Johnny... O bom detetive

104 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 04: Confissão de culpa


— Quer dizer que foi por causa da chantagem que o senhor matou a Beatriz? — perguntou Renan bastante interessado na confissão.

— Correto.

— E por que o senhor resolveu confessar só agora? Encontramos algumas evidências que apontaram Lucas Souza como autor dos crimes. Senhor Zawaski, conheço a sua imagem pública, e posso afirmar que o senhor não é um homem que faz as coisas sem propósito. É deveras intrigante que esteja agora se acusando depois de não dizer exatamente o que fez naquele dia.

— É a pura verdade. Se você acredita ou não, é um problema seu. Você é um agente da lei, portanto precisa cumprir com os seus deveres. Ela me chantageou e decidi acabar com a vida dela pois já fazia hora extra na Terra. Ela era o demônio em pessoa, e eu sabia que o chantagista é assim: você oferece, paga e continua sendo ameaçado. Chantagistas não param de pedir dinheiro. E eu sabia o que estava para acontecer. Eu fiquei por aqui — Hugo gesticulou com a mão no pescoço.

— E como foi?

— Eu aguardei o melhor momento até entrar no prédio pelo estacionamento.

— Segundo os laudos do IML, ela levou pelo menos dois tiros após ser drogada no pescoço por uma seringa. As balas são compatíveis com o calibre da pistola do senhor Souza. Pode me dizer com o que o senhor drogou a sua ex-nora? Que tipo de substância tóxica usou para paralisar os músculos da vítima?

Hugo, porém, não conseguiu responder a essa pergunta. Não sabia que Bia havia sido drogada segundos antes de ser baleada. Assim ele respirou fundo e disse que conseguiu por um fornecedor online, e que não sabia os detalhes da substância.

— Eu também matei Marion Loyola. Aquela garrafa de vinho... envenenei. Usei para matar meu filho e o seu namorado.

O advogado pediu basta. Era um absurdo ele se acusar de algo mais grave ainda. Porém, Hugo continuou.

— Eu sempre odiei o meu filho e o seu namorado. Quis matá-los.

O delegado ouviu tudo atentamente. Também não conseguia entender o motivo do empresário em se acusar.

...

Lucas ficou sentado no fundo da cela. Não sabia as horas, nem se era tarde ou noite. O policial apareceu, pegou a chave e abriu o portão.

— Quê?

— Pode sair. As acusações contra você foram retiradas.

No corredor de espera, todos viram Hugo sair escoltado pelos policiais até as celas. Ninguém entendeu o motivo de ele ser levado. Na ida, Lucas cruzou caminho.

— Senhor Hugo? — Mas foi ignorado.

O advogado explicou sobre a prisão dele. Mas, por mais que não gostasse do pai, Johnny não entendeu o motivo daquela prisão.

O misto de emoções se fez maior quando Lucas apareceu diante deles. Recebido por um beijo e um abraço, o moreno falou que manteve-se tranquilo todo o tempo.

— Okay. Podem voltar para casa. Eu verei o que faço aqui. — Falou Júlia. Ela ficou acompanhada do advogado e do secretário.

Na volta para casa, Lucas foi quem dirigiu. O detetive não tinha cabeça para prestar atenção. A prisão do seu pai foi algo que "explodiu o seu cérebro". Nada ali fez sentido.

Quando o carro se aproximou do portão da garagem, a figura de Paulo apareceu, impedindo a passagem do automóvel.

— O que esse cara tá fazendo aqui? — resmungou Lucas, rangendo os dentes.

— Calma. Eu resolvo isso. Vai com o Jacques. — Beijaram-se. Johnny saiu do veículo.

O CEO apareceu com um semblante decaído. A morte da sua mãe pegou de surpresa a ponto de impactar a sua postura de homem imponente. Nem parecia aquele Paulo exuberante e ereto. Não usava paletó, e a gravata torta.

— O que faz aqui?

— Soube que o seu pai confessou que matou a Bia e a minha mãe. Ainda não consigo acreditar.

— Paulo, nunca daria certo entre nós dois. Você é a antítese do ser humano ideal para eu me apaixonar. Pensei que havia deixado claro em nunca mais me procurar.

— Espera. Eu só preciso confessar algo de suma importância e tirar esse peso da consciência. Eu me envolvi contigo por causa do seu pai. Foi num dia em que estávamos numa reunião de negócios em São Paulo. Ele havia dito que você tinha se separado da Bia, e que estava disposto a conseguir outro alfa para o seu filho.

— Típico dele.

— Aceitei. Pensava que você era fácil como as mulheres que eu havia me relacionado. Ledo enganado. Um dia, a Bia me encontrou também em São Paulo. Combinamos que se ela me ajudasse a te conquistar, e eu pagaria cinco milhões a ela. Mas com o tempo aquela mulher vivia me atazanando. Ela queria mais e mais dinheiro sem mover uma palha para me ajudar. Só depois que eu percebi no buraco que me meti.

Johnny olhava Paulo com incredulidade. Nunca imaginou um complô entre os três indivíduos. Pensou na Bia e no Hugo como iguais, mas Paulo não tinha nada a ver com eles.

— Só quero te pedir desculpas por tudo. É isso.

— Adeus, Paulo. Eu nunca mais na minha vida quero te ver. É sério mesmo. Some. Volta pra São Paulo. Agora preciso entrar.

Foi a última vez de fato que Paulo teve contato com Johnny.

...

O moreno quis saber do teor da conversa, mas Johnny apenas contou superficialmente.

— Os senhores querem algo?

— Não, Jacques. Pode ir descansar — respondeu Zawaski.

A maior preocupação agora era com o seu pai.

— Não faz sentido, cara. Meu pai não é esse santo. Ele nunca foi.

— Eu o vi mudado. Esqueceu que eu o resgatei?

— Papai nunca foi filantropo. Nunca foi uma pessoa com o mínimo de bondade. Ele se encheria de advogados para se proteger, não o contrário. Mesmo que fosse culpado, ele não assumiria.

— O que acha que houve?

— Não sei. Esses dias estão sendo difíceis para mim, Lucas. Creio que estou mais sensível por causa da gravidez.

Lucas deu um abraço no seu amor. A última coisa que queria ver era Johnny triste. Nem a notícia da sua prisão deixou-o aflito tanto quanto ver Johnny decaído.

— Vamos sair dessa.