Johnny... O bom detetive
109 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 09: Ódio fraternal - Parte 1
Sem nenhum pudor, Jacques fumou um cigarro inteiro sem emitir uma palavra. Apenas o som da combustão do tabaco e do papel foi ouvido.
Olhando para o rosto incrédulo de Johnny, pegou um cigarro do maço e pôs nos lábios dele. Acendeu para que o detetive fumasse.
— Sei que fuma, senhor Johnny. Não seja tímido. Aproveite bem.
— Você acaba de dizer que é o verdadeiro assassino? Que palhaçada é essa?
As viaturas chegaram ao portão externo da fábrica, e os policiais exigiram que os seguranças abrissem imediatamente. Sem demora, a passagem ao local foi concedida sem resistência.
— Escuto barulho de sirene. É a polícia. Jacques, conte a verdade. Meu pai foi preso por sua culpa.
O mordomo apagou o objeto sobre a mesa. Segurou bruscamente Johnny, apertando suas bochechas com uma mão.
— Essa é a minha sina. Desde o dia em que aquele ali veio ao mundo para acabar com os meus dias de paz, nunca tive um dia de sossego. — Apontou para o irmão.
— Jacques, irmão, porque esse rancor todo? O que eu te fiz?
— Posso listar? Você roubou o homem que eu desejava. Não falo do inútil daquele caseiro, falo do Nestor Foster. Desde a mocidade eu gostava dele assim como gostei do pai dele. O Foster Senior me engravidou quando eu era bem jovem, mas tive um aborto espontâneo e virei estéril. Depois me apaixonei pelo meu jovem mestre, Nestor, mas ele se apaixonou pelo lado podre da minha família. Por quê?
— Você sabe! Ele que veio atrás de mim no Boca de Veludo. Ele que ficou obsessivo. Eu me apaixonei também. Você nunca teve coragem de se confessar. Esse foi o problema. Tem inveja de mim por eu ser mais novo e ser um ômega dominante e fértil.
Johnny apenas observou calado a discussão de ambos.
— Eu jurei que acabaria com a tua vida. Por isso esperei um bom tempo até manipular Olavo Foster a contratar um assassino para matar o pai. Não foi difícil. Manipular um alfa mandrião foi mais fácil do que tirar pirulito de criança. Aquelas fotos que ele descobriu teu caso com o Nestor... lembra? Obra minha.
As sirenes ficaram mais fortes. Dessa vez o ancião pegou a arma e foi até a janela. Teve uma vista privilegiada da pista que dava acesso ao portão de entrada. Viu os carros bem ao longe.
— Matar Nestor conseguiu me dar mais dor de cabeça do que esperava. Não calculei que o senhor Johnny aqui entraria no caso. Infelizmente Olavo foi preso antes de destruir a própria família.
— Seu doente — Johnny repreendeu. — Fez tudo isso só por inveja do teu irmão? Uma família inteira foi destruída por seus ators cruéis por trás das cortinas.
O semblante do idoso continuou inexpressivo. Deu alguns passos, virou-se e olhou para Zawaski.
— Sou niilista. E como tal eu tenho uma visão fora da caixa. Desculpa. Não consigo viver dentro da casinha. E por isso que estou te castigando por se meter nos meus planos. Destruir a sua família também, Johnny Zawaski. Prometi a mim mesmo que te destruiria e quem tivesse ao seu redor. Foi por isso que também manipulei a sua ex-esposa pouco tempo depois do caso Foster terminar.
— Peraí. Você conhecia a Bia?
— Antes do término da investigação, pedi ao caseiro Leandro para investigar teus círculos familiares. Depois da investigação conheci a moça no shopping. Antes ela era muito ríspida comigo, mas, à medida que fui contando a história da sua investigação, mais ela foi se interessando e logo me tornei um tipo de mentor. Foi por isso que ela fugiu para São Paulo a fim de se aliar com aquele moço paulista.
— Paulo...
— Isso. Nada ali foi por acaso. Sempre nos comunicávamos. Até que eu soube da culpa dela na morte de duas pessoas e que ela passava por um sufoco judicial. Daí ela me ligou e falou que pensava em extorquir seu pai, te matar e fugir do país. Combinamos que eu ajudaria na entrada dela no prédio.
— Achei muito conveniente a garagem estar aberta para ela passar.
— Coloquei uma muda de roupa embebida com álcool no térreo. Ateei fogo. Logo houve um desespero e o vigia saiu do seu posto sem fechar o portão, facilitando pra mim. Desci ao subsolo, aguardei a Bia chegar, pus as minhas luvas, injetei um forte sedativo nela e usei essa arma para matá-la em seguida.
— E a Marion?
— Aquela mulher morreu de idiota. Aquele veneno era para vocês. Depois o teu pai seria preso porque aquele vinho havia saído da adega dele, e não havia um rastro meu naquela garrafa.
— Você é um monstro, Jacques — disse Johnny bastante atormentado com a revelação. — Mas é o fim da linha para você.
— Ainda não. Vamos aproveitar esse tempinho que temos entre ômegas. Andando.
Ele apontou a arma para os reféns e pediu para ambos saírem primeiro. Contudo, o mordomo sequer sabia que o advogado se escondera debaixo da mesa do escritório.
— Aonde vamos?
— Mostrar uma coisa.
Fez Johnny abrir o banheiro. O detetive viu Lucas desmaiado e com as duas mãos amarradas para trás com fita adesiva.
— O que fez com ele?
— Isso — usou uma arma de choque na nuca de Johnny. — Os três formam uma bela família, não?
— Três?
— Ah sim, irmão. Você não sabia? O senhor Zawaski está grávido. Pena que ainda tá no começo, por isso não dá para ter essa criança. Mas o meu plano principal tá nos seus braços.
Francisco abraçou forte o seu neném. Entendeu que o psicopata do irmão falou.
— Meu plano inicial era acabar contigo, mas agora o plano é eu ficar com a guarda do seu bebê como pai.
Jacques pegou um galão de álcool que havia pego no depósito de limpeza.
— Não faça isso!
— Eles vão morrer queimados. Daí você será culpado pelas mortes de todos neste andar. Aí ficarei com a guarda do meu sobrinho. Esse é o seu destino.
Antes de jogar o álcool, Jacques foi segurado por trás pelo advogado. Este mandou Francisco fugir com o bebê.
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