Bem, pelo menos você se divertiu. — sorriu — Então vai ser essa?
Dean olhou a guitarra, olhou, olhou mais um pouco, mexeu na correia, passou o dedo pelas cordas mais uma vez e arregalou os olhos quando encontrou a etiqueta de preço.
– Q-que absurdo!
– Cadê? — Cas olhou a etiqueta e apertou os olhos — Ah, bem... É. É razoável.
– Razoável? Que isso, Cas. Não. Eu não vou deixar você gastar todo esse dinheiro com isso.
– Não tem problema nenhum. Onde está a moça? — fez sinal para a vendedora — Pode embrulhar para presente, por favor?
Dean ficou esperando no caixa, enquanto Cas voltava com uma gaita para adicionar à compra. Tirou o cartão de crédito do bolso e colocou na máquina.
– Não quero que você fique dando uma de Richard Gere pra cima de mim. — Dean cruzou os braços — Eu não sou a Julia Roberts.
– Ok, eu não entendi essa referência.
Ficaram em silêncio enquanto o papelzinho do cartão saía.
– Eu tô me sentindo muito mal com isso.
– Cala a boca, Dean. — Cas o encarou, ameaçadoramente — Eu não sentei e esperei você tocar aquela música imensa pra isso. — Dean deu um sorriso lateral. — Por que você tá sorrindo?
– Por nada, é que eu gosto de ver você se impondo.
– C-cala a boca. — gaguejou, meio sem jeito, tentando (e apenas tentando) permanecer sério.
As compras foram deixadas na loja, para serem entregues mais tarde no hotel. Em seguida, foram para o segundo lugar na lista mental de Cas.
– Dean? — Castiel falou alto, pois Dean estava um pouco afastado, com a cara enfiada em um encarte da farmácia — Tamanho P, M ou G?
– Porra, é assim que você é discreto?! — Dean sussurrou agressivamente, abaixando a revista.
– Ah, desculpa... Mas tamanho P, M ou G? — Castiel disse num tom mais baixo, porém dando uma piscadela exagerada.
– Ok, chega, deixa eu ver isso aqui. — Dean largou a revista e tirou um dos pacotes de camisinha da mão de Cas — Tamanho G.
– Certo — Cas se virou para a prateleira — Quantos você acha que...
– Dean?! — a conhecida voz fez os dois se virarem
Dean empalideceu na hora. Sem saber o que fazer, Castiel tentou devolver os dois pacotes que tinha em mãos para a prateleira, mas acabou derrubando mais três outros pacotes no chão. Os três ficaram imóveis.
– E aí... Sammy? T-tudo bem? — Dean tentou agir naturalmente.
– Tudo. — o garoto respondeu, franzindo o cenho — Quem é esse?
– Castiel — o garoto hippie estendeu a mão e Sam rapidamente a apertou.
– Só um amigo meu. — no mesmo segundo, Castiel fuzilou Dean com os olhos. Sam ficou meio perdido nessa hora, mas Dean logo se corrigiu — Não só um amigo, meu... meu melhor amigo.
– Ah sim, aquele que você tava procurando aquele dia. — Sam sorriu — É muito bom finalmente conhecer você. O Dean não tem muitos amigos. Eu tenho certeza que já te vi pelo hotel...
– Sim, eu to trabalhando no festival. — Cas respondeu — Sua capacidade vocal é impressionante.
– Obrigado. — agradeceu — Então... vocês vieram comprar camisinha juntos? — arqueou uma sobrancelha
– N-não, o quê?
– Não precisa ficar nervoso, foi só uma brincadeira. — disse com um sorriso no canto dos lábios — É porque você tá com esse pacote na mão.
– Ah, isso aqui? — Dean forçou uma risada — Eu to ajudando o Cas, ele é muito tímido pra passar isso no caixa sozinho. Sabe, coisas de melhores amigos. Você não acha normal?
– Sim, sei lá. Mas vocês se assustaram tanto quando eu cheguei. — Sam soltou um riso frouxo — Parecem dois garotos da sétima série comprando camisinha pra mostrar na escola.
– ... — Dean não sabia o que dizer, mas logo encontrou as palavras quando viu o que Sam carregava nas mãos — Isso é um pacote de absorvente?
– Ah, é sim. Não é meu, obviamente. É pra Ruby.
– Você não acha que isso é muito íntimo?
– É, um pouco, eu acho. Mas se ela precisa... — deu de ombros — Sabe, coisas de melhores amigos. — riu — Vou lá pagar que eu tenho que voltar pro hotel. Até mais.
– Até. — falaram em uníssono
Sam foi para o caixa, enquanto Dean arrumava a bagunça e Castiel escolhia o lubrificante.
– Ai, essa foi por pouco. — Dean se abaixou próximo a Cas — Você acha que ele desconfiou de alguma coisa?
– Não sei. — Castiel deu um sorriso sem graça, olhando por cima do ombro de Dean — Mas acho que agora você vai poder perguntar pra ele pessoalmente.
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