Johnny... O bom detetive
98 Parte 07: Zawaski // Capítulo 20: Acerto de contas entre pai e filho
Os olhos de Lucas se encheram de lágrimas após saber da gravidez de Johnny. Respirou aliviado pelo aborto não ter sido levado adiante. Desde que se conhecia por gente, sempre sonhou em ter um filho. Ser pai de uma criança com o seu amado era um sonho.
Ambos se beijaram apaixonadamente. Há muito tempo não namoravam de forma mais romântica. O trabalho e a preocupação sobre o divórcio sempre foram um empecilho.
O moreno beijou o abdome sarado do seu namorado. Ainda não havia sinal de crescimento pois sequer completou dois meses. Mordiscou os mamilos rosados do parceiro.
— Urgh...
— Outra vez vai dar um de difícil?
— Não é isso. A janela tá um pouco aberta. Faz frio.
Lucas fechou o vidro logo acima da cabeceira da cama e tampou com as cortinas. Dali em diante eles se amaram bastante.
...
Enquanto isso, Hugo pediu mais uma chance à esposa. Decidido a salvar a sua família. Ela ainda estava reticente e quis saber a mudança repentina do marido.
Com o colar de sementes na mão, ele explicou tudo sobre o seu encontro com os índios. Foram dias estranhos, mas satisfatórios. A sua perda de memória ajudou na sua humanização.
— Eu já te disse. Ficarei tranquila no dia que o nosso filho te perdoar.
— Então tudo o que tenho que fazer é conseguir o perdão do meu filho.
A governanta entrou no quarto com uma bandeja na mão. Era o jantar dele.
— Por favor, fique.
— Não tenho intenção ainda de ficar. A minha condição já foi dita. Deixo você nas mãos da dona Maria.
A governanta, chamada Maria, ouviu todos os conselhos que a sua patroa deu. Depois disso Júlia esperou o motorista chegar e pediu que a levasse ao seu apartamento.
Hugo novamente ficou sozinho naquela mansão. A solidão veio repentinamente. Relembrou os dias em que ficou na aldeia. Todos os dias eram alegres, pessoas por todos os lados, festas e rituais até para comer. Sentiu inveja. Seu objetivo era reunir todos numa mesa farta e com muita alegria.
...
No dia seguinte, Paulo acordou do desmaio e viu a sua mãe ao seu lado. Ambos estavam atordoados.
— Preciso falar com Johnny. A vida dele está em perigo.
— Por que você está interessado no bem-estar daquele reles ômega? Já se esqueceu que ele te rechaçou?
— Ah... mudou de ideia? Antes era contra eu desistir.
— Vi que não vale à pena lutar por ninharia. E outra coisa. Estamos envolvidos numa situação perigosa. Aquela mulher tinha uma arma apontada para nós!
— Não, mamãe. Preciso contar para o Johnny que ele corre perigo.
Ele saiu imediatamente, deixando a mãe sozinha.
Era segunda-feira e os dois detetives estavam prontos para irem trabalhar. No café da manhã eles capricharam.
Jacques pediu permissão para ir à farmácia comprar os seus remédios. Por mais que fosse um idoso, ainda era ômega.
— Sim, pode ir. — respondeu Johnny.
Lucas pegou a chave do carro e disse para o amado esperar no apartamento enquanto ele fazia a compra do mês no supermercado.
— Em uma hora eu tô de volta.
O mordomo caminhou tranquilamente quando viu um carro parar na frente do prédio por volta das oito e meia.
Paulo saiu do veículo e perguntou ao vigia se podia entrar, mas ele se negou. Johnny deixou bem claro para Paulo não entrar.
O carro de Johnny saiu da garagem. Sem saber quem era o condutor, ele ficou na frente.
— Então você é Paulo, hã? Precisamos conversar — Lucas saiu e encarou o outro alfa.
— Suponho que você seja o namorado do Johnny.
— Noivo e pai do seu filho. Para alegria de uns e inveja de outros.
Seus feromônios se encontraram. Aquela parte da calçada ficou infestada, deixando até mesmo o vigia, que era beta, apreensivo.
— Você me parece tão simples. Não entendo como ele conseguiu vê-lo como sendo o seu alfa predestinado.
— Somos predestinados desde adolescentes. Um estranho como você não entenderia.
— É. Você tem uma resposta na ponta da língua para tudo, não é? Apesar de ser um simples alfa sem "pedigree". Mas eu não vim falar da gente, e sim do Johnny. Eu vim para alertá-lo sobre a ex-esposa dele.
— O que a Bia tem a ver com isso?
— Ouça-me.
Lucas ficou ouvindo tudo o que o outro alfa disse.
Um tempo depois, o moreno retornou com as compras. Jacques ainda não havia voltado, por isso apenas eles ajeitaram os produtos.
— Demorou. Que houve?
— Nada.
Enquanto isso, Júlia voltou da caminhada quando a sua mãe apresentou Paulo.
A mulher ouviu tudo o que ele tinha que falar e deduziu que estava na hora de agir.
Zoraide viu a filha se arrumar para sair.
— Filha, aonde você vai?
— Não posso permitir que aquela vagabunda faça mal a meu filho.
Ela se lembrou das palavras de Johnny. Nesse dia ele falou que o único jeito de ter paz era com a morte de Bia.
...
Com o carro estacionado numa praça, Bia conversava com alguém misterioso ao seu lado. A pessoa no banco do passageiro era irreconhecível.
— Então você vai me ajudar?
A pessoa concordou.
— Eu sabia que podia contar contigo. É hoje que vou matá-lo.
...
Johnny se preparou para ir ao trabalho quando alguém tocou a campainha da porta. Ele atendeu.
— O senhor? O que faz aqui?
Hugo apareceu diante dele depois de muito tempo. A última vez que se viram foi na empresa, mas dali para trás as lembranças eram desagradáveis.
— Posso entrar?
Johnny ficou reticente. Até estranhou quando Lucas deu bom dia ao sogro. O empresário usava uma bengala e caminhava vagarosamente, haja vista a sua perna ainda estava com os pinos.
— Sente-se.
O ômega não acreditou ao ver Lucas ser tão prestativo com o homem que o fez tanto mal.
— Aqui a almofada.
— Obrigado.
— Vou sair um pouco e deixá-los a sós.
O moreno saiu do apartamento e deixou-os cara a cara.
Johnny, desconfiado, cruzou os braços.
— Como você tá?
— Bem.
— Já falei com o Lucas. Dei a minha aprovação.
— Não faria diferença se você se oposse.
— Estou aqui para conversar. Tranquilize-se.
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