Johnny... O bom detetive

79 Parte 07: Zawaski // Capítulo 01: Caso encerrado


— Não sei de tudo o que ocorreu durante a vida e a morte do senhor Foster, e sequer o conheci, mas os relatos de Francisco e Leandro, além das revelações de Fernando, são suficientes para formarem uma linha investigativa sólida. Os fatos são esses e o senhor está preso pela morte do seu pai.

Olavo, a princípio, não reagiu à fala do detetive. Pensou no próximo passo, mas a essa altura não conseguiria fugir. Entregou-se.

Enquanto Johnny falava os direitos do acusado, Lucas pegou as algemas e prendeu os seus punhos.

Do lado de fora, a troca de tiros terminou quando os capatazes se entregaram e foram presos. Um carro de bombeiros entrou na propriedade a fim de apagar o incêndio e uma ambulância levou Rodrigo e Fredd ao hospital.

Jarbas impediu que o piloto fugisse. Todos os cúmplices de Olavo seriam investigados.

O próprio Olavo Foster saiu algemado da casa, colocado na parte traseira da viatura com o seu piloto. Por um breve momento ele encarou Johnny com olhar de fúria.

— Você está bem? — Perguntou Lucas com a preocupação de sempre.

— Tranquilo. Finalmente posso tirar umas férias depois disso. Não vejo a hora de ver o meu saldo bancário.

— É por isso que você tá preocupado com a saúde do Rodrigo? Que cruel.

Jarbas explicou aos dois que a polícia se encarregou da fábrica e o piloto do jatinho colaborará com as investigações. No caso da Nathália, ele explicou que ela também estava encrencada como cúmplice e obstrução de justiça, mas que era possível uma solicitação de acordo com a promotoria para acusar de vez Olavo.

— Muito obrigado, detetives. Infelizmente esse é só o começo para a jornada que é condenar Olavo.

Eles cumprimentaram o delegado e partiram para o hospital visitarem Rodrigo.

O beta recebeu oxigênio e manteve-se internado à noite para ter os seus pulmões monitorados. Fredd ficou como acompanhante, apesar de também ser paciente.

— Como estão os pombinhos?

— Johnny! Como foi?

Lucas também apareceu no quarto e ficou mais afastado. Johnny sentou na beirada da cama.

— Seu irmão verdadeiramente planejou a morte do seu pai. Ele foi preso e é quase certeza que ficará um bom tempo na cadeia.

— Merda. Nunca pensei que ele fosse capaz de fazer isso. Tenho medo de saber do que ele pode ser capaz de fazer com qualquer um. Tem mais alguma novidade?

— Parece que a tua irmã tem algum envolvimento nisso, mas eu não sei o grau disso. Francisco possivelmente será liberto pois sofria ameaça. Leandro foi preso pela morte do seu pai e pelo estupro de Francisco. Fernando foi preso por ser o assassino.

— Deus do céu. Eu vivia com uma quadrilha e não sabia. Ainda bem que nasci diferente dos meus irmãos. Agora não entendo o que houve de errado. Quando a minha família desandou desse jeito?

— Enfim, senhor Foster. Como prometi, eu livrei a cara do seu namorado e terminei a investigação. Vamos falar de cifrões.

Lucas suspirou quando o assunto do dinheiro iniciou. O ômega era muito ganancioso e só pensava no pagamento.

...

Alguns dias depois...

Fora da agência, Johnny e Lucas passaram poucos dias viajando pelo nordeste na sua pequena férias. Os demais detetives continuaram trabalhando normalmente após a conclusão do caso Nestor Foster — e inclusive eles bateram palmas aos dois quando retornaram. E sem a ameaça do pai do chefe, os detetives puderam trabalhar sossegados.

Trabalhando em sua mesa, Selma recebeu uma ligação da recepcionista. A informação era curiosa. Segundo ela, um homem bem vestido e bonito apareceu perguntando sobre Johnny. Ele não pediu para deixar recado, mas a sua presença imponente chamou a atenção.

— Deve ser algum cliente que resolveu não se identificar. Obrigada pela informação.

Grupo Zawaski Hotelaria

A matriz brasileira da maior rede de hotéis da América Latina ficava em Fortaleza. No litoral da cidade havia um complexo com 3 edifícios no chamado parque da marina. Os dois menores possuíam 10 andares e o maior com 25 andares. Os 20 andares eram apartamentos que faziam parte do hotel enquanto os últimos cinco ficavam os escritórios do grupo. O local era bem verde e com uma imensa piscina azul do tamanho de dois quarteirões, quadras esportivas, restaurantes, academias e árvores frondosas. Do outro lado havia um porto particular onde os clientes passeavam de iate e barcos.

No 25° andar ficava o escritório presidencial de Hugo.

Um homem belo , vestindo um terno preto, alto e de olhos verdes apareceu na sala do presidente. Era Patrick Fernandes, o assistente alfa de Hugo.

O escritório era todo revestido com madeira. Nas paredes havia quadros e máscaras de povos indígenas.

— Com licença, senhor.

— O que é?

— A sua esposa está na sala de espera. Posso chamá-la.

— Sim. Antes quero saber se o senhor Paulo Loyola já veio de São Paulo.

— Chequei mais cedo. Ele já está na cidade. Mais alguma coisa?

— Não, Patrick. Obrigado.

Júlia entrou no escritório do marido e sentou na cadeira. Foi recebida amistosamente pelo esposo.

— Precisamos conversar sobre o divórcio do nosso filho. Sugiro que deixemos nossas diferenças de lado em prol da integridade do Johnny. Não podemos permitir que aquela salafrária continue tendo o nosso sobrenome.

Hugo ofereceu bebida à esposa, porém ela negou. Em seguida, o empresário voltou para o assento.

— Bia já é uma carta fora do baralho. Tenho um outro plano ao Johnny.

— Do que fala?

— Quando eu fui para São Paulo reencontrei o filho da Marion Loyola. Eu o convidei a se encontrar com Johnny.

Mais uma vez Júlia sentiu que Hugo meteu os pés pelas mãos.

— Não podia fazer isso. Esqueceu que ele tem namorado?

— Aquele tal de Lucas não me passa confiança. Eu sempre vou odiá-lo.

— Bom, não será você nem o filho da Marion quem dirá quem sai ou não com o Johnny. Mas é melhor deixá-lo saber disso o quanto antes para não aprofundar a briga entre vocês. Enfim, tem mais outra coisa. Parece que a tua nora está envolvida em assassinato.

Júlia contou sobre o homem da filmagem e que a polícia reconheceu-o.