Journey

19 Diecinueve


Notas iniciais
Demorei, né? Perdoem-me. Mas olha, ficou sensacional, modéstia muuuuuito à parte.

Gabriel ficou em choque. Dean teve que se levantar pra explicar melhor, mas Gabriel colocou a mão sobre sua boca.

– Shh, não fala nada. Acho que você tá com medo.

– Medo?! — Dean disse, afastando a mão de Gabriel — É só um... um...

– Encontro. Eu já entendi que você tem medo de tudo que é novo e desconhecido e é por isso que você se agarra tanto as coisas que você já conhece, mas veja por esse lado...

– Que porcaria foi essa? Você leu meu horóscopo ou o quê?

– O Sam comentou alguma coisa assim...

– VOCÊ FALOU COM O SAM SOBRE O...?

– Não! O Sam não sabe do encontro. Quando ele falou isso, estava se referindo a sua aversão à guitarra nova que eu queria te dar. — Dean soltou um suspiro de alívio — Mas como eu tava falando, é o Castiel que tá lá te esperando. O Castiel que você conhece. E ele vai ficar lá a noite toda se você não aparecer.

– Que droga, você tem toda razão. — Dean começou a dar tapinhas no próprio rosto — Eu tô apavorado! É claro que eu não quero decepcionar o Cas, eu fiquei muito feliz quando ele me chamou... Mas tem mais uma coisa.

– Fala que eu to te escutando. — Gabriel moveu-se para perto da arara de roupas e começou a remexe-la.

– Ah, cara, não vai valer a pena... Sábado tá quase chegando mesmo... Você sabe, eu me apego tanto a tudo que eu tenho... Acho que não vai ser bom pra nenhum de nós dois.

– Compreendo. — tacou uma calça preta e uma camisa xadrez de botões na cara de Dean — Você tem exatamente cinco minutos para se decidir, depois disso eu vou mandar o Castiel ir sozinho.

Dean respirou fundo.

As roupas não ficaram exatamente folgadas, mas couberam nele. Não entendia como Gabriel tinha conseguido encontrar roupas normais tão rápido no meio daquela bagunça. Tentou ajeitar o cabelo na medida do possível e entrou no elevador.

Correu pela recepção do hotel e por todas as piscinas até chegar ao portão principal. Cas e Gabriel conversavam. Havia uma ponta de decepção nos olhos do primeiro, mas que logo se apagou quando Dean apareceu.

– Eu to aqui, eu to aqui!

– É claro que você tá aqui. — Gabriel revirou os olhos — Agora se me derem licença, eu tenho fãs me esperando no karaokê.

Dean e Castiel ficaram a sós. Era como se por um segundo tivessem esquecido todas as palavras do mundo e só soubessem se comunicar por sorrisos.

– Então vamos? — Castiel finalmente disse e Dean concordou.

Foram caminhando lado a lado pela rua, um com as mãos no bolso e o outro tentando afrouxar o elaborado nó da gravata. Ventava um pouco e o cinema não demorou muito a chegar.

– Essas roupas ficaram melhor em você do que em mim. — Cas comentou.

– Ah, o-obrigado. — Dean falou, ajeitando uma das mangas — Você sabe que filme a gente vai ver?

– Hm... — Castiel tirou os dois papéis do bolso — Star Wars.

– É sério? — Dean arrancou o papel da mão de Cas.

– Aparentemente... — suspirou.

– Star Wars: Episódio VI! — uma animação inexplicável tomou conta de Dean, que admirava os tickets — Gabriel, seu doido, obrigado. Que cara é essa, Cas? Você gosta de Star Wars, não gosta?

– Eu não sei, eu nunca assisti, na verdade. — coçou a cabeça — Mas eu nunca tive uma impressão boa desse filme, sabe, parece muito comercial, feito só para vender brinquedo.

– Ok, isso foi muito ofensivo. — Dean disse, assim que entraram na fila da pipoca — Eu só vou te perdoar porque você nunca assistiu e não sabe do que tá falando.

