Journey
13 Trece
Notas iniciais
Quando se separaram, Dean viu que Cas não chorava mais, apesar de suas bochechas estarem altamente rosadas. Dean sentia-se estranho, como se tivesse sido jogado numa realidade completamente diferente.
– Dean, o que...?
– Eu não sei! — se afastou de Cas, que ainda permanecia muito confuso e envergonhado — Eu sinto muito... Eu... É que seus olhos... você tava chorando. Que merda. — chutou o balcão — Não era pra isso ter acontecido.
– Não precisa se desculpar, tá tudo bem... — Castiel disse, bem calmo.
– Não tá tudo bem! — Dean se afastou do balcão e fez seu caminho para fora do bar.
Dean andava sem rumo pela imensidão daquele hotel. Tudo que ele queria agora era dormir e acordar na sua cama lá no Kansas, tomar um café preto, ver seu tio Bobby lendo jornal, implicar com o Sam e ouvir seu pai tagarelando sobre qualquer coisa. Queria voltar para tudo aquilo que já conhecia e que não lhe dava esse estranhamento interno.
Estava parado sobre a borda de uma piscina, quando sentiu que alguém lhe cutucara o ombro.
– Dean, — era Sam, com sua bolsa de guitarra na mão — você esqueceu isso lá em cima.
– Valeu. — disse, sem nenhuma ânimo ou preocupação na voz.
– Olha, sobre tudo o que eu disse lá em cima... não é verdade, tá? — Sam começou — Foi só da boca pra fora, pra tentar atingir você porque eu tava com muita raiva. Eu não acho que você seja infeliz. Desculpa. Eu sei que você não vai me perdoar tão cedo, mas é sincero. A verdade é que eu tava com muita saudade de você e...
Dean então abraçou o irmão com muita força. Sam se assustou de início por não estar esperando, mas logo abraçou de volta e ficaram se abraçando por um bom tempo.
– O que tá acontecendo com você? Eu pensei que você achasse que abraços não eram muito punk rock. — Sam falou, se soltando.
– Eu não sei, eu não to me sentindo eu mesmo agora.
– De uma forma boa?
– De uma forma... estranha.
– Acho que você precisa de uma bebida. Vamos, tem uma cabana aqui perto que...
– Não! — Dean gritou, mas logo se recompôs — Eu só preciso dormir, é isso. Eu posso usar seu quarto?
– Vai lá. — entregou-lhe a chave.
Quando Dean subiu e virou a chave na fechadura, deu de cara com a última coisa que queria ver naquele dia.
Lucy estava deitado na cama vendo netflix, porém da maneira como veio ao mundo. Dean fechou a porta depressa.
– Mas que porra você tá fazendo no quarto do meu irmão?! — abriu uma fresta da porta e gritou.
– A conexão tava ruim no meu quarto. Eu coloco um short, pode entrar.
– Obrigado, mas eu acho que não consigo mais. Nada pessoal com você e seu... — a palavra engasgou na garganta de Dean — e seu netflix.
Apertou o botão do elevador de novo, completamente desesperado. Quando as portas se abriram, lá estava Gabriel. Ele parecia um pouco melhor do que quando saiu do bar.
– Deano! — só um pouco melhor — Está perdido?
– Mais ou menos. Estou procurando um lugar que eu possa desabar sem ter que pagar nenhum tostão.
– Eu posso arrumar um quarto pra você. — puxou Dean para dentro do elevador. Em seguida, colocou a mão dentro do bolso da jaqueta e de lá, tirou quase dez chaves. Entregou-lhe uma delas. — Toma, acho que não tem ninguém nesse aqui. Mas é só emprestado, tá?
– Sério? Eu tava pensando em um banco de praça.
– Devolva no fim do dia que tá tudo bem. — apertou o botão do 15° — Só porque você e meu irmãozinho são chegados.
– O que você quer dizer? A gente se conhece muito pouco. Olha, não é nada dis...
– Ei, ei, não precisa ficar nervoso, foi só uma brincadeira. — Gabriel riu, mas depois mas depois foi fazendo uma cara de dúvida como se estivesse montando um quebra-cabeça mental.
Dean saiu do elevador antes que qualquer outra coisa fosse dita. Rapidamente encontrou o quarto 1510 que sua chave indicava.
Destrancou e encontrou uma bonita cama vermelha, muito convidativa, com paredes cor de salmão. Muito mais luxuoso que o quarto de Sam. Ficou pensando se cada andar era de uma cor ou só aquele quarto era assim, mas resolveu que não tinha tempo para pensar em padronização estética e que era melhor tratar de dormir.
Tirou os sapatos e se jogou na cama.
E o sono que não vinha?
O incidente no bar não parava de reprisar na cabeça de Dean. Podia muito bem colocar a culpa no drinque, mas isso seria mentir para si mesmo. Dean sabia que beijou Cas principalmente porque tinha odiado tê-lo feito chorar. Mas também seus olhos e talvez seus lábios... Tinha sentimento em seus olhos. Ele só tinha visto esse tipo de coisa em olhos de meninas até agora, mas não no de nenhum menino. Não que ele olhasse pros olhos dos meninos. Ok, ele olhava, ele sabia. Mas isso não queria dizer que ele não era hétero, queria? Ele só prestava atenção demais no que estava a sua volta, era isso. E também, ele gostava de corpos femininos e isso era algo que ele sempre teve certeza.
Dean sabia que gostava de Cas como amigo. Ele era tão gentil, atencioso, engajado, habilidoso, basicamente o espírito livre que Dean não era. Não queria que parassem de falar um com o outro só por causa daquele beijo idiota, como geralmente acontece nos filmes. Por mais que quisesse ir pra casa e fingir que nada daquilo aconteceu, sentia necessidade de se despedir de Cas de uma forma legal, sem nenhum mal entendido.
Então estava decidido, ia dormir, acordar, entregar a chave pro Gabriel, se entender com Cas e puxar Sam pelos cabelos até o Kansas.
Tratou de dormir, mas dessa vez de verdade. Conseguiu até tirar uma soneca de aproximadamente 45 minutos, porém aquele definitivamente não era seu dia. Foi acordado por um grito.
– O que você tá fazendo no meu quarto?
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