Journey
6 Seis
Notas iniciais
– Ele tá usando lápis de olho, Cas! — Dean gritou, apontando para o panfleto de shows. — E todo esse cabelo na cara.
– Ele quem?
– O Sam!
– Esse é o Sam? Seu irmão Sam? — Cas riu — Ele tem uma banda emo?
– Não, ele tem a minha banda. Quer dizer, agora eu não sei de mais nada. O que tá acontecendo com o mundo?
Os meninos analizaram melhor o panfleto. Sam estava nessa banda chamada "Demon Blood", junto com uma garota de cabelos compridos e um cara loiro, ambos completos desconhecidos para Dean.
– Eles e todas as bandas do papelzinho vão participar desse festival de verão aqui — Cas disse, apontando para o panfleto — que é tipo um show de talentos, para ganhar um contrato com a gravadora que patrocina.
– E você sabe onde vai ser isso?
– Hollywood. Na verdade, é pra lá que eu tô indo. A propósito, você pode me emprestar seu telefone um segundo só?
– Claro. — Dean tirou o celular do bolso e antes de entregá-lo a Cas, percebeu que havia 19 chamadas não atendidas de seu tio Bobby. Sempre esquecia de checar o telefone, que vivia no silencioso. — Eu só preciso fazer uma ligação rapidinho, tudo bem?
– Ok, vou esperar aqui. — Cas se deitou no banco e Dean foi para um canto afastado, procurar sinal.
Teclou o número que sabia de cabeça. Com a velocidade que Bobby atendeu o telefone, parecia que o homem estava esse tempo todo grudado ao aparelho, apenas esperando Dean fazer contato.
– Finalmente! Você não tem coração? Custava ligar? Eu tava preocupado! O Sam tá com você, né?
– Oi, Tio Bobby, é um colírio para os meus olhos ouvir sua voz.
– Não venha com gracinhas, criança, eu tô falando sério. Achei a carta do Sam ontem e imaginei que você tivesse tido o impulso de ir atrás do guri.
– É, eu sei, foi meio impensado, eu tinha que ter falado com você, desculpa, desculpa! Mas olha, tá tudo bem. O Sam não tá aqui comigo, mas eu sei onde ele tá. To indo buscar ele e a gente vai pra casa. — Dean tossiu. Estava chuviscando e a ligação estava começando a ficar ruim. — Como está o papai?
– Bem. Bebendo. Inventei pra ele que você levou o Sam pro show do Metallica e ele só lamentou não ter ido junto.
– Ótimo. É quase isso mesmo. Tá mais pra My Chemical Romance, na verdade.
– Como assim?
– É difícil de explicar. Eu não sei ao certo quando a gente volta, mas eu vou ter que ir pra Hollywood. Quanto tempo de estrada você acha que dá, assim, partindo da nossa casa?
– Um dia e meio, mais ou menos. Mas por quê? E como você vai fazer isso?– a ligação falhou, enquanto a chuva apertava cada vez mais — ... de carro? Ou voc... Dean?
– Eu não tô te ouvindo, Tio Bobby, a ligação tá picotada. — Dean tentava, mas o telefone ficou completamente mudo — Tchau, Tio Bobby. — desligou, sem sucesso.
Castiel estava deitado no mesmo lugar e na chuva, como se nada estivesse acontecendo. Dean guardou o celular no bolso e estendeu a mão para Cas se levantar. Carregaram a bolsa de guitarra e foram procurar abrigo.
Andaram debaixo de marquises e pontos de ônibus, até que encontraram uma cafeteria com bancos acolchoados. Um sininho na porta anunciou a entrada dos dois.
Eram aproximadamente 21:00 e o estabelecimento estava cheio. Ainda assim, conseguiram uma mesa. Dean apoiou a bolsa de guitarra num canto.
– Você vai querer alguma coisa? — Dean perguntou
– Sim, um Chai Latte com pouca água, nem muito quente, nem muito frio. — Dean olhou com uma interrogação no rosto para Cas — É o nome da bebida. É chá com leite. Pega um pra você também.
– Não, eu... eu prefiro um café preto. Comum. — Dean disse, enquanto se levantava — E ah, toma aqui o telefone, pra você fazer sua ligação.
– Ah sim, muito obrigado. — Cas pegou e desbloqueou a tela inicial. Dean arregalou os olhos. — Não se assuste, eu vi a combinação quando você fez isso mais cedo.
– Tá certo. Eu... vou lá no caixa.
Esperou na fila e fez os dois pedidos. Voltou a pensar sobre Cas. Ao mesmo tempo que ele parecia o tipo de gente que mora num trailer pintado de arco-íris e aplaude o pôr do sol, Dean sentia que tinha algo mais. Alguma faceta de Cas que ainda era um mistério. Talvez ele não fosse tão riponga quanto Dean pensasse.
Pegou os dois copos e foi para a mesa. Castiel ainda estava no telefone.
– Um amigo. É. Eu já disse que não é necessário. Duas passagens. Vamos lá, você me deve isso. Não, a gente chega lá de ônibus. Para com isso. Tá. — desligou o telefone meio emburrado. Aquele era o mais irritado que Dean já tinha visto Cas nesses dois dias. Quando percebeu que Dean chegava com os copos, trocou rapidamente sua cara fechada por um radiante sorriso.
– Algum problema? — Dean perguntou, referindo-se ao telefonema.
– Não. Tudo ficará bem enquanto eu continuar evitando me contagiar com a aura negativa de certas pessoas. — deu um gole no seu Chai — Maravilhoso! Nossa, como eu senti falta disso aqui.
Dean deu uns dois goles no café. A sensação de quentinho por dentro foi instantânea.
– Então — Dean começou — Já que nós dois estamos indo pra Hollywood agora, eu pensei que a gente podia pegar um ônibus pela manhã. Acho que é mais ou menos um dia de viagem. Talvez a gente faça alguma parada e tenha que pegar mais de um, mas não tem problema, eu tenho dinheiro sufici...
– Não será necessário. — Cas o interrompeu. Dean levantou uma sobrancelha e voltou a beber o café. — A gente vai de avião.
Dean se engasgou com a bebida e começou a tossir.
– Quê?!
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