Journey
8 Ocho
Notas iniciais
– Está tudo bem, Dean? — Cas perguntou, vendo que o outro ainda estava parado na porta. — Dá essa bolsa pra cá, eu te ajudo a subir.
Dean respirou fundo e se deixou ser ajudado por Cas.
Eram 02:00 da manhã e os dois já estavam devidamente posicionados no ônibus, que chegaria ao aeroporto por volta das 03:30.
– As pessoas voam de avião todos os dias, né? Deve ser bem rápido. Eu espero que seja. Eu fico de queixo caído quando eu penso em como um troço pesado daqueles, com um monte de gente dentro, consegue se manter no ar. Sério, é incrível, você não acha? — Dean deu uma risada de nervoso — E ainda tem as bagagens. Realmente, um milagre ambulante, se você for pens...
– Você ainda tá falando? Eu me distraí com esse chaveiro acolchoado e viciantemente apertável que eu achei aqui perdido no chão.
– Cara... — deu um tapa na mão de Cas, deixando o objeto cair — Você não tá me ouvindo.
– Eu tô te ouvindo. Você tá nervoso desde antes de subir no ônibus porque tem medo de avião. Mas não fica assim, Dean, vai dar tudo certo. — pegou o chaveiro de volta e o entregou na mão de Dean — Aqui. Você pode ficar apertando isso se se sentir nervoso.
Dean olhou o objeto que tinha na mão por algum tempo e sem nenhum aviso prévio, o tacou pela janela. Não demorou nem dois segundos para sua consciência pesar e ele se arrepender do que fez.
– Droga. Eu sinto... Eu... Não foi de propósito, tá? Foi por impulso. Que droga! Eu nunca consigo fazer nada direito! Eu toco as notas depressa demais, eu deixei o Sam fugir, eu só dou trabalho pro meu pai e... — virou para Cas, que o observava com uma expressão bem serena — Que cara é essa? Você deveria estar me batendo agora.
– Eu não estou zangado. — Cas sorriu e colocou a mão sobre o ombro de Dean — Não acho que as pessoas devam brigar por coisas materiais. E não tem problema nenhum em estragar tudo, isso é a coisa mais humana que existe. O importante é que você está tentando acertar.
Dean não queria admitir, mas naquele momento, sentiu como se um peso enorme tivesse saído de si. Ele realmente queria acreditar no que Castiel tinha acabado de dizer, mas parar de se cobrar tanto soava como fugir da culpa que sentia.
– Tá, eu agradeço pelas palavras bonitas, mas — pegou a mão de Cas que estava em seu ombro e, mais devagar do que pretendia, devolveu-a — guarde esse seu discurso pra agradecer pelo seu futuro Prêmio Nobel da Paz.
Cas não disse nada.
Acabaram dormindo no ônibus e foram acordados pelo motorista, assim que chegaram ao aeroporto.
Enquanto andavam até o balcão, Dean (agora mais descansado devido à horinha de sono) começou a pensar nos detalhes técnicos daquilo tudo. Afinal, precisariam de passaporte e documentos se quisessem pegar um avião, não é mesmo? Aquilo ali era a vida real e não uma obra de ficção onde esses detalhes não importam, não, existia uma burocracia enorme.
Seus pensamentos foram interrompidos no momento em que se depararam com uma moça vestida de pilota, segurando uma placa com o nome de Castiel escrito.
– Você conhece? — Dean perguntou a Cas, apontando para a moça.
– Olá, Hannah. — Castiel acenou — Não acredito que aquele babaca fez você voar até aqui, em plena sexta-feira de madrugada. É só pra me provocar, eu juro.
– Desculpa, senhor, eu só estou cumprindo ordens. — a moça respondeu, quase que fazendo uma mini reverência.
Começaram a andar para onde a moça os guiava. Subiram escadas rolantes e passaram por muitas portas, até chegarem ao que parecia ser a cobertura do aeroporto. Um avião de pequena estatura os aguardava.
– Um jatinho? — Dean perguntou, quase exclamou, na verdade — Eu posso perguntar o que tá acontecendo aqui ou...?
– Vendo pelo lado positivo, é menor que um avião. E mais vazio. — Cas argumentou enquanto subiam e se acomodavam. — Talvez você não tenha tanto medo.
– Ok, mas... — a moça prendeu os cintos dos dois rapazes — De quem é isso? É seu? — Cas não respondeu nada — Fala, Cas, é esse seu segredo? Você é cheio da grana?
– Hm, não, eu não sou cheio da grana. Pare de tentar adivinhar, por favor.
– Wow, lá se vai minha melhor teori... AH!
– O que foi?
– OLHA, A GENTE TÁ SAINDO DO CHÃO. — como que por impulso (mais uma vez o tal do impulso) Dean agarrou a mão de Cas, mas logo a soltou, vendo que o garoto começou a corar — Desculpa, eu não... caramba, isso foi muito gay.
Dean fechou os olhos o mais forte que podia ("o que os olhos não vêem, o coração não sente" ele pensou), mas o frio na barriga aparecia toda vez que lembrava que estava longe do chão.
Cas então estendeu a mão que Dean apertara antes. O garoto do Kansas abriu um dos olhos, um pouco assustado.
– Eu não me importo, — Castiel disse — se isso te deixa mais seguro, pode apertar.
– É que... — apontou com os olhos para Hannah, que pilotava o jatinho.
– Ela está concentrada demais, nem vai notar. E... eu não conto pra ninguém, se isso faz você se sentir melhor.
– Ok, Cas, você acabou de tornar isso mais gay ainda.
Dean olhou, olhou, hesitou, mas depois, segurou a mão de Cas com total consciência do que estava fazendo.
– É só porque eu...
– Eu sei.
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