Johnny... O bom detetive

110 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 10: Ódio fraternal - Parte 2


Abrindo os olhos abruptamente, Johnny acordou do desmaio. Ainda sentia a corrente elétrica do tazer pelo seu corpo.

— Lucas? Acorde, meu amor. — O alfa sequer mexia um músculo. Viu um pequeno furo de seringa em seu pescoço. — Ah não. Jacques, o que você fez?

Lucas fora sedado. Ao lado dele estava o advogado morto na luta corporal anterior. Procurou por Francisco, mas já não estava naquele andar. Pensou em descer pelo elevador, mas o segurança baleado se arrastou e falou com ele.

— Ele... ele não foi por aí...

— Aonde foram?

— De-depósito de cargas. Espere... tome a minha arma... extra no meu tornozelo.

Era um revólver. Johnny agradeceu a ele e falou que a ajuda estava a chegar. O segurança segurou o braço do rapaz e contou algo importante antes de ele ir. Depois de ouvir, correu para a porta que dava acesso à passarela.

O elevador abriu com os policiais.

Há cinco minutos, Jacques conseguiu se desvencilhar do advogado, pegar a arma e matá-lo com um tiro na barriga. Pegou a arma de Olavo que estava com esse advogado e saiu atrás do irmão.

Câmeras de segurança da área administrativa foram desligadas a mando do agora finado Olavo. As da passarela e do depósito de cargas foram dribladas pelo plano óbvio do mordomo de cobrir a sua cabeça com o seu paletó.

Francisco correu pela sua vida e a do filho. Viu o quanto o seu irmão era perigoso.

Trabalhadores viram o homem de meia idade entrar no depósito.

— Que faz aqui? — perguntou um supervisor, segurando o ômega pelo braço.

— Solte-me! Ele vai nos matar.

— Calma. Você é ômega?

O ex-gerente deu uma mordida no homem e fugiu entre as máquinas dos enlatados. Produtos passavam pelas esteiras, além de máquinas trabalhando a todo o vapor.

Os funcionários viram Jacques descer as escadas metálicas até chegar ao pátio do depósito.

— Vocês viram um sujeito com um bebê no colo?

— Ele foi até a fábrica.

O mordomo não esperou pela orientação do funcionário. Caminhou tranquilamente.

Uma empregada perguntou ao ômega o motivo de se esconder, mas ele sequer abriu a boca. O bebê começou a se irritar e soltar gemidos.

— Por favor, meu filho.

Mais uma vez Jacques cobriu a cabeça com o seu paletó, chamando a atenção de todos ali. Deu um tiro para o alto, dispersando os empregados.

— Melhor assim.

Nesse ínterim, Johnny acordou.

Uma maquina continuou a trabalhar, derrubando as latas no chão. Atrás dela estava Fracisco. Ele ficou agachado, olhando por baixo. Viu os pés do irmão caminhar de maneira tranquila e pausada. Parou do outro lado da máquina.

Jacques observou as esteiras com as latas bem na sua frente. O som metálico delas caindo no chão atrapalhava a sua percepção. Andou pelo caminho entre duas esteiras, deu a volta e apontou a pistola. Não havia mais ninguém. Escutou passos.

— Francisco!

Era o chamado de Johnny. Observou por todos os lados. A fábrica era imensa. Um maquinário atrás do outro.

— Se você tá aí, por favor, responda-me.

Perto de uma das máquinas havia um painel com botões e uma tela de toque tal como nos celulares. Leu os comandos e apertou no botão de parar a produção. As máquinas pararam.

Caminhou com muita atenção. Afinal o algoz estava armado com duas pistolas, e um silenciador numa delas.

Jacques se escondeu atrás de umas caixas. Apontou a arma com silenciador na direção do detetive. Não era fácil atirar daquela distância, mas ele fora campeão estadual de tiro ao alvo na juventude. Apontou na cabeça.

— Vamos, pare um pouco. — Sussurrou a si mesmo.

O pequeno brilho metálico da pistola apareceu no campo de visão de Francisco. Escutou Johnny, porém não respondeu. Quando viu melhor que era uma arma, gritou.

— Detetive, abaixa!

O mordomo deu dois tiros. Pegou de raspão na orelha esquerda de Johnny, que havia abaixado rapidamente. Agora ele sangrava e sem um pequeno pedaço da orelha.

A voz de Francisco orientou Johnny. Ao chegar perto de uma máquina, viu Jacques atrás do irmão e apontando o cano da outra pistola na cabeça dele. A arma com o silenciador havia esgotado.

— Solta a arma!

— Você, primeiro, detetive. Não tem vantagem nenhuma com essa arminha.

— Não faz isso, Jacques. Renda-se — disse Francisco abraçado ao filho.

— Calado! Não tem mais volta. Aposto que a polícia já viu a cena do crime. Minha vida não tem mais sentido. Só o que me resta é matar vocês.

— Jacques, por favor. Fica calmo. Você não tá com condições para fazer uma besteira dessa. Francisco tem razão. O que pensa em fazer após nos matar?

— O que eu penso? Matar-me. Agora largue essa arma.

— Não.

— Larga ou eu estouro os miolos dele.

Sem saída, Johnny jogou o revólver, levantou os braços e pediu para ele o trocar com o Francisco.

— Senhor Johnny, não devia ter feito isso. Ele vai matar a mim de qualquer jeito.

— Calado.

A discussão estressou a criança. O choro estridente ecoou por todo aquele recinto.

— Quando eu virar pai dessa criança, ensinarei uma boa lição nela. Menino mimado. Odeio meninos mimados.

A arma ficou apontada para Johnny. Dessa vez era Zawaski quem ficou na mira da arma.

— Que ironia. Vai morrer para a pessoa que você menos suspeitou, detetive. Se isso serve de consolo, pelo menos nós três estamos aqui, entre ômegas. Eu sou recessivo, o senhor um médio e meu irmão aqui uma puta dominante. O clube dos ômegas.

O mordomo preparou a arma para atirar. Sem nenhuma saída, Johnny fechou os olhos.

— Para com isso, irmão. Para já!

— Fica aqui. Melhor fazer o moleque parar de chorar ou ele vai ser o primeiro.

Jacques puxou o gatilho.

— Quê? — Mas nada ocorreu.

— As armas do Olavo e daquele cúmplice dele foram esvaziadas pelo segurança ferido. O pobre advogado foi orientado por ele a te ameaçar com uma pistola sem munição.

O velho empurrou o irmão sobre Johnny e correu na direção do revólver no chão. Apontou a arma na direção das costas de Francisco.

Um tiro.

— NÃO! FRANCISCO!! — Esbravejou Johnny.