Johnny... O bom detetive
106 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 06: Ganancioso
— Sabe, você é muito burro. Veio sem nenhuma ajuda. Talvez a prisão do seu pai mexeu no seu cérebro. É, eu leio jornal — Olavo apontava a arma enquanto Johnny dirigia. — Eu prometi vingança pela merda que você fez contra mim. Anos planejando tudo, e um ômega fodido resolveu me destruir. Você não sabe o quanto eu te odeio.
— O que pretende fazer conosco? Vingar-se não valerá em nada. Sabe disso. Eu fiz apenas o meu trabalho.
— Fez o seu trabalho... MAS ATRAPALHOU O MEU!!! FILHO DA PUTA!!! ARROMBADO!!! — gritou no ouvido do detetive. O barulho acordou o bebê.
— Calma, filho. — O bebê chorava.
— Odeio crianças. Por isso não criei muita empatia pelos meus filhos. Faz essa merda parar de chorar.
— Olavo, pelo menos poupe a criança. Ela não tem culpa.
No entanto, o Foster estava aparentemente alucinado. Batia com a arma na cabeça e ria descontrolado. Tudo isso mostrou que Foster era uma pessoa bastante perigosa e instável.
...
Rodrigo abriu a porta de casa. Tanto Lucas quanto Jacques apareceram.
— O que houve?
— Vou sem rodeios. Johnny sumiu. Parece que tem a ver com o teu irmão.
— Droga.
— Por que "droga"? Rodrigo, por favor, fala!
O beta explicou tudo sobre a liberdade provisória do seu irmão, das ameaças que ele fazia por telefone, e o medo de que algo ruim pudesse acontecer.
Lucas praguejou. Deu tudo errado. Johnny era orgulhoso até demais para pedir ajuda, preferindo agir por conta própria.
— Mas o que faremos? — Questionou Fredd.
— Boa pergunta. E agora? Falamos com a policia?
Sem delongas, Lucas respondeu a Rodrigo que conhecia um homem capaz de ajudar.
— Ele desligou o celular. É... sem sinal. Até nisso o teu irmão pensou. — O alfa tentou sair sozinho, mas Rodrigou foi junto. Logo o mordomo e Fredd seguiram. Os quatro estavam no carro.
Na ida para o centro da cidade, Lucas respondeu que esse era o motivo da sua ausência no dia da morte da Bia. Tanto ele quanto Johnny visitaram um amigo hacker chamado Gileade, e por isso eles evitaram de falar a verdade para a polícia.
— Um amigo hacker? Pensei que isso só existia nas produções hollywoodianas.
— Baby, não esqueça que eu trabalhei para a máfia com o meu pai. Hackers existem sim.
— Oh, Henkel, meu amor. Tava brincando. E então, como vamos saber da localização do JonJon?
...
O delegado pediu as filmagens das câmeras de segurança de todas as farmácias dentro dum raio de duzentos metros de cada local que os suspeitos moravam ou trabalhavam. A única que ficou isenta era Marion.
— Ela estava numa boate clandestina que tem na praia quando ocorreu o assassinato. Portanto, não há a mínima chance de ela ser a pessoa que matou Beatriz.
Os policiais conseguiram pelo menos três farmácias. Uma perto da casa de Johnny, uma perto do hotel Marina e uma perto da casa de Júlia Zawaski.
— Onde é isso? — perguntou Renan ao ver uma filmagem na delegacia.
— Farmácia... Ela fica perto da casa de Johnny Zawaski, senhor.
Eles viram um empregado que trabalhava no balcão sair pela porta do fundo.
— Tem uma câmera na parte externa?
— Só na parte da frente. Atrás há um beco. Atrás tem um prédio que tem uma câmera.
— E pediram?
— Claro que sim. A nossa sorte é que ela também gravou.
Na filmagem, o empregado acendeu a um cigarro. Logo uma outra pessoa apareceu. Pagou com dinheiro e recebeu um tipo de sacolinha.
— Isso é muito estranho. Eles negociam como um traficante e cliente. Pra que fazer compras escondido?
— Ou pode ser que esse seja o assassino. O cara da farmácia seja um fornecedor de drogas. — Falou o inspetor.
Renan pediu para ampliar a imagem para ver melhor os rostos. Apenas do fornecedor ficou evidente na filmagem, haja vista estava de frente para a câmera.
— Quero um reconhecimento facial desse sujeito. Depois mandem uma viatura para essa farmácia e tragam esse homem o mais rápido possível.
— Sim, senhor.
...
Rodrigo parou o carro numa vaga perto de uma lanchonete no centro. Perguntou ao Lucas sobre esse hacker.
— Quero que me façam um favor. Fiquem aqui. Gileade não confia nem mesmo na sua sombra. Ele com certeza me expulsará se ver três pessoas a mais comigo.
Eles assentiram.
O alfa saiu do carro e foi para a lanchonete fazer todo o esquema até chegar no esconderijo do hacker.
— Não creio que serei atormentado por vocês de novo — disse o hacker apontando uma faca no pescoço do Lucas.
— Sabe exatamente o porquê de eu estar aqui, Gileade. Esqueceu o tempo que passei aqui na semana passada?
— Aquele lance de hackear o corrupto do seu pai?
— A outra coisa.
— Ah não. Não me diga que o sabichão foi pego em alguma armadilha? Isso foi rápido, não é? E ainda tem nego dizendo que ele é o melhor detetive do estado. Muahahaha.
— Enfim, ele sumiu. Não consigo me comunicar com ele. Preciso do seu dispositivo localizador que está com ele.
O loiro foi até a sala de operações. Mexeu num software sofisticado que servia como localizador. Era algo muito usado por agências de espionagem ou federais.
— Pensei que os detetives tivesse licença para ter isso.
— Não temos. O governo não nos deixa sermos autossuficientes.
Gileade conseguiu uma localização exata de Johnny. No radar, um pontinho vermelho em movimento.
— Ele está se afastando da cidade. Deve tá uns 100 quilômetros.
— Merda. Aonde ele foi?
...
O lugar no qual Olavo Foster voltou era de conhecimento dos detetives, porque era um ambiente que eles se acostumaram por dias.
— Eis aqui o muquifo que papai deu de presente pra você e usando Rodrigo como laranja.
Era no hotel da Serra de Guaramiranga. Eles entraram. Não havia mais hóspedes pois o local fechou depois que Francisco se rendeu.
— Trabalhou quanto tempo aqui, hein, Francisco? E foi aqui que gravaram meu áudio, detetive?
Johnny não respondeu de imediato. Olavo, porém, sabia que o silêncio era um "sim".
— O que pretende?
Olavo levou todos à sala do gerente, abrindo uma parede falsa atrás dum quadro. Mostrou o testamento escondido.
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