Journey
20 Veinte
Notas iniciais
Castiel e Dean dividiram o elevador com uma senhora idosa, que ficou posicionada entre eles.
– Acho que amanhã o tempo vai virar. — ela tentou puxar um assunto desses de elevador.
– Eu não sei, acho que nunca mais vai parar de fazer sol. — Dean respondeu com um sorriso forçado, mas bem convincente.
– Às vezes, é o que parece, né? — ela complementou. Quando chegaram ao 26° andar, a moça saiu — Boa noite, meninos.
– Boa noite. — eles responderam juntos.
Cas virou os olhos para Dean.
– Tem câmeras aqui. — Dean respondeu — Só mais quatro andares.
Andaram num passo rápido até o quarto. Cas trancou a porta laranja por dentro e olhou para Dean.
– Pronto. — sorriu, quase ao mesmo tempo que passou os dedos pelos cabelos loiros de Dean e o puxou mais perto para um beijo. Dean passou a mão pelas costas de Cas, fazendo o paletó preto cair no chão.
Rapidamente, os dois seguiram para a cama, onde Dean ficou por cima tentando desatar a gravata azul do outro. Assim que conseguiu, Castiel inverteu a posição, voltando a comandar os beijos.
As mãos de Dean escorriam suavemente entre os botões da blusa de Cas, tentando abrir espaço, mas o moreno foi mais rápido e arrancou a camisa de uma vez.
Àquela altura, Dean já sentia a calça mais apertada e os botões de sua camisa já estavam quase todos desfeitos. Cas não parava de atacar seus lábios e depositar beijos pelo seu pescoço, então Dean apoiou os dedos na borda da calça dele.
– Espera... — Castiel falou, entre suspiros — Você tem certeza de que você quer fazer isso?
– Tenho. — Dean desabotoava depressa a calça de Cas.
– Acho que é melhor a gente continuar só nos beijos por enquanto. — disse, segurando o fecho.
– M-mas... Você já fez isso antes, né? — Dean perguntou
– De todas as maneiras possíveis. — Cas arregalou os olhos — Mas você não. Pelo menos, eu acho que não. Você...?
– Você quer dizer Brokeback Mountain? Não, nunca.
– Então é melhor deixar pra depois — Cas anunciou, saindo de cima de Dean e se jogando ao lado dele na cama — Desculpa.
– Por quê? — havia uma ponta de decepção na sua voz
– A gente precisa de camisinha. E lubrificante, isso é muito importante.
– Nesse caso... — Dean suspirou
– Eu não quero machucar você. — passou a mão pelos cabelos de Dean e foi descendo o dedo pelos contornos de seu rosto.
– Qual é, cara... — Dean revirou os olhos — Eu não tenho medo de você.
Ficaram daquele jeito por mais algum tempo. O único som do ambiente eram as suas respirações ofegantes.
Do nada, Castiel começou a dar risada.
– Qual é a graça?
Castiel apontou para as calças ainda volumosas de Dean, que instantaneamente ficou com o rosto vermelho.
– É, ri bastante. Isso é culpa sua. — levantou da cama, terminou de desabotoar a camisa e tacou-a na cara de Cas — Eu vou no banheiro colocar o pequeno Dean pra dormir.
Uns vinte minutos depois que Dean entrou no banheiro, Cas gritou do quarto.
– Ei, o que aconteceu com a sua guitarra?
– O Sam quebrou. — gritou de volta
– Você tem como comprar outra?
– Até chegar em casa, não. Mas depois eu dou um jeito, construo uma nova, sei lá. — colocou as calças em cima da pia — Cara, você tem uma bermuda pra me emprestar?
– Pensei que você não usasse bermuda. — Cas falou, abrindo uma fresta da porta do banheiro e entregando a roupa a Dean.
– Não em público.
Quando Dean voltou do banheiro, Cas já estava acomodado na cama, parcialmente dormindo.
– Você já vai dormir? — Dean perguntou
– Muito sono. — bocejou — Eu ouvi muitas bandas hoje.
– Ah, é verdade, a eliminatória. — sentou-se na cama — O Sam passou?
– Sim. A banda em si não é muito diferente da maioria, mas ele consegue mudar de tom muito rápido, é bem impressionante.
– Sério? — Dean riu — Acho que nunca ouvi ele cantar. Também, as nossas conversas recentes não têm sido exatamente amigáveis. — olhou para o lado e os olhos de Cas estavam fechados — Não acredito que você dormiu! Cara, eu tava falando com você.
Dean então soltou um suspiro e deitou-se na cama de costas para Cas. Tomou um susto quando sentiu as mãos de Cas se agarrando ao seu corpo.
– Por favor, não fica zangado. Eu to muito feliz que você tá aqui.
Dean sorriu e colocou sua mão por cima da dele.
A manhã seguinte começou bem agitada. Cas estava terminando de vestir um colete sobre uma blusa vermelha quando viu que Dean estava abrindo os olhos. Começou a chacoalhá-lo.
– Levanta, Dean, levanta! Nós vamos fazer muitas coisas hoje.
– Você não tem que trabalhar ou alguma coisa assim? — falava ainda sonolento.
– Eu não vou ficar fazendo tudo que o Balthazar manda, que nem o Gabriel faz. — falou catando as roupas originais de Dean do chão — Meu trabalho é ser jurado no sábado e só.
– E o que você vai fazer depois de sábado?
– Sei lá, eu não quero pensar em sábado, eu quero pensar em hoje.
Assim que Dean se vestiu, foi puxado por Cas até o elevador. Comeram qualquer coisa no segundo andar e desceram para a recepção.
– Para onde a gente tá indo?
– Um monte de lugares.
– Tá, você pode ser mais específico, Cas?
– Você vai ver quando a gente chegar lá. — disse, tirando um par de óculos de sol redondos do bolso e colocando. Dean soltou um riso discreto. — O que foi?
– Nada, é que... Esses oculinhos. Isso é muito hippie.
– E quanto a sua tatuagem tribal, hein? — deu um tapinha no peitoral de Dean.
– Ei, aquilo não é nada hippie, tá? — Dean se sentiu ofendido — o que tem de errado com ela?
– Eu até gosto dela, só queria mesmo fazer você ficar vermelho. — parou um pouco antes de saírem do portão e colocou as duas mãos no rosto de Dean, como se fosse beijá-lo.
– Aqui não, Cas. Pode ter alguém vendo.
– Mas é só um beijo. Qual o problema?
– Olha, por favor, não fique triste comigo. É só que... eu ainda não falei pro Sam e eu também não quero que algum dos amigos estranhos dele conte antes de mim. Tudo bem se a gente manter isso só entre nós? — Castiel recolheu os braços e olhou para baixo — Droga, você ficou triste.
– Tudo bem, Dean, eu não me importo. — levantou o rosto.
– Eu não acredito que tá tudo bem. Eu ia me sentir muito melhor se você demonstrasse raiva.
– Ok. — Cas suspirou — Eu não estou com raiva, apesar de que eu fiquei sim um pouquinho triste de primeira, mas eu não quero pressionar você. Isso tudo ainda deve ser muito novo, é difícil, eu entendo.
– Não, não é isso. É só pelo Sam. Eu não quero que você pense que... Cas, eu me sinto horrível fazendo isso.
– Ah, Dean, por mim, a gente pode esconder para sempre. — Cas disse parecendo bastante sincero — Só de ter você por perto, eu já estou feliz o suficiente. De verdade.
– Não ache que é por vergonha ou sei lá o quê. Não é. Eu gosto de você do jeito que você é. — tirou os óculos redondos de Cas e colocou em si — Olha, eu posso usar isso pelo resto do dia para provar.
– Não precisa fazer isso. — uma risada escapou de Cas, no meio da ponta de tristeza que antes parecia querer tomar conta do garoto — Quer saber? Chega desse assunto, vamos! — segurou a mão de Dean e voltou a puxá-lo.
Fale com o autor