Jonathan Davis
3 3rd.
«Que se foda.» - Pensei.
Afinal de contas, tinha um pai que preferia acreditar numa rameira barata do que em mim e tenho essa mesma rameira a arruinar-me a vida. O que poderá acontecer mais?
Peguei na maçã e joguei-a no lixo.
A campainha tocou. Achei estranho, mas o meu pai está sempre a esquecer as chaves.
Abri a porta e …
— Edward? – fiquei meio espantado. Que iria querer ele?
— Vim incomodar? – perguntou ele, sorridente.
— Não. – respondi. — O meu pai saiu e a minha madrasta também. – acrescentei.
— Ok. Posso entrar?
— Pode claro.
Eu estava meio receoso. Já mencionei o meu medo de conhecer gente nova e de uma aproximação demasiado repentina? Pois… esse é o meu maior medo. Mas não iria ser rude, não é?
— Então, deseja tomar alguma coisa? – perguntei, tentando parecer bom anfitrião.
— Não, obrigado… — ele respondeu e me pareceu meio tenso. Mas achei que fosse mera impressão minha.
Fui para a sala, seguido por ele e me sentei no sofá. Liguei a TV e, nada, nada de jeito na porra da TV. Até que achei um programa de temática musical, deixei ficar por lá. Fiquei assistindo, interessado. Olhei de soslaio para Edward e notei que ele me vigiava incessantemente. Odeio que me olhem dessa forma! Antes de criar algum episódio menos feliz, respirei fundo e perguntei para ele:
— Tem certeza de que não quer tomar nada?
— Não. – ele respondeu, ligeiramente sorrindo.
Eu voltei toda a minha atenção para a TV. Contudo, é complicado estar concentrado, quando me sinto observado. Não pensei duas vezes e logo comecei a praguejar.
— Tenho alguma coisa na cara?! – exaltei-me.
— Quê? – ele me pareceu meio intimidado com a minha pergunta pouco oportuna.
— Sim. Você não para de olhar para mim. – expliquei o motivo do nervosismo.
— Qual é o problema? – ele perguntou, parecendo demasiado sóbrio para ter o desplante de me perguntar uma coisa daquele nível.
— Então… Não gosto que estejam sempre olhando dessa forma para mim. – Já estava perdendo argumentos.
— De que forma? – percebi de imediato que ele estava fazendo um jogo mental comigo.
— Oh, esquece. – eu tentei pôr fim à conversa que parecia estar a mudar de rumo.
Ele não falou mais nada. Continuou olhando. Aquilo me chateava muito, mas decidi não falar nada. Não o conhecia de lado nenhum para andar já brigando.
Numa tentativa de fuga ao centro da apreensão, falei que ia à cozinha beber água.
Abri a porta do frigo, e, para além da minha sombra sobreposta sobre a luz do interior do frigo, estava outra. Fiquei assustado. Eu por vezes vejo vultos e aparições.
Virei-me repentinamente para trás e dei de caras com Edward, que estava demasiadamente perto de mim. A distância que acho aceitável é acerca de um metro longe de mim. Se não, sinto-me invadido. Sei que soa estanho.
— O que você deseja? – perguntei, escondendo meu medo.
Ele não respondeu., me deixando ainda mais receoso.
Colocou sua mão direita sobre o meu tronco. Por impulso, empurrei-o violentamente. Ele podia ser um pouquinho mais alto do que eu, mas eu tenho minhas reservas.
— Então?! – Ele bradou.
— O que você quer de mim?
Ele me deixou sem resposta e me agarrou. Oprimiu-me contra ele. Eu, obviamente terrificado, tentei empurrá-lo, mas ele me apertava com tanta força, que me fazia parecer um boneco de trapos ao dispor.
Desesperadamente, gritei, chorei, praguejei e me debati contra ele, mas em vão.
Senti sua mão fria e trémula afastando meus cabelos negros para trás.
Voltei a gritar.
Senti sua língua quente e húmida deslizando sobre a pele pálida e delicada do meu pescoço.
Tentei virar minha cara, mas ele estava puxando meus cabelos, impossibilitando tal acto.
A minha única opção era gritar. Embora tivesse a certeza de que ninguém me iria ouvir.
Senti sua mão pressionando o meu membro. Estava-me sentindo sujo e desrespeitado. Tudo aquilo era demais para eu conseguir suportar.
Como ele sabia o meu nome, mesmo antes de me ter conhecido a mim e ao meu pai? Porque ele me estava fazendo tudo aquilo?
O desespero apoderava-se de mim a cada minuto que eu me sentia cada vez mais perto do êxtase. Não sou de ferro.
À medida que sentia as suas mãos divagarem por cada espaço de meu corpo, ia-me sentindo cada vez mais sórdido. Empreguei resistência, porém, em vão.
— Pára, por favor. — implorei de voz dengosa.
Ele limitava-se a bajular-me, amenizando-me o pescoço com a sua língua pecaminosa.
Restava apenas esperar. Esperar que alguém chegasse a casa ou esperar que ele caísse para o lado, farto.
Senti gotículas tépidas resvalando pela minha face. Queria dar-lhe uma joelhada, mas ele simplesmenteme impregnou.
Notei que ele se afastou temporariamente e vi as suas mãos pousarem sobre o zíper das minahs calças.
Pressenti o pior. Era essa a minha derradeira oportunidade de fuga.
Dei-lhe uma joelhada, sem nem notar bem onde, e, quando o vi rebaixar-se perante mim, esquivei-me dali, correndo para o meu quarto.
Consegui ainda ouvi-lo a murmurar contra mim.
Maldição! A porta estava fechada. Quem a teria fechado? Quem? Imagino quem teria sido!
Outra solução? Fugir. Para a rua mesmo.
Fui até ao cimo da escada, muito rapidamente, e, quando me ia preparar para descer, lá estava ele. Prontinho para me agarrar de novo.
Olhei em volta, atrapalhadíssimo. A única peça que se destacou foi uma tesoura.
Sem pensar duas vezes, agarrei-a firmemente e apontei para ele, sem nem sequer proferir fosse o que fosse.
Ele não se sentiu nem um pouco ameaçado.
Fui descendo, de tesoura em punho. Até que a proximidade era tanta que ele facilmente cedeu um pouco, recuando.
Ouvi a porta da rua abrir. Eles tinham chegado.
O meu pai ficou estupefacto ao ver-me com uma tesoura na mão, a apontar para aquele homem.
Claro que aquele cenário não me era tão favorável quanto o que eu desejava. Começou a acusar-me.
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