Johnny... O bom detetive
105 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 05: Vingança

Dois dias depois...
O carcereiro apareceu diante da cela. Hugo dormia. Então o agente do estado acordou-o com a notícia de que teria uma visita do advogado. O homem se espreguiçou. Depois de 48 horas preso, havia mudado de roupa. Agora vestia uma conjunto azul de calça e camisa de moletom.
Na sala de interrogatorio da delegacia, o advogado disse detalhes do que houve durante o tempo da prisão. As ações do grupo Zawaski caíram fortemente na bolsa de valores, além de perderem contratos importantes. Mas tudo isso foi irrelevante ao preso.
— Seu filho aparecerá aqui pela tarde.
— Como assim?
— Ele decidiu fazer-te uma visita. O delegado concordou. Afinal é o seu filho.
Nem mesmo o fato de ficar preso deixou Hugo ansioso. Nunca pensou que o seu filho o visitaria.
...
Na agência, o movimento era maior do que o esperado. Os detetives conseguiram pegar vários casos, inclusive criminais. Os únicos que não quiseram foram Lucas e Johnny.
Depois do almoço, eles deixaram a agência nas mãos de Selma pois voltariam para casa mais cedo.
— Quer que eu vá contigo? — Perguntou enquanto dirigia.
— Não. Preciso ficar sozinho com ele. Afinal somos pai e filho mesmo que não queiramos.
Algum tempo depois, Johnny, arrumado, colocou o paletó preto e ajustou a gravata da mesma cor. Sua imagem no espelho era vislumbrante. Mais parecia um modelo de revista.
Lucas abraçou-o por trás e pediu que tomasse cuidado.
...
O delegado Renan, de folga, almoçava com a esposa numa churrascaria.
— Preciso comprar meus inibidores — disse a ômega.
— Claro.
Pararam numa farmácia.
Durante a compra dos remédios, algo veio à mente do delegado. Olhou em volta. Uma farmácia. Um local cheio de remédios e substâncias que podiam ser tóxicas para alguns humanos.
— Droga...
— O que foi, amor?
— Eu preciso ir à delegacia.
— Hoje? Mas não é o seu dia de folga?
Ele não explicou todos os pormenores. Falou à esposa para pedir um táxi. Pelo celular, disse ao inspetor sobre o que veio à mente. Provavelmente o assassino trabalhava ou teve contato com uma farmácia para conseguir as substâncias.
...
Mais uma vez o carcereiro apareceu diante da cela, levando Hugo para a sala de visitas. Agora era o seu filho quem estava lá.
— Nem parece você. Vestido assim mais parece um empresário.
— Chega de rodeios, coroa.
Ambos sentaram.
— Conte-me a verdade. Não foi o senhor quem matou Bia e Marion.
— Ora... Por que se preocupa com isso, filho? Eu já me confessei, e já acharam um culpado.
— Mas isso não faz sentido nenhum. O senhor nunca foi o tipo de pessoa que se sacrifica pelos outros. Pelo contrário! Agora me vem com isso? Quer proteger o Lucas? Por quê?
— Acredite, meu filho. Depois que perdi a memória no acidente, eu virei outra pessoa. Passei por provações pesadas, e até castigos dolorosos. Até hoje tenho que usar bengala por causa da minha perna. Quando convivi com os índios, eu passei por uma transformação. Tudo isso faz parte da minha provação. Do meu castigo. Fui muito cruel no passado. Esse é o preço a se pagar.
— Eu nunca te pedi ajuda. Parece que isso tudo é uma forma de redenção. Acha que é o suficiente para eu te perdoar?
— Não sei. Só você tem essa resposta.
Johnny engoliu em seco. Por um momento acreditou no seu pai, mas não deu o braço a torcer.
O celular do detetive tocou. Um número desconhecido. Ele pediu licença a Hugo e saiu da sala.
— Quem fala?
— Boa tarde, senhor Zawaski. Há quanto tempo?
— Olavo.
— Exatamente. Aquele homem que você pôs na cadeia. Ainda bem que lembrou-se de mim.
— O que você quer? A polícia sabe que está fazendo ameaças?
No banco traseiro do carro, um segurança mantinha Francisco e o bebê reféns. Olavo ficou ao volante com o carro parado numa vaga de estacionamento.
— Eu acho que o senhor não entendeu. Essa não é uma conversa de comadres. — Enviou uma foto de Francisco e o filho para o whatsapp do detetive.
— O que você fez com eles?!
— Não pergunte. Aceite o seu destino. Quero que venha a um endereço que eu disser. Se vier com mais alguém, policial ou civil, se trouxer um celular ou algum aparelho que possa ser rastreado, eu mato os dois. O senhor sabe que eu mato. Para mim não foi difícil me livrar do papai.
Johnny, nervoso, assentiu. Despediu-se do pai, mas antes falou para entrar em contato com o Lucas.
Olavo não usava mais a tornozeleira. Um profissional havia retirado sem que a polícia soubesse. O rastreio permaneceu inalterado, por isso o criminoso conseguiu fugir.
— O que vai fazer conosco? — perguntou o ômega.
— Logo saberá. Quando Johnny vier, tudo acabará em breve.
Hugo achou a atitude do filho estranha. Ele parecia nervoso com algo. Quis ajudar, porém a sua condição nada favorecia.
— Quero falar com o meu advogado. Uma ligação.
O policial assentiu.
Ainda no apartamento, Lucas olhou as horas. Passava das quatro da tarde. Johnny estava demasiado atrasado.
— Deseja algo mais, senhor?
— Não, Jacques.
O celular dele tocou. O advogado de Hugo falou acerca da visita na delegacia. Deu o recado a ele.
— O senhor Zawaski disse que o seu filho atendera um telefone e que isso deixou-o ansioso. Depois o senhor Johnny mandou um recado.
— O que é?
— Para o senhor falar com um tal Rodrigo sobre o irmão dele.
— Não me diga. Tudo bem. Obrigado pela informação — desligou.
— O que houve, senhor?
— Não sei. Eu preciso falar com o Rodrigo. Mas acho que vou pessoalmente.
— Espera! Posso ir com o senhor?
Lucas assentiu. Preparou a sua pistola e saiu com Jacques para o apartamento de Rodrigo e Fredd.
...
O carro de Johnny parou num terreno perto da estrada. Pegou um caminho de terra até chegar ao local. Olavo esperava em pé enquanto Francisco e o filho eram mantidos com o segurança dentro do carro.
— Bem na hora.
— O que quer?
— Essa é a minha vingança. Reviste-o. Eu cuido desses dois.
O segurança revistou. Nada encontrou. E assim Johnny foi levado cativo.
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