Jokes Of Destiny - Leyna
7 Capítulo 6: Revenge
Notas iniciais
"Test my reality
Check if there's a weak spot
Clingin' to insanity
Hopes the world will ease up"
—Icon For Fire/Make a Move
A garota observou o menino cambaleante e provavelmente bêbado à sua frente, sem acreditar no que ele lhe fizera.
Tocou os próprios lábios que ainda formigavam. Mas o pior mesmo... Fora o seu primeiro beijo. Aquilo não podia estar acontecendo.
Seu primeiro beijo não poderia ter sido com Leo Valdez. Não poderia.
Você pode até achar que ela era velha demais para nunca ter beijado ninguém antes, mas Reyna era uma garota reservada. Ela não entregaria sua boca para qualquer um que achasse. E agora, um maldito Elfo do Papai Noel acabara com aquilo.
Sem pensar duas vezes, estalou um tapa que com certeza ficaria marcado no rosto dele e saiu correndo escadas abaixo.
—Reyna?- Silena gritou quando ela passou direto para o nível térreo. –Aonde você vai?
Ela não lhe deu ouvidos. Continuou descendo até chegar à saída do bar.
Hesitou por um momento, uma chuva forte encharcava tudo lá fora, deixando a noite ainda mais escura. Puxou o ar com força antes de se permitir entrar debaixo dos chuviscos que aumentavam gradativamente.
Suas roupas molhavam-se de jeito rápido, grudando ao seu corpo. Suas pernas se moviam em igual velocidade, rumo à escola. Carros com os faróis acesos circulavam de lá para cá, iluminando um pouco o que a chuva tornara mais sombrio.
Quando avistou os portões da Goode, apertou o passo, decidida a escovar muito bem os dentes assim que colocasse os pés no dormitório.
(...)
—Maldito Valdez- balbuciou se olhando no espelho e vendo que o batom que usava estava borrado.
Depois da caprichada escovação, tomou um banho, vestiu um pijama confortável. Foi direto para seu quarto e lembrou-se do importante detalhe que era trancar a porta.
No instante que colocou a cabeça no travesseiro, seu celular vibrou no criado-mudo.
Ótimo,pensou. Que momento mais conveniente para receber uma mensagem peloWhatsapp.
Desenhou o padrão que desbloqueava a tela e percebeu que a mensagem era anônima.
Anônimo:Hey, vc tá bem?
Vi vc sair correndo
O q aconteceu?
Reyna:Hãn?
Quem é?
Anônimo:Isabell
A Irmã do Percy
Da aula de literatura, lembra?
Reyna:Ah, oi, Isa
Eu estou bem
Onde conseguiu meu número?
Isabell:Silena
Revirou os olhos, a amiga era tão previsível quanto aquilo que ela nem se surpreendia mais.
Isabell:digitando...
Digitando...
Isabell:Enfim
Tem certeza q tá td bem? :/
Sei que a gente mal se conhece e tals
Mas pode se abrir comigo
Reyna não queria contar a ninguém. Talvez a Nico ou Hazel, mas para ela? Por algum motivo aleatório, sabia que podia confiar naquela garota, mesmo conhecendo esta no dia em questão. A morena estava ciente que seu instinto nunca errava e, tendo isso como conclusão, resolveu falar.
Reyna:*suspiro*
Olha, algum idiota já fez alguma idiotice com você?
Isabell:Kkkkkkk
Tá brincando?
Várias vezes
Reyna:E o que você fez?
Isabell:Fácil
Virei lésbica
(Não conta pro Percy, pelamor)
Reyna:Certo, ñ vou falr
KKKKKK
Mas acho que isso não vai resolver meu problema
Isabell:Tente ser mais específica
Reyna:Eu...
Talvez seja melhor conversarmos pessoalmente
Isabell:Que tal amanhã?
Tem tempo no intervalo?
Reyna:Te vejo naquela lanchonete perto da escola?
Isabell:Hmm...
Rachel tá perguntando se pode ir tbm
Reyna:Ela está aí?
Desculpa, isso ñ é da minha conta
Isabell:Ñ, td bem
Sim, ela tá aqui
Reyna:Acho que ñ tem problema
Isabell:Blz, então :)
Até amanhã
Reyna:Boa noite
A garota ainda não sabia, mas enquanto Reyna tentava pegar no sono, Isabell estava tendo uma noite bem... animada.
(...)
Três aulas de álgebra seguidas.
Aquilo era uma verdadeira tortura.
Não por conta da professora e muito menos por conta da matéria, e sim pelo encosto que Reyna tinha que suportar durante duas horas.
Quanto tempo para aquele mês acabar mesmo?
Mas o sinal tocou. Jogou de modo desajeitado os livros na mochila e fechou com pressa.
-Vai a algum lugar, morena?- Leo perguntou, com toda a paciência do mundo.
—Não te interessa, Elfo do Papai Noel.
E saiu correndo da sala.
Ele estranhou aquilo. Certo que Reyna nunca fora muito gentil com Valdez, mas aquilo chegava a ser esquisito. Reyna parecia até... Ansiosa.
Seus dedos já estavam se coçando. Seria muita intromissão da parte dele segui-la?
Ah, meu Deus. Se tinha algo que ele tinha em comum com a colega de quarto, era a curiosidade. Talvez não fizesse mal.
Pendurou a mochila no ombro do braço bom e começou a correr.
(...)
Rachel e Isabell conversavam de forma animada.
Quem as olhasse, pensaria que eram amigas, e nem passaria pela cabeça do indivíduo o que lhes acontecera a algumas horas.
Se bem que, era só olhar para os anéis dourados em seus dedos para entender.
Reyna chegou e cumprimentou ambas, sentando-se na única cadeira vaga.
—Então... –Isabell levou o canudo de um milk-shake aos lábios. –Você quer me contar o que aconteceu? Não se preocupe, Rachel é boa em guardar segredos.
—Não vou falar nada- a ruiva ergueu os braço, rendendo-se.
—Bem, vamos conversar- Reyna entrelaçou os dedos sobre a mesa, sorrindo.
—Vamos começar pelo começo então- a morena esperou a menina com trança responder. -Quem é o idiota? Eu conheço? Por favor, não me diga que o Percy fez alguma coisa com você.
—Não. Percy não fez nada. Mas, sim, você conhece o "idiota"- fez as aspas com as mãos.
—Quem?- Encarou-a. Reyna descobriu da pior forma possível que os olhos de Isabell eram três vezes mais inquietantes que os de Percy.
—Hãn... Podemos não citar o nome dele por enquanto? -Entortou a boca. -Usarmos tipo um... codinome?
—Claro. Tipo... O quê?
—Que tal... X?- Rachel sugeriu.
—Como uma incógnita?-Isa sorriu de lado. -Boa, gostei. Comece, Reyna.
—Tudo bem- e começou a relatar tudo.
(...)
Leo colocara um bigode falso, óculos escuros e um chapéu coco ridículo, mas que pelo menos serviria de disfarce.
Após sua produção, começou a seguir a colega de quarto sorrateiramente, até chegar numa lanchonete de dois andares.
A garota subiu direto e foi para a varanda, onde formou o trio mais estranho e menos improvável que ele poderia imaginar.
As três começaram a debater sobre um tal de X, que parecia ter dado o primeiro beijo em Reyna, e, o pior mesmo era que o sujeito estava bêbado.
Que cara mais insensível, pensou Leo.
Tudo bem, tudo bem. Leo já tivera sim pensamentos impuros com Reyna, mas não tinha "entrado em ação".
Ainda mais com sua vingança sendo mantida em puro sigilo entre ele e... ele mesmo.
(...)
~1 mês depois~
Todos os dias na hora do intervalo Reyna se encontrava com as meninas, mas durante todo esse período, ela nunca revelara o nome do tal X.
E, com sinceridade, aquilo fazia a mente de Leo se corroer cada vez mais. O ponto ruim era: o garoto nem desconfiava quem poderia ser o cara que beijou Reyna.
Mas ele tinha outros planos em mente. Aquele era o dia em que sua vingança se concretizar.
Ele e sua colega de quarto estavam na aula de Química. A professora Aracne mandara todos fazerem um relatório sobre uma experiência realizada de anterior.
E, como de costume, Reyna estava realizando o de Leo também.
Seu braço direito repousava na tipoia, que só faltava mais um dia para ser retirada. Era o momento perfeito.
—Hey, morena- ele lhe chamou. Como sempre, a menina lhe lançou um olhar mortal, mas resolveu dizer:
—O que é, encosto?
—Preciso te contar uma coisa.
—Não estou para conversa hoje.
Como se você estivesse algum dia, pensou consigo mesmo.
—Vamos- ela apressou. -Desembucha.
—Tudo bem- o latino puxou o ar. -Olha,- pegou a caneta da mão dela e escreveu o nome desta no papel com grande facilidade. -eu sei escrever com essa mão.
—Espera aí! Quer dizer que você...
—Exatamente- sorriu orgulhoso. -Eu sou canhoto.
Por mais que estivesse ciente de que iria levar uma bifa, anotou na mente:
Sua vingança foi visualizada e concluída com sucesso.
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