Journey

17 Diecisiete


Notas iniciais
Tá um pouco difícil de escrever todo dia, em vez de postar sempre, como eu fazia, eu vou ter que postar quase sempre. Desculpa, pessoas. :c

Já passavam das 10h quando Dean acordou. Viu que Castiel não estava mais na cama e nem no quarto. Levantou-se e só foi encontrá-lo no banheiro.

Cas não estava mais usando suas roupas de costume, mas sim um sobretudo bege com um terno por baixo.

Dean o olhava, parado na porta do banheiro.

– Quem é você e o que você fez com o garoto hippie?

– Ah, bom dia, Dean. Eu também to me sentindo muito estranho, mas é só por hoje.

– Não tá estranho, você fica bem de terno.

– Foi o Balthazar que insistiu.

– Com todo respeito, o cara tem estilo, hein... — Dean comentou e Castiel revirou os olhos — Mas pra que isso tudo, você vai sair?

– Trabalho. Balthazar quer que eu seja jurado do festival e hoje tem a eliminatória. Ele finalmente reconheceu que eu aprendi muito sobre música com os hippies.

– Ah, jurado! Isso parece muito legal, ouvir um bando de banda ruim. Acho que hoje vai ser divertido.

– Desculpa, mas você não pode ir junto, é restrito aos funcionários. — Cas falou, fazendo um biquinho — Mas você pode mexer em tudo aqui dentro. Quem sabe tirar o dia pra refletir ou compor alguma música.

– É, eu acho que eu vou ficar vendo tv, valeu Cas. — Dean falou — Mas agora, se me der licença, eu vou tomar um banho...

– Pode pegar uma roupa minha. Você é um pouco mais alto, mas deve caber. Até depois. — disse, acenando.

– Espera! — Dean exclamou, fazendo-o parar — Você vai usar o terno sem gravata? Quer que eles pensem que você nasceu num celeiro? — Cas expressava confusão com a face, enquanto Dean puxava uma gravata azul da arara de roupas e a colocava no garoto — Meu pai sempre diz que todo mundo respeita um cara de gravata.

– Quando eu penso que o mundo não poderia ser mais superficial... — suspirou.

– Agora sim. — Dean deu dois tapinhas na bochecha de Cas quando terminou, notando o quão macio o rosto dele estava. — Você fez a barba.

– Sim. É pra não arranhar tanto, você sabe... seu rosto. — Cas ficou meio sem jeito — Encontro você no segundo pra tomar café?

– Pode ser.

– Então até logo. — falou fechando a porta.

Dean sorriu quando ele foi embora. Estava custando a acreditar que a noite passada tinha, de fato, sido real, e não apenas uma invenção da sua mente em conflito. Soltou um risinho lateral sem querer e se sentiu ridículo, dando graças à Deus por não ter ninguém por perto para testemunhar o quão bobo estava.

Era como se pela primeira vez na vida estivesse fazendo algo exclusivamente visando seu próprio bem estar. Aquilo tudo ainda era muito estranho e irreal, mas todas as mudanças sempre são, afinal.

A primeira coisa que fez foi vasculhar os discos de Cas. Tinha um monte de bandas das quais Dean nunca tinha ouvido falar, cantores de jazz e blues, música pop que Dean ignorava, um cd de mantras indianos que fez Dean rir e por fim, o paraíso musical: uma biblioteca completa de rock clássico.

De AC/DC a Z. Dean sentiu vontade de chorar de emoção. Quando seus dedos tocaram no vinil do segundo disco do Led Zeppelin, Dean achou que ia ter um mini ataque cardíaco ali mesmo.

Correu para colocá-lo na vitrola. Não sabia bem ao certo como se operava um troço tão velho como aquele, mas por fim conseguiu.

Pegou uma toalha limpa e mergulhou na banheira, enquanto cantarolava Ramble On o mais alto que podia. Ficou um tempão escolhendo uma roupa que lhe servisse. Não queria nada muito riponga, mas era quase impossível. Muitas estampas e tie-dye. Agradeceu aos céus quando encontrou uma camiseta branca normal dos Beatles. Colocou-a com seu próprio casaco por cima e sua própria calça mesmo.

