- O que se passa aqui? — perguntou o meu pai , incrédulo.

Eu, sem pensar duas vezes, ou até mesmo na certeza de que jamais ele acreditaria na minha palavra, respondi que ele me estava a tentar atacar.

Apenas recebi um riso de deboche em resposta tanto de meu pai como da minha madrasta.

— Jon, vai imediatamente para o teu quarto. Temos de ter uma conversinha mais tarde.

Eu lancei um olhar fulminante para ele e subi.

Ouvi meu pai perguntar àquele filho da puta se ele estava bem. Isto é tao injusto.

De volta à escuridão. Ao meu porto de abrigo constante.

Deviam já ter passado minutos ou até horas, quando vi alguém entrar.

A figura sentou-se à beira da minha cama.

— Filho, o que há de errado contigo?

Eu não respondi. Não por preguiça ou amuo. Simplesmente por alguma fadiga. Fadiga por a minha palavra nunca valer nada mesmo com cenários adversos.

Ninguém merece isso.

— Não vai responder? — ele persistiu com a pergunta.

Eu pairei os meus olhos sobre a parede.

— Tudo bem. Quero-te fora de casa. — Ele falou sereno como se a ordem que tinha decretado fosse banal.

— O quê? — questionei, sem qualquer réstia de compreensão, virando toda a minha atenção para ele.

-É isso mesmo. Prepara as tus malas e sai daqui para fora. Não fiz de ti um monstro. Desenrasca-te.


Num momento medonho de de fraqueza, agarrei fortemente o seu braço, e já com lágrimas a escorrer-me pela face, implorei inúmeras vezes que não me fizesse isso.

Ele sacudiu o braço. Notei a repulsa que sentia agora por mim.

Como é possível ser tão aparentemente falso, sendo tão sincero?

— Deixe de ser uma criança. Pára de chorar. Sê um homem. Amanhã não te quero mais aqui.

Quando ia questioná-lo de como ele conseguia ser tão frio, ele abafou a minha curiosidade inevitável com um embate potente da porta.