Journey

14 Catorce


Notas iniciais
Meio pão de queijo pra pessoinha que disse personagem novo. Hohoho. Acho que vocês vão me odiar durante esse capítulo, mas depois vai ficar tudo bem. Mais ou menos. Tá, haha, é melhor calar a boca e deixar vocês lendo.

Dean pulou da cama com o susto. Se deparou com uma moça de roupão e cabelos vermelhos, que o encarava numa mistura de medo e irritação.

– Isso é um assalto?

– Assalto? — Dean disse, catando seus sapatos do chão — Eu tava dormindo!

– Olha, moço, você é muito bonito, mas se você encostar um dedo em mim... — Ela ameaçou, com uma escova na mão.

– Calma, foi só um mal entendido. Aqui. — tirou a chave com o número do quarto do bolso — Eu também tenho a chave, me disseram que o quarto tava desocupado.

– Hmm, igual naquele filme que as duas famílias alugam a mesma casa? — ela perguntou, abaixando a escova.

– Sim, isso mesmo. Só que sem criança nenhuma, porque só tem eu e você aqui. — ele falou, acidentalmente deixando uma tensão estranha no ar.

– Meu nome é Anna Milton. — ela estendeu a mão, a qual Dean rapidamente segurou e apertou com delicadeza.

– Dean Winchester. Desculpa por isso tudo, essa gente da gerência é muito incompetente. — disse pensando na surra que ia dar mais tarde em Gabriel — Eu vou lá reclamar...

– Mas espera! — ela falou — Eu acabei atrapalhando seu sono, você vai se irritar com essas coisas agora? Não quer ficar, descansar e depois você arruma um outro quarto pra você?

– Obrigado, mas não acho que eu vou consigo dormir mais.

– E quem falou em dormir? — ela disse, com um sorriso. Dean não soube o que responder. Uma moça bonita de roupão, num quarto de hotel maravilhoso, fazendo uma proposta daquelas. Era basicamente seu maior sonho quando tinha 15, 16 anos. Por mais que gostasse de sexo e de meninas bonitas de roupão, aquele dia já estava confuso demais. — A gente pode ver netflix. — Anna disse, interrompendo os pensamentos dele.

– Ah... Ah, claro, pode ser. — Ele riu. Daquele jeito era melhor, pelo menos por enquanto. Seria muito bom poder apenas se preocupar com problemas fictícios pelas próximas duas horas.

Dean debruçou-se sobre a cama e ficou escolhendo o filme, enquanto Anna foi trocar aquele roupão.

A moça voltou quinze minutos depois vestindo uma camisola. O quarto todo estava cheirando a perfume, mas Dean não notou nada. Estava hipnotizado pelo filme que havia escolhido.

– Isso é Ghost, do Outro Lado da Vida? — ela riu — Pensei que você fosse escolher alguma coisa de ação.

– Eu olhei o nome e pensei que fosse um filme de terror. — Dean disse — Mas é só uma história muito triste.

Anna riu e se acomodou ao lado de Dean. A cama era grande o bastante para os dois, mas ela se encostou nele o máximo que pode. Dean tentou chegar para o lado, mas não deu muito certo. Resolveu ignorar.

A medida que o filme ia passando, Anna fez várias tentativas de aproximação, todas sem sucesso porque Dean estava realmente muito concentrado na história.

Quando Anna tentou entrelaçar sua perna na de Dean, ele resolveu falar.

– Você não tá aqui pra ver o filme, né? — Dean disse, deixando a menina envergonhada — Se você queria alguma coisa a mais, você devia ter deixado claro no começo.

– Desculpa, eu estava tentando criar um clima... Eu pensei que estava bem óbvio.

– É, mas não. Você não cria climas, essas coisas acontecem... sem que a gente queira. — o incidente de mais cedo lhe veio a mente. Dean chacoalhou a cabeça numa tentativa de espantar a lembrança.

– Você tá bem?

– É que eu me lembrei... Ah. Dane-se. Quer saber o que realmente vai apagar minha memória? — disse em voz alta, como se ela estivesse a par de seus pensamentos também.

– Ahn? O que você dis... — antes que Anna pudesse terminar a frase, Dean a calou com um beijo. A ação foi ficando mais intensa, mas num momento entre beijos, os olhos dos dois se encontraram. Anna tinha olhos azuis bonitos, quase tão bonitos quanto os de... Cas. Dean rapidamente se afastou da moça.

