Johnny... O bom detetive

97 Parte 07: Zawaski // Capítulo 19: Reencontro e revelação


— Maldito! Maldito. Como pude ser tão idiota!

Bia ficou completamente fora de si ao saber que foi roubada pelo amigo. Era o seu único dinheiro fora do banco. Ela dependia dele enquanto aguardava o dinheiro que Paulo depositaria. Agora não tinha mais nada.

Quebrou as coisas no apartamento. Cansou-se e pensou em algo. Lembrou do sequestro de Johnny. Agora que a sua liberdade estava por um triz, pensou em pedir dinheiro aos pais dele em troca da sua liberdade. Ligou para o Bira.

— Atende...

O celular dele tocou no momento en que ameaçava a professora.

— Ela quem?

— Cala a boca! Não era para isso ter acontecido. Sai de perto da porta.

— Calma.

Os adolescentes ficaram apreensivos enquanto a professora permanecia quieta para não irritar o bandido.

O detetive se afastou da porta com bastante cautela. Quando Bira caminhou para perto da saída, Johnny disparou contra uma televisão que ficava na parede. Os estilhaços caíram sobre o bandido. Imediatamente largou a professora. Na tentativa de fugir da escola, Bira se deparou com os policiais na entrada. Era o fim da linha.

Minutos depois, Johnny explicou que ele era detetive e que o bandido tinha ele como alvo.

— Eu até pensei em Olavo Foster como o mandante, mas fiquei surpreso quando ele disse "Ela".

Ele pegou o celular de Bira e viu o último número da chamada. Ligou de volta.

Bia atendeu, porém não se atreveu a falar primeiro.

— Não vai falar? — Ela ficou surpresa com a voz de Johnny. — Pois saiba que a casa caiu para você. Seu plano contra mim não deu certo, vou até o fim para te colocar na prisão... Bia.

Ela desligou imediatamente. O seu plano não deu certo, e de quebra o Johnny parecia saber sobre a mente por trás do sequestro.

...

Na delegacia, Bira não abriu a boca para dizer acerca da pessoa que o contratou. Era óbvio que a única pessoa além de Olavo a ter a audácia de contratar bandidos era Bia. Mas enquanto o energúmeno não revelava, não havia provas.

Sem dinheiro, sem a possibilidade de arrancar algo da família Zawaski e com a polícia em seu encalço, Bia resolveu agir. Abriu a bolsa e tirou o colar de esmeraldas. Sempre levava consigo. Um presente de Júlia. Agora era a sua única fonte de conseguir algo. Saiu do apartamento.

Apesar de ser domingo, conhecia um lugar na periferia onde vendia arma de fogo com numeração raspada.

Hotel Marina

À noite, Paulo se preparou para ir embora do estado. Desistiu de tentar algo com Johnny depois que soube sobre a gravidez.

Marion não quis aceitar a desistência do filho, mas ele estava decidido. Não podia ficar mais um dia.

— Nem tente me fazer mudar de ideia, mamãe. Preciso voltar. Não faço parte dessa cidade.

— Ainda acho que deveria lutar pelo rapaz.

— Desista. Com Hugo vivo agora será inútil continuar.

A campainha soou. Ele achou estranho uma camareira chegar sem a solicitação. Abriu a porta e permitiu a passagem dela.

Bia retirou o revólver de dentro da bolsa. Ela estava com a roupa de camareira e uma peruca preta.

— Mais uma vez estamos aqui reunidos como uma equipe. — Apontou a arma aos dois. — Que malas são essas? Vai cair fora depois do nosso acordo?

— Eu nunca concordei com esse acordo. Não vou te dar dinheiro mais.

— Muito corajoso falar isso na frente de um cano. Não me provoque. Sou capaz de tudo para conseguir o que quero.

— Minha querida, não podemos desembolsar um milhão do dia para a noite. Isso requer tempo.

— Não sou besta, Marion. Vocês são ricos. Um milhão de reais é troco para vocês.

— Mas você é procurada pela polícia. Não posso te dar um cheque, e reunir essa quantia vai demorar.

Ela ordenou a Paulo que entregasse tudo que havia de dinheiro em espécie. Com a arma apontada, foi até um cofre no seu quarto e retirou uma quantia de vinte mil reais.

— Tá bom pra você? Isso é tudo o que eu tenho.

— Melhor do que nada. Vai melhorar quando eu me encontrar com o Johnny. Aquele lá nasceu igual gato. Tem muitas vidas. Mas dessa vez a vida miserável dele está contada.

Paulo exigiu saber sobre o plano dela. Bia usou uma arma de choque para fazê-lo desmaiar. O mesmo fez com Marion.

— Vou matar o Johnny.

...

Por volta das nove da noite, o voo vindo de Manaus aterrissou no aeroporto de Fortaleza. Dele saíram Hugo, Júlia e Lucas.

Conforme recomendação médica, o empresário deveria ir ao hospital de sua preferência ou ficar de repouso em sua casa. Ele preferiu a segunda opção. Estava numa cadeira de rodas.

— Quer que eu ajude em mais alguma coisa?

— Não, querido. Volte pra casa.

Hugo segurou o braço dele.

— Você tem a minha total aprovação. Eu posso fazer algo para reparar o meu erro?

Lucas negou. Queria mesmo era ver o seu amado depois de dias fora.

Depois de deixar o casal Zawaski na mansão, o motorista levou Lucas até em casa.

— Valeu.

O moreno entrou no prédio, subiu pelo elevador e abriu a porta do apartamento. Viu Johnny dormir tranquilamente na cama. Deu um beijo em seu rosto. O ômega puxou o namorado para a cama.

— Pensei que dormia?

— Mamãe me ligou. Eu apenas me fingia. Nossa... eu tava subindo as paredes, sabia?

Eles se beijaram profundamente. Lucas estava a ponto de despir-se, mas Johnny interrompeu o ato.

— Eu preciso contar algo muito importante, Lucas. Não posso esconder mais.

— Do que está falando?

Johnny segurou a mão do alfa e levou ao seu ventre. Revelou para ele que esperava um filho dele. Explicou que engravidou quando fizeram sexo pela primeira vez no banheiro da fábrica.

A ficha de Lucas demorou a cair. Ele não entendeu direito.

— Você vai ser pai, cacete!

O moreno não conteve as lágrimas e abraçou o amado. Então Johnny resolveu esclarecer sobre o seu medo, a sua intenção inicial de abortar e a chantagem de Bia. Lucas, porém, não culpou o amado e aproveitou a boa nova.