Notas iniciais
R.I.P Michael Jackson.

Ao começar a subir a estrada velha, ouvi uns passos de correria e não tardei em ouvir Gerard, ofegante.

— Onde vai? – perguntou.

Não respondi. Simplesmente, tinha a necessidade de ignorar fosse quem fosse. Sabem como é perder a paciência para qualquer tipo de conversa calma que não nos leva a lado algum? Simplesmente, estava com esse estado de espírito prescrito.

— John. – Gerard proferiu, agarrando o meu braço.

Eu parei. Olhei em frente e decidi ficar um pouco para escutar.

— Ele é mesmo assim. A vida foi injusta com ele. Não tente compreender se não estiver disposto a tal coisa, mas fique. Precisa de ajuda e eu sei disso.

Virei-me e ambos caminhámos até à sua grande casa.

Pelo caminho, desvendei tudo o que me tinha acontecido até à altura e como me sentia em relação a todos os acontecimentos menos agradáveis.

Ele apenas me escutava. Pensativo, porém, sereno. Era definitivamente bom ouvinte.

Chegámos ao casarão e, ele me levou até o meu quarto. Alguém teria encomendado pizza enquanto tínhamos estado fora, e, o Way, foi extrair umas generosas fatias.

Comemos no quarto. Conversámos até altas horas da noite, sobre música, cinema e livros.

Ele era, deveras, uma pessoa interessantíssima. Parecia honesto e inocente.

Depois de tantas horas, conversando, rindo, simultaneamente com silêncios inconvenientes, fomos dormir.

Levantou-se e, de bochechas meio rosadinhas, de tanto rir, desejou-me uma boa noite e saiu, cuidadosamente para não acordar os demais.