Johnny... O bom detetive
100 Parte 07: Zawaski // Capítulo 22: Luva preta
— A que ponto nós chegamos. Eu ser chantageado por uma mulherzinha como você.
— Eu apenas tento sobreviver. É o seguinte, preciso sair do país sem passaporte. Você vai me ajudar com isso. Também preciso de uma quantia de um milhão de dólares. Ficarei acordada a noite toda. Espero esse dinheiro numa maleta e com a minha ida para fora desse país até as seis da manhã.
— É muito pouco tempo para muito dinheiro.
— Para você é troco de pão.
— Você é burra? Claro que não é muito para mim, e sim para o sistema, para o banco. Sacar uma quantia dessa em horas é quase impossível.
— Sei lá. Se vira. Aqui está o meu número. Não faça bobagem ou mando essas fotos para o email da sua esposa.
Bia abriu o guarda-chuva e saiu no meio do temporal.
A atitude beligerante e audaz dela perturbou Hugo Zawaski de uma maneira jamais vista. As fotografias eram reais, lembrava um pouco do dia da bebedeira, mas a revelação da mulher ser a sua ex-nora foi um baque.
— O que faremos agora? — perguntou o motorista preocupado com a saúde do patrão.
— Eu queria voltar para casa e descansar, mas não posso. Não com aquela mulher me chantageando — rasgou as fotos. — Você tem algo especial para fazer essa noite?
— Não, senhor.
Hugo imediatamente saiu em meio à chuva e pediu ao motorista sentar no banco do passageiro enquanto ele se posicionava ao volante.
— Preciso da sua ajuda essa noite. Ligue pra sua mulher e diga que fará hora extra.
— Mas o senhor está bem? Consegue dirigir?
O empresário respondeu com ação. Mesmo com a perna engessada, conseguiu dirigir. Seu destino era desconhecido.
Bia viu o carro do ex-sogro passar. Pediu um uber. Falou ao homem dirigir até o endereço de Paulo.
— Sim, estou a caminho. No máximo uns quinze minutos eu chego aí. Vai tá tudo certo para eu entrar lá? — Disse ao celular com alguém misterioso.
Ela teve muita cautela para não transparecer qualquer suspeita ao motorista.
Zoraide achou estranho a filha passar literalmente o dia todo fora. Chamou Cecília para fazer compainha.
— A tia nunca foi de sair e desaparecer assim. Talvez ela esteja envolvida em algo sério.
— Isso que me preocupa. Ela ultimamente sempre me deixa preocupada. Ela não aceitou voltar com o Hugo, porém afirma que o perdoou. Será que tem algo a ver com isso?
— Só tome cuidado com a sua saúde, tia avó. A tia sempre foi uma mulher forte mesmo à sombra do tio Hugo.
Durante o trajeto para a casa de Johnny, o uber ficou no meio de um engarrafamento. Os quinze minutos se estenderam para muito tempo.
— Droga. Não tem como ir por um trajeto não especificado no aplicativo?
— Calma, moça. Está muito apressada?
— O que você acha?
— Sinto muito. Preciso seguir o caminho que está no GPS.
Ela ficou irritada. Preferiu não discutir mais.
...
Os papéis transferindo a presidência da fábrica foram assinados por Rodrigo. Nesse mesmo dia a herança de Nestor foi lida e, conforme solicitado pela justiça, a parte de Olavo Foster foi dividida pelos irmãos. Como os Foster estavam com um novo herdeiro, as partes tornaram-se três.
O telefone da casa tocou. Era Olavo parabenizando o irmão caçula pelo grande feito. Na ligação, o primogênito ameaçou o mais novo.
— Olha aqui. Eu não tenho medo das suas ameças, cara. Você que fez essa merda para si mesmo.
— Você se acha muito esperto, Rodrigo. Pobre de você por ter cruzado o meu caminho. E pobre daquele ômega imundo por ter me colocado na cadeia. Escute o que digo: a hora de vocês se aproxima.
Fredd pediu ao namorado para desligar e não ouvir mais.
— Não fica com medo — abraçou o beta.
— Não tenho medo. É sério. Pode não parecer, mas eu sou muito forte. Estou preocupado é com Johnny e Francisco.
— Acha mesmo que o seu irmão vai se vingar neles?
— Tenho certeza. Francisco deu à luz a um herdeiro e aquele que tirou o direito legítimo de Olavo. Johnny foi o agente que o prendeu. Para piorar ambos são ômegas e Olavo odeia ômegas.
— Vai dar tudo certo.
...
Por volta das 19:03 o uber parou alguns metros longe da entrada do prédio. A mulher pagou o homem e saiu do carro. Preparou-se mentalmente para matar o Johnny. O seu revolver estava totalmente carregado.
Por cinco minutos ficou aguardando algum movimento da garagem.
Um carro se aproximou do portão. O porteiro abriu a garagem do subsolo para o veículo sair. Mas alguem o chamou de repente, dando alguns segundos necessários para ela entrar despercebida.
Bia desceu a rampa do subsolo. Assim que entrou, guardou a sombrinha na bolsa. Caminhou alguns metros e ficou procurando o elevador. O local era repleto de carros.
O aparelho celular dela tocou convenientemente nesse momento. O número era de Paulo. Não deu atenção e desligou.
Caminhou entre os carros. Achou o elevador. Esperou algum tempo pois ele estava no vigésimo andar.
Durante a espera, uma pessoa misteriosa se escondia atrás de um carro. Viu o elevador abrir e a mulher entrar.
Ela revisou a sua bolsa para ver se tudo estava no lugar. Percebeu que não havia câmeras.
As portas do elevador começaram a fechar até uma mão aparecer e interromper o processo. Elas reabriram automaticamente. A mão estava dentro de uma luva de couro preta.
— Você aqui? — Perguntou à pessoa misteriosa.
O porteiro terminou de fazer o que havia chamado a sua atenção e percebeu que deixara o portão da garagem aberto. Da guarita escutou um grito agudo de mulher vindo do subsolo.
Alguns moradores que estavam no playground foram com ele até a garagem e viram uma casal chocado na frente do elevador. O porteiro foi verificar.
Havia uma mulher aparentemente desmaiada dentro do local. O porteiro entrou e verificou o pulso dela. Aparentemente não havia sinal de batimento cardíaco.
— Melhor não mexer no corpo. Alguém chame a polícia.
E esse foi o fim de Beatriz. Ela tentou vitimar alguém, no entanto foi vitimada.

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