– Por que isso tá acontecendo? — colocou a mão sobre a testa. Dean então percebeu que não ia conseguir ter sossego até que essa história toda ficasse bem resolvida. — Desculpa. Eu não tô muito bem hoje, a gente se vê...

Anna ficou encarando confusa.

Com sua bolsa de guitarra na mão e seus sapatos devidamente calçados, deixou o quarto de hotel dando de cara com Gabriel no corredor.

– Menino Dean, que bom que eu te encontrei! Acho que já tinha alguém naquele quarto...

– É, eu percebi. — bateu com a chave na mão de Gabriel — Eu vou passar o resto do dia dentro de uma bolha, talvez assim nada dê errado.

– Tá de tromba, é? Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceram muitas coisas. — Dean suspirou — Você viu o Cas?

– Acho que ele disse que ia comer, dá uma olhada no restaurante do segundo andar. A propósito, — Gabriel deu uma batidinha no braço de Dean — toda noite tem festa lá no karaokê. Dá uma passadinha lá. Você precisa ver as maravilhas que eu sei fazer com um microfone na mão.

– Não, valeu. — Dean riu — Té mais.

– Você que sabe... Seu irmão sempre tá por lá. Ah, Sammy, Sammy, Sammy, se você tivesse mais de 18...

– Não fala do meu irmão, seu pervertido! — Dean gritou e correu atrás de Gabriel, enquanto o outro fugia, às gargalhadas.

Desistiu da perseguição e desceu pelo elevador. Achou muito cômodo o fato de que Cas estava no restaurante, pois estava morrendo de fome. Simplesmente tinha esquecido de comer o dia todo e já eram quase 7h da noite.

Adentrou o restaurante (que ocupava o andar todo) e logo avistou a mesa de Castiel.

– Dean, aqui! — o menino acenou — Você acredita que eles tem um cardápio vegetariano?

Dean acomodou-se a mesa. Castiel ficou muito tempo falando sobre os pratos. "Será que ele esqueceu o que aconteceu?" Dean pensava "Ou será que ele está ignorando de propósito?".

– Você vai querer o quê? — Castiel perguntou, tirando Dean de seus devaneios.

– Qualquer coisa, deixa eu ver. — pegou o cardápio da mão de Cas — Lasanha. Pronto.

Cas fez sinal pro garçom e passou-lhe todas as informações. Dean permaneceu em silêncio durante a refeição toda. O atendente chegou com a conta e Dean pegou a caderneta por costume, mas Castiel o interrompeu.

– Não, a partir de agora, é tudo por minha conta. Tudo, tudo.

– Bem, você que sabe. — Dean deu de ombros. O garçom se afastou, mas os dois ainda permaneceram mais um pouco na mesa. — Cas, sobre a coisa do bar... A gente ainda é amigo, né?

– Claro. — Cas sorriu — Eu entendi que você não acha que eu fiz o que eu fiz por mal, nem esquenta.

– Que bom, mas — Dean olhou para baixo — não era exatamente disso que eu tava falando...

– Ah, você quer dizer o selinho? — Cas riu — Por favor, eu sei que foi só por amizade, pra me fazer parar de chorar. Foi inesperado, sim, mas se fosse um beijo de namorado, ia ser mais intenso, né? — Dean ficou boquiaberto. Primeiro, não conseguia acreditar que tinha passado o dia todo em crise por uma coisa que Cas classificou como banal. E segundo, como assim foi pouco intenso? — Dean? Foi de amizade ou...?

– Sim, sim, amizade. — respondeu depressa — Eu não sou... gay, você sabe... V-você é?

– Eu não sou nada. — Castiel revirou os olhos — Eu não entendo essa necessidade que as pessoas tem de classificar tudo, mas enfim... Você vai no karaokê hoje?

– Não sei. — Dean ainda se sentia estranho, apesar da conversa ter sido relativamente fácil. — Ainda nem decidi se a gente vai ficar até o dia do show ou não.

– Por que a gente não vai lá no karaokê agora e amanhã de manhã você resolve, hein? — Castiel disse, se levantando — Vamos!

Notas finais
Até o próximo, pessoas. o/