Journey
4 Cuatro
Notas iniciais
Dean usava toda sua raiva para esfregar com força os pratos de porcelana. Com calma, Cas os enxaguava e secava.
– Você tá zangado? — Cas perguntou. Dean não respondeu. Apenas juntou um monte de espuma e tacou no garoto. — Opa — exclamou, se limpando — Acho que você acidentalmente deixou cair espuma em mim.
– Foi de propósito. — Dean respirou fundo — Vamos ver, por que eu estaria zangado? Por que você me convenceu de que esse hotel era acessível quando na verdade um simples café da manhã no quarto custa quase o preço de uma suíte presidencial? É, talvez por isso.
– Veja pelo lado bom, aquelas panquecas estavam deliciosas.
– Isso é verdade — Dean disse com certa ternura na voz ao lembrar do café da manhã. Voltaram a lavar em silêncio por alguns minutos. — Cara, esse seu conhecido deve nadar em ouro pra achar isso aqui barato.
– Ele tem uma piscina, mas eu acho que é de água mesmo.
– É um modo de dizer. — Dean tirou as luvas — Que merda, eu preciso achar o Sam. Maldita hora que essa criança foi sumir.
– Quantos anos ele tem?
– Dezesseis.
– Ah não, ele é muito novo pra fugir de casa. — Cas sorriu, como se recordasse alguma coisa — Eu era muito mais experiente quando fugi de casa.
– Quantos anos você tinha?
– Dezessete. — suspirou — Olha, você não tá lavando direito.
– Eu não quero lavar! — Dean gritou, mas logo retornou ao seu tom normal de voz — Eu quero achar o Sam. Vamos embora, por favor.
– Mas eu ainda não terminei...
– Vamos!
Pegaram a bolsa de guitarra e foram direto para a delegacia local. Cas ficou esperando na porta porque "não queria nunca mais entrar naquele lugar". Dean achou melhor não contestar, Cas devia ter os motivos dele.
Mas não sabiam de nenhum Sam Winchester por lá. Também não encontraram nada nos dois hospitais locais. Dean não sabia se isso era bom ou ruim.
Frustrados, sentaram perto de uma carrocinha de milho.
– Tem certeza de que você não quer um pedaço? — Cas fez um gesto, oferecendo o milho que Dean havia lhe comprado.
– Valeu, não sou muito chegado em vegetais.
– Milho é um vegetal?
– É isso. — Dean o ignorou completamente — Mais cedo ou mais tarde, o dinheiro dele vai acabar e ele vai ficar com fome. Cas, se você tivesse dezesseis anos e pouco dinheiro, o que você faria?
– Pra ganhar dinheiro? Hm... — limpou a boca com um guardanapo — Legalmente?
– De preferência. — Sam podia estar se rebelando, Dean pensou, mas ele não faria nada ilegal. Ou faria?
– Acho que eu tocaria no metrô pra ganhar alguma coisa. Ou eu venderia meu cabelo, sei lá, acho que isso dá dinheiro hoje em dia.
– O Sam nunca venderia o cabelo dele. E a única coisa que ele sabe tocar é bateria.
– Eu nunca daria dinheiro pra alguém tocando bateria no metrô. Que inconveniente.
Enquanto conversavam, uma voz conhecida vinha correndo. Era a mulher do hotel. Estava acompanhada de uma policial e apontando para os dois meninos.
– Aqueles ali, policial. Saíram sem pagar.
– Não, não, polícia não! — Castiel correu dali.
– Vem aqui, Cas! — as duas mulheres foram se aproximando cada vez mais. Dean tentou agir naturalmente. — Boa tarde, posso ajudar?
– Essa senhora disse que vocês saíram sem pagar.
– Vocês? Como assim? — contraiu os lábios — Só tem eu aqui. E eu não saí sem pagar. Eu lavei a louça.
– Desculpa, garoto, vamos ter que levá-lo mesmo assim. — falou já pegando Dean pelo braço.
– Espera! — Cas pulou de trás da carrocinha de milho. — Não leva ele, me leva! Não foi culpa dele.
– Mas Cas...
– Deixa, Dean, eu tenho contas a acertar com a polícia. — disse com um tom sombrio na voz — Vai encontrar seu irmão.
Sendo assim, o garoto foi levado e Dean ficou lá, observando. Seus pensamentos estavam conturbados demais. Que contas seriam essas? Será que Castiel era perigoso? Mas ao mesmo tempo, ele foi muito legal em tomar toda a culpa pra si.
Se seu pai estivesse ali, provavelmente o chamaria de burro por ter confiado tão depressa em um estranho. Talvez aconselhasse Dean a seguir em frente e deixar tudo como está. "Você tem muita sorte de ainda estar vivo", ele provavelmente diria.
Colocou as mãos sobre o rosto, sem saber o que fazer.
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