Journey
2 Dos
Notas iniciais
– Um big mac e um refri. — Dean entregou o dinheiro à moça do caixa. A única coisa aberta àquela hora da madrugada era um McDonalds que fechava em meia hora.
– Você pode comprar uma coisa pra mim também? — uma voz suave, porém firme, veio por trás, fazendo Dean pular de susto. Era Castiel.
– Cara, você tá me seguindo?
– Desculpa, é que você é meu único amigo na cidade.
– Com todo respeito, jovenzinho, eu nem te conheço direito...
– Eu vou te pagar depois, você precisa acreditar em mim! — Dean respirou fundo e olhou para o estado deplorável em que o rapaz estava. Uma camisa bem podrinha, uma calça meio rasgada e barba por fazer. Coitadinho, pensou Dean, imagina só há quanto tempo não comia.
– Ah, droga, é claro que você vai. — Dean falou em tom irônico, enquanto pegava mais cinco dólares na sua carteira — E mais um big mac e um refri pro carinha aqui.
– Não! — Castiel protestou
– O que foi agora?
– Eu sou vegetariano.
Dean apertou os olhos com raiva. Era muito tarde e estava cansado demais para questionar qualquer coisa.
– Um big mac sem hambúrguer, por favor. — disse, com um sorriso forçado, para a moça do caixa.
Sentaram numa mesa encostada na parede. Além deles, ali só tinha um funcionário varrendo e um motoqueiro no canto oposto. Uma música qualquer da Katy Perry tocava suavemente ao fundo, junto com o acentuado tique-taque do relógio. Dean achou aquele cenário todo bem macabro. Castiel parecia alheio a tudo. Estava interessado demais em seu hambúrguer sem hambúrguer para reparar em qualquer coisa.
Comeram em silêncio. Falta de conversa na mesa é sinal de fome, a mãe de Dean costumava dizer.
Castiel olhou por debaixo da mesa e apontou para a bolsa de guitarra de Dean.
– Você vende instrumentos?
– Não, eu toco instrumentos. — Dean respondia entre mordidas — Na verdade, um instrumento só.
– Ah. Então você tem uma banda?
– Tenho.
– Deve ser daí que eu conheço o nome Winchester então.
– Acho difícil, não somos famosos nem nada.
– Isso aumenta bastante as chances de eu conhecer vocês.
– Impossível.
Castiel se desfez do plástico do canudo e procedeu a assoprá-lo dentro do copo, fazendo bolhas. Dean olhou meio enojado, mas ignorou.
– Então — o garoto de olhos azuis disse, logo depois de terminar seu refrigerante — você disse que está seguindo alguém.
– Disse. — Dean foi curto e grosso.
– Você nem sabe por onde começar.
– E você faz perguntas demais. — falou com a boca cheia.
– Isso não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Deixa eu ajudar, eu sei que você precisa de ajuda.
Dean estava confuso. No fundo, ele queria muito uma companhia para aquela viagem doida atrás de seu irmãozinho sumido. Ele nunca esteve só por tanto tempo. Nunca ia para muito longe sem Sam ou seu pai. Exceto pelo ano que passou no reformatório, mas isso não vem ao caso.
– Como você vai me ajudar?
– Eu sei fazer muitas coisas e... sou bom com as palavras e eu posso convencer as pessoas a fazer... fazer coisas. É.
– Que nem você convenceu o moço do trem a te dar uma passagem de graça? — o sorriso de Castiel congelou e logo foi se transformando em uma cara de dúvida — Olha, se você está fazendo isso pra pagar sua dívida comigo, não se dê ao trabalho. A gente fica quites por aqui e você vai embora...
– Não, eu realmente quero te ajudar. Eu gosto de ajudar as pessoas.
Dean ficou pensativo por um tempo. Era arriscado.
– Como eu vou saber que isso tudo não é um golpe?
– Vai ter que confiar em mim. Qualquer um vê que a minha aura é iluminada. — Dean fez uma expressão de estranhamento e classificou aquilo como "alguma porcaria de hippie" — E além do mais eu sou totalmente contra violência e materialmente desapegado. Olha, eu só tenho aqui comigo esse panfleto de shows, esse par de dadinhos muito legal que eu achei no chão do trem e meu caderno de poemas. — disse tirando coisas do bolso de trás.
Aquilo tudo era fascinantemente a coisa mais estranha que já tinha passado pelo caminho de Dean.
– Bem, é muito provável que eu me arrependa quando eu estiver assassinado e você tiver levado todo meu dinheiro, mas tá. Eu vou aceitar isso porque eu to meio que desesperado pra achar meu irmão e com muito sono para tomar uma decisão melhor.
– Vai dar tudo certo. — disse com mais um sorriso, só sabia sorrir — Não vou te decepcionar, Dean Winchester.
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