Journey
3 Tres
Notas iniciais
– Desculpe, nós só temos camas de casal.
– Nós só vamos passar a noite, você tem certeza? — Dean discutia com o cara da recepção de um hotel que acharam, enquanto Castiel estava distraído, observando os quadros da parede e as chaves.
De primeira vista, era um hotel bem bonito, com café da manhã e tudo. Dean ficou preocupado de não ter dinheiro suficiente para pagar, mas Castiel garantiu que um conhecido seu já tinha frequentado aquele lugar e que não era assim tão refinado quanto parecia.
– Ou uma cama de casal ou nada. O senhor que escolhe.
– Tá, tá, cama de casal. Que seja. — Dean estava quase dormindo em pé.
– Vocês não tem mais o quarto com o beliche? — Castiel perguntou sem desviar o olhar da parede de quadros.
– Ah sim, temos. Vocês estariam interessados?
– Sim, por favor! — era perceptível o alívio na voz de Dean
Pagou e foram levados até o adorável quarto do beliche.
– Impressionante o que você fez lá na recepção. — Dean comentou — Como você sabia sobre o beliche?
– Esse meu conhecido mencionou uma vez. Eles não costumam oferecer para as pessoas porque é o quarto mais barato. — Castiel suspirou — Mercenários...
– Você quer ficar em cima ou embaixo? — Dean perguntou
– Desculpa, o que você disse? — olhou confuso
– O beliche, cara, você quer a cama de cima ou a de baixo?
– Ah... Ah! — riu — Não sei, quer escolher nos dadinhos? — tirou depressa os dados do bolso.
– Guarda essa porcaria. — falou num tom rude — Eu vou... ficar em cima, se não for problema pra você.
– Não, fica à vontade. — Castiel foi se acomodando na cama de baixo, enquanto Dean subia a escadinha. — Então é seu irmão que você tá seguindo?
– Isso. Ele aparentemente fugiu de casa... eu acho. Deixou um bilhete dizendo que estava saindo da banda e ia pegar o trem pra tentar ganhar dinheiro por conta própria... Puxa, eu nem sei o que ele quis dizer com isso.
– Talvez ele tenha se juntado a um culto. Ou talvez ele tenha decidido virar stripper. Ou quem sabe ele resolveu ser um pensador solitário e profundo que vive...
– Cala a boca, Cas. — Dean o interrompeu — Você ao menos pensa antes de falar?
– Quem é Cas?
– Você é Cas, não conteste, eu tô com sono.
– Eu não tô contestando, eu adorei. Wow. Cas. É tão simples, mas tão sonoro.
– É, é, tanto faz... Amanhã a gente vai na polícia e depois nos hospitais. É melhor começar pelo pior, né? — não ouviu resposta, supôs que Castiel tivesse caído no sono — Boa noite, Cas.
Puxou o cobertor e adormeceu sem sentir.
Acordou com uns raios de sol no rosto. Tinha dormido umas quatro horas, no máximo. Nunca conseguia dormir mais que isso desde que sua mãe morreu.
Tirou a guitarra da bolsa e ficou tocando notas aleatórias. Dean tinha uma fender stratocaster preta que chamava de "bebê" quando ninguém estava olhando. Ganhou ela quando fez dez anos e nunca mais se separaram. Foi presente de seu pai, que desde cedo já preparava os filhos para o que chamava de "a banda da família".
Dean começou a dedilhar Stairway to Heaven. Era a música mais clichê da vida, mas ele não se importava. Era um clássico, era épica e meu Deus, era a melhor música do mundo.
Começou a lembrar do aniversário de dez anos de Sam, quando seu pai lhe comprou uma bateria completa e ele ficou irritadíssimo, porque queria ser um guitarrista igual ao Dean. Menino rebelde desde cedo, Dean pensou.
Mas eventualmente ele acabou aprendendo. E a primeira vez que tocaram um cover de Led Zeppelin junto com sei pai (no baixo) foi o mais próximo de uma experiência mágica que ele já chegou.
– Isso é Stairway to Heaven? — Cas disse, em meio a um bocejo — Que clichê.
– Cala a boca, tá? É um clássico.
– Você vai tocar Wonderwall também? — Cas riu, enquanto o outro se sentia pessoalmente ofendido — A sua banda não é aquela que só faz cover de Led Zeppelin e AC/DC enquanto o empresário segura uma placa escrita "aplausos" depois de cada música, não né?
– Que droga, Tio Bobby, por quê?! — Dean disse baixinho para si mesmo — Bem, que bom que a margarida acordou. Vamos pagar logo e dar o fora daqui.
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