Notas iniciais
Eu sempre dou um jeito de meter um karaokê em fanfic.

Aquele tinha sido um dia muito longo e Dean não estava com nenhum espírito de festa, mas não pôde fazer muita coisa com Cas o puxando pelo braço.

– Aqui é o karaokê? — Dean perguntou quando finalmente pararam em um andar cheio de gente dançando ao som de uma música k-pop que tocava bem alto. As luzes se dividiam entre tons pastel de rosa e azul e tinha muita fumaça de gelo seco no ambiente. Havia vários sofás em forma de meio-círculo espalhados, com grupinhos (ou quem sabe integrantes de bandas?) conversando animadamente. Além disso, um bar e alguns postes metálicos.

– Não. — Cas respondeu alto, devido ao barulho — O karaokê é a porta prateada, do outro lado da pista. E eu preciso usar o banheiro de lá.

– Espera, Cas, não tem espaço, eu to carregando a guitarra... — Cas não chegou a ouvir, sumiu na multidão. Dean ficou lá parado com a sua bolsa pensando que era só isso mesmo que faltava, se perder num ambiente daqueles. Que dia...
No meio de toda aquela confusão, acabou avistando Sam e sua banda, bebendo em um canto.

– Que bonito, hein, Sam. — Dean disse, puxando o copo da mão do garoto — Desde quando você bebe assim? Quantos anos você tem mesmo?

– Olha quem fala. — Sam riu e o olhou desafiadoramente — Dá isso aqui, eu preciso afogar minhas mágoas.

– Que mágoas, garoto? — a menina de cabelos compridos, Ruby, passou o braço por volta dele — Tá tristinho porque o My Chemical Romance acabou?

– Não enche, Ruby. E não se brinca com coisa séria. — Sam falou — Eu poderia até explicar, mas vocês nunca vão entender.

Lucy encheu seu próprio copo e entregou-o na mão de Sam.

– Tadinho dele, aqui, bebe mais. — riu junto com Ruby, enquanto Dean encarava bem sério — Você precisa ver como seu irmão fica engraçado bêbado. Ele começa a reclamar e a falar de casa, é imperdível!

– É isso. Chega, Sam, vamos embora daqui. — Dean tentou puxar o irmão, que resistia.

– Eles tão brincando, Dean. Não precisa se preocupar. — Sam falou — Você devia parar de cuidar da minha vida e tratar de aproveitar a festa.

– Quem é o seu amigo que te trouxe pelo braço, irmão-do-Sam? — Ruby perguntou a Dean — Nunca vi ele por aqui.

– Você tem um amigo? — Sam sorriu — Como assim? Você não consegue fazer amigos!

– Muito sutil, Sam. — Lucy comentou, dando um tapinha nas costas do menino — Adoro você bêbado.

– Cala a boca, Sam. — Dean disse, parecendo muito ofendido — Olha, eu tenho que encontrar ele, você pode segurar minha guitarra pra mim?

– Deixa aí. — o menino falou, despreocupado — Eu fico de olho.

Dean então entregou a alça da bolsa na mão de Sam e o olhou bem fundo nos olhos.

– Muito. Cuidado. — saiu sem dizer mais nada.

Achar Cas parecia impossível, o lugar estava lotado de gente. Todos os sofás e pilastras metálicas eram idênticos. Dean sentiu que estava andando em círculos. Até o tal karaokê conseguiu encontrar, mas nem sinal de Cas.

A sala de karaokê era bem ampla e pouco iluminada. A maior parte da luz vinha de um telão onde a letra da música ficava passando, posicionado acima de um palco onde o calouro da vez se aventurava.

Pausou sua busca quando viu uma figura conhecida no palco.

– GIMME, GIMME, GIMME A MAN AFTER MIDNIGHT — Gabriel performava — WOOON'T SOMEBODY HELP ME...

As pessoas pareciam estar gostando e não era para menos, a nota dele foi altíssima. Em meio a aplausos, ele desceu do palco. Dean foi rapidamente a seu encontro.

– Olha só quem veio me ver!

– Não mesmo, eu só quero saber se você viu o Cas.

– Vi sim, mas essa informação vai te custar o telefone do seu irmãozinho. — Gabriel sorriu.

Dean deu uma risada sínica.

– Pode rir, mas se você não me der, eu vou conseguir sozinho.

– Ok, chega — Dean segurou Gabriel pelo colarinho — Se você chegar perto do meu irmão...

– Ali, olha! — Gabriel apontava e tentava se soltar — O Cas tá ali.

Quando Dean se virou, encontrou Cas com os lábios colados em uma menina de cabelo azul.

– Mas que...? — Dean soltou Gabriel e ficou observando perplexo. Sentiu alguma coisa queimar no fundo de sua alma. — Eu vou acabar com isso agora!

– Que isso, Deano. — Gabriel falou confuso — Deixa o menino ser feliz. Até parece que você tá... — Não terminou a frase, mas também era inútil, pois Dean já estava longe demais (tanto em distância quanto espiritualmente) para ouvir qualquer coisa.

Cas ficou alternando entre beber coquetéis coloridos e beijar pessoas aleatórias, de todos os gêneros. Toda vez que Dean tentava se aproximar, alguém entrava no meio e o tirava do caminho. Tudo estava muito confuso.

Acabou perdendo Cas de vista mais uma vez e só foi encontrá-lo no palco.

– Olá, gente, eu não vim cantar — Cas anunciou no microfone — Eu só queria dizer que eu amo todo mundo nessa festa! Uhu!

As pessoas gritaram e assoviaram. Dean então correu as escadas e tirou o microfone da mão de Cas. A platéia começou a vaiar.

– Olá, Dean, você sumiu. — passou as mãos pelo pescoço de Dean. Jogou tanto peso em cima do loiro que parecia que não tinha mais forças para ficar em pé.

– Cas, o que deu em você? — Dean tentou se soltar do abraço, mas Cas o segurava muito forte. Quando percebeu, o garoto estava desacordado em cima dele.

Dean entrou em desespero. Carregou Cas sobre um dos ombros e rodou a festa procurando Gabriel, que por sua vez estava conversando com Sam. Assim que avistou Dean segurando seu irmão, despediu-se e foi ajudá-lo.

Juntos eles carregaram Cas até o 30° andar e pararam em uma porta laranja, diferente de todas as outras do hotel.

– É melhor você colocar ele debaixo do chuveiro. — Gabriel falou.

– Tem certeza? Ele tá desmaiado.

– Então vamos esperar um pouco.

Dean colocou Cas na cama e sentou-se na beirada, enquanto Gabriel ficou sentado no chão.
Aquilo nem parecia um quarto de hotel. As paredes eram cobertas de pôsteres de banda e assuntos variados, havia tapetes cobrindo praticamente todo o chão, uma arara com roupas penduradas, cortinas estampadas, um relógio em formato de sol, cd's e discos de vinil, uma televisão, ar-condicionado e a coisa mais legal que Dean já tinha visto: uma luminária de lava.

– É impressão minha ou esse quarto foi feito sob medida pro Cas? — a voz de Dean era o único barulho no meio do silêncio que o ambiente trazia.

– Na verdade, esse quarto é dele. Intacto desde que ele saiu.

– Então vocês moram no hotel, tipo Zacky e Cody?

Gabriel riu e fez que sim com a cabeça. Dean olhou para o relógio em formato de sol e já passava da meia-noite. O dia ruim parecia ter acabado e era mais ou menos assim que se sentia também. A calmaria estava quase lhe dando sono, mas não queria dormir até que Cas despertasse. E como ele dormia profundamente!

– Pobre Dean... — Gabriel suspirou — você gosta dele, não gosta?

Notas finais
Poxa, eu sempre quis ter uma luminária de lava. Kissus, até o próximo.