José Rodrigues: Mi Corazón.
6 Isadora Greene Martins.
Notas iniciais
http://media.bodaclick.com/img/img_reportajes/3mil/39dec/3399_1262649581_cabelos-2-(Jessica-Alba).jpg
– Oi mãe!
O escritório da minha mãe é como qualquer outro. Branco e lotado de diplomas. Em cima da mesa á uma foto minha de biquíni aos dez anos. Essa foi tirada nas férias em Fernando de Noronha.
Ela levanta contornando a mesa. Entro no consultório. No meio do caminho trocamos um abraço caloroso. Nossas peles se destacam a dela branca como a neve e a minha morenice.
O sangue do meu pai foi mais forte em mim. O que eu tenho da minha Mãe? O porte elegante e esbelto apesar de eu estar muito mais magra agora. Por isso os braços dela me envolvem por completo.
A Dra. Greene se afasta me inspecionado de cima abaixo. Dou uma voltinha pra facilitar e fazer graça. Sua expressão sólida quebra e ela sorri.
– A que devo a honra de tela aqui hoje, tão longe de Portland? Pensei que depois de sua última... você não apareceria aqui por tão cedo.- ela se senta e me aponta a cadeira pra mim fazer o mesmo. Obedeço.
Era o que eu pretendia, mas planos mudam.
– Pois é, tive que mudar de planos. — ou as três que moram comigo vão me sufocar. Passo a mão nos meus cabelos agora curtos e repicados. Anos atrás eles eram longos.
Inclinando sobre a mesa ela cruza os braços e me encara. Seus olhos azuis iluminam. Ela sorri.
– Para onde você quer ir e quanto?
Ai. Isso doeu. Sei que aos dezenove anos ninguém vive de mesada, mas meu caso é diferente eu... Afasto o pensamento para longe. Meu pai paga minhas contas... Há compreendo agora.
– Não mãe. Não é sobre isso que vim, mas tem haver. – o sorriso dela morre. Não será dessa vez que vou pedir dinheiro a ela. Nunca pedi.
– E o que você quer Isadora? Pode pedir filha lhe darei. — diz carinhosa.
Isso eu acho que ela vá concordar.
– Quero trabalhar mãe, nem que seja meio período – falo firme. — e não importa quanto ganhe, posso até trabalhar de graça.
Vejo todas as emoções passarem em sua face. Admiração, preocupação. Orgulho. A preocupação vence.
– Não quero te desanimar Isa, mas você não tem qualificação meu bem, nunca trabalhou, nem mesmo cortou uma grama. — as sobrancelhas dela se juntam em apreensão.
Isso não vai me impedir de fazer o que eu quero. Quero ser independente uma vez na vida, mesmo que por pouco tempo.
– Sei disso mãe, mas tem algo que sou boa. Desenvolvi aqui no hospital.
O sorriso dela não chega aos olhos. Esse tempo não é bom para ela muito menos pra mim.
– Fazer amizades? – ah sou boa nisso também.
– Não, fotografar. — digo olhando fundo em seus olhos pra afirmar que não estou de brincadeira. — com uma maquina nas mãos sou boa, a senhora já viu minhas fotos.
– Sim são lindas. Só que pra isso você não precisa trabalhar. É só clicar e já foi.
Engulo minha frustração. Todos que não entendem pensam assim, mas é muito mais que isso.
– Hum... Posso ser ajudante de algum fotografo freelance. Não vai ser por muito... – engasgo – Por favor, mãe. — Não estou pedindo o céu estou?
– Não fale assim querida. — ela pega minha mão e acaricia. — Seu pai já sabe desse seu interesse?- seus olhos brilham ao falar dele.
Olha meu pior obstáculo. O senhor Felipe Martins. Meu pai. Ciumento e protetor em demasia. E que até meus dezoito anos era detentor da minha guarda.
Os dois nunca se casaram, no entanto se amam até hoje. Infelizmente por serem cabeças duras vivem separados. Eu sou o laço que os uni.
– Ele não sabe ainda. Conto assim que conseguir o emprego. Se eu estiver estabelecida ele não vai nós incomodar. Muito.
Por conta dos meus problemas... Ele não concorda que me esforce.
– Tudo bem, só que não conheço fotografo algum. E nenhuma das minhas clientes é ou tem marido que seja.
Mas tinham alguém que ela estava esquecendo que poderia ajudar.
– E aquele seu amigo, Leite, ele não é diretor do campus de arte em Portland?
– Sim e o nome é Leith. Robert Leith.
__________________________________________________________
Olho para o telefone que tenho em mãos e o recoloco no suporte. Uma velha amiga acaba de me pedir um favor. Um que não tenho com recusar. É um favor especial.
Nos últimos anos ela e sua família passaram por poucas e boas. Cláudia Greene nunca desmoronou sempre foi forte. E essa é a primeira vez que me pede algo.
Ligo o computador e procuro o que ela me solicita. Analiso a lista dos alunos e em pouco tempo encontro quem necessito.
Estou de folga por isso ligo para minha sala do campus universitário.
– Universidade de Portland. Campus de arte e cultura. Escritório de Robert Leith. Marcelle falando em que posso ser útil?- minha secretaria indaga com ar profissional.
– Marcelle!
– Sim, Senhor Leith!?
– Entre em contado com o aluno José Luiz Rodrigues do ultimo ano em arte, diga lhe que quero velo às quatro da tarde de hoje em meu escritório como sem falta.
Continua...
Notas finais
A universidade de Portland existe bem como o Campus de arte e cultura.
A Mercelle é outro empréstimo.
Fale com o autor