Johnny... O bom detetive
111 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 11: Recomeço entre pai e filho
Notas iniciais
Abraçado ao Johnny, Francisco abriu os olhos. Aparentemente não se feriu com o tiro.
— Vocês estão bem? — Perguntou Rodrigo enquanto segurava uma pistola.
Ambos assentiram. Olharam para a direção de Jacques e viram-no caído no chão com um tiro no ombro.
— Você nos salvou, Rodrigo. Obrigado. Eu sabia que você prestava para pelo menos alguma coisa.
— Aff, pare de brincadeira, detetive. Se não fosse por minha habilidade ninja, vocês teriam morrido. Ainda bem que escutei o choro do bebê. E também tenho que ficar cara a cara com aquele ali.
Logo depois o delegado Renan apareceu e pegou a arma do beta. Minutos antes Rodrigo havia pego a pistola do coldre dele sem a sua permissão. O Foster riu e implorou para não prendê-lo.
— Ainda bem que você não o matou. Agora temos o verdadeiro culpado pelas mortes — falou Renan. — Chamem uma ambulância para carregar esse daí.
Johnny se lembrou de Lucas e saiu dali para vê-lo. Orientaram-no a ir para a parte de fora da fábrica, pois o moreno havia sido levado pelos socorristas.
— Esperem, por favor. Eu sou o noivo dele. Vou acompanhá-lo.
Os paramédicos permitiram a entrada dele na ambulância, fecharam as portas e saíram.
Enquanto isso, Rodrigo pediu para Fredd não interferir em sua conversa com o mordomo. Aproximou-se dele e agachou.
— Por que você fez tudo isso? Tanto ódio, tanto rancor. Para mim, você era da família. Ainda me lembro que você cuidava de mim quando eu era criança. O senhor matou o meu pai, destruiu a minha família e tentou destruir a do Johnny. Por quê?
Mesmo sangrando, Jacques riu da cara de Rodrigo, cuspindo saliva com sangue em seu rosto.
— Eu nunca senti... empatia por você, moleque. Odiei até o último... momento a sua família... Principalmente seu... pai. Aquele traidor imundo. Hahaha... Olha a sua cara. Vai chorar?
Rodrigo se levantou, limpou o rosto com um lenço e saiu de perto do velho. Abraçou Fredd.
Outros paramédicos levaram Jacques ao hospital, e dali o seu destino era a penitenciária. Quem sentiu um alívio foi Francisco.
— Obrigado, senhor Foster.
— Seu Chico, e como tá meu irmãozinho?
O beta começou a brincar com o bebê.
...
No hospital, Johnny Zawaski aguardou na sala de espera enquanto os paramédicos levavam Lucas até a unidade de tratamento intensivo. Havia a suspeita uma substância tóxica ter sido injetada em seu sangue. Por duas horas ficou esperando alguma notícia do médico responsável. A demora em saber de quaisquer notícias, misturada com a cadência daquele ambiente hospitalar que mais cheirava álcool e desinfetante, deixou o ômega aborrecido e ansioso.
O médico apareceu, dando uma boa notícia. Lucas tomou um medicamento na veia para se desintoxicar e passar bem. Johnny respirou aliviado, sabendo que o pai do seu filho viveria.
— Posso falar com ele?
— Pode ficar ao seu lado, mas no momento está dormindo.
Horas depois, Lucas acordou da sedação. A visão turva e a mente embaralhada impediu do rapaz de ter plena consciência. Passaram mais alguns minutos até perceber que o seu amado ômega dormia sentado ao lado. Johnny parecia tão tranquilo.
A enfermeira sorriu ao vê-lo acordado e disse que o ômega havia ficado por horas no hospital. Agradeceu a ela, acordando o noivo na sequência.
Então ao acordar de uma boa soneca, Zawaski abraçou Lucas. Sentiu-se emocionado depois de vê-lo bem.
— Eu que sinto alívio por você não tá morto. O que aconteceu?
— Depois eu te conto tudo o que rolou. Precisamos sair daqui... —
O celular dele tocou. Era a sua mãe avisando que Hugo fora liberto da cadeia.
...
Ninguém esperou por Hugo na delegacia. Nem a esposa, nem o filho. Ele pensou que tudo isso era o castigo por tanto mal que fizera.
O advogado cumprimentou o colega. O delegado Renan desejou sorte a ele.
— Agora que estou livre, não sei ao certo o que fazer. Como prosseguir.
— Devia começar do jeito mais fácil. Visite o seu filho primeiro.
O empresário fez exatamente o que falou. Pediu ao motorista para ir até o hospital.
— O que o senhor faz aqui?
— Calma, amor. O seu pai parece mesmo arrependido. Melhor os dois conversarem sozinhos.
Hugo pediu para Johnny acompanhá-lo até a cafeteria.
— Você espera que eu te agradeça por ter se acusado para proteger o Lucas? Crê que um gesto de bondade redime uma vida de decisões cruéis?
— Não. Eu sei que você nunca esquecerá o que eu fiz, mas te peço que me perdoe. Podemos começar de novo. Como pai e filho de verdade. Estou aqui te pedindo uma chance para mostrar que eu mudei.
Johnny virou o rosto. Estava dividido entre aceitar ou não o seu pai. Passou a mão na barriga e pensou no seu filho em primeiro lugar. Nascer numa família desestruturada como o filho de Francisco não era o que ele desejava. Lágrimas começaram a sair dos seus olhos. Confessou a sua gravidez e que fazia isso pelo seu filho. Ambos, pai e filho, se abraçaram. A vida de sofrimento e abusos ficou para trás, e um recomeço tanto para o pai quanto para o filho.
...
Enquanto isso, Rodrigo visitou Francisco também no hospital. Depois de brincar um pouco com o bebê e cumprimentar o ex-gerente, fez uma ótima oferta para ele ir trabalhar para o casal.
— Obrigado, senhor Foster. Eu lhe devo a minha vida. Se não fosse por sua intervenção, eu morreria pelas mãos do meu próprio irmão. Agradeço a proposta. Aceito trabalhar para vocês.
— Então está feito. Quando sair daqui, já pode me avisar, ok? Quanto mais rápido melhor.
O beta levantou os braços, espreguiçando-se. Entrou com Fredd no carro.
— O que foi?
Rodrigo parou no sinal vermelho, encostando a cabeça no volante.
— Sabe o meu maior sonho?
— Qual?
— Ser pai. Eu sei, sei que sou beta. Não posso engravidar. Por isso penso em ir embora para Auckland. Quer casar comigo, adotarmos filhos e vivermos juntos com nossos cachorrinhos até envelhecermos?
— Eu topo. Aceito a sua proposta.
Os dois se beijaram apaixonadamente. Os carros atrás buzinavam, pois o semáforo ficou verde.
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