Notas iniciais
Olha, nem vou falar nada, feliz leitura!

Com cuidado, Dean cutucou o ombro do garoto ao lado.

– Deano! — Gabriel despertou, de repente. — A gente pensou que você tinha ido embora com o Sammy.

– Você tá bem, Gabriel?

– Eu tô ó-ti-mo! — ele não estava — Desci aqui pra celebrar a minha coisa favorita na vida, reunião de família!

– Nem me diga... — Dean suspirou.

O atendente chegou com uma bebida incolor com um limão apoiado no copo.

– Antes disso, eu preciso ver sua identidade.

– Ah, é que eu deixei... no outro... — começou a gaguejar. A idade para beber era 21 anos e Dean ainda tinha 20.

– É óbvio que ele não tem idade, moço, olha só pra cara de bebê dele. — Gabriel disse, apertando com uma só mão as duas bochechas de Dean — Mas eu tenho, passa isso pra cá.

Gabriel pegou a bebida e a entregou pra Dean, na frente do moço.

– Shh, não conta pra ele que eu te dei isso. — disse sem nenhuma descrição. O atendente apenas observava, sem se importar muito com qualquer coisa. Gabriel caiu no sono logo em seguida.

Dean deu de ombros, agradeceu e virou o copo de uma só vez. Aquilo definitivamente era a coisa mais forte que já havia bebido, nada comparado às cervejas aguadas do Kansas.

– Gabriel! — Cas adentrou o bar — É melhor que você não esteja bebendo a essa... — parou de falar quando percebeu que Dean estava no estabelecimento.

– Acho que ele apagou. — Dean disse, apontando com a cabeça para o garoto ao seu lado.

– Coitadinho. — Cas começou a passar a mão pelos cabelos de Gabriel — Ele sempre foi muito sensível a brigas.

– Hm, vocês se conhecem há muito tempo?

– Desde que eu nasci. — Cas disse, como se recordasse alguma coisa — Ele é meu irmão mais velho.

– Sério? — Dean riu — Vocês são tão diferentes, sabe, ele é todo, sei lá, atirado.

– É, você diz isso porque nunca me viu bêbado. Gabriel número dois. — pegou Gabriel por um braço, enquanto Dean o carregou pelo outro, mas a posição não durou muito, ele logo se soltou dos dois.

– Chega, ninguém me toca, eu sei andar sozinho. — e foi andando para fora do bar, esbarrando em tudo e todos.

– Ele vai ficar bem. — Castiel disse, se acomodando ao lado de Dean e fazendo um sinal para o atendente encher dois copos — Então, encontrou o Sam?

– Sim, mas ele não ficou muito feliz em me ver. Disse que não vai pra casa. — Dean respondeu, focado no drinque — Malditos adolescentes, cara.

– Vocês vão ficar pro festival então? — tirou o limão de seu copo e jogou na bebida de Dean, completamente à vontade. — O contrato com a gravadora é coisa boa, eu estava conversando com... — parou quando viu que estava entrando no tal assunto sobre o qual não falava.

– Chega disso! Eu não aguento mais tanto mistério! — Dean largou o copo no balcão, fazendo muito barulho, sem querer. Cas piscou os olhos com força na hora da batida. — Eu confiei em você esse tempo todo e você não confia em mim, Cas?

– Eu confio, mas eu tenho medo do que você vai pensar de mim depois que eu te contar. — falou meio sem jeito — Mas você merece saber. L-lembra quando eu te disse que eu saí de casa? Então — Cas abaixou os olhos — Não foi bem assim. Eu fui... expulso.

– Seu pai era rígido?

– Não, eu não sei, eu nunca conheci meus pais, na verdade. Desde que eu me lembro, era só eu, o Gabriel e o Balthazar, nosso irmão mais velho. Até o dia que eu estraguei tudo. — Cas deu um gole demorado na bebida — O Balthazar é dono da gravadora que patrocina o festival e ele sempre ganhou muito dinheiro com isso. A gente vivia muito bem, mas eu só fui perceber que aquilo tudo era mais do que suficiente para nós três quando eu me juntei a um grupo de hippies que eu conheci num dos festivais.

– E daí o tio Baltha te pegou com a boca no baseado e te expulsou? — Dean disse e Castiel levantou uma sobrancelha — Desculpa, eu tenho algum tipo de aversão a nomes esquisitos, eu sinto muita necessidade de dar apelidos.

– Tudo bem, só não me interrompa — Castiel piscava, ainda confuso — O Balthazar dizia que eles só gostavam de mim porque eu era rico, mas não era verdade. Eles me ensinaram a tocar instrumentos, a compor, a pensar sobre o meio ambiente. Eu era da família, sabe. Mas não, ele sempre fazia questão de me buscar de carrão, só pra deixar claro pra todo mundo que eu era diferente. E pra provar que eu era igual, eu... — Castiel deu um gole na bebida — Essa é a parte.

– Fala de uma vez!

– Tá, eu... eu raspei a conta bancária do meu irmão e doei todo o dinheiro para os projetos dos hippies. — Cas fez uma pausa — Eu sei que você deve estar com uma impressão péssima de mim agora, mas eu já falei com o Balthazar e eu vou ficar trabalhando aqui, até juntar dinheiro suficiente para te pagar e também para...

Dean começou a rir descontroladamente.

– O que foi agora? Do que você tá rindo? — Cas olhou para Dean procurando respostas, mas o outro só sabia rir.

– Não, é que — ele riu mais — Isso tudo é tão você. Desculpa, não tem graça nenhuma, é a bebida.

– Você acha que eu...? — As palavras fugiram. Cas então se debruçou sobre a bancada, com o rosto virado pra baixo. Dean chacoalhou-lhe devagar pelo ombro.

– O que foi, Cas?

O garoto se levantou de uma vez só e tirou a mão de Dean de cima do seu ombro. Sua cara era séria e seus olhos estavam prestes a desaguar, quase como na primeira vez em que Dean os encarou. Assim que a primeira lágrima escorreu, o garoto do Kansas foi ligeiro para tentar secá-la. Mas outras vieram e Cas estava chorando.

– Por favor, não chora. E-eu não acho que você é ladrão, eu disse que aquilo era muito você por causa do que você fez com o dinheiro... Cas... — estava desesperado por não estar conseguindo. — Por favor, para com isso... — Suas mãos já estavam tempo demais apoiadas no rosto do outro. Os olhos de Cas brilhavam e não paravam de trazê-lo para perto. Sua respiração estava acelerada e podia sentir que a de Cas também estava. Não havia nem mais para onde fugir, nem espaço algum entre eles. Seus lábios colidiram e estavam se beijando.

Notas finais
Eu até ia fazer um comentário sobre o capítulo que vem, mas deixa pra lá... Muahaha! Bjos (: