Journey
10 Diez
Notas iniciais
Cas e Dean já estavam devidamente instalados no conversível vinho, indo em direção ao tal hotel.
– Gabriel, você conhece esse menino? — Castiel apontou a foto de Sam no panfleto.
– Sam Winchester, vocalista da Demon Blood. — Ele disse, só com uma olhada rápida, sem tirar os olhos da estrada por mais de dois segundos. — Vinte e um anos na identidade, carinha de quinze e corpo de atleta do colégio. Não se surpreendam, eu conheço todo mundo.
– Ótimo, ele é meu irmão. — Dean disse, ignorando parcialmente as outras informações e indo direto ao ponto — Preciso encontrá-lo o mais rápido possível.
– Irmão, é? Ah, então você é o tal do Dean. Ele fala de você o tempo todo, geralmente quando está bebendo com as pessoas da banda. Gente bêbada fala demais, sabe como é. Ele não tem vinte e um de verdade não, tem?
– Não, claro que não. — Dean estava perplexo com todas as informações novas. Vocalista, pessoas da banda, bêbado? O carinha não conseguia nem sentir o cheiro de seu pai trazendo bebida pra casa que já dava um chilique!
– Deve ter identidade falsa, então. Mas relaxa, a maioria das pessoas tem uma. — Gabriel disse, terminando de sair do carro e entregando as chaves para um manobrista, que ia estacioná-lo.
Quando Dean e Cas deram por si, estavam na porta do tal hotel. E como era grandioso! Um resort, para falar a verdade. Dean estava maravilhado com todas aquelas piscinas e andares e salões largos, enquanto Cas parecia pessoalmente ofendido com tudo.
Na recepção, Gabriel trocou duas palavrinhas com o moço da entrada, ao mesmo tempo que apoiava o braço em volta do pescoço de Cas. Dean ficou pensando qual seria a natureza da relação entre aqueles dois, mas logo perdeu a linha de raciocínio quando Gabriel virou-se e o puxou para o elevador.
– Então, Deano, seu irmãozinho deve estar no quarto de hotel agora. — apertou o botão do sexto andar — Não tenho certeza se é o 665 ou 666, porque a banda dele é um trio e são duas pessoas por quarto, mas na hora você descobre. — apertou o botão do trigésimo andar — E quanto a nós, Cassie, tem alguém lá em cima com muita saudade de você.
– Eu não posso ir junto com o Dean?
– Não! — Gabriel riu — Gente, como vocês são apegados. Só Deus e a Hannah sabem o que aconteceu naquele avião.
O andar de Dean chegou. O garoto do Kansas saiu devagar do elevador e acenou.
– Bem, vou levar o menino pra casa. Adeus, Cas!
Castiel acenou timidamente. Não sabia que teriam que se despedir já ali e daquela forma. Mas era isso, a missão foi cumprida e assim que estivesse com Sam, não havia mais nada para Dean fazer ali.
O elevador foi se fechando e tudo que Dean conseguiu ouvir foi a voz estridente de Gabriel, em meio a risos.
– Ele te chama de Cas?!
Dean foi caminhando entre a infinidade de portas que encontrou. Setenta quartos por andar e trinta andares. Nem precisava fazer as contas para sentir como aquilo tudo era um mundo comparado a qualquer coisa em sua cidade natal.
Acompanhado apenas da sua bolsa de guitarra e sua jaqueta amarrada na cintura, Dean bateu na porta do 666.
Não demorou muito, foi recepcionado por um cara loiro de cueca samba-canção e um monte de tatuagens.
– Posso ajudar? — o homem disse. Dean reconhecia a cara dele do panfleto de shows. Era o tal moço loiro que estava na banda com Sam.
– S-sim. Eu preciso falar com o Sam, mas acho que eu bati na porta errada...
– Não, é essa porta mesmo. Sam, bêbe, tem alguém aqui querendo falar com você. — Ele gritou, colocando a cabeça pra dentro. O sangue de Dean fervia por não saber/não entender/não querer entender o que estava acontecendo. Quando o homem virou o rosto de volta para Dean, começou a rir. — É mentira, eu tô sozinho aqui.
– Ah... — Dean deu uma risada desdenhosa. — E onde tá o Sam?
– No quarto ao lado. Mas ele não está lá sozinho. — piscou — É melhor você bater devagar, as coisas devem estar bem quentes lá dentro, se é que você me entende.
– Ok, obrigado pela ajuda. — o homem fechou a porta — ...eu acho. — Dean sussurrou, indo em direção a outra porta e já quase batendo, quando o homem do 666 de repente abriu a porta de novo e se posicionou ao seu lado.
– Espera, eu tive uma ideia! — desenrolou da mão uma fita com uma chave na ponta — A gente pode abrir a porta sem que eles percebam.
– Acho que é melhor bater antes, eu não sei se quero ver o que tá acontecendo lá dentro.
– Não, espera, confia em mim, isso vai ser engraçado...
Dean revirou os olhos e deixou ele fazer o que queria. O mais importante era que em alguns minutos toda aquela palhaçada ia acabar e ele ia levar Sam para casa.
O homem rodou a chave e estava pronto pra abrir, quando Dean parou pra pensar se aquilo era realmente uma boa ideia.
Mas era tarde demais.
– Ahá! Eu sabia que vocês estavam transando! — ele gritou, pulando para dentro.
Sam estava sentado numa cadeira, lendo um livro, enquanto a menina de cabelos compridos (a mesma que Dean e Cas viram no panfleto) estava na cama, pintando as unhas do pé.
– Poxa, Ruby. — Sam falou, sem nem ao menos interromper a leitura — Se eu soubesse que a gente tava transando eu teria fechado meu livro. Que rude da minha parte.
– Lucy, seu safado. Eu não acredito que você pegou a chave reserva.
Ruby riu e tacou uma almofada no homem loiro, que desviou, fazendo com que o objeto atingisse Dean.
– Quem é esse aí? — ela perguntou.
– Esse quem? — Sam levantou os olhos do livro e tomou um susto — DEAN?!
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