Journey
9 Nueve
Notas iniciais
– Vocês querem comer alguma coisa? — a voz de Hannah veio pela porta aberta da sala de controle — Acho que temos umas trufas no mini-bar.
– Não ouse tirar as mãos do volante, moça! — Dean falou alto o suficiente para Hannah ouvir.
– Eu pego. — disse Cas, já abrindo a porta vermelha do mini-bar. Havia três horas que estava andando de um lado para o outro naquele jatinho, enquanto Dean nem o cinto ousava tirar.
Não encontrou trufas. Apenas uma metade de cheesecake e uma garrafa de espumante aberta.
– Eca, torta e álcool, que tipo de pessoa mistura isso? — deu uma cheirada, só pra checar a validade.
– É, né? Que tipo de pessoa... — Dean tossiu. — Traz aqui que eu vejo o que eu posso fazer.
– A gente já tá voando há quase cinco horas, ainda não se sente seguro o bastante para andar até aqui?
– Até eu entender profundamente o mecanismo desse troço, não, eu acho que não.
– Turbinas! — Hannah gritou. Foi nesse momento que Dean percebeu que ela conseguia ouvir tudo que eles falavam, mas deixou essa informação em segundo ou terceiro plano na sua mente. — Eu posso explicar, se quiser.
Dean se livrou do cinto e foi se apoiando em cada poltrona até chegar a sala de controle. Antes, só parou perto do mini-bar, onde tirou um pedaço da torta com o dedo, pegou a garrafa da mão de Cas e deu um gole direto do gargalo.
As outras três horas de viagem se resumiram a Dean e Hannah discutindo física, Cas comendo e anotando qualquer coisa em seu caderninho pessoal e mais uma hora de soneca, antes da tão esperada chegada a Hollywood.
Era quase meio-dia quando chegaram. Ao saírem do jatinho, Hannah os levou até o lado de fora do aeroporto, onde um conversível vinho os aguardava. De dentro dele, um homem levemente mais baixo que Cas saiu, vestindo uma camiseta branca, jaqueta por cima, luvas de couro, quepe de motorista, carisma e atitude.
– Cassie, quanto tempo! — descalçou as luvas, deslizando-as pelos dedos — Quem é o bofe?
– Ué, Gabriel, você é motorista agora?
– Imagina, estou só cobrindo pro Village People, caso falte alguém no YMCA, cê sabe. — a ironia em sua voz era perceptível. Dean chegou a soltar um risinho. — Brincadeira, sou meio que um faz-tudo agora, mas meu contrato diz "assistente pessoal".
Gabriel abriu a porta do banco de trás para Dean e a bolsa de guitarra, enquanto Cas sentou no banco da frente, sem muita cerimônia.
O tempo estava limpo e ensolarado. Por algum motivo, parecia que em Hollywood era sempre assim. Cabelos ao vento, Funkytown tocando na rádio e o famoso letreiro no alto.
– Pra onde exatamente estamos indo? — Dean perguntou
– Lar doce lar. — Gabriel olhou o relógio do painel — Se bem que é tão cedo ainda, não querem dar um rolê por aí? Temos o carro pelo resto do dia.
– Eu queria ir para a praia. — Castiel disse — Sinto falta de estar em contato com o mar. — Gabriel olhou para Dean, esperando alguma reação.
– Por mim tudo bem. — sorriu
Gabriel parou o carro perto de umas pedras e uns surfistas. Castiel e Dean desceram.
– Pode deixar a guitarra no carro, se quiser. Eu vou ficar aqui.
– Não vai descer não, Gabriel?
– Hm, não. Vou ficar apreciando a vista. — fez um movimento de cabeça em direção aos surfistas — Mas encontro vocês pro almoço.
– Ok, até mais. — Castiel acenou, enquanto caminhavam para longe do carro.
– Até mais, bebê. — Dean sussurrou, com os olhos fixos na sua bagagem.
– Você chamou sua guitarra de bebê?
Quando já estavam bem perto do mar, Dean sentou na areia para tirar os sapatos e as meias. Cas rapidamente se livrou de calças, tênis e blusa e se jogou no mar só de cueca.
Com a jaqueta amarrada na cintura, Dean observava Cas imergir e saltar da água como se fosse um golfinho.
– Você não vem? — Cas gritou
– Não, não tenho roupa de banho. — "E nem roupa nenhuma além dessa", Dean pensou.
– Deixa disso, a água tá maravilhosa!
Com a barra da calça devidamente levantada até metade da panturrilha, Dean chegou o mais perto que conseguiu do mar sem molhar a roupa. Cas ficou mais uns cinco minutos na água, mas depois foi se juntar ao Winchester.
Colocou as mãos atrás da cabeça e deitou ao lado de onde Dean sentava.
– Eu deveria ter pedido pro Gabriel pegar uma bermuda pra você.
– Eu não uso bermuda, cara. — virou o rosto para responder e não pôde deixar de notar que Cas era bem mais forte do que pensava.
– O que foi, Dean?
– N-nada. — virou o rosto de volta para o mar — Que mágica você faz pra conseguir ser vegetariano e não ser magrelo?
– Eu toco bateria.
– Sério? Além de me humilhar na guitarra, você ainda toca bateria? É só isso ou...?
– Baixo, teclado, acordeão, saxofone, flauta, piano e gaita. — deu um sorriso lateral rápido — Desculpa. Mas eu não vi você tocar ainda, não de verdade, sabe. O Stairway to Heaven manjado no quarto de hotel não conta.
– Assim que eu reencontrar meu bebê, eu vou te mostrar do que Dean Winchester é capaz. — Castiel riu e Dean riu junto — Mas esse festival, hein, é quando?
– Ontem foi sexta, hoje é sábado... Em uma semana, se não me engano.
– Uma semana?! — Dean afundou a cabeça entre as pernas — Quer dizer que ainda falta uma semana pra eu encontrar meu irmão? Meu pai e o Tio Bobby vão me matar!
– Na verdade, todas as bandas ficam hospedadas no mesmo hotel, se não me engano. Ele já deve estar lá.
– Hotel?! — Dean levantou depressa — Ai meu Deus, Cas, o que a gente ainda tá fazendo aqui?!
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