Johnny... O bom detetive

107 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 07: Herança maldita


Atrás do quadro, o testamento original feito por Nestor Foster. O documento escondido num compartimento secreto na parede fora descoberto por Olavo enquanto vivia na sua prisão domiciliar. Ele mexeu os seus pauzinhos para conseguir o que mais queria. O mais impressionante era o fato de não estar em poder de Rodrigo ou num banco.

— Eu não sou simplório. Descobri o testamento durante um período delicado dos envolvidos. Rodrigo achou que escondendo numa parede falsa salvaria do meu radar.

— O que você vai fazer com isso? — perguntou Johnny.

— Quero que o senhor Francisco Lulia faça um novo testamento passando tudo que recebeu ao meu nome por meio de um nome de um laranja que escolhi. O advogado e tudo estará pronto para você assinar, e o detetive será testemunha.

— Eu nunca vou ser testemunha desse crime.

— Vai ser sim. Se não for, eu mato o bebê.

Francisco implorou para que não machucasse o seu único filho. Johnny, porém, não estava convencido de que Olavo pouparia todos ali.

— Aonde vamos agora?

— Calma, senhor Johnny, relaxe, afrouxe o nó da gravata, solte os ombros. Vamos para a fábrica.

...

O sinal do radar apontou uma mudança de curso.

— Mais parece que ele está voltando. Olha.

— Aquele safado do Johnny deve tá aprontando alguma por trás dos panos.

— O que disse?!

— Calma, mano. Calminha. Eu só dei a minha humilde opinião. Esqueceu que eu conheço teu mozão de outros tempos? Sei de quem falo. Johnny nunca foi um modelo ideal de ômega. Nunca daríamos certo como namorados. Eu sou demais pra ele.

Lucas fez cara de deboche.

— Bora se concentrar no que é mais importante?

— Pfff Ahuahuah Ficou com ciuminho? Aê... quer saber de um segredo meu? Para mim o Johnny é só mais um féladaputa filhinho de papai. O socialistazinho de iphone. E tem o fato de ele ser ômega... o que não me interessa. Meus interesses são outros — disse dando um tapinha na bunda do outro. Obviamente Lucas ficou surpreendido. — Digamos que provavelmente mudei os meus gostos.

— Vá procurar o seu novo gosto em outro lugar, punk maldito.

Gileade riu da cara de surpresa do moreno. Cruzou as pernas sobre a mesa onde ficavam os computadores.

— Pode levar o aparelho. Depois quero que me paguem. Não aceito reembolso. E Lucas...

— Quê?

— Diga a ele que, como forma de parabenizar pelo bebê, eu mandei um beijo na pedra do anel dele. E que anelzão Muahahahahaha.

Lucas mostrou o dedo do meio e saiu do esconderijo de Gileade. Do lado de fora, os demais aguardavam.

Estava para escurecer. Lucas deu o endereço e pediu para que Rodrigo fosse avisar ao delegado Renan sobre o possível rapto de Johnny por parte de Olavo. O beta ficou inconformado, pois queria ir junto.

— Dê-me a chave do seu carro.

— E como eu vou até esse delegado sem carro?

— Duas quadras ali fica um ponto de táxi. Faz isso por mim?

Rodrigo assentiu, porém não quis aceitar pegar um táxi enquanto outro dirigia o seu carro. Pediu ao Lucas para não arranhar ou avariar.

— Bora, Fredd. É nisso que dá ser amigo desses viados.

— Calma, bebê.

Lucas entrou no carro. Viu Jacques ao seu lado e questionou-o do porquê não ir com Foster. O mordomo explicou que a sua consciência não o deixaria em paz enquanto pensar no seu irmão.

— Tudo bem. Eu te levo.

— Obrigado, senhor.

...

Renan finalmente ficou cara a cara com o trabalhador da fábrica e suposto traficante. Na sala de interrogatório pressionou o homem a falar a verdade e revelar a identidade do sujeito estranho.

— Não falo nada. Apenas na frente de um advogado.

— Mas a gente não o está acusando de nada... ainda. Sabe, senhor Pedro Henrique Mello Silva, estamos envolvidos num caso seríssimo de duplo assassinato. Chegamos a uma teoria de que o homem que comprou-lhe essas substâncias é o nosso assassino. Não precisamos ser inteligentes para vermos na filmagem que era o senhor ali. Você tem dois caminhos: negar-se e ser posteriormente considerado cúmplice ou falar a verdade e fazer um acordo judicial pegando uma pena mais branda. Você sabe que nós não pegamos leve com traficantes. Você tem muita sorte de ser um maldito traficante de remédios, e não um noiado ligado ao PCC.

O suspeito teve que concordar com os termos, porém pediu um advogado para ser acessorado. Assim um defensor público aceitou o caso.

Fotos dos seis suspeitos foram colocadas sobre a mesa. As mulheres foram imediatamente retiradas. Ele olhou bem as fotos restantes.

— Nenhum, senhor.

O acusado deu mais detalhes das características físicas do sujeito. O desenhista fez um retrato falado.

— Já vi essa pessoa antes.

O inspetor chamou por Renan, dizendo que um tal Rodrigo Foster, amigo de Johnny e Lucas, estava pedindo para vê-lo. Ele pediu para esperar.

Lembrou-se daquele rosto no desenho. Inacreditavelmente passou despercebido.

...

Olavo ficou atrás, enquanto o segurança na frente e apontando a arma para Johnny. Eles passaram um bom tempo na estrada até chegarem à BR-116.

— Vocês devem estar se perguntando sobre o tipo de advogado que eu consegui. Ele não é o melhor, mas dá para o gasto.

— Um advogado de porta de cadeia.

— Calado! — Falou o segurança.

— Melhor dirigir, senhor Zawaski. O senhor não sabe de nada. Preciso manter o meu futuro garantido a qualquer custo. Pude contratar um advogado unicamente para me ajudar com a herança.

— Você ficou louco. Crê que poderá sair dessa sem consequências. Quando a polícia se der conta, será um procurado pela interpol.

— Então melhor eu ir para um paraíso fiscal. Longe da jurisdição da interpol. E eu já pensei no meu futuro num resort de luxo nas Maldivas, vendo o Índico todos os dias da varanda da minha mansão, enquanto vocês ômegas continuarão as suas vidinhas chupando alguns paus sebosos.

Francisco evitou olhar para o rosto de Olavo, concentrando-se apenas no seu filho.

— Porra. Quanto tempo para chegarmos?

— Estamos quase chegando, chefe.

Apesar da palavra de Foster, Johnny não acreditou. Definitivamente Olavo tentará matá-los assim que Francisco assinar a transferência da herança.