Journey
11 Once
Notas iniciais
Os companheiros de banda de Sam deixaram os dois Winchesters a sós.
– Como você me encontrou? — o Winchester mais novo perguntou, fechando o livro.
– Muita sorte. Achei um panfleto com a foto da sua banda. — Dean revirou os olhos — Demon Blood? Sério?
– Foi o Lucy que escolheu.
– Lucy, Lucy... Esse é realmente o nome verdadeiro dele?
– Não, é Lúcifer, mas ninguém chama ele assim.
– Aposto que nem os pais dele devem chamar ele assim, cara, quem são essas pessoas? Quando foi que isso tudo aconteceu?
– Nós nos conhecemos dois anos atrás, na internet. — Sam disse as duas últimas palavras com muita cautela, pois sabia exatamente como Dean reagiria — Eu sei, eu sei, foi muito arriscado! Mas deu tudo certo, eles não são pedófilos e é isso que importa.
– Papai ia morrer se ouvisse isso. — Dean colocou a mão sobre os olhos — E ia voltar depois. Para te matar.
– Eles precisavam de um vocalista e eu secretamente sempre gostei de cantar. Daí a gente passou esses dois anos treinando por skype, até que esse festival apareceu...
– Daí você pula no primeiro trem pra Hollywood, deixa todo mundo preocupado e vai viver o sonho?
– Desculpa, mas não tinha outro jeito de fazer isso. Eu deixei um bilhete e agora que eu tô aqui, não posso abandonar a minha banda. Isso é muito importante!
– Importante a ponto de fugir? Sam, faça-me o favor, isso é só uma fase, você tem dezes-
– Só uma fase? Isso não é uma fase, Dean, isso é quem eu sou! — Sam gritou, quase chorando de raiva — Pela primeira vez na minha vida eu estou no centro de alguma coisa. Vocês nunca quiseram saber se eu estava feliz, se era aquilo que eu queria para o futuro. Ninguém se importa...
– Não, não, não, isso não! — Dean o interrompeu — Eu peguei um trem à meia-noite, eu quase fui preso, eu... eu andei de avião por você! Não venha me dizer que eu não me importo!
– Ninguém mandou você vir atrás de mim, tá? É tudo culpa minha agora?
– Não foi nada disso que eu quis dizer. — Dean respirou fundo — Olha, tudo bem, ninguém vai brigar com você, a gente volta pra casa agora, você pode ser o vocalista da banda, se quiser, e tudo volta a ser como era.
– Você acha que isso tudo é só por causa da bateria, né? Você realmente não entende. — Dean olhou confuso para Sam, que gesticulava enfaticamente — Eu quero conseguir as coisas por mim mesmo, eu tô... Deus, eu ficava sufocado com essa coisa de ter nascido já com a carreira planejada.
– E por que você nunca falou nada disso?
– Porque, ah cara... Isso tudo é só problema meu, entende? Vocês tinham encontrado a felicidade de vocês lá com a banda, então eu achei melhor fugir.
– Que felicidade, Sam? Desde que mamãe morreu a única felicidade que eu tenho é saber que as pessoas com as quais eu me importo estão perto e felizes.
– Certo, e todas as vezes que você ia pras festinhas pós-show beber com o papai e sei lá mais o quê? Você se divertia, não? Eu ficava sozinho limpando o palco com o Tio Bobby.
– Ok, eu me divertia, mas existe uma grande diferença entre diversão e felicidade. Todos nós precisamos de alguma diversão superficial para aguentar a vida. Mas felicidade...
– Wow! — Sam o cortou — E de repente a discussão está focada em você. Vê o que eu tô querendo dizer?
O clima naquele quarto de hotel estava pesado. Dean sentou-se na cama e ficou encarando o chão. Sam levantou-se e foi até a janela respirar.
– Eu acho que vou beber alguma coisa. — Dean disse, andando em direção a porta — Mas eu volto em meia hora pra buscar você com as malas prontas. Estamos entendidos?
– Não, não estamos, Dean. Eu vou participar do concurso sábado que vem e vou ficar com a minha banda. Ponto.
– E o que você quer que eu diga pro papai e pro Tio Bobby?
– Ué, a verdade! — Sam virou-se e encarou Dean — Por favor, Dean. Eu estou conseguindo viver pela primeira vez na vida e quem sabe, até encontrando felicidade.
– Sam... — Dean suspirou — Não torne tudo difícil.
– Você que tá tornando tudo difícil! Só porque você é infeliz, não quer dizer que todo mundo em volta de você também tem que ser! — as palavras de Sam caíram como bombas. Até ele próprio sentiu o quão pesadas elas foram, mas era tarde demais. Dean foi atingido.
– Quer saber, você tá certo... — não disse mais nada.
Apenas abriu a porta para sair dali o mais rápido possível. No momento que a abriu, fez com que Ruby e Lucy, apoiados na porta, ouvindo a conversa, caíssem no chão.
Dean desceu pelo mesmo elevador que subiu e foi a recepção perguntar onde ficava o lugar mais próximo em que poderia arranjar um drinque.
Caminhou então até a área das piscinas, onde encontrou um aconchegante estabelecimento de madeira acoplado ao hotel. Dean não entendeu se aquilo era uma tentativa de bar ou boate tropical, mas era pouco iluminado, salvo por umas luzes verdes bem fortes na parede. Uma banda tocava alguma espécie de música indie bem suave e algumas pessoas jogavam sinuca.
Foi direto para o balcão e bateu com o dinheiro na madeira.
– A coisa mais forte que você tiver, por favor.
– Nossa, você é a segunda pessoa que pede isso hoje. — disse o atendente, apontando para o menino ao lado de Dean, debruçado no balcão, com um monte de copos em volta.
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