Deixou a porta encostada e pegou o elevador pro andar de restaurantes. Cas o aguardava na mesma mesa da outra vez.

– Você demorou, eu fiquei com fome. — disse, com meio bolinho na boca.

– É, foi meio difícil a parte da roupa. — sentou-se a mesa e logo tratou de se servir — E eu também achei um disco maravilhoso...

– Led Zeppelin II? É, eu ouvi você cantando.

– O-o quê? Mas tem 28 andares no meio... como?

– Calma. — Castiel riu — Eu voltei pra te perguntar o que você queria comer, mas eu não tive coragem de entrar e te interromper. Eu gosto da sua voz.

– Gosta nada. — revirou os olhos — Se você for bonzinho assim com todo mundo, ninguém vai ser eliminado do festival.

– Mas é verdade! Acho que sua banda ia fazer mais sucesso se seu pai deixasse você cantar. Talvez vocês nem precisassem mais da placa de aplausos.

– Primeiro de tudo, como você sabe tanto sobre a minha banda, hein?

– Eu tenho quase certeza que já vi um show seu. Balthazar tem várias fitas de festivais locais. São bem engraçadas, na verdade. Gabriel e eu passávamos horas vendo aquelas coisas.

– Vai ser muito difícil falar pro meu pai que a gente não tem mais banda. Eu resolvi dar uma chance pro Sam e a ideia maluca dele.

– Sério? — Castiel arregalou os olhos — O que te fez mudar de ideia?

– N-nada em especial, eu só pensei que seria legal passar uma semana aqui curtindo a Califórnia, você sabe... — Dean afundou o rosto no copo de café.

– Isso é ótimo, Dean! — ele parecia genuinamente feliz com a notícia — Sabe, eu encontrei o Gabriel no elevador e ele me deu dois ingressos pra um cinema aqui perto que está passando filmes antigos, você quer ir comigo?

Dean se engasgou com a bebida.

– Tipo, um... um...

– Encontro. — Cas completou, bastante inseguro do que ia dizendo — Olha, não precisa ser um encontro se você não quiser, mas é que ontem à noite eu senti que... sabe, o que aconteceu entre a gente... não foi uma coisa de amigo, foi?

– Não, não foi. — Dean o interrompeu, abrindo um sorriso — E eu quero sim.

Cas então soltou um suspiro de alívio e sorriu também.

– Que bom! Isso é muito bom. Eu, eu vou indo, então... — Castiel foi andando para o elevador, sem tirar os olhos de Dean — A gente se encontra na porta principal do hotel.

– Até!

Dean não conseguia parar de sorrir. Naquele ponto, não lhe fazia diferença nenhuma se Cas era um menino ou qualquer outra coisa, só estava muito feliz e era isso que importava.

Terminou seu café da manhã e foi até o andar de Sam. Tinha esquecido de buscar sua guitarra ontem à noite. O menino o recebeu com um copo d'água na mão.

– Dean, você vai ter que... — começou a dizer uma fala ensaiada, mas parou de repente e emendou outra pergunta — Espera aí, isso é uma blusa dos Beatles?

Dean checou a camisa.

– Sim.

– Essa blusa é sua? Ué, desde quando você gosta dos Beatles?

De jeito nenhum ele ia mencionar que pegou emprestado com Cas, porque isso só desencadeariam muitas outras perguntas que não estava pronto para responder.

– A-all you need is love, love, love... — começou a cantarolar baixinho, sem jeito, como se aquilo fosse uma resposta satisfatória — Love is all you need...

– Ok. Isso foi estranho. — Sam apertou os olhos — Mas enfim...

– Eu preciso da minha guitarra.

– Sobre isso, — Sam fez uma cara de pena — Dean, você vai ter que ser forte. — Entregou-lhe o copo d'água.

– Chega de teatrinho, Sam, cadê minha guitarra? — Dean disse quase ao mesmo tempo em que abriu a porta e se deparou com sua preciosa guitarra partida ao meio, no chão do quarto.

Notas finais
Dependendo de quando vocês lerem isso, já vai ter passado, mas Feliz Natal! Até o próximo capítulo, sweeties. o/