Johnny... O bom detetive
99 Parte 07: Zawaski // Capítulo 21: Chantagem
— Mas não faz muita diferença, não é? O que você acha ou deixa de achar nunca influenciou o meu relacionamento com o Lucas. Eu só lamento ter perdido vários anos da minha vida por sua causa. Eu podia ter aproveitado mais a felicidade, e o que houve? O senhor me deu uma louca de presente.
— Eu... lamento tudo isso.
— Lamenta? Vai mudar as crueldades que sofri? Não. É inacreditável como o senhor pode ter a cara de pau de vir até mim querer alguma coisa.
Da mesma forma como explicou a origem da sua frieza para Lucas, ele o fez com o filho. Mostrou-se arrependido de ter feito coisas ruins no passado. Falou sobre a perda de memória e a convivência com os indígenas.
— O que o senhor espera que eu faça? — Perguntou com vontade de chorar.
— Não sei. Isso vai depender de você.
Negando com a cabeça, Johnny não teve a coragem de perdoar o pai.
— Não pai... — Disse com as lágrimas escorrendo. — Não sei se consigo te perdoar.
Hugo, também aos prantos, entendeu que não era o momento para a reconciliação. Achou melhor dar um tempo para o filho e assim ter a resposta necessária.
— Não vou te forçar. Entendo o seu desprezo comigo. Darei todo o tempo necessário a você.
Não houve reconciliação, mas o reencontro dos dois deixou Johnny abalado. Por mais que desprezasse o seu pai, havia ainda uma parte dele que queria acreditar na tal mudança.
...
Por volta da 13:30, alguns funcionários retornaram do almoço na agência. Selma achou estranho o fato de Johnny ser o único a retornar.
— O que houve? E o Lucas?
— Ah, dona Selma. Não tem trabalho pra fazer?
— Só estou curiosa.
— Desculpa. Ele disse que tinha algo para fazer, mas não me disse o que era.
Johnny sequer se importou com a saída de Lucas sem dizer onde ia. Sua mente estava focada em seu pai.
Às 14:40, Paulo se arrumou para pegar o próximo voo para São Paulo. Tentou ligar para Marion, mas o celular dela estava desligado.
— Mamãe, onde a senhora está?
Sem saber o paradeiro da sua mãe, Paulo saiu da suíte e avisou à recepcionista do hotel que não terminasse a reserva do quarto pois ele se atrasaria para o voo e provavelmente não o pegaria. Depois, Paulo saiu sem dizer o seu destino.
Às 15:05 Júlia retornou para a casa depois de passar quase o dia todo fora.
— Que houve?
— Eu posso saber aonde você foi e ficou por todo esse tempo? — perguntou Zoraide.
— Ah, mamãe. Assuntos pessoais.
Ela não explicou direito o motivo da sua saída repentina. Não demorou muito até ela tomar um banho e se arrumar para sair outra vez.
Mesmo com a preocupação da mãe, Júlia não disse o seu destino.
Às 16:55, Johnny não recebeu nenhuma notícia de Lucas depois do almoço. Ele passou a tarde toda fora e sequer deu uma explicação. Tentou ligar para ele, mas o celular dava na caixa-postal.
Angustiado, resolveu fechar a agência mais cedo. Não havia casos novos.
— Está tudo bem? Parece-me que não se sente bem.
— Eu estou bem. Apenas ficar sem notícia do Lucas é o pior. Melhor irmos.
Selma saiu da agência com o patrão. Ele estava visivelmente incomodado, e não era com o desaparecimento de Lucas. Era algo a ver com o pai? Ou com a gravidez? Enfim, ela decidiu não se preocupar mais com isso.
...
Uma forte chuva caiu sobre Fortaleza no final da tarde. Era por volta das 17:30 quando o aguaceiro caiu. E como sempre veio os transtornos urbanos que sempre afligia a capital cearense.
Pela manhã, Hugo trabalhava na mansão por recomendação médica. Porém estava decidido a voltar para a empresa e saudar os empregados.
— Vamos.
Ordenou ao motorista. Dessa vez ele não quis ir de helicóptero.
A sua decisão de ir visitar o trabalho ocorreu antes da sua ida ao seu filho. Antes de ir à empresa, passou para ver Johnny e tiveram aquela conversa. Depois ele foi para o grupo.
Patrick e os outros funcionários deram as boas vindas ao chefe.
Depois de mais um dia de trabalho, Hugo parou por recomendação médica. A sua perna começou a doer um pouco. Viu pela janela do seu escritório a chuva torrencial cair na cidade.
— O senhor vai sair agora?
— Sim, Patrick. Tenha uma boa tarde.
— Boa tarde, seu Hugo.
Ele caminhou vagarosamente com a sua bengala até o elevador. Desceu à recepção do hotel, falou com os funcionários e se dirigiu para o carro.
Uma mulher morena quis ajudá-lo.
— Obrigado.
Assim que ele entrou no carro, a mulher foi junto. Hugo estranhou e viu um revólver apontado para si.
— Estava com saudade, sogrinho.
— Você?!
— Você é o ditado em pessoa: quem é vivo sempre aparece. Melhor mandar o motorista sair daqui.
O carro parou de baixo de uma árvore, longe do hotel.
— O que você quer?
— Sabe que a polícia tá na minha cola, não é? Eu preciso do senhor para garantir o meu futuro.
Ela mostrou fotografias imprimidas ao homem. Eram imagens reveladoras do dia em que se embriagou.
— Então... Vai me ajudar ou prefere que a Júlia veja isso?
— A que ponto nós chegamos. Eu ser chantageado por uma mulherzinha como você.
— Eu apenas tento sobreviver. É o seguinte, preciso sair do país sem passaporte. Você vai me ajudar com isso. Também preciso de uma quantia de um milhão de dólares. Ficarei acordada a noite toda. Espero esse dinheiro numa maleta e com a minha ida para fora desse país até as seis da manhã.
— É muito pouco tempo para muito dinheiro.
— Para você é troco de pão.
— Você é burra? Claro que não é muito para mim, e sim para o sistema, para o banco. Sacar uma quantia dessa em horas é quase impossível.
— Sei lá. Se vira. Aqui está o meu número. Não faça bobagem ou mando essas fotos para o email da sua esposa.
Bia abriu o guarda-chuva e saiu no meio do temporal.
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