O filme ainda não tinha começado, mas a sala já estava escura. Tiveram que andar bastante porque seus lugares ficavam quase no final da sala.

– Por que será que o Gabriel escolheu um lugar tão afastado? — Castiel interrogou. Dean não respondeu, apesar de saber exatamente as intenções do irmão de Cas.

Dean se divertia com os pequenos comentários que Cas ficava fazendo ao longo do filme. As vezes ele cobria os olhos nas partes muito violentas e questionava algumas coisas que não entendia.

– Esse homenzinho verde é muito feio.

– Ele tem 900 anos, cara. Não tem creme que resolva.

– Ok, mas... — Cas parou um minuto para prestar atenção no filme — O que aconteceu, ele sumiu?

– Ele... morreu, Cas. — a voz de Dean era quase um sussurro

– Dean, você tá chorando? — Cas o encarou.

– Não, isso é só suor — disse, secando uma lágrima solitária e extremamente máscula que percorria seu rosto.

Cas parecia muito confuso, mas ainda assim prestava atenção em tudo. Dean, no entanto, até tentava olhar para a tela, mas volta e meia sentia necessidade de prestar atenção nas reações de Cas.

– Eu gosto deles dois juntos. — Cas apontou para Luke e Leia.

– Não, cara... — Dean apertou os olhos — Eles são irmãos. Qual o seu problema?

– Eles são irmãos?!

– Ai meu Deus, foi spoiler, né?

– Eles sabem que são irmãos?

– Não, eles ainda vão descobrir.

– Dean!

– Desculpa! — colocou a mão sobre a boca — Outro spoiler, eu juro que vou ficar quieto.

Depois disso, ficaram em silêncio até o final do filme. No máximo, trocaram duas palavras quando por acidente suas mãos se esbarraram dentro do saco de pipoca.

– Eu não sabia que esse filme era sobre guerra civil. — Cas tagarelava ao saírem do cinema — Foi muito interessante!

– Eu te disse que era bom. — Dean sorriu satisfeito. Adorava a sensação de sucesso pessoal quando alguém gostava de alguma coisa que ele havia indicado. — A gente pode assistir os outros depois.

Continuaram andando sem rumo na calçada perto da praia. Encontraram um quiosque que vendia sorvete e Cas comprou uma casquinha para Dean. Não estava tão quente quanto de manhã e a lua iluminava o céu. Andaram mais um pouco e se sentaram num banco na beirada da calçada, com seus sapatos encostando na areia.

– Aconteceu alguma coisa hoje? — Cas perguntou, de repente. Em seguida, tirou o sobretudo e o apoiou no banco.

– Alguma coisa? Do tipo, alguma coisa de legal? — Dean franziu a testa — Honestamente, a coisa mais legal de hoje está acontecendo agora.

– É sério? Que bom! De verdade. — Cas sorriu — É que hoje antes da gente sair, eu fiquei com a impressão de que você não ia vir mais. O Gabriel falou que você estava indeciso...

– Bem, eu estava. — Dean disse, assim que terminou o sorvete — E pra falar a verdade, eu ainda estou. Eu fiquei pensando em um monte de problemas e... Olha, Cas, eu não quero falar disso agora. Eu resolvi que quem tem que se preocupar com isso é o Dean do Futuro.

– Se você tem algum problema, pode falar, eu quero muito poder te ajudar.

– Ah, Cas... — os olhos de Dean brilhavam, enquanto ele sutilmente colocou sua mão por cima da do moreno — Cala a boca.

– Eu disse alguma coisa errada? — os olhos de Cas estavam fixos nas duas mãos sobrepostas. Com a outra mão, Dean o puxou pelo rosto e eles trocaram um beijo suave, seguido de muitos outros. Cas segurou Dean pela gola e, sem interromper o beijo, o reclinou sobre o banco.

– Espera... — Dean disse, tentando afastá-lo — Tem pessoas aqui em volta.

– Foi você que começou. — Cas respondeu, sem jeito — Você quer ir para outro lugar?

– Tipo voltar para o hotel? — Dean arqueou as sobrancelhas, sugestivamente.

Notas finais
See ya o/