Johnny... O bom detetive
112 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 12: Hugo & Júlia
Notas iniciais
Alguns dias depois...
Jacques foi para a delegacia ainda com um curativo no ombro. Sentou na cadeira que havia dentro da sala de interrogatório.
Do lado de fora, Rodrigo observava tudo ao perto do delegado. Sua ficha ainda não caiu. Como o homem que ele tanto confiou teve a coragem de fazer tanto mal?
— Ele parece outra pessoa.
— Não precisa ficar até o final.
— Eu vou ficar. Tenho que ficar. Quero saber tudo sobre o verdadeiro Jacques.
O delegado entrou na sala, colocou uma pasta sobre a mesa, abriu o objeto e mostrou todos os documentos sobre os crimes cometidos pelo mordomo.
O idoso olhou fixamente para o vidro ao seu lado. Era impossível ver quem estava do outro lado, embora Jacques adivinhara a presença do seu ex-patrão.
Rodrigo se arrepiou com o olhar frio do acusado. Por segundos Jacques mirou tão fixo, tão focado, que mais parecia que o vidro era transparente.
Não aguentando aquele olhar psicopata, Rodrigo preferiu sair da delegacia.
...
Lucas abriu a porta. Júlia, Cecília, Zoraide e os gêmeos apareceram para darem os parabéns ao casal.
— Aqui são os presentes para o meu neto que vai nascer. Como vocês estão?
— Estamos bem. — Respondeu envergonhado.
— Que bom.
Cecília perguntou pelo primo. Lucas respondeu que ele saíra até a padaria, mas logo estava a voltar.
Momentos depois, Johnny entrou em casa e foi abraçado pelos gêmeos. Viu os presentes, incluindo um berço. Agradeceu.
— Bom, eu quero saber quando os dois vão se casar?
— A gente ainda não pensou nisso, Cecília. Ainda é muito cedo para pensar em matrimônio.
— Como é muito cedo, primo? Vocês são apaixonados e agora estão juntos. Exijo o casamento.
— Por favor, Cecília. Meu neto, fique à vontade para achar o que é o melhor para você. Não ouça essa tonta.
— Obrigado, vovó.
Conversa vai, conversa vem, Júlia se levantou do sofá e foi para o quarto atender a uma ligação. Era do advogado. A data para marcar o divórcio estava agendada.
...
Uma semana depois...
Rodrigo apareceu na agência para dar os parabéns aos amigos acerca da data do casamento. Sim, poucos dias depois da reunião em sua casa, Johnny decidiu marcar uma data para se casar com Lucas. E Rodrigo aceitou o convite para ser o padrinho por parte de Lucas.
— Meninos, o convidado chegou — disse Selma.
Os dois saíram do escritório e foram até o hall perto do elevador. Viram o Foster com uma caixinha em mãos.
— Tá se despedindo? — perguntou Johnny.
— Vou para Nova Zelândia amanhã com o Fredd e o Francisco. Por isso achei um tempo na minha agenda para comprar-vos este presente.
Zawaski abriu a caixinha. Eram duas alianças de ouro cravejadas com diamante. As joias couberam certo nos dedos deles.
— Viu como coube? Eu sou especialista em fazer coisas caberem em buracos ahuahauahau.
— Mas e a situação da fazenda? A fábrica? — Perguntou Johnny.
— Nathália cuidará da fazenda, por enquanto. Já a fábrica ficará nas mãos de uma junta diretora que eu nomeei. Eu realmente quero viver uma vida sossegada e longe do Brasil.
— Vem pelo menos ao nosso casamento?
— Claro, senhor Lucas. Daqui a três meses há muito chão pela frente.
O casal cumprimentou Rodrigo e agradeceu pelas alianças. Os detetives pararam de trabalhar só para verem a conversa dos três.
— Sujou, eles estão voltando. Todo mundo para os seus lugares — Avisou Selma. Os funcionários correram de volta para os seus lugares.
...
Grupo Zawaski
A empresa voltou mais forte do que nunca depois que Hugo retornou às atividades como presidente. Foram muitas semanas até ele estar recuperado o suficiente para voltar à cadeira.
Patrick agradeceu aos investidores e empresários que terminaram uma importante reunião ao grupo. Com uma pasta na mão, falou com o chefe sobre mais contratos para a construção de hotéis.
— Às 4:30 o senhor tem... o encontro com a sua esposa para assinar o papel do divórcio.
Hugo ficou com a mão no rosto. Aparentemente estava disposto a se dar por vencido.
— Com todo o respeito, senhor, acho que existem momentos da nossa vida que precisamos lutar até o último esforço para conseguirmos o que mais queremos. Posso dar um exemplo?
— Claro. À vontade.
— Eu namoro um ômega que eu conheço desde a infância. Crescemos, viramos melhores amigos. Mas, por algumas circunstâncias que não quero falar, nos separamos. Ele decidiu seguir o seu rumo, porque eu fui babaca com ele no passado. Depois que eu o revi namorando, pensei que estava tudo acabado e me arrependi de ser uma péssima pessoa no passado. Logo, esse meu amigo se separou do namorado dele e foi a minha luta para ele me perdoar que hoje estamos juntos. Cinco anos juntos. Se eu consegui, o senhor talvez consiga. O amor não é uma matemática exata, mas ele não se esfria de uma hora para outra.
— Obrigado, Patrick. Você é como um filho pra mim.
O empresário pegou a bengala e saiu imediatamente ainda antes do horário previsto para o encontro.
...
Às quatro da tarde, Júlia se despediu de Zoraide e saiu rumo ao escritório do seu advogado. Não tinha a total certeza de assinar o divórcio, mas pensou no motivo de tal ato e prosseguiu. Entrou no carro particular e pediu ao motorista para ir ao local marcado.
O trajeto era simples, o escritório ficava no centro da cidade. Entretanto, o veículo se distanciava cada vez mais do ponto de encontro.
— Com licença, esse não é o caminho.
— Eu sei — disse Hugo retirando o boné e os óculos escuros. — Por isso estamos indo a outro.
— Eu sabia... isso deve ter dedo da mamãe. O que pretende me sequestrando?
— Deus do céu. Você é muito dramática. Quero apenas te levar a um lugar especial.
— Quero descer.
— Não.
— Ah não. Pois vou ligar para a polícia.
Mas antes de ligar, seu celular tocou. Ela atendeu, porque era Zoraide. A idosa perguntou sobre o reencontro com o marido e aconselhou para que ela o ouvisse.
— Valeu, sogrinha!
— Mamãe!
Hugo pediu para ela se acalmar, e que o destino deles era muito especial.
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