Johnny... O bom detetive
80 Parte 07: Zawaski // Capítulo 02: CEO
São Paulo, SP
Ana Beatriz se refugiou na capital paulista a fim de evitar qualquer retaliação da família Zawaski. Ouviu nos últimos dias que a polícia procurava por Paulie, porém ainda não identificaram o corpo dele. Era questão de tempo até ser envolvida na morte dele e da empregada. Piorou ainda quando soube da repentina morte de Sebastian. Se por um lado era uma notícia ruim já que não havia mais aliados, por outro foi um alívio ter que perder uma testemunha valiosa dos seus crimes.
Num hotel na Avenida Paulista ela ganhou uma estadia por tempo ilimitado com a ajuda de Paulo Loyola. Vestida com um roupão, abriu a sua mala e contou uma quantia de dólares que chegava a 63 mil em espécie. A sua conta bancária havia sido cancelada já que era conjunta com a do Johnny, e todo o dinheiro foi para o seu ex-marido. Na sua conta pessoal havia pouco mais de cem mil, mas ela havia gasto quase metade desde que foi para São Paulo.
— Meu dinheiro está acabando. Vai demorar muito para que o acordo termine.
De fato a sua situação financeira não era das melhores. Acostumada ao luxo, aos poucos empobrecia, e o acordo do litígio não era favorável. Por conta das traições recorrentes, a família de Johnny pagará apenas 5% dos bens dele, mas ela pedia um acordo de 20% com sucesso quase zero. Sua única saída era ajudar Paulo a conquistar definitivamente Johnny e assim ser recompensada com os cinco milhões de reais.
Entretanto, a investida do herdeiro Loyola tinha grande chance de fracassar. Por mais que o alfa dominante fosse forte e belo, Johnny estava apaixonado por Lucas.
Resolveu fazer as malas e retornar para o Ceará o quanto antes.
...
No aeroporto, Johnny e Lucas retornaram da pequena férias de quatro dias. Foram dias hospedados em Pernambuco e Bahia.
Ambos pegaram um táxi. Johnny usava um lenço no pescoço pois estava com marcas de chupões e mordidas. Era uma loucura.
O casal voltou para a casa de Lucas quando viram Selma conversando com o zelador.
— O que faz aqui? — perguntou Lucas.
— Preciso dizer algo interessante. Vocês me convidam?
— Claro. — Respondeu Johnny.
Dentro do apartamento, Selma preferiu tomar apenas água enquanto via o casal arrumar as coisas.
— Vocês vão se mudar?
— Johnny faz questão. Se dependesse de mim, não.
— Eu sou uma pessoa muito espaçosa, querido. Sabe o quanto tive que aguentar viver nesse cubículo? O novo apartamento será na Aldeota. Melhor e mais perto de tudo.
Ela interrompeu a pequena discussão do casal para falar sobre a presença de um homem no outro dia. Johnny não prestou atenção até saber que o sujeito procurava por ele.
— Vai ver é algum cliente. Ele é bem vestido? Porque se for já sei que é rico.
— Não liga. Conhece o Johnny. Quando o assunto é dinheiro...
— Meninos, prestem atenção. Eu também pensei assim. Ele apareceu do nada para a recepcionista dias atrás, mas apenas perguntou por ti. Quando foi ontem eu vi o sujeito. Ele é alto, bonito e loiro. Sabe aquele ator de novela mexicana... o tal Levi alguma coisa? — Ambos ficaram sem entender. — Oi?
— Desculpa. Nenhum de nós assiste novela. É um hábito que pretendemos levar para o resto das nossas vidas — respondeu Johnny sentando no sofá.
Selma pegou o celular e foi buscar o nome e a foto do ator parecido com o sujeito. Era o ator William Levy.
— Tem certeza que esse homem parece com esse ator? — Johnny admirava a foto.
— Mais ou menos, mas a vibe era a mesma. Com certeza ele deve ser um CEO frio e calculista como das fanfics que eu leio.
Lucas pegou o celular de Selma e pediu para ela guardar e não mostrar mais a imagem. Sentou-se ao lado do namorado e ficou com a cabeça sobre o seu ombro. Johnny achou fofo aquele pequeno ataque de ciúme.
— Conversei com ele. Deu-me um cartão dele. — Ela retirou da bolsa e entregou ao detetive. — Pediu para entregá-lo.
— Deve ser alguém querendo meu serviço. Infelizmente cheguei de viagem, mas ainda tenho alguns dias de férias. Só darei atenção nisso aqui após a minha mudança.
Ele viu o sobrenome Loyola e tentou lembrar. Lucas perguntou o motivo de Johnny estar tão sério.
— Acho que ouvi esse nome em algum lugar.
Grupo Zawaski
Na manhã da segunda-feira, Hugo chegou ao escritório. Recebeu a notícia de que Paulo o aguardava na sala de reuniões. Antes de entrar na sua própria sala, foi ao encontro do rapaz.
— Hugo.
— Patrick me disse que estava na cidade, mas eu não recebi notícia tua. Há quanto tempo está na cidade?
— Desde quarta-feira. Desculpa aparecer assim de uma hora para outra. Também não culpe o seu secretário por me ceder a sala de reuniões.
O senhor Zawaski convidou Loyola para o seu gabinete. Pediu a Patrick que não perturbasse durante a conversa com o convidado.
— Eu fui ao local onde o seu filho trabalha. Não foi muito difícil pesquisar essa informação já que o seu filho é reconhecido como o melhor detetive do estado.
— Eu odeio esse título. É muito vergonhoso o herdeiro do grupo ser um mero detetive particular.
— Eu acho interessante. O filho de um dos homens mais poderosos do país querer viver como um cidadão de classe média.
Hugo se levantou da cadeira e caminhou até a vidraça da frente onde dava para ver o oceano.
— Esse é um motivo de vergonha. Além de ter um herdeiro ômega, a minha esposa teve problemas no útero e o meu filho se recusa a trabalhar pra mim. Não há maldição maior do que isso.
— Hugo, não deve ser ruim ter um filho ômega. Não conheço nenhum ômega a nível pessoal, mas demonizar o seu filho só porque ele é ômega não acho que seja um bom caminho. Talvez o que afasta vocês é o seu temperamento.
Zawaski suspirou. Nem mesmo as palavras de Paulo o convencia.
— Esqueça a minha relação com o Johnny. O que me importa é a tua com ele.
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