Notas iniciais
Eu devo ter usado a palavra riponga umas duas vezes nesse capítulo. É uma maneira meio que pejorativa de chamar os hippies, mas nha, nada que vocês não saibam. Enfim, capítulo.

– Mas não, eu não tenho dinheiro pra passagem de avião, que isso. — Dean riu. — Você tá louco?

– É por minha conta. — Cas falava com bastante confiança — E quanto a todo o dinheiro que você gastou comigo esses dias, pode ficar tranquilo que eu vou te devolver cada centavo.

– Cala a boca, Cas, você não tem como me pagar. Eu já entendi isso e eu não me importo. Eu tô fazendo isso porque eu quero.

– Eu tenho como te pagar. E eu vou.

– Você não vai vender seu cabelo, vai? — Dean deu uma risada sem graça. Cas não riu junto. — Ok, tem algo de muito estranho nessa sua "aura" — fez um gesto imitando aspas com os dedos — que você não tá me contando.

Castiel olhou para baixo e começou a picotar um guardanapo em mil pedacinhos.

– Tem sim — foi falando devagar — uma coisa que você não sabe. Mas eu não quero falar ainda.

– Como assim? — Dean tentava olhá-lo nos olhos, mas ele não virava o rosto.

– É algo que eu não me orgulho muito. — levantou o rosto e se assustou ao encontrar os olhos verdes de Dean tão focados nele, mas continuou — Tudo bem se a gente deixar isso pra depois?

– Sem problemas. — Dean sorriu. Não estava plenamente satisfeito com a resposta, mas achou que devia a Cas um voto de confiança.

– Puxa, obrigado. Você é mesmo um homem muito honrado.

– Que isso, cara. — Dean sacudiu a cabeça, em negativa — Não tem nada de especial sobre mim.

– Você é literalmente a melhor pessoa que eu já encontrei. De verdade.

– Então certamente você tem andado com muita gente ruim. — Dean abaixou a cabeça, esperando que não estivesse com as bochechas vermelhas nem nada idiota assim.

– Talvez. — Cas também abaixou a cabeça. Ficaram uns minutos só ouvindo os sons do ambiente. Pessoas conversando, bandejas, copos batendo uns nos outros e música de fundo suave.

Sem pedir, Cas puxou para si a bolsa de guitarra. Abriu-a e tirou a majestosa guitarra preta de dentro. Dean não disse nada, apenas acompanhava seus movimentos com os olhos.

Naquela bolsa só tinha espaço para a guitarra, nada de amplificador, cabos, palhetas ou afinador. Castiel franziu o cenho.

– Por que você trouxe sua guitarra afinal?

– Não gosto de viajar sozinho. — Dean disse em tom de brincadeira, mas o motivo era esse mesmo.

– O som fica bem baixinho sem amplificador. — Cas começou a tocar riffs que não eram estranhos a Dean.

– Isso... isso é Nirvana? — perguntou — Nossa, não sabia que Nirvana estava incluído na cartilha de iniciação riponga.

– É sim. E não tem nada disso, eu gosto de tudo, Dean. Não sei por quê as pessoas se privam das coisas boas da vida por simples preconceito.

– Então você escuta... — Dean pensou numa coisa muito louca e aleatória pra dizer, mas nunca fora muito criativo — Lady Gaga?

– I WANT YOUR LOVE AND I WANT YOUR REVENGE, YOU AND ME COULD WRITE A BAD ROMANCE — com guitarra e voz, Cas começou a performar — OH OH OH OH OOOH...

– E Madonna?

– LIKE A VIRGIN, HEY! — Cas imendou uma música na outra, sem perder o ritmo — TOUCHED FOR THE VERY FIRST TIIIME!

Dean gargalhou. Sem perceber, tinham começado um jogo musical, no meio da cafeteria.

– Hm, e agora... Miley Cyrus?

– YOU GET THE BEEEEST — a voz de Cas era agradável e afinada — OF BOTH WOOORLDS!

– Rá, peguei você! — Dean bateu na mesa — Isso é Hannah Montana. Eu estava me referindo a carreira solo.

– Mas e daí? Elas são a mesma pessoa. — Cas parou de tocar e guardou o precioso instrumento de Dean na bolsa — Quem diria, hein, você assistindo Hannah Montana.

– E aquele papo de não se privar das coisas boas da vida por preconceito, hã, hã?

– Você acabou de classificar Hannah Montana como uma das coisas boas da vida — Cas disse e os dois compartilharam uma risada — Ai ai... Mas isso é muito sério e vale para a maioria dos aspectos da vida. Música, arte... — contava nos dedos a medida que ia enumerando — comida... amizade, lugares, amor, essas coisas.

Dean ficou sem jeito por alguns segundos. Ficou pensando o que Cas quis dizer com aquilo tudo.

– Bem, então eu acho que vou tentar comida árabe um dia desses. — deu uma risada de nervoso — Realmente não dá pra julgar nada antes de tentar.

O assunto parecia ter morrido. Cas então levantou-se e foi até o banheiro, enquanto Dean levava os copos vazios para o balcão. Na volta, foi a vez de Dean ir ao banheiro.

Cas então fez sinal para o ônibus, enquanto Dean vinha correndo se juntar a ele.

– É um ônibus pro aeroporto. — Cas explicou.

– Droga, então a gente vai mesmo de avião?

– Algum problema?

– Ônibus é tão mais confortável. — tentava não parecer nervoso — Tão mais seguro, você não acha?

– Mais confortável que a classe executiva? Duvido muito.

– Pensei que gente riponga não ligasse pra conforto. Você sabe, Woodstock, Lollapalooza...

– Eu sei, não fui eu que insisti com isso. Ai, é que... — Cas ficou sem palavras. Ele queria muito falar sobre aquilo, mas ao mesmo tempo, evitava ao máximo.

– Tá, entendi, é seu segredinho. — Dean suspirou — Caramba, você é príncipe da Genóvia ou algo assim?

Foram interrompidos pelo motorista do ônibus.

– Vocês vão subir ou não?

– Vamos sim. — Castiel entrou e estava prestes a passar pela roleta, quando viu que Dean não o acompanhava.

Dean ainda estava parado na entrada, sem nem sequer ter subido em nenhum degrau da escada do ônibus. Olhou para o motorista e depois para Cas.

Notas finais
Até capítulo que vem (que eu não sei se eu vou postar amanhã, porque amanhã é o dia do Hobbit, chorando aqui). Beijinhos.