Notas iniciais
Que maravilha, mais uma fic de supernatural na sua vida! Boa sorte!

– Por favor pare de insistir, garoto. Tem mais gente com dinheiro aqui querendo comprar passagem. — O homem da bilheteria argumentava com um menino que não tinha dinheiro para o trem e tentava de todas as formas a gratuidade.

Dean estava na fila, atrás do tal garoto. Não via a hora de pegar logo aquele trem. A cada minuto que passava, um pensamento diferente sobre alguma coisa ruim que poderia estar acontecendo com seu irmão mais novo lhe assombrava a mente.

– Isso tudo é culpa dessa sociedade capitalista em que vivemos! — o garoto começou a gritar — Onde está a humanidade de vocês, onde está...

– Opa, opa, chega. — Dean, impaciente, resolveu interferir — Eu pago a passagem do ativista aqui e vamos logo com isso.

– Tem certeza, garoto? Eu ia chamar a segurança. — O homem da bilheteria disse, tirando um telefone do gancho.

– Pega logo essa droga e me dá duas passagens. — Dean estendeu ainda mais a mão com um dinheiro amassado.

– Você que sabe. — O homem entregou os dois bilhetes a Dean, que os destacou e entregou um deles ao tal garoto. O menino ficou encarando Dean por alguns segundos. Dean olhou para seus enormes olhos azuis e viu que eles estavam úmidos, como se ele fosse chorar a qualquer momento.

– Tá tudo certo, cara — Dean disse, antes que o menino pudesse abrir a boca. Levantou a bolsa com sua guitarra do chão e caminhou para perto dos trilhos, onde o barulho do transporte chegando já se iniciava. Dean colocou os fones no ouvido e foi para perto da porta de embarque.

Aquele era o conhecido "trem da meia-noite". Ponto final e última viagem. O pai de Dean nunca deixou ele andar de trem nesse horário. Provavelmente porque tinha muita gente bêbada e assassinos, Dean pensava. Não que não conseguisse se defender de tais ameaças. Andava sempre com um canivete no bolso e, pelo menos até agora, nunca precisou usá-lo (também esperava nunca precisar, que coisa horrível ter que canivetear uma pessoa). Enfim, só estava a bordo daquele trem naquele momento porque era de extrema necessidade. E principalmente, porque seu pai não sabia. Eventualmente ele ia descobrir, é claro. Dean se achava importante o bastante para darem a falta dele. Mas também, sendo ele praticamente um adulto de 20 anos, era mais provável que seu pai desconfiasse que ele estivesse apenas na cama de alguma vizinha.

– Meu nome é Castiel — os devaneios de Dean foram interrompidos. Era aquele menino de antes, o da passagem. Ele estava estendendo a mão, esperando algum tipo de cumprimento. Dean tirou os fones do ouvido e apertou a mão do garoto.

– Winchester. Dean Winchester.

– Muito obrigado pela passagem, eu juro que vou retribuir algum dia.

– Não esquenta.

Como o assunto parecia ter acabado, Dean colocou os fones de volta. Ficou discretamente passando as músicas no seu celular. Hm, trem da meia-noite. Não era um momento pra ouvir Bon Jovi. Nem Zeppelin, Zeppelin era feliz demais praquilo. Talvez Black Sabbath.

– Você disse que seu nome é Winchester? — Castiel perguntou, inclinando a cabeça — Onde eu já ouvi esse nome?

Dean virou os olhos para um lado e depois para o outro. É, definitivamente não ia conseguir ouvir música naquela viagem.

– Já esteve no Kansas?

– Acho que sim, mas não é isso... — foi interrompido por um barulho de garrafa quebrando.

Naquele momento, dois bêbados começaram a brigar no trem. Castiel colocou os pés no banco e cruzou as duas pernas como se estivesse... meditando? Dean só olhou de rabo de olho e procedeu a enrolar o fone para guardá-lo no bolso. Para sua própria surpresa, aquilo não o assustou. Era como acompanhar seu pai em algum bar, ele sempre acabava brigando e Dean tinha que ligar para seu tio Bobby buscar os dois. Afinal, se o trem da meia-noite, em quesito de frequentação, era equivalente aos passeios que fazia com seu pai, por que ele o alertava tanto quanto ao trem?

– Será que a gente já tá chegando? — Castiel perguntou — Pra onde você está indo, a propósito?

– Eu não sei ao certo. Eu estou, meio que... seguindo uma pessoa. — respondeu com cautela. Não queria começar um desabafo com um completo estranho.

– Então sua mãe sabe que você tá aqui?

– Bem, acho que sim. Ela... morreu quando eu era pequeno. — Em menos de dois segundos aquele garoto esquisito tinha conseguido tocar em dois assuntos delicados.

– E o seu pai, sabe que você tá aqui? — ele prosseguiu, como se não tivesse percebido a nuvem de nostalgia e tristeza que tomou conta da voz de Dean.

– Ahn, não. Onde quer chegar?

– Hollywood. — respondeu sorrindo — Vou achar a solução para meu problema lá.

– Vai tentar o American Idol?

– O quê?

– Sabe, o programa de televisão.

– Ahn?

– Deixa pra lá.

Continuaram a viagem em silêncio. Dean conseguiu até ouvir uma meia hora de música. Eram aproximadamente 03:37 quando o trêm chegou ao seu destino.

Dean pegou sua bolsa de guitarra e saiu do trem.

– E agora, onde você se meteu, Sam?

Notas finais
Eu tenho uma gravação muito boa da minha amiga gritando "LONG LIVE DESTIEL" com voz de monstro que eu gosto de ouvir em momentos aleatórios da vida. Enfim... Eu me esqueci o que se escreve nas notas finais. Podem dar palpite em tudo, estamos aqui pra isso